
Título: Sacrifícios
Autor: Ivi
Beta mais lindo: Marck Evans ^___^
Classificação: NC-17
Personagens: Draco Malfoy, Harry Potter, Remus Lupin, Sirius Black, Severus Snape e outros.
Desafio da fic: Nº 3, 18, 65 e 71 (Novos)
Gênero: Angst.
Aviso: Slash, violência, non-con, morte de personagem.
Disclaimer: Por mais que eu queira alguns deles para mim, os personagens pertencem a J.K. Rowling. E eu não ganho nadinha escrevendo isso. Além da diversão, é claro. ^_^
Notas: Fic escrita para o Festival de Desafios 2006 do grupo Potter Slash Fics.
Capítulo 1
Os últimos dez meses foram confusos. Harry ficara na casa dos Dursley até completar dezessete anos e, no minuto seguinte, foi embora direto para a Toca. Assistiu ao casamento de Bill e Fleur, a partida de Ginny para Hogwarts, e a briga de Hermione e Ron para ficarem ao lado dele.
Depois foi só confusão: tomou conhecimento das memórias e da carta de Dumbledore dizendo que deveria confiar em Snape. Foi obrigado a engolir todo o ódio que sentia pelo ex-Mestre de Poções para trabalharem juntos. Ainda era difícil de aceitar aquela situação e tinha de segurar, há duras penas, o desejo de matar o desgraçado sempre que se viam.
Ainda assim, conseguiram recuperar e destruir as horcruxes, restando apenas Nagini. E descobrir um modo de resgatar Sirius.
Estava tudo planejado para o resgate. Depois de muita pesquisa, descobriram um ritual que traria Sirius de volta. Harry, Ron e Hermione precisavam entrar no Ministério, de preferência durante a noite para evitar perguntas desnecessárias, ir até o Véu e realizar o feitiço. Arthur Weasley e Kingsley Shacklebolt os ajudariam a entrar. Foram designados cinco membros da Ordem para acompanhar os garotos até lá: Tonks, Remus, Olho Tonto Moody, os próprios Kingsley e Arthur. Repassaram o plano várias vezes e não havia nenhum furo. Tudo estava indo perfeitamente bem – chegaram ao Departamento de Mistérios, realizaram o ritual e um sentimento coletivo de alívio percorreu cada um deles quando retiraram Sirius do véu apenas com a aparência de quem esteve dormindo.
Então, de repente, a sala foi invadida por Comensais. O ataque foi rápido e não tiveram qualquer alternativa a não ser revidar. Harry sentiu um feitiço passando bem próximo a orelha e se jogou no chão. Ouviu o grito de advertência dos amigos um pouco antes de ver um Comensal cair ao seu lado. A situação era completamente desfavorável à Ordem: eles estavam em menor número, encurralados, com a única saída interditada por dois Comensais e tinham o Véu as suas costas. Sirius continuava desacordado, e Harry, Ron e Hermione faziam uma barreira ao redor dele, para protegê-lo.
Harry olhou para a porta, tentando localizar Remus e Tonks que deveriam estar ao lado de fora, vigiando a entrada. Esperava do fundo do coração, que eles estivessem bem. Antes que se apercebesse, Hermione o puxou pelo braço, enfiando uma garrafa na mão de Harry. Encarou a amiga, mas não deu tempo de perguntar nada. Sentiu o puxão no umbigo e foi levado para longe diretamente para Toca.
Assim que a tontura passou, Harry explodiu:
- Hermione, o que você fez?
A garota se deixou cair no chão, ainda apoiando Ron que parecia muito ferido.
- Eu só fiz como Moody mandou, Harry. – Ela parecia ter dificuldade em respirar, ofegando a cada palavra. – Os aurores não iam demorar e não podiam nos ver lá. Sirius...
Harry sentiu o remorso o corroendo. Foi até a amiga que sustentava Ron de um lado e segurava a mão de Sirius do outro.
- Desculpe, Mione. Você está bem?
Ela apenas assentiu balançando a cabeça. Parecia mais preocupada em verificar as condições de Ron. Harry aproximou-se do padrinho e, retirando uma garrafinha do bolso, fez com que ele bebesse uma poção. Naquele momento, Molly Weasley invadiu a sala e se ocupou dos cuidados com o filho. Foram para o St Mungo’s e foi uma longa noite enquanto aguardavam o medibruxo cuidar de Sirius, Ron e Mione.
Harry ficou tremendamente aliviado quando os outros membros da ‘equipe de resgate’ apareceram na sala de espera do hospital. Ficou encarando a porta, aguardando Remus e Tonks entrarem também, mas isso não aconteceu. Ouviu as explicações dos três sobre o ocorrido na sala do Véu. Assim que os garotos e Sirius foram transportados pela Chave de Portal que Moody fez, os aurores apareceram e a batalha se reverteu. Infelizmente, Tonks e Remus foram capturados e Moody, Shacklebolt e o Sr. Weasley passaram a maior parte da noite tentando localizados, em vão.
