Desafio: (Inspirado na Fic “Conseqüências daquela noite” da Chris Ann W.) Em uma festa em Hogwarts, Draco bebe demais.  Harry Potter vê o sonserino sair cambaleando e resolve aproveitar a oportunidade para realizar as suas fantasias com o loiro.  Porém, essa noite trará sérias conseqüências.  A fic obviamente é Drarry, mas ela tem que ser Mpreg.  Bônus se a fic for NC-17desafio proposto por: Nicolle Snape

Título: heart 2 heart

Ficwriter: Felton Blackthorn

Beta: Paulili

Classificação: N-17

Personagens ou Casais: Drarry
Resumo: Se você tivesse a chance de realizar um sonho, iria até as últimas conseqüências?  Ou se acreditasse viver um sonho, qual seria o limite de suas fantasias?  Quando dois corações se encontram, tudo pode acontecer...

Disclaimer: Harry Potter e seus personagens pertencem à J.K. Rowling e empresas associadas.  Este é um trabalho feito de fã para fãs sem fins lucrativos.

Avisos: conteúdo inadequado para menores de 18 anos, cenas de sexo explícito entre dois homens.  Se não gosta, não leia.  Simples assim.

Nota: como o desafio é baseado em uma fic, resolvi utilizar algumas das explicações da autora para as conseqüências daquela noite.

 


heart 2 heart

 

-Primeiro Capítulo-

 

Então assim que era uma festa Slytherin?

Harry Potter estava decepcionado.  Isso no mínimo.

A coisa de uma semana atrás, quando O Garoto Que Viveu ouvira as primeiras fofocas a respeito da festa na casa adversária, decidira que dessa vez ele participaria.  Claro que usando sua capa da invisibilidade, e sem que seus... anfitriões soubessem.

Tal curiosidade era perfeitamente justificável, já que como Ron costumava dizer, aqueles Slytherins botavam mesmo para quebrar, todas as festas na casa da Serpente terminavam em orgias e coisas piores.  Sádicas.

Pra matar a dúvida, Harry decidira que participaria de uma dessas festas, de qualquer maneira.  E fora tão fácil no fim das contas... só precisara esconder-se debaixo da capa da invisibilidade e espreitar as masmorras por um tempo, até flagrar Zabini e Nott saindo a surdina provavelmente para contrabandear alguma bebida.

Tudo o que teve de fazer foi esperar por alguns minutos, até os dois Slytherins retornarem com os braços cheios de garrafas de Firewhisky.  Assim que Zabini sussurrou a senha, abrindo a entrada para o salão comunal, Harry aproveitou-se e escorregou antes que a passagem se fechasse e ele ficasse de fora.

Num primeiro momento, o moreno achou tudo muito animado.  Havia música, muita comida e a cerveja amanteigada corria solta nas grandes canecas.  Sobre a mesa com os doces estava também uma jarra que parecia ser de suco de abóbora e que sem dúvida estava batizado.

Quando Zabini e Nott chegaram com o Firewhisky, foram cercados pelos sedentos Slytherins, que avançavam sobre os garotos, tentando encher os copos com algo mais forte que a cerveja amanteigada.

Harry teve que desviar dos bruxos e refugiar-se em um canto, temendo esbarrar em alguém.

E então a decepção veio com força total.  Aquela era uma das famosas festas Slytherin?  Pois então toda Hogwarts estava enganada.  Não havia nada suspeito aos olhos de Harry.  Nada de orgias, nem nada demais.

Apenas estudantes enchendo a cara e se animando para dançar de forma desajeitada.  Suco de abóbora batizado e vozes exaltadas.  Ótimo, exatamente como as festas Gryffindor... e talvez como as Ravenclaw, que eram bem comentadas também.

A coisa mais indecente que Harry viu foi Goyle e Millicent se pegando num dos cantos do salão.

- Que beleza.  Se eu soubesse teria ido a Torre de Astronomia.  Seria muito mais interessante.

Claro, porque agora teria de esperar alguém sair, para que pudesse voltar a seu dormitório.

Os olhos verdes enquadraram todo o salão comunal da casa da Serpente.  Estava diferente de quando invadira ali no segundo ano.  Parecia maior, e os móveis haviam sido trocados.

Enquanto analisava o local, Harry percebeu algo que não tinha notado antes.  Draco Malfoy, sentado numa das poltronas, com um copo de Fire Whisky nas mãos, parecendo tão bêbado quanto os demais.

O que chamou a atenção do Garoto Que Viveu foi a expressão de tédio e sono que dominava o rosto fino do loiro.  Draco não parecia se divertir nem um pouco na festa.  Pelo contrário, dava a impressão de que ia cochilar a qualquer momento.

Não pela primeira vez, Harry se flagrou admirando seu inimigo de tantos anos.  O moreno sabia que tinha uma certa quedinha pelo outro.  Mas também, como poderia resistir, quando o Slytherin era um dos garotos mais bonitos que tivera a chance de conhecer?

Harry sabia antes mesmo do fiasco com Cho, que era bissexual.  Na verdade tinha até preferência por meninos, por isso se recuperara tão rápido do quase relacionamento com a Ravenclaw.

Mas de todos os garotos por quem já sentira atração, Malfoy era de longe o mais bonito, o mais sexy.  E é claro, o mais irritante e cheio de si.  Petulante e arrogante.  Enfim, um Malfoy.

Sem deixar se enganar, Harry admitia que Draco era a grande razão dele estar ali, naquele momento.  Queria sondar o outro, durante uma das tão famosas festas Slytherin, descobrir se o flagraria em uma situação comprometedora.

Ah, aquele sentimento... Harry estava se familiarizando com a sensação de ciúmes.  De sentir ciúmes de algo que sabia, nunca seria seu.

Não que quisesse.

Tá bom...

Claro que queria!  Queria satisfazer aquela necessidade física quase torturante.  Queria tocar em Malfoy, queria sentir sua pele, estreitar-lhe o corpo esguio entre seus braços... cobri-lo com seu corpo e dar vazão a frustração que o acompanhava desde o final do ano passado.  E do ano repassado... e do anterior... desde que se dera conta de que era um jovem cheio de hormônios.

Mas todas essas ansiedades faziam parte de uma fantasia que não poderia realizar.

Os pensamentos foram subitamente cortados, quando Harry percebeu que seu inimigo loiro levantava-se da poltrona de maneira cambaleante, quase caindo de bêbado, parecendo disposto a ir a algum lugar.

Primeiro Draco deu um gole no Fire Whisky, bebendo resto de uma única vez.  Depois jogou o copo vazio sobre a poltrona de estofado cinzento e seguiu em direção a saída das masmorras.

