Segundo o historiador Professor Zoroasto Vianna Passos, "... o
baiano audaz, muito antes do paulista, já em 1555, senão antes, na
viagem de Spinoza, viera aos sertões de Sabará."
Chefiando a equipe de Vanguarda da Bandeira das Esmeraldas, o
Capitão Matias Cardoso de Albuquerque veio a ter às margens do Rio das
Velhas, descendo a Serra do Taquaril, "aproveitando uma encosta de
terra muito fértil com uma fonte de água puríssima de beber, afastada
do nível das enchentes e em ponto de boa vadeagem, essa Roça Grande
converteu-se em ponto obrigatório na travessia para o sertão e formou-se
como povoado que, provavelmente , é o mais antigo de Minas, que
sobreviveu aos outros no caminho das Bandeiras". Denominada Arraial
de Santo Antônio do Bom Retiro da Roça Grande, teve a freguesia
instituída em 1707 e elevada à categoria de Colativa em 1724, com
patrimônio doado pelo bandeirante Manuel de Borba Gato, que ali mantinha
moradas.
Historiadores dão como 1674 o ano da instalação dos primeiros
aventureiros com suas choupanas e toscas capelas. Certo é que Manuel de
Borba Gato foi um dos primeiros a descobrir o precioso metal amarelo às
margens do Rio das Velhas. Com a vinda do Fidalgo Dom Rodrigo Castel
Blanco à região em nome da Coroa Portuguesa, para assenhorar-se das
minas, desentendeu-se com Borba Gato. O assassinato do fidalgo foi
atribuído ao bandeirante paulista, que ficou foragido por cerca de 18
anos, mantendo, entretanto, comunicação constante com sua família em
São Paulo. Em 1698, quando de seu primeiro encontro com o governador
Arthur de Sá e Menezes, foi investido nas funções de Tenente-General do
Mato.
Em 1702, o Arraial da Barra do Sabará, surgido próximo a
Roça Grande, era considerado o mais populoso de Minas. Por ocasião das
cheias e a grande fome de 1700/1701, Minas Gerais do Ouro Preto e
Ribeirão do Carmo foram salvas por mercadores do Arraial da Barra do
Sabará.
O Paulista José Pompéu instalou-se com sua família, fundando
o Arraial do Pompéu. Pedro de Morais Raposo, juntamente com seus irmãos,
fundou o Arraial de Raposos, posteriormente desmembrado em três
freguesias: Santo Antônio do Rio Acima, Rio das Pedras e Congonhas de
Sabará (atual Nova Lima).
Em 1710, era aberto um "caminho novo na
encosta da montanha", ligando a fervilhante Barra do Sabará,
movimentado centro de comércio de gado, escravos e mantimentos, com o
Arraial de Tapanhuacanga, no extremo do povoado.
A paróquia foi
instituída em 1710 pelo Bispo do Rio de Janeiro, Dom Frei Francisco de
São Jerônimo, tendo sido elevada à Categoria Colativa por Alvará de
1724.
A 17 de Julho de 1711, o povoado foi elevado à categoria de Villa
Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará, por ato do Governador e
Capitão General Antônio do Albuquerque Coelho de Carvalho.
A 06 de
Abril de 1714, com sede na tradicional Villa Real, foi instituída a
Comarca do Rio das Velhas, que fazia limites com Pernambuco, Bahia, Rio de
Janeiro, Goiás, Espírito Santo e compreendia ainda os prósperos
arraiais, não apenas com extração de ouro, mas também na lavoura:
Pompéu, Lapa, Raposos, Roça Grande, Congonhas do Sabará, Rio das
Pedras, São Vicente, Curral Del Rey, Paraopeba etc.
No ano de 1735, foi
estabelecida a Casa da Intendência no mesmo prédio onde funcionava a
Casa de Fundição, hoje funcionando o Museu do Ouro de Sabará.
A 06 de
Março de 1838, pela Lei Provincial nº 93, Villa Real de Nossa Senhora da
Conceição do Sabará foi elevada à condição de Cidade de Sabará,
instituindo-se o Município com três distritos: Mestre Caetano, Carvalho
de Brito e Ravena. A antiga Villa Real não foi apenas um dos maiores
centros de ourivesaria do Brasil, possuía o melhor artesanato, não só
de alfaias sacras, como de jóias de todo gênero.
Seu acervo barroco é
dos mais ricos. Em pleno centro urbano, turistas e pesquisadores podem
admirar-se com as melhores talhas representativas das fases do barroco
mineiro. Seus sobrados, casarões, ladeiras íngremes e tortuosas,
seculares e estreitas ruas contam um pouco da tradição e cultura
sabarense, uma das mais importantes cidades de Minas Gerais.