Harry sentia a culpa o remoendo. Cada um deles veio e disse uma palavra de conforto para ele que apenas assentia em silêncio até deixaram-no em paz. Aquilo definitivamente não era justo. Precisavam fazer algo para trazer Remus e Tonks de volta.
Depois de uma longa espera, finalmente, liberaram Hermione e Sirius para receber visitas. O estado de saúde de Ron era mais delicado e levaria ainda algumas horas até que pudessem vê-lo.
O sentimento de culpa se apaziguou um pouco quando encontrou Sirius. Ficaram conversando um tempo até que a medibruxa veio e expulsou Harry do quarto. Ficou mais um pouco com Mione antes de ir para Grimmauld Place.
Entrou na casa silenciosa e foi direto para a biblioteca. Como esperado, encontrou Snape sentado tranqüilamente em frente a lareira. Não conseguiu evitar a raiva que a cena lhe provocava.
- Potter. Você demorou. O plano deu certo?
Nada na voz de Snape revelava qualquer traço de preocupação legítima com sua demora. Aquilo apenas irritou Harry ainda mais e ele acabou respondendo, ríspido:
- O resgate de Sirius deu certo. Mas Remus e Tonks foram capturados.
Snape se aprumou na cadeira, encarando-o fixamente:
- Eles foram capturados? Como?
- Os Comensais nos emboscaram no Ministério.
Snape franziu o cenho levemente.
- Não tinha como eles saberem que vocês estariam lá. Eu não ouvi nada a esse respeito entre os Comensais.
Harry nem tentou esconder o sarcasmo ao dizer:
- Exatamente. Não tinha como eles saberem. A não ser que alguém contasse.
Snape se levantou e os dois ficaram se encarando.
- Entendo. Voltamos ao estágio da desconfiança? Está achando que eu avisei a eles sobre o plano de hoje? – Snape não aguardou resposta e disse, irritado. – Ora, Potter, faça-me o favor. Eu tive inúmeras oportunidades de te matar ou capturar para o Lorde. E ainda que possa não parecer, o preparo da poção que você usou no seu padrinho, não foi fácil nem mesmo para mim. Se vai recomeçar a velha ladainha, estou indo embora.
Harry tentou se controlar. Snape tinha razão, por mais que custasse ter de admitir isso. Não valia a pena recomeçar aquela conversa quando tivera muitas provas ao longo daqueles meses sobre a lealdade do outro. Mesmo que a fidelidade de Snape fosse apenas a uma promessa feita a Dumbledore.
- Tem razão. Sinto muito. Mas eu fico furioso quando isso acontece. Nós planejamos e tomamos tanto cuidado!
- Bem, não é a primeira vez que falo isso, mas parece óbvio que existe um traidor na Ordem. – Snape pareceu notar o ar contrariado de Harry, pois continuou. – Vamos mudar de assunto. Não temos tempo a perder com outra discussão sem sentido. Preciso voltar para meu esconderijo.
Harry procurou se acalmar. Os dois tinham muitos assuntos a tratar ainda e Snape já tinha perdido boa parte da noite o esperando.
- Conseguiu descobrir uma forma de me infiltrar na fortaleza de Voldemort? –disse, sentindo um prazer perverso ao ver o estremecimento do outro homem.
- Não, e ainda acho que esse não é nossa melhor estratégia. É uma estupidez sem tamanho enfrentar o Lorde em seus domínios.
Harry suspirou. Pelo visto, hoje, era o dia das velhas discussões.
- Eu sei, mas só falta Nagini. Ela é a última horcrux e Voldemort não está se expondo. Não há outro modo de acabar logo com isso.
Pareceu que Snape diria mais alguma coisa, mas ele se calou. Um silêncio constrangedor se instalou entre os dois. E Harry assistiu o ex-professor se erguer e não fez nada para impedir que ele fosse embora, sem sequer se despedir. Ainda o irritava ver o modo arrogante como o outro se portava, caminhando pela casa como se fosse dele. Harry tentou afastar a sensação de fracasso que sentia. Estava bastante cansado e precisava de muitas horas de sono. Enroscou-se no sofá, sem se preocupar com mais nada além de buscar a memória de Ginny até adormecer.
Capítulo 2
Severus saiu de Grimmauld Place direto para o esconderijo, bastante irritado. Ignorou completamente o rato e foi direto para o laboratório de poções. Precisava se acalmar antes de ir até o Lorde. O garoto sempre tinha o poder de irritá-lo ao máximo. Merlin! Era depois dessas pequenas discussões que sempre se perguntava se o sacrifício de Albus teria valido a pena. Um sentimento de amargura e desilusão ao imaginar que todos aqueles anos como espião, toda sua vida, tudo que mais prezava tinha sido desperdiçado, pois não confiava nem um pouco em Potter para fazer o que se precisava dele.