Harry sentiu o coração dar um salto.  Ótimo, poderia ir embora dali também!

Seguiu os passos de Draco, tentando não esbarrar em Pansy que dançava agitadamente no meio do salão, cercada por algumas terceiranistas, dando olhares sugestivos a Zabini.  Olhares que eram plenamente correspondidos, como Harry teve o desprazer de notar.

Voltando a se concentrar no seu objetivo, o Gryffindor não teve mais problemas para seguir Draco e aproveitar-se da saída silenciosa do loiro para escapulir da casa da Serpente.

- Que bela perda de tempo...

Harry ia virar-se para voltar ao próprio dormitório, quando deu uma olhadinha em Draco.  O loiro seguia na direção oposta, cambaleando e tropeçando nos próprios pés.  Estava tão bêbado que precisava apoiar-se nas paredes frias para não cair.

Agindo contra o bom senso, Harry decidiu segui-lo, apenas para garantir que nada de ruim acontecesse.  Draco podia ser seu inimigo, mas era antes de tudo o principal culpado pela confusão de seus sentimentos e seus... hormônios.

Não seria nada legal deixar o loiro naquele estado andando sozinho por ali, mesmo não sendo necessário se importar com o que acontecia a Malfoy.

Harry Potter ainda não estava pronto para admitir que se importava, e muito, com o loiro...

- - - - - - - - - - HPDM- - - - - - - - - -

Draco seguia pelo corredor, xingando mentalmente a merda do caminho que não parava de girar.  Ora, ele nem estava tão bêbado assim (ok, só um pouco mais que o aconselhável...).  E também não tinha culpa pelas festas Slytherins estarem cada vez mais chatas e maçantes.  Cada nova comemoração era a mesma coisa de sempre: os alunos bebiam até quase o coma alcoólico, depois os pares românticos se acertavam, quem estava muito bêbado desmaiava em algum canto, e os em estado menos deplorável se libertavam dos pudores e resolviam dançar ou cantar (eles não tinham noção nenhuma do ridículo).

E Draco, pra variar, ficava sozinho.

Desde o fim do terceiro ano perdera o interesse por quaisquer casos amorosos e envolvimentos sentimentais com outras pessoas.  A causa disso?  Ninguém menos que um certo Salvador Do Mundo Bruxo, de cabelos ridiculamente bagunçados, olhos inacreditavelmente verdes e, de brinde, uma testa rachada.

Apaixonar-se por Harry Maldito Potter.  Se aquele não era o fundo do poço, então Draco podia garantir que estava quase no fundo.

Mas a verdade é que ficar remoendo seus sentimentos pelo Gryffindor, enquanto enchia a cara no salão comunal de sua casa era deprimente demais até pra alguém que vive (e não admite) constantemente na fossa.

Aquela fuga parecia muito oportuna.  Draco não queria presenciar Pansy e Blaise se amassando, e até Goyle tinha conseguido um par... (não que Millicent pudesse ser classificada como ser humano normal em uma escala de medida, porém, era alguém pra beijar na boca e aliviar o estresse...)

E Draco não tinha nem isso... (como se ele quisesse uma bruxa com cara de buldogue...) e por culpa de quem?

De Harry Potter, que não saia de sua cabeça!  E pior, não saia de seus sonhos...

- Oh, não, Draco.  Você não vai virar um bêbado depressivo a essa altura dos acontecimentos, vai?

Escapar da festa na surdina era uma prova muito latente do contrário... e ali estava ele, tentando se afastar de seus companheiros de casa, e se livrar dos pensamentos que dominavam sua mente.

O loiro estava tão bêbado (por mais que negasse) que acabou errando a parede quando sua mão escorregou pela pedra fria e ele perdeu o pouco equilíbrio que tinha.  Seria uma queda espetacular, para um loiro espetacular.

- Merda!!

Ok.  Ele escorregaria, se esparramaria no chão e passaria o resto noite ali, exatamente como o maldito bêbado que era.  Talvez aquela gata sarnenta do Filch o encontrasse e então Draco saberia que tinha chegado ao fundo do poço...

Com tudo planejado, Draco apenas fechou os olhos, conformando-se com um destino tão cruel para alguém tão lindo.  No fim das contas só podia agradecer, porque não havia ninguém por perto para assistir a queda lamentável do príncipe Slytherin...

Porém, para surpresa de Draco, o tombo nunca chegou a acontecer...

- - - - - - - - - - HPDM- - - - - - - - - -

Tudo bem, seguir Draco era uma coisa... mas Harry começou a se questionar sobre a real necessidade de segui-lo tão próximo...

Estava a apenas dois passos de distância.  Se esticasse a mão poderia tocá-lo... e a tentação era grande...

O loiro parecia tão frágil... tão delicado e exposto...

Definitivamente O Garoto Que Viveu não gostava de vê-lo daquele jeito, desarmado.  Sem a máscara de arrogância a proteger suas feições aristocráticas.  Esse Draco era tão... humano, que chegava a incomodar.

- Droga, Harry, apenas dê meia volta e...

O pensamento jamais se completou.  Quando Harry deu por si, estava soltando da capa da invisibilidade e avançando, para amparar Draco antes que o loiro caísse no chão, depois de falsear um passo e perder o escasso equilíbrio.

Harry apertou o outro entre seus braços, feliz porque evitara o pior, e infinitamente satisfeito porque o corpo do Slytherin era realmente tão quente...

Tudo o que conseguiu fazer foi continuar apertando-o, como se temesse soltá-lo.  E precisou admitir a si mesmo: seguira o Slytherin com um único objetivo: tê-lo nos braços.  E fora esse mesmo objetivo que o levara a invadir a festa para começo de conversa.

Harry cansou de enganar a si mesmo: fizera todo o possível para propiciar aquele encontro e dar a si mesmo a chance de satisfazer uma de suas fantasias mais secretas... um de seus desejos mais profundos.  Precisava beijar aqueles lábios.

Draco permanecia com os olhos fechados, mas chegou a conclusão de que o chão estava demorando demais pra recepcionar seu nariz. Abriu os olhos.

- Oh.

Foi tudo o que conseguiu dizer, quando os olhos cinzentos focaram Harry Potter.  Um corado Harry Potter.  Um Harry Potter que o acolhia nos braços.

Mandando o autocontrole de volta pro salão comunal Gryffindor, o moreno abaixou a cabeça e selou os lábios de ambos, no tão sonhado beijo.  Ao sentir o contato, Draco imediatamente abriu a boca, aprofundando o beijo, fazendo suas línguas se tocarem.