À medida que ia picando os ingredientes, foi se acalmando. Precisava averiguar entre os outros Comensais o paradeiro de Lupin e de Tonks. Sua maior preocupação, no momento, era descobrir porque não fora informado da emboscada no Ministério. Deu um suspiro cansado e foi até um dos armários, guardando os ingredientes que estivera trabalhando. Retirou um frasco com uma poção restauradora e saiu novamente de casa, afastando para a parte mais escondida de sua mente, todas aquelas preocupações.
Foram duas semanas infernais. Severus percebeu, tarde demais, que suas dores de cabeça dobrariam. Potter e Black obviamente tinham se unido para levá-lo à loucura. Como se não bastassem às investigações totalmente infrutíferas sobre o paradeiro de Remus e Tonks, Black não perdia uma oportunidade para brigarem.
As acusações de traição e assassinato recomeçaram. Bem como as azarações e insultos trocados até a exaustão. E ainda havia a idéia idiota do moleque de entrar na fortaleza do Lorde. Precisava descobrir urgentemente onde o licantropo estava antes que os boçais fizessem alguma estupidez e colocassem todo o sacrifício deles em jogo. Era naqueles momentos que sentia mais falta de Albus. Dos conselhos e da paciência sem fim do outro homem. Droga, a quem tentava enganar? Sentia falta até mesmo das pequenas discussões que acabam sempre com uma xícara de chá.
Severus aguardou mais um pouco o Comensal com quem ele tinha marcado o encontro. Não era idiota e percebia claramente que as coisas estavam mudando. Em algum momento, seu prestígio diminuíra, deixara de receber informações relevantes, e isso ficava ainda mais claro pela dificuldade em descobrir o paradeiro do licantropo. E de Draco. Permitiu-se pensar no rapaz enquanto aguardava. Fazia três meses que não recebia qualquer notícia de Draco e isso era preocupante. Nem mesmo Narcissa sabia nada sobre ele. Esperava, com todas as forças, que aquele não fosse outro sacrifício em vão.
Quando o outro Comensal finalmente chegou, a conversa entre eles mostrou-se tão infrutífera quanto as anteriores. Severus sabia a medida certa até onde pressionar, o que perguntar para não parecer interessado demais. Depois de alguns minutos de conversa inútil, achou melhor encerrar o encontro. Foi quando ouviu algo interessante:
- Greyback parecia bastante satisfeito na reunião de ontem, não é?
Severus, que não fora convocado a comparecer a reunião, interessou-se no mesmo instante:
- Sim, o Lorde anda bastante contente com o trabalho dele com os lobisomens.
O Outro Comensal deu uma risada alta e desagradável, bebeu um longo gole de uísque, antes de dizer:
- Sim, mas a satisfação dele tem mais a ver com a carne nova que ele conseguiu. Se você me entende...
Severus procurou mostrar-se indiferente e bebeu, calmamente, um gole do uísque:
- Entendo. Mas qualquer pedaço de carne agrada Greyback...
O outro voltou a rir.
- É verdade, mas esse é especial. Já fazia alguns meses que o Lorde não dava nenhum brinquedinho novo para ele. E o Lobo estava impaciente. Mas dessa vez foi em dose dupla.
Severus concordou silenciosamente e manteve o rosto inexpressivo, enquanto seu cérebro trabalhava furiosamente: tinha uma pista.
Mais uma semana e conseguiram descobrir o esconderijo do Lobo Greyback graças às informações que Remus colhera anteriormente entre os lobisomens. Severus fez questão de participar da missão de resgate. Havia a possibilidade, ainda que mínima, de Draco estar lá também.
- Você só pode estar brincando! – Sirius disse em tom de zombaria. – O que te faz acreditar que vamos aceitar sua presença?
- Black, não estou pedindo permissão. Estou comunicando. Se Draco estiver lá, eu pretendo trazê-lo de volta. Além do mais, se algo der errado, não quero ser acusado de traição e quero ter certeza que a informação não vai vazar novamente. – Severus concluiu, ácido.
- Era só o que faltava! Termos de nos preocupar que você vá nos apunhalar pelas costas!
- Black, querer coerência vinda de você seria esperar demais, não é? Se eu estiver com vocês, estarei tão exposto quanto. A informação do paradeiro de Draco é confidencial e somente uma traição justificaria minha presença lá.
Black abriu e fechou a boca, mas permaneceu calado. Potter, que acompanhara aquela parte da discussão em silêncio, finalmente interviu:
- E como vamos sair?
- Acredito que uma chave de portal seria o mais adequado. Não sabemos o estado em que encontrá-los.
- Como se eu fosse confiar uma chave de portal a você! – Sirius disse, furioso de novo.