Existia um paraíso, e Harry acabara de encontrá-lo nos lábios de Draco Malfoy.

Durante algum tempo apenas se beijaram, inebriados em sentir o gosto um do outro.  Então o contato molhado terminou.

Draco analisou a face corada do seu inimigo desde o primeiro ano.  Os olhos cinzentos estavam opacos pela bebida, e o rosto fino também estava corado.

- Tem um banheiro bem ali. - A voz sugestiva de Draco fez o convite que Harry não se atreveria recusar.

- Tem certeza disso?

- Claro, eu estou aqui, não estou?  Que pergunta imbecil é essa?

Harry não entendeu a frase.  Mas compreendeu perfeitamente que o loiro lhe dava a oportunidade de realizar mais do que suas fantasias se permitiam imaginar.  Ele não perderia essa chance nunca.

Ajudando o Slytherin a se firmar (sem esquecer de pegar sua capa da invisibilidade).

Caminharam de acordo com as indicações do loiro.  Quando encontrou o banheiro, Harry lançou vários feitiços de silêncio e feitiços protetores na porta.  Não queria ser interrompido.

Respirando fundo, encarou Malfoy, temendo que o clima tivesse sido quebrado.  Porém o loiro avançou sobre ele, passando os braços em volta de seu pescoço e requisitando seus lábios para um novo e mais desesperado beijo.

Harry correspondeu, enquanto puxava o corpo do garoto menor em direção ao chão.

- Você beija bem, Malfoy. - o Garoto Que Viveu elogiou, ainda entorpecido, quando seus lábios se afastaram.  Os dois já estavam bem acomodados no chão frio, com Harry sobre Draco.

- Claro, deveria saber disso. - a voz meio enrolada saiu ofendida.

- E como eu saberia?

O loiro analisou a expressão confusa de Harry por um segundo, depois deu de ombros.

- Você está estranho.

- Não, você está estranho, Malfoy.

- Malfoy?

- É o seu nome, não é?

- Mas que tipo de sonho é você?  Pensei que já tivéssemos superado essa fase...

Harry Potter quase caiu para trás.  Se ele não estivesse acomodado sobre Draco, ele teria caído para trás.

Quer dizer então que Draco achava que estava sonhando?  E ele costumava ter sonhos com Harry?  Interessante.

- Malfoy, eu não sou um sonho.

- Claro que não - o loiro debochou.

- Estou falando sério.

- Hum.  Então você é o Harry de verdade.  E está aqui, comigo?

- Entendeu agora? - insistiu, um tanto surpreso por ver que o loiro o chamava pelo primeiro nome em seus supostos sonhos.

- Acho que quando eu caí no corredor devo ter batido a cabeça com força... ou talvez tenha bebido muito Firewhisky e entrado em coma alcoólico.  Oh, Merlin, tão jovem e tão lindo e já tenho um vício... er... outro vício.

Harry acabou achando engraçado.  Ponderou se devia continuar tentando esclarecer, mas Malfoy acabou com a dúvida.  As mãos de dedos esguios voaram em direção a barra da blusa do moreno, e começaram a puxá-la para cima.

O pouco controle do Gryffindor desapareceu.  No outro dia ele esclareceria tudo.

No momento o importante era ajudar Malfoy em sua missão: tirar a roupa de ambos, que se tornaram um obstáculo fácil de remover.

Draco não pareceu se incomodar em ficar com as costas nuas sobre o chão frio.  Na verdade ele nem pareceu notar.

Harry prendeu o ar, enquanto admirava o corpo de seu objeto de fantasia.  Era... perfeito.  Toda a pele era leitosa, sem marca alguma, parecendo macia, quente e agradável ao toque.  Draco era esguio, mas tinha os músculos definidos, na medida certa.

O Gryffindor poderia admirá-lo por horas e horas.  Não resistiu ao impulso de tocá-lo, começou acariciando suavemente a face, depois os dedos deslizaram pelo pescoço e tórax.

Quando a ponta dos dedos roçaram nos mamilos rosados, o Slytherin estremeceu e fechou os olhos, contendo um gemido.  A reação agradou Harry, que voltou a deslizar os dedos pelos botõezinhos, que enrugaram-se, denunciando o quanto o toque era prazeroso.  Dessa vez o gemido escapou.

Inspirado, o moreno abaixou a cabeça e substituiu suas mãos pela língua, usando-a para umedecer um, depois o outro.  Marcando-os com sua saliva quente.  O loiro apenas se contorcia e gemia baixinho, incapaz de resistir.

Harry surpreendeu-se ao perceber o quanto Draco tinha o corpo sensível, praticamente se derretia a cada toque.

Querendo sondar os limites do outro, Potter continuou descendo, marcando a pele muito branca hora com mordidas ora com chupadas e lambidas.  Era impressionante ver as marcas avermelhadas macularem a pele de alabastro.

Chegando onde queria, Harry parou pra tomar ar.  Levantou a cabeça dando uma mirada em Draco, notando enternecido que o Slytherin fechara os olhos e entregara-se confiantemente nas  mãos do bruxo mais alto.

Passando a língua sobre os lábios, Harry prometeu a si mesmo que Malfoy não se arrependeria por seu abandono.  Suspirando, esfregou o queixo com gentileza sobre o baixo ventre de Draco, arrepiando-lhe os pelinhos loiros.

O Garoto Que Viveu segurou um sorriso.  Pelo visto ali era outra das áreas sensíveis do loiro, porque ele estendeu as mãos e entrelaçou os dedos nos fios do cabelo rebelde, como se temesse que o ‘sonho’ acabasse e Harry se fosse.

Claro que isso não aconteceria.

Deixando de perder o tempo precioso, Harry seguiu em frente com seu objetivo, abaixou a cabeça e em um único movimento abocanhou todo o membro do garoto abaixo de si.

O prazer foi tão intenso, que Draco arqueou as costas.  Seu cérebro desligou-se do fato de que aquele sonho estava muito deferente dos outros.  Tudo o que importava era a umidade quente, que acarinhava seu pênis, a língua que corria pela pele túrgida, explorando, saboreando, provocando.

Harry movia a cabeça para cima e para baixo sem nunca desgrudar a boca daquele pedaço de carne duro feito aço, que atingira o máximo de excitação.

- Ahhhh...

Mas Harry queria mais.  Precisava ouvir os gemidos do loiro soando como música, precisava dar o toque especial para a sua fantasia.  Sugou com mais força, sentindo as primeiras gotas que anunciam o orgasmo tocarem sua boca.  E Draco tinha um gosto único, agridoce.  Marcante.

- Oh, Harry... Har... ry!