Severus continuou, como se não tivesse sido interrompido:
- Dividida em duas partes. Só poderemos acioná-la quando as unir. Obviamente, uma estará comigo e outra, com vocês.
- Parece uma boa idéia. – Potter disse, pensativo. – E quando iremos?
- A Lua Cheia termina amanhã. Acho mais seguro irmos à noite, então, o ideal é esperarmos até depois de amanhã. Não seria nada fácil sair de lá com um lobisomem transformado.
Tanto Potter quanto Black empalideceram. Obviamente, não pensaram naquele pequeno detalhe. Antes que começassem algum assunto sem sentido, Severus falou:
- Preciso ir. Nós encontramos amanhã para discutirmos os detalhes.
Capítulo 3
Remus foi atirado em um quarto vazio ainda um pouco zonzo e sem conseguir distinguir o que diziam. Sentiu os tornozelos e pulsos serem presos com correntes antes de ser golpeado e cair desacordado.
Ao despertar, sentia a cabeça latejando e muita sede. O aposento estava na penumbra e ele ouviu Greyback rir com crueldade e dizer:
- Ora, vamos lá. Eu quero ouvir você dizendo. Anda, só tem de escolher: você ou ele.
Somente os instintos aguçados de Remus permitiram que ele captasse a resposta fraca de Tonks, assim como o gemido de dor que ela emitiu.
- Mais alto. Eu quero que diga mais alto.
- Ele. – Tonks gritou, a dor evidente na voz.
Greyback fez um som de satisfação e Remus sabia que a tortura estava apenas começando. Diria mais tarde a Tonks que estava tudo bem, que ela fez o certo, mas não agora. Se dissesse qualquer coisa, poderia deixar Greyback ainda mais furioso e fazê-lo mudar de idéia. O outro licantropo aproximou-se uma expressão de crueldade doentia.
- Não, você não vai fechar os olhos. Eu quero que assista tudo o que você escolheu que eu fizesse com ele. A culpa é somente sua.
Remus conteve a muito custo o uivo de dor quando sentiu a invasão em seu corpo. Tentou ficar o mais silencioso o possível e, se olhasse para Tonks, demonstrar que não a culpava. Não gritar requereu toda sua determinação e, até desmaiar de dor, manteve os olhos fechados.
Despertou com o toque suave de Tonks em seu rosto, as lágrimas dela o molhando.
- Remus, me desculpe. Sinto muito.
Abriu os olhos e tentou sorrir, mas seu corpo doía demais. Sussurrou:
- Água...
Sentiu sua cabeça ser colocada cuidadosamente no chão enquanto ela se afastava. Apesar da sede, tentou beber o mais lentamente possível. Ainda assim, foi extremamente incomodo e doloroso. Quis confortar a namorada e dizer que estava tudo bem, mas estava cansado demais. Apenas voltou a adormecer.
Aquilo se tornou uma rotina para eles. Não havia um descanso verdadeiro para Remus, e se manter desperto e conversando era cada vez mais difícil para ele. Mas Greyback sempre lançava algum tipo de feitiço para despertá-lo de modo que Remus sempre ouvia a resposta de Tonks. E quando a sessão terminava, ela cuidava dele.
Ambos estavam presos, mas a corrente dela era comprida o suficiente para permitir que ela fosse até Remus. Entretanto, com o passar dos dias, o toque dela se tornou cada vez mais insuportável para ele. Cada investida de Greyback não dava em Remus tanto ódio quanto o toque de Tonks depois e seus pedidos de desculpas. O desejo que tinha era de gritar com ela e dizer que, se sentia tanto assim, por que não mudava a maldita resposta? E Remus se sentia com mais raiva ainda pela culpa por esses pensamentos, pelo arrependimento. Tonks estava certa em querer sobreviver, não era realmente preciso os dois sofrerem. Mas toda a culpa e arrependimento eram completamente varridos de sua mente quando ouvia a voz irritante e débil dizendo ‘ele’ a Greyback. Como se ela soubesse o que era sofrer.
Remus passava as horas naquela confusão de sentimentos e somente saía dela o tempo suficiente para ouvir a resposta de Tonks após Greyback lançar o feitiço. Daquela vez, no entanto, ele não se dirigiu a Tonks e sim a Remus.
- E então? Já cansou de sofrer por causa da vadia?
Remus tentou não se encolher ao sentir a lambida em seu rosto e permaneceu calado.
- Talvez queira escolher dessa vez.
Remus arregalou os olhos e sentiu a onda de ódio e rancor. Podia ouvir o seu Lobo dizendo para fazê-la pagar caro por tudo que estiveram passando. Tonks devia ter percebido a raiva dele porque estremeceu, o medo evidente nos olhos dela. Ouviu a risada maligna de Greyback e encarou-o.
- Não se preocupe, lobinho. Não pretendo fazer nada com a vadia hoje. – Virou-se para Tonks, um olhar predador.- Você sabe como os lobisomens escolhem seus parceiros? – Rosnou e pareceu contente quando ela meneou a cabeça, negando.- Quando eu fizer uma pergunta, fale! – Continuou, depois que ela respondeu. - Pois é. Todos os lobisomens escolhem um parceiro pelo cheiro. Até eu tive o meu. Mas quando eu descobri, assim que a Lua Cheia passou, o matei. Não daria tal poder a outra pessoa. Mas isso não vem ao caso. Eu quero ver como nosso lobinho reage com a vadia. – Ele se aproximou e ainda mais maldoso. – Se for a parceira dele, nada vai te acontecer. Mas se não for... Alguém vai ter uma bela refeição hoje.
Remus sentiu como se o golpeassem. Aquilo não podia estar acontecendo. Ainda ouviu a risada de Greyback antes de sair. Remus fez um esforço imenso para sentar. Testou as correntes que o prendiam e torceu para que agüentassem a longa noite que teriam, pois cada soluço e choramingo de Tonks conseguiam deixá-lo mais e mais irritado.
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Draco foi acordado bruscamente, seu cabelo sendo puxado com força antes que a cabeça fosse solta e se chocasse contra o chão. Por alguns segundos, não teve certeza de onde estava. Só havia uma dor aguda e dilacerante do lado esquerdo do corpo. A sensação de sufocar e engasgar quando tentava respirar, um gosto forte de sangue na boca, a dor se espalhando por todo o peito. Draco foi puxado novamente e sentiu um bafo quente e mal cheiroso no rosto. Se não tivesse sido acometido por uma onda de terror, talvez ainda sentisse náuseas com aquele cheiro, mas o pavor sobrepujava o nojo. Sentiu a língua áspera passando por sua bochecha e começou a pedir a Merlin que daquela vez, desmaiasse rápido.
Mas como das outras vezes, Merlin não parecia ouvir as súplicas de Draco.
- Vamos lá, garotinho. Abra os olhos. – A voz do Lobo Greyback era carregada de maldade. – Tenho uma surpresinha para você.
Draco fez como era exigido e conseguiu abrir apenas um dos olhos. Sua visão estava desfocada e quase não distinguiu o rosto do licantropo a sua frente. Se pudesse, preferiria apagar aquela imagem, não ver, não ouvir, não sentir. Simplesmente morrer. Mas Greyback não permitiria isso. Com o sadismo usual, apertou o braço de Draco até conseguir a completa atenção dele, ou o máximo que era possível, estando o rapaz a ponto de desmaiar novamente de dor.
- Anda, olha pra isso.
Draco encarou o que o licantropo mantinha preso com a outra mão, sem entender o que via. Por um momento, perguntou-se se estaria alucinando ou se estava olhando um espelho. Mas um gemido da outra pessoa subjugada quebrou sua ilusão. Pouco a pouco, ele notou os cabelos tão loiros quanto os seus devem ter sido um dia, a veste rasgada e os contornos de um corpo feminino. A onda de náusea aumentou quando notou o sorriso malévolo de Greyback.
- Diga olá a mamãe, garotinho. Parece que ela estava sentindo falta do filhinho e resolveu desobedecer às ordens do Lorde. – Ele deu uma risada maldosa. – Que sorte a minha que ele tenha me dado carta branca para fazer o que quiser com quem tentasse te ajudar.
A expressão de Draco era indiferente. Já estava entrando naquele estado de espírito em que não importava o que aconteceria com ele. Nem ao menos piscou com o que assistiu o lobisomem fazer com Narcissa. Mal registrou quando ele voltou a ser a vítima. As unhas rasgando sua pele, as presas cravando em seu ombro, as estocadas violentas que o rasgavam, nem compreendeu o que o lobisomem dizia. Draco sentiu a mente ir desfocando, um único pensamento constante, um mantra para acabar logo. Só isso que queria.
E de repente, tudo parou. Não ouviu o urro de prazer do lobisomem, mas não se incomodou com isso. Encolheu-se, esperando as pancadas, as mordidas, o ódio. Ou talvez, o som dele se afastando. Antes disso, finalmente, conseguiu se desligar da realidade a sua volta, ainda sentindo o cheiro e o gosto de sangue.
Capítulo 4
Sirius caminhava o mais rápido possível, envolvido pela capa da invisibilidade de Harry, seguindo a direção indicada pelo feitiço de localização. Sentia falta do afilhado, mas fora melhor ele não ter vindo. Virou a esquerda e viu a porta no final do corredor. Era um beco sem saída, mas ele não se incomodou e seguiu direto para lá. Verificou a porta e a abriu, usando um Alohomora não-verbal.
O quarto tinha um cheiro forte de sujeira e sangue, mas Sirius não pareceu se dar conta disso. Sua atenção estava totalmente concentrada nas duas figuras a sua frente. Por um momento, achou que estivessem mortos.