O loiro gemia mais e mais alto, dando a Harry a certeza de que não agüentaria muito tempo, e fazendo-o acelerar o trabalho com a língua.

Quando atingiu o clímax, Malfoy mordeu o lábio, tentando sufocar, sem muito sucesso, um grito alto; arqueou as costas com força, enquanto agarrava os fios negros do amante quase com violência.

Sua semente explodiu num jorro dentro da boca do Gryffindor, que fez o possível para engolir todo o sêmen, porém um pouco ainda lhe escorreu pelo canto da boca.  De modo preguiçoso, Harry passou o dedo indicador no filete que corria pelo queixo e o lambeu.  Com os olhos semi cerrados, Draco acompanhava o movimento tão sensual.

O mais alto se divertiu ao ser observado de modo tão sorrateiro.  Apoiou as mãos no chão e engatinhou sobre o Slytherin até poder olhá-lo nos olhos.  Esmeralda contra mercúrio.

Draco entreabriu os lábios para perguntar o que estava acontecendo, mas Harry sorriu e aproveitou a deixa para tomar-lhe a boca e iniciar um beijo.  O loiro estranhou um pouco o gosto do beijo, provando seu próprio sabor pela primeira vez.  Mas logo a sensação de desconforto passou.

Foi um beijo calmo e gentil, terno.  Poderiam ficar ali se beijando, mas o corpo do Gryffindor reclamou, e Harry sentiu o pênis pulsar reclamando o alívio não recebido, indicando que era hora de levar a fantasia a um nível mais... profundo.

Enquanto o beijo prosseguia, lento e exploratório, Harry ajeitava-se sobre o corpo magro de Draco, usando uma das mão para apoiar-se no chão frio, e a outra para abrir as pernas do loiro.

Sabendo muito bem o que viria a seguir, Draco fez de tudo para ajudar na tarefa, movendo o quadril, e abrindo as pernas tanto quanto podia.

O corpo dos garotos encaixou-se com uma perfeição inacreditável.  Harry sentiu como se ali fosse o seu lugar, como se devesse sempre estar junto a Draco Malfoy... e no momento o Gryffindor quis ficar ali...

Harry tirou a mão do chão e a apoiou na parte internas das coxas do loiro.  A pele ali era macia... tão macia.  Não resistiu a fazer um carinho.  Ao ser tocado numa parte sensível, Draco ronronou como um gato satisfeito, fechando os olhos novamente.

Com a mão livre, o moreno segurou o próprio pênis gotejante e duro feito aço, e o guiou ao corpo do outro, começando a forçar-se contra a entradinha apertada, encontrando uma agradável resistência.

Tentando manter o controle, Harry empurrou-se contra o outro, possuindo-o devagar, sem pressa.  Com infinito cuidado abriu passagem no corpo que era relutante, mas acolhedor ao mesmo tempo.

Pouco a pouco tomou o corpo do loiro por completo, sendo envolvido e estimulado pelas paredes que se moviam de forma involuntária, quase levando o moreno a loucura.

Os corpos se uniram, em um só, e tudo o mais desapareceu, quando se olharam nos olhos, perdendo-se numa sensação que nenhum dos dois jamais sentira antes.  Era maior do que o puro prazer, mais estonteantes que o próprio êxtase.

Harry não podia acreditar que estava mesmo ali, penetrando aquele que se tornara alvo de seus desejos mais secretos, que animava suas fantasias mais proibidas.  Seu inimigo... seu amante...

Draco teve apenas uma intuição, lhe alertando para o fato daquele sonho estar tão intenso.  Ardorosamente pediu que Merlin não o deixasse esquecer cada detalhe pela manhã.

Não queria que a beleza daqueles olhos verdes esvanecesse ao nascer do sol.  No entanto o momento mágico se foi tão rápido quanto veio.  Num instante o pênis de Harry pulsou, exigindo um pouco de ação.

Atendendo a um pedido tão carnal, Harry moveu o quadril para cima e para baixo, dando inicio a um vai-e-vem quase tímido, alargando o canal estreito.

Draco cerrou os dentes e levou as mãos aos ombros do moreno apertando com força tal que deixaria marcas.  A sensação de ter seu corpo preenchido daquela maneira era inexplicável, inacreditável.  Era tão bom, que pequenas ondas estremeceram sua pele, trazendo uma urgência em ter mais e mais...

Instintivamente o loiro moveu o quadril, impondo um novo ritmo aquela dança de luxúria.  Harry deixou que Draco assumisse o controle, e apenas acompanhou-o, investindo mais rápido, estocando mais fundo, sentindo o mundo se desvanecer, toda vez que entrava por completo e tocava fundo no outro.

Os gemidos se tornaram mais altos, a mando do vai-e-vem, em segundos nenhum dos dois se preocupava em se conter.  Tudo  o importava era o prazer, possuir e ser possuído.

Harry já não agüentava mais.  O corpo do Slytherin era igual a um nirvana, que arremessou o moreno ao êxtase total.  Quase com desespero, forçou-se para dentro do outro, alcançando mais fundo, tocando num ponto secreto, que fez Draco gritar de prazer e gozar também.

O mundo esmaeceu em cores difusas que se transformaram em milhões de estrelas cadentes.  Ambos atingiram o clímax juntos.

Esgotado, Harry desabou, depositando todo seu peso sobre Draco, seu membro deslizando com facilidade pelo corpo lubrificado do mais baixo.  O Gryffindor pôde sentir o coração acelerado de seu amante, que parecia galopar no mesmo ritmo do seu.  As respirações dos jovens bruxos estava acelerada, seus corpos transpiravam, a despeito do chão frio.

O cheiro de prazer pairava ao redor deles, como uma prova de satisfação total.

Surpreso, o moreno sentiu a hora em que as mãos de Draco deslizaram para cima e para baixo de suas costas, numa carícia deveras carinhosa.  E Harry nunca imaginaria que ele fosse capaz de tal coisa.

- Foi... diferente... dessa vez... - Draco murmurou com voz sonada.

- É por que foi a primeira, seu bobo!  A primeira de verdade, quero dizer...

- Ah... claro...

O Menino Que Viveu moveu a cabeça de modo a fitar a face do loiro.  Como alguém podia ser tão bonito?  A expressão sonolenta era enternecedora e cativante, mesmo com uma careta de pouco caso... que fez Harry engolir em seco duas vezes antes de conseguir respirar normalmente.

Agora se dera conta do tamanho da encrenca que se metera.  O que ele faria dali pra frente?  O que faria com Draco?  Talvez se o arrumasse e o deixasse no corredor, Draco acordasse achando que realmente tudo fora apenas um sonho...