Sirius retirou a capa e aproximou-se da prima, visivelmente em estado de choque. Ela não parecia enxergá-lo e se encolheu, assustada. Quando se abaixou para pegá-la, ela começou a chorar desesperada. Receoso que alguém os ouvisse, fez um feitiço para silenciá-la.
- Tonks, se acalma. Sou eu, Sirius.
Mas nada do que dissesse surtia efeito. O tempo estava esgotando e Sirius viu-se sem alternativa a não ser estuporá-la. A garota desmaiou e ele aproveitou para ver como Remus estava. Conteve a raiva ao notar o estado lastimável do amigo. Soltou as correntes que o prendiam e tentou despertá-lo, sem efeito. Usou um feitiço para levitá-los e outro para localizar Snape. Cobriu-os com a capa e saiu o mais rápido possível na direção indicada.
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Severus andava o mais ligeiro que podia naquelas condições. Mantinha a varinha em uma das mãos e a atenção voltada para eventuais sons de passos. Esperava que não fosse tarde demais. Precisaram antecipar em algumas horas a ida ao esconderijo de Greyback quando Severus descobrira que Narcissa pretendia ir até Draco.
Quando alcançou o quarto onde o feitiço indicava que Draco estaria, parou e escutou. Nenhum som, nenhuma movimentação. Nada. Considerou como agir e resolveu entrar de uma vez. Sempre poderia alegar que estava procurando Narcissa. Entrou e somente seus longos anos como Comensal não permitiu que seus joelhos se dobrassem. Ainda assim, precisou de todo seu valor para dar um passo a frente. O cheiro nauseante fazendo seu estômago revirar.
Severus aproximou-se lentamente das três figuras caídas no chão, tentando identificá-las. Greyback estava caído numa poça de sangue, os dentes cravados no pescoço de Narcissa. Severus tentou não encarar o rosto da mulher, os olhos abertos e sem vida, a cabeça quase separada do corpo onde Greyback havia mordido várias vezes. Um pouco mais perto, notou algo cravado nas costas do licantropo. Reconheceu o adorno que Narcissa usava no coque, parecido com uma varinha, apenas um pouco mais curto e de prata. Viu como a ferida se espalhou pelas costas de Greyback, provavelmente havia sido enfeitiçado para ter um efeito mais rápido. Contornou os dois corpos e foi até onde Draco estava.
Por um momento, achou que o rapaz também estivesse morto. Um dos olhos estava arregalado e vazio, o rosto muito machucado e sem expressão. Mas um leve movimento dos lábios indicou que ele ainda permanecia vivo. Severus soltou a respiração que estivera prendendo e se aproximou de Draco. Percebeu que o rapaz não parava de murmurar fosse lá o que dizia. Sacudiu-o levemente, dizendo:
- Draco. Sou eu.
Com exceção de um pequeno calafrio e um leve retraimento, Draco não esboçou mais nenhuma reação. Severus ignorou a sujeira que envolvia o rapaz e o pegou nos braços. Seus olhos ainda se encontraram com os de Narcissa e lembrou-se do desespero dela quando o Lorde entregou Draco para Greyback. Nunca imaginou que ela seria capaz de fazer algo desse tipo. Por poucos minutos, não havia mais nada que pudesse fazer por ela.
Severus se ergueu, carregando o rapaz até a porta. Encontrou-se com seu ‘companheiro’ exatamente no horário combinado. Esticou a mão, oferecendo a sua metade da chave de portal. Deu uma última olhada para o quarto do qual havia saído e, quando sentiu o característico puxão no umbigo, seu olhar encontrou com o de Greyback. Os olhos do lobisomem eram ferozes, assassinos, animalescos. E ainda vivos.
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Quando Remus despertou, a primeira coisa que percebeu foi a cama macia. Havia um cheiro de lugar fechado, mas limpo. O corpo ainda doía, mas não tanto quanto antes. Os braços estavam livres, sem as dolorosas correntes de prata. Abriu os olhos lentamente ao ouvir uma movimentação ao seu redor e, ao identificar a origem do som, acreditou que morrera.
- Padfoot?
Sirius virou-se e abriu um largo sorriso.
Antes que pudesse assimilar que Sirius era real, sentiu a dor voltar redobrada, quando foi esmagado num abraço apertado.
- Moony! Graças a Merlin, você está vivo.
Remus deixou-se a abraçar o máximo que conseguiu, mas por fim, brincou:
- Não por muito tempo se continuar me esmagando assim.
Sirius afastou-se visivelmente envergonhado e disse:
- Sinto muito. Mas eu fiquei tão feliz em te ver acordado. Já estava começando a achar que o Seboso tinha te envenenado.
- Severus? –Remus estava mais confuso que nunca. – Como...? O que aconteceu?
Em poucas palavras, Sirius contou sobre os resgates: do próprio Sirius do Véu e deles das garras de Greyback.
As lembranças, que pareciam ter dado uma trégua até agora, voltaram com força total. Uma onda de náuseas e tontura atingiu Remus, e ele voltou a deitar. Numa voz fraca, perguntou:
- Tonks? Como ela está?
Por um momento, quando Sirius evitou olhá-lo nos olhos, pensou que o pior houvesse ocorrido. Não conseguia se lembrar o que acontecera nas noites de Lua Cheia, não era possível que a houvesse matado.
- Ela está bem.
Remus conhecia Sirius bem demais para não perceber a leve hesitação do outro, mesmo com todo o alívio que sentia.
- Mas?
-Mas nada. – Sirius levantou-se, agitado. – Precisa tomar algumas poções, comer e voltar a dormir, Moony.
Aquela atitude só aumentou as suspeitas de Remus que segurou o amigo pelo pulso.
- O que aconteceu com ela?
Remus viu indignação no rosto de Sirius e ficou ainda mais chocado com o tom irônico que ele usou:
- Nada, ela está perfeitamente bem. Já voltou a trabalhar e tudo. Se faz tanta questão, vou pedir a ela que venha até aqui.
- Por favor, faça isso. – disse, desconfiado.
Sirius deu de ombros e o obrigou a beber as poções e comer um pouco.
- Agora, descanse, Moony.
Remus adormeceu, com a certeza que algo estava errado.
Alguns dias depois, ele percebeu que não se enganara. Precisou ameaçar sair da cama e ir atrás de Tonks, para conseguir que Sirius finalmente abrisse o jogo.
- Desculpe, Moony. Não aconteceu nada a Tonks, ela realmente está bem. – Sirius exibia um ar abatido e muito cansado ao continuar. – Mas ela não quis vir ver você.
Levou alguns segundos até que as palavras de Sirius fizessem sentido na mente de Remus. Sirius sentou-se ao lado dele na cama e, agora, não escondia a fúria.
- Eu não acreditei quando ela não quis vir aqui. Como é que ela pôde? Depois de tudo que aconteceu! Ela não podia...
Remus colocou a mão no braço de Sirius. O velho sentimento de rejeição o remoia por dentro. Ainda assim, tentou soar tranqüilo:
- Ela passou por maus momentos, Padfoot. Não a julgue. Quando estiver melhor, eu a procuro.
Pareceu que Sirius ia dizer algo mais mas se calou. Remus o agradeceu mentalmente por isso. O amigo saiu e ele tentou dormir novamente.
A conversa com Tonks foi ainda pior do que Remus previra. A garota estava em pânico, assustada demais. Não conseguia olhá-lo, a voz tremendo. Remus tentou ser paciente e entender os sentimentos dela, mas a aversão voltou ainda mais forte. Não podia acreditar que depois de tudo que ela o fizera passar, ainda o tratasse daquele jeito. Raiva, aversão, culpa, tristeza.
- Eu não posso, Remus. Me desculpe. Achei que conseguiria, mas não posso. – Ela estava chorando agora. – Eu...A licantropia...é demais pra mim. – E saiu correndo do quarto.
Quando a viu sair, sentiu um misto de tristeza e alívio. Rápido e doloroso, o sentimento de rejeição voltou. Aquele antigo companheiro que o destroçava desde a infância. De repente, sentiu-se cansado demais. Velho demais. Estragado e sujo demais.
Naquela noite, Remus não dormiu.
Capítulo 5
Draco gritava, desesperado, preso num pesadelo sem fim. Não pareceu sentir o toque frio do pano molhado em sua testa nem compreendeu as palavras ditas para tranqüilizá-lo. Severus o obrigou a tomar a poção para dormir sem sonhos e continuou cuidando do rapaz até ele silenciar. Black estava parado ao lado da porta e, enquanto Severus recolhia os frascos de poções, o outro resolveu quebrar o silêncio:
- Como ele está?
- O que acha, Black? Não está vendo ele saltitante por ai? – disse ácido.
Ouviu Black respirar fundo e notoriamente fazer um esforço para se controlar.
- Eu estava realmente preocupado com ele, Snape. Mas se prefere continuar agindo como um cretino, problema é seu. – E saiu do quarto.
Severus estava exausto. Física e emocionalmente. Conseguiram resgatar Remus, Draco e Tonks, mas o preço fora alto. A cabeça de Severus estava a prêmio. E agora, pelos dois lados. Tinha a impressão que se passaram bem mais que dez meses desde que fora obrigado a matar Dumbledore. No início, o plano fora um sucesso. Mas à medida que o tempo passava e os planos do Lorde fracassavam, o prestígio de Severus diminuiu lentamente.
E com a perda do prestígio entre os Comensais, Severus teve uma perda ainda maior: não conseguiu manter Draco sob seus cuidados. E durante três longos meses, o rapaz estivera com Greyback. Não queria nem imaginar o que o rapaz fora obrigado a suportar. Na verdade, o estado físico de Draco não deixava muito para a imaginação de Severus completar.