Imediatamente arrependeu-se do pensamento.  As carícias em suas costas estavam diminuindo a medida que o Slytherin deslizava para o sono, mas a pele parecia queimar onde os dedos esguios haviam tocado.  O corpo de Harry parecia querer lembrá-lo da sensação, da agradável sensação.

Um carinho que possuía sentimento... sentimento que Draco guardava escondido em seu coração, e que nunca revelara a ninguém... Potter entendia que o outro só agira tão livremente por que acreditara estar sonhando...

Um sonho... uma fantasia...

Duas coisas diferentes, mas muito similares, que descreviam perfeitamente a verdadeira e profunda personalidade daqueles dois jovens bruxos: enquanto Harry se rendia a luxúria de suas fantasias secretas, Draco se entregava a sonhos onde se permitia um toque de carinho.

O Garoto Que Viveu sorriu de modo suave.  Talvez seu amante fosse mais doce do que qualquer pessoa pudesse imaginar.

Amante?

Certo.  Harry se rendera, não fora forte o bastante para resistir a tentação e lutar para fazer o certo.  Mas, seria assim tão errado estar ali, envolvido nos braços de seu futuro ex-inimigo?  Braços que a poucos instantes lhe acariciavam com um toque de inocência que contradizia tudo o que fizeram desde que entraram naquele banheiro...

Não.

Seu coração dizia que não.  Sinceramente, dizia que ali era o único lugar onde encontraria um abrigo para se aninhar.  Seu coração sincero sempre lhe mostraria a verdade: também sentia algo pelo loiro...

Caso contrário nunca teria ido a festa Slytherin... nunca teria seguido Draco e lhe dado aquele beijo... nunca teria entrado no banheiro e lhe feito amor daquele jeito.

Amor?

Arrepiado, Harry baniu aqueles pensamentos de sua cabeça.  Deixaria para se preocupar com isso pela manhã.  Sorte que era madrugada de sábado, então não precisava acordar cedo, e tão pouco chegaria a tempo de ir a Hogsmeade com Ron e Mione.

Não que isso importasse agora.  Afinal, teria um grande problema pela manhã, quando Draco abrisse os olhos e percebesse que, daquela vez, não se tratava de um simples sonho...

Fossem quais fossem as conseqüências, Harry estava disposto a pagá-las, feliz consigo mesmo por ter tido coragem de realizar sua fantasia mais secreta.

- - - - - - - - - - HPDM- - - - - - - - - -

Meu primeiro lemon de Drarry!  Não ficou lá essas coisas, mas tudo para ganhar o bônus do desafio.  Hauahauahauahaua... espero que considerem isso um lemon slash!


-Segundo Capítulo-

 

 

Estou morrendo!  Não posso respirar... direito...

Foi o primeiro pensamento de Draco Malfoy, quando despertou pela manhã.  Sua cabeça parecia que explodiria e sua boca estava seca, em dois sintomas que já conhecia como ressaca (nada que uma poção não resolvesse).  Mas aquela pressão anormal em seu tórax não fazia parte do pós bebedeira.  Nunca sentira aquela dificuldade para respirar...

Então só podia significar uma coisa: estava morrendo no auge de sua vida gloriosa e resplendor máximo de beleza.

Ok.  Abriria os olhos para dar o último adeus ao mundo (que tragédia! A comunidade bruxa nunca se recuperaria daquela terrível perda), depois poderia... merda!  Era o teto do banheiro dos monitores?  Morrer no banheiro não era nem um pouco digno...

Não tenho forças nem para me arrastar para fora...

Espera um pouco aí.  Draco reparou que tinha alguma coisa entre seus braços.  Na verdade alguém.

Desconfiado abaixou a cabeça e... ficou a ponto de ter um enfarte ao ver aquele porco-espinho enorme sobre seu peito.

Socorro!  Estou sendo atacado por uma das bestas daquele gigante imbecil amante de Muggle!

O pensamento não chegou a ser expresso em voz alta.  Felizmente Draco conseguiu concluir, a tempo de evitar o escândalo, que não era um porco-espinho, e sim simples cabelo humano.  Menos mal.

Menos mal?

Céus!  Bebera tanto a ponto de perder a consciência e passar a noite com outra pessoa?  E quem seria o dono daqueles fios de cabelo rebeldes, que apontavam para todas as direções ao mesmo tempo?  Parecia meio... familiar... Ah, claro.

Draco só conhecia uma pessoa em toda Hogwarts com uma característica tão marcante.

Merda.  Mil vezes merda.

Harry Potter foi tirado de seu delicioso sono por uma dor muito incomoda.  Uma dor em seu rosto, como se alguém estivesse... puxando sua bochecha...

Quem seria o autor daquela brincadeira de extremo mau gosto?

Abriu os olhos verdes, e a primeira coisa que viu foi uma mão de dedos magros e pele muito pálida beliscar sua bochecha com força.

- Malfoy!  Que pensa que está fazendo?

- Oh! - a exclamação soou estranha.

Respirando pesado e esfregando o rosto que ficara vermelho, Harry levantou-se de sobre o corpo do outro e encarou-o com as íris esmeralda brilhando.

- Doeu, Potter?

- CLARO que doeu!

- Então não estou sonhando!

- Porque não beliscou a si próprio pra tirar a prova?

Harry recebeu um olhar incrivelmente incrédulo por parte do loiro.

- E causar dor em mim mesmo?  Não, obrigado.

O Gryffindor grunhiu algo, percebendo que Draco começava a ficar desconfortável.

- Potter... o que aconteceu aqui?  Porque você está no banheiro dos monitores Slytherin?  E... - a voz dele falhou, no momento em ia questionar sobre a evidente nudez de ambos.

Harry sorriu divertido.

- Não se lembra?

Draco estreitou os olhos.  Lembrava-se de ter escapado da festa, de vagar pelo corredor, de cair no chão e permanecer alucinando no piso frio.  Então tivera um sonho com... um sonho... sonho...

Não!

- Não foi...?

- Não.  Eu te avisei.

Na verdade, Draco não se lembrava de praticamente nada da noite anterior.  Tinha a impressão de que tudo fora muito mais intenso do que os outros sonhos, mas... não se recordava dos detalhes.

- Potter... você...

De repente ondas de raiva e indignação encheram o jovem Slytherin.  Sua expressão ficou tão grave e séria, que deixou Potter na defensiva.

- ... se aproveitou de mim!

Harry arregalou os olhos enquanto sua boca ficava com um estranho gosto amargo.

- Malfoy...

- Como pôde fazer uma coisa dessas? - o tom de voz soava mais estridente a cada segundo.

- Eu...

- Potter, você ficou rondando as masmorras... eu estava bêbado!  Não sabia o que fazia!  Isso é monstruoso!  Seu... maníaco!

- Escuta... você sonha comigo! - o moreno acusou, satisfeito por fazer o loiro corar sem jeito.

- Com o que eu sonho ou deixo de sonhar não é de sua maldita conta!  Isso não te dá o direito de... de... maldição!

O rosto de Harry Potter ficou cinza.  De todas as reações possíveis que imaginara para o loiro, aquela fúria quase desesperada não era uma delas.

- Malfoy... me escuta...

Mas Draco não deu ouvidos.  Agarrou sua capa e enrolou-a de qualquer jeito ao redor do corpo.  Não se preocupou com as outras peças de roupa, apenas se precipitando para fora do banheiro.

Harry não fez nenhum gesto para impedi-lo.  Estava surpreso demais para sequer se mover.

Aquilo brilhando nos olhos cinzentos eram lágrimas?

De repente O Garoto Que Viveu sentiu que havia estragado tudo...

 

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Draco não queria chorar!  Não queria!

Mas...

Doía muito.  Tanto...

O loiro sentia-se arrasado. Pior ainda, usado.  Como Harry Sempre Ajo Politicamente Correto Potter pudera fazer aquilo?  Era baixo... era vil!

Claro, Draco não se importaria nem um pouco se fosse com outra pessoa.  Ele não tinha remorso algum em arrasar outra pessoa.  Muito menos em usar outra pessoa.  Mas a coisa mudava de figura quando ele era a vítima.

Mas Potter se aproveitara de sua fraqueza.  Num momento delicado.

Ora, Draco não negaria que sonhava mesmo com aquilo.  Tudo o que mais desejava desde que deixara de ser criança e se tornara aquele adolescente confuso e meio perdido.

Queria Potter.  Queria senti-lo, estar entre os braços dele.  E agora estava tudo estragado.

Na noite anterior estivera com ele.  e eles haviam feito sexo.  No entanto Draco mal se recordava.  Não se lembrava do que devia ter sido a primeira, especial e inesquecível vez de ambos.

Merda!

Não era muito Malfoy e nem muito Slytherin deixar-se levar pelos sentimentos,  e por pensamentos tão românticos.  Que se danasse!  No momento ele queria apenas ser Draco, e curtir sua decepção.

Por pura sorte, o loiro não cruzou com ninguém, enquanto corria pelo  corredor.  Com imenso alívio adentrou a sala comunal da casa da Serpente e pulou alguns estudantes que estavam largados pelo chão e pelo sofá, recuperando-se da festa.

Como um foguete disparou para seu quarto, feliz porque como monitor podia ter seu próprio dormitório, separado dos demais.

Mal desabou na cama, e percebeu que alguém entrava logo em seguida.  Sabia muito bem quem era.

- Pansy, eu não estou no clima.

- Querido, levando em consideração que você acabou de chegar, vestindo apenas sua capa e com essa cara... eu diria que tem alguma coisa errada nessa sua afirmação.

- Me dê alguns anos e eu me recuperarei.  Então conversaremos sobre isso.  Prometo. - Draco evitava encarar a Slytherin.

- Por mais que a palavra de um Malfoy seja confiável, não vou aceitá-la neste caso, Draco querido.

- Está sendo inconveniente, Pansy.  Mais do que o normal.

A garota rolou os olhos sem aborrecer-se de verdade.

- Então olhe nos meus olhos e diga que está tudo bem.  Eu irei embora.

Torcendo os lábios, Draco moveu a mão como se enxotasse uma mosca, querendo dizer que Pansy devia ir embora.

- Acho que ouvi Blaise chamando você.

Pansy suspirou parecendo desistir.  Ela conhecia Draco muito bem e sabia o que fazer para convence-lo a se abrir.  Bastava não dar importância.  Nada irritava mais o outro do que não ter toda a atenção.

- Você venceu, querido.  Quando achar que está preparado...

Antes que a garota saísse, Draco praguejou e apertou ainda mais a capa ao redor de seu corpo.

- Quer saber mesmo, Pansy?  É tudo culpa daquele Cabeça Rachada!

Pansy ergueu uma sobrancelha, e foi a única coisa que demonstrou sua surpresa.  Sabia que Draco nutria uma paixão secreta pelo Gryffindor.  Alias, quase toda Slytherin sabia disso (apesar de ser um dos mais bem guardados segredos...).

E fazia um bom tempo que Draco não se referia a Potter com aquelas palavras, e naquele tom de voz...

Intuindo que seria uma longa conversa, a jovem bruxa sentou-se na cama e lançou um dos seus olhares mais compreensivos a Draco Malfoy.

- Diga, Draco.  Você vai se sentir melhor.  O que foi que Potter fez dessa vez?  Tiveram algum duelo?  Ele o ofendeu de novo?  Ou...

Pansy perdeu a voz ao presenciar algo que nunca imaginara antes.  Ao invés de responder, o loiro a sua frente começara a chorar.  Chorar de maneira sentida, como ela não achava ser possível.

Não haviam soluços nem sons engasgados.  Apenas as lágrimas rolando pelo rosto pálido.  Apenas as lágrimas e... uma infinita tristeza nos olhos cinzentos.

A coisa devia ser mesmo grave.  Afinal, Malfoys não choram.  Não daquele jeito...

 

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Por melhores intenções que Harry Potter poderia ter, elas não valeram de nada.  Pois Malfoy apenas se afastou, evitando-o de todas as maneiras possíveis.  E quando era inevitável, como o Grande Salão ou as aulas divididas por Gryffindor e Slytherin, Draco sempre estava cercado por sua (agora mais do que nunca) inseparável corte.

Aos poucos a vontade de esclarecer tudo foi se enfraquecendo.  Talvez Harry tivesse confundido tudo.

Talvez os sentimentos de Malfoy não fossem tão verdadeiros quanto quisera acreditar.  Por mais ofendido (e com razão) que Draco pudesse estar, não fazia sentido ele se recusar a ouvir as desculpas de Harry, ou pelo menos saber as razões que fizeram Harry agir daquela maneira.

No entanto Draco apenas se afastara total e completamente.  Não havia mais as provocações infantis, nem a hostilidade não disfarçada.  Restara apenas a fria indiferença, como se Harry nem sequer existisse.

Isso e os olhares assassinos da maior parte dos Slytherins.  O Menino Que Viveu intuiu que deviam saber o que acontecera e que consequentemente tomaram as dores do loiro como sua.

Ótimo.

Como se não fosse o suficiente.