Duas longas semanas cuidando do rapaz e ainda era obrigado a dar poções de dormir para ele. Cedo ou tarde, as poções não fariam mais efeito e Draco precisaria encarar a realidade. Mas Severus queria retardar ao máximo aquele momento. Poder minimizar os pesadelos que foram a realidade vivida até pouco tempo por Draco.
Levantou-se, disposto a preparar mais algumas poções necessárias. Não havia nada mais que pudesse fazer.
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- Ora, ora, por que o grande espião não vai dar uma voltinha e dar um tempo pra gente ficar longe dessa sua cara feiosa?
- Não seja idiota, Black. Se está tão incomodado, saía você.
- Chega. – Harry disse, irritado.
Os homens mais velhos o olharam, prontos para responder, mas o rapaz deu um olhar tão furioso que eles se calaram. Harry não estava mais agüentando tanta discussão. Aquilo estava um verdadeiro inferno. Agradecia a Merlin que não precisava ficar o tempo todo com aqueles dois e não ainda conseguia acreditar que eles sobreviveram juntos duas semanas, sem se matarem. Se não fosse a necessidade de trocar idéias com eles, Harry estaria evitando o novo esconderijo completamente.
Depois que Remus conversara com Tonks, decidiram sair de Grimmauld Place e ir para uma casa conhecida apenas pelos três. Estava cada dia mais evidente que havia um traidor na Ordem, e manter Severus e Draco na Mansão Black estava ficando arriscado demais. Assim, Sirius e Severus permaneceram no novo esconderijo com feitiços de proteção elaborado por eles, cuidando de Remus e Draco, e Harry ia sempre que precisava trocar idéias com eles.
Mas era sempre a mesma coisa: discussões e mais discussões quando aqueles dois estavam no mesmo ambiente. E aquilo estava cansando.
- Podemos continuar? Preciso voltar para a Toca.
- Molly ainda não permitiu que você voltasse para Grimmauld Place? – Sirius perguntou, mais calmo.
- Não. Depois que Ron e Mione saíram do hospital, a marcação está cerrada. Mas como só falta Nagini, não estou tão preocupado. Preciso estudar os planos para o ataque, Snape.
- Potter, isso é insano. Não vai dar certo. Os Aurores e a Ordem não têm a menor chance contra o Lorde na fortaleza dele.
- E o que sugere, Snape? Ficar esperando ele atacar? – Sirius disse, impaciente. – Eles estão massacrando a comunidade bruxa. Não dá para ficar de braços cruzados!
Harry suspirou fundo. Iam recomeçar. Levantou-se e caminhou até a lareira. Estava exausto e sem a menor paciência para ficar separando marmanjo.
- Até mais. Voltamos a conversar quando conseguirem manter uma conversa decente.
Enquanto entrava na lareira, ainda ouviu os dois voltarem a discutir.
Aquela foi a última vez que Harry voltou a casa. Dois dias depois, a guerra estourou com força total. Houveram muitos feridos e mortos. Sirius e Severus saíram às pressas para ajudá-lo a destruir Nagini. Mas isso, Remus ficou sabendo muito tempo depois.
Quando ele acordou, não ouviu os sons típicos da casa. Permaneceu deitado mais um pouco e estranhou Sirius não aparecer com o almoço. A fome finalmente o obrigou a se levantar. Vasculhou a casa e não havia sinal de mais ninguém, exceto em um quarto. Draco Malfoy agitava-se, o corpo encharcado de suor, murmurando palavras desconexas.
Remus aproximou-se para ajudar o rapaz. Por enquanto, estavam sozinhos e Draco precisava dele.
Remus não podia imaginar o quanto estava certo. E errado.
Continua...
Desafio Nº 3 - Narcissa Malfoy seria capaz de fazer qualquer coisa para proteger seu único filho. Qualquer coisa mesmo. – Proposto por Ivi.
Desafio Nº 18 – Tema: Pesadelos – Proposto por Magalud.
Desafio Nº 65 - (Pós HBP) Voldemort não fica nada satisfeito por Draco ter falhado em matar Dumbledore e, como castigo, transforma o loiro no escravo sexual de Fenrir Grayback. O par deve ser Remus/Draco. Bônus se tiver cenas explícitas de tortura. Bônus duplo se a fic tiver tortura e lemon. – Proposto por Nicolle Snape.
Desafio Nº 71 - A Ordem da Fênix consegue resgatar Sirius Black do Véu, mas durante os esforços para retirá-lo de lá um dos membros da ordem é capturado. Remus Lupin vira prisioneiro de Fenrir Greyback. O que Sirius fará para tentar salvar Remus? Bônus se for uma deathfic. – Proposto por Nicolle Snape.