No fim das contas Harry Potter acabou por desistir, achando que na verdade Draco era mimado e infantil o bastante para não aceitar a voz da razão.  E que no fim das contas aqueles sonho não passavam de uma doentia obsessão do loiro, que ao defrontar-se com a realidade de seus devaneios não a superara.

E como dizem por aí, o tempo é o melhor remédio.

Com o passar dos dias e semanas, com a preocupação com os estudos e crescentes investidas do Lorde das Trevas, Harry Potter desistiu de tentar se entender com Draco Malfoy, por mais que seu corpo ansiasse repetir a dose.  Por mais que se esforçasse para afastar os pensamentos luxuriosos e preocupados.

Por mais que desejasse ficar com Draco, o Gryffindor simplesmente desistiu.

- A vida tem estado muito calma, não acham? - Rony questionou enquanto enfiava um bocado de mingau de laranja na boca.

- Hn... - Harry concordou pensativo, revirando seu mingau com a colher.

- Você diz isso porque os Slytherins não nos provocam como antes. - Rony balançou a cabeça para Hermione, ssua namorada - Não entendo... Você-Sabe-Quem está agindo mais do os outros anos juntos... eles deveriam estar se pavoneando por aí.

- E quem se importa?  Pensei que o ano seria terrível... mas tem o que?  Uns dois meses que eles andam quietinhos... acho que estão planejando algo grande.

- Rony, pra você eles sempre estarão planejando algo grande.

Harry desligou-se da conversa entre seus dois melhores amigos.  Dois meses desde aquela festa?  Todo esse tempo desde que tivera Draco Malfoy em seus braços?

Merda!  Parecia que fora ontem!  A sensação do corpo quente junto ao seu e dos lábios deliciosos grudados ao seus ainda era muito vívida.  Muito latente.

Furioso, O Menino Que Viveu enfiou uma generosa colherada de mingau na boca, jurava a si mesmo que tiraria Draco Malfoy da cabeça, custasse o que custasse.

Ele não veio tomar o café hoje... será que aconteceu alguma coisa?

Hum... seu plano de não se preocupar estava dando maravilhosamente errado.

 

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Draco entrou na sala de esperas de Madame Pomfrey e franziu a sobrancelhas.

- Pansy... o que está fazendo aqui?

A garota estava tão pálida que parecia que ia desmoronar a qualquer minuto.  Parecia pior do que Draco.  O incrível era o nervosismo estampado na face de Pansy.

Nervosa?  Pansy?  Ok, se acostumara a vê-la irritante, insuportável, pegajosa, impaciente e até mesmo pedante. Mas nervosa?  A ponto de retorcer as mãos e evitar encarar Draco?

- Não acordei me sentindo bem... e você?

O loiro sentou-se ao lado dela.

- Também... minha pressão parece baixa.  Acho que exagerei estudando poções extras ontem...

Hã?  O loiro estava suavizando as coisas, isso sim.  Ele acordara com um enjôo danado, mal tendo tempo de alcançar o banheiro antes de vomitar o que restara de seu jantar.  E sua pressão estivera tão baixa, que quase ficara sem sentidos.

Mas aquilo não vinha ao caso, claro.  Um Malfoy não passa tão mal assim jamais.

- Ficou estudando poções ontem?

- Severus me passou algumas poções interessantes mas complicadas... uma delas faz muito vapor...

- Oh.

Os dois se calaram.  Pansy continuou revirando as mãos nervosamente, enquanto Draco analisava as próprias unhas.  O loiro não estava realmente preocupado.  Acreditava que estava sob efeito de vapor de poção, e quem sabe não conseguisse de lambuja alguns dias de folga com Madame Pomfrey?

Porém com menos de trinta segundos de tanto nervosismo, Draco começou a se preocupar pela saúde da Slytherin.  Sem contar que era muito irritante o fato dela torcer tanto as mãos.

Quando deu por si, Draco também estava estralando seus dedos.

- Pansy... - ele começou com a voz arrastada - o que você está sentindo?

A pergunta que deveria ser simples teve o incrível poder de um Petrificus Totalus.  A garota enrijeceu o corpo e deixou escapar um suave lamento.

- É tão grave assim? - Draco parecia incrédulo que Pansy pudesse estar mesmo doente.  Agora não acreditava mais que a garota queria apenas uma dispensa das aulas.

- Oh... eu... acordei meio enjoada... e com a pressão baixa.

- Eu também.

- Draco... estou... atrasada... isso nunca aconteceu antes.

O loiro demorou apenas um segundo para entender do que Pansy estava falando.  Era daquilo... que deixava as garotas irritadas e insuportáveis por um certo período do mês.

- Você está tentando me dizer que...

- Ai, Draquinho... acho que estou grávida!

Ok.  Podem soar o alarme.  O mundo bruxo está entrando em colapso total.  Pansy Parkinson, uma adolescente de apenas 16 grávida?  Wow.  A teoria ‘Slytherins são espertos’ acabara de descer pelo ralo...

- Tem certeza?

- Ainda não.  Por isso estou aqui... comecei a sentir esses enjôos a uns dois dias... e como minha regra não veio... Merlin... se minha mãe descobre isso... ela arranca meu couro e faz um par de botas com ele.

- Acalme-se.  Você nem mesmo tem certeza de nada.

- Tem razão.

Apesar de concordar, a garota não relaxou.  Permaneceu tensa, parando somente de retorcer as mãos, para alívio do loiro.

- E a culpa é toda sua... - Draco continuou depois de uma pausa quase dramática - Quem mandou ir pra cama com Blaise e não se precaver?

Pansy gemeu e não encarou Draco.

- Eu te ensinei dúzias de feitiços protetores, não foi?  Bem feito por se deixar levar pelo fogo.

- Muito obrigada por seu apoio...

- Disponha.  Sempre que precisar estou a disposição.

- Pelos meus cálculos aconteceu na festa de fim de trimestre... o que é que eu vou fazer...?

Draco sentiu uma arrepio ao ouvir sobre a festa Slytherin que comemorava o fim do primeiro trimestre.  Não queria lembrar-se daquele desastre em sua vida.  Porém disfarçou o seu desagrado.

- Pansy, não me pergunte.  Como é que eu posso saber?  Nunca engravidei nenhuma garota antes.

A jovem bruxa fez uma expressão tão magoada, que acabou condoendo Draco.  O loiro mordeu o lábio inferior e suspirou.  Depois colocou a mão sobre o ombro da amiga, na melhor forma de consolo.

- Não seja paranóica.  Esqueceu que você é uma Slytherin?  Não devia sofrer em antecipação.

Pansy balançou a cabeça concordando.  Draco ia comentar sobre a demora de Madame Pomfrey em atendê-los quando a porta da enfermaria abriu a enfermeira chegou.

Parecia desgostosa, porque recebera alguns Hufflepuff segundanistas que haviam sofrido um acidente na aula de poções.  Snape pegara pesado, pra variar.

- Olá, garotos.  Senhor Malfoy, não vou lhe dar uma dispensa por um simples mal estar, senhorita Parkinson, venha comigo para alguns exames.

Draco ficou indignado com a atitude da enfermeira.  Como assim, um simples mal estar?  Não fora somente um simples mal estar.

- Acordei passando realmente mal.  Exijo um exame completo!

A enfermeira suspirou condescendente.

- Senhor Malfoy... tenho experiência em afirmar que o senhor tem certa... tendência a exagerar alguns fatos.  Ou estou errada?

Draco não respondeu, mas fez uma careta que expressava seu pensamento nem um pouco feliz.  E daí que ele enfeitava um pouquinho as coisas?  Ainda assim tinha o direito de ser examinado como todos os outros alunos.

A expressão determinada do garoto convenceu Papoula a ceder.  Não adiantava brigar com Draco Malfoy.

- Está bem.  Venham comigo.  Os dois.

Pansy levantou-se de um salto mas sentiu uma tontura.  Seu rosto ficou pálido e ela procurou se apoiar em algo.

Draco percebeu a situação da garota e tratou de erguer-se para ampará-la (Malfoys são antes de tudo verdadeiros cavalheiros) no entanto também sentiu-se mal e acabou usando o corpo da garota para amparar-se.

Papoula franziu as sobrancelhas ao observar os dois garotos que apoiavam-se um no outro.  Percebeu que talvez Draco Malfoy não estivesse enfeitando seu estado de saúde.

- Pelo visto ambos andaram aprontando alguma, não foi?

Os Slytherins permaneceram quietos, porque o mundo girava muito para que tivessem segurança de abrir a boca sem correr o risco de vomitar todo o café da manhã, que aliás, não haviam ingerido.

 

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- Eu sempre soube que morreria jovem... e tão lindo...

- Oh, Draco...

Pansy observou o loiro deitado no leito ao lado do seu, com uma mão teatralmente apoiada na testa e a outra sobre o coração agarrando com força o pano da blusa.

Ninguém vencia Draco Malfoy nos quesitos ‘drama’ e ‘auto exaltação’.  Porém a garota agradecia a presença do loiro, pois com toda as suas besteiras infantis e mimadas, acabara distraindo-a de suas preocupações.

Draco era um amigão.  Por mais que tentasse não demonstrar.

O dia estava chegando ao fim, e ambos permaneciam repousando na enfermaria de Hogwarts.  Pomfrey achara melhor deixá-los em observação a liberá-los sem ter a certeza do que os afligia.

Pela manhã realizara todos os exames e testes que Draco achara-se no direito de fazer (e o loiro insistira que Pansy deveria fazer os mesmos), então a enfermeira saíra para analisar o resultado dos mesmos.

E não voltara ainda.

Haviam recebido um lanche leve pela manhã (e nenhum dos dois tivera estômago para ingerir) e um almoço reforçado.  Esse sim, muito bem vindo, apesar de Pansy colocar tudo para fora instantes depois, fazendo Draco enjoar também (ele não podia ver ninguém passando mal).

O Slytherin começava a se sentir entediado, quando junto com o café da tarde, surgiram Madame Pomfrey e Albus Dumbledore.  E os adultos pareciam sérios demais para a situação.

Então estou mesmo morrendo... que crime contra o Mundo Bruxo... ele nunca vai se recuperar desta perda...

O pensamento refletiu no rosto fino de Draco, e foi o suficiente para fazer os olhos do diretor brilharem divertidos.  Ali estava uma situação deveras interessante.

- Garotos, eu tinha razão quando disse que vocês estavam aprontando.  Aqui estão os resultados dos testes.

- Eu vou morrer?

- Não senhor Malfoy - Dumbledore sorriu - Pelo menos não de acordo com o resultado.

O mundo bruxo estava salvo!  Salvo!!

- Então estou liberado? - ele queria dar o fora antes de saber sobre Pansy.  Sabia que se ela estivesse grávida seria uma barra, e Draco precisava se preparar psicologicamente para apoiá-la.

- Ainda não, senhor Malfoy - foi Papoula quem interferiu.

- O que eu tenho?

Draco começou a desesperar.  Não acreditava que tivesse realmente alguma coisa, a não ser poção aspirada em excesso.

Mas para Madame Pomfrey ter trazido o diretor de Hogwarts até ali... Draco não se lembrava de Dumbledore visitar algum aluno na enfermaria a não ser Harry Potter, claro.

Merda!  Não pense nele!

Papoula suspirou e olhou demoradamente para Pansy depois para Draco.

- Não vejo como dizer isso sem chocá-los.  Foi uma providência fazer todos os exames, senhor Malfoy.  Assim pudemos descobrir que ambos... que vocês dois estão grávidos.

Pansy gemeu e fechou os olhos com força.  Seu mundo acabara de ruir.

Draco deu uma risadinha que soou um tanto histérica.

- Não posso estar grávido.  Eu Sou Um Garoto... caso não tenham percebido.

- Percebemos sim, senhor Malfoy.  Casos de gravidez masculina são raros, mas não impossíveis. - Pomfrey explicou - Nesse século, que eu saiba, ocorreram dois casos.  O senhor acaba de se tornar o terceiro.

Pansy que abrira os olhos ao ouvir a enfermeira se dirigir a Draco com a explicação do que Draco poderia estar sofrendo.  Então o loiro também estava grávido?  Era tão absurdo que soara ridículo.

- Não posso estar... grá... vi... grávi... do.

Era difícil até pronunciar a palavra.  O Slytherin sentia-se a beira de um surto.  Ele tinha apenas dezesseis anos, era um garoto e filho de uma família bruxa tradicionalíssima... estou ferrado!

- Senhor Malfoy, vocês estão grávidos.  Aceite isso.  Pelo resultado dos testes calculamos aproximadamente dois meses pra ambos.

Dois meses?  A maldita festa... não!

Parecendo adivinhar os pensamentos do loiro, Dumbledore questionou:

- Precisamos saber quem são os pais.

Pansy gemeu algo, logo sendo ecoada por Draco.

- É importante, senhor Malfoy, senhorita Parkinson.  Dadas as circunstâncias, teremos que avisar os pais dessas crianças, eles precisam saber do que está acontecendo.

Atuais circunstâncias... Draco sorriu amargo.  Traduza como ‘jovens Slytherins filhos de Comensais da Morte’.

Beleza.  Agora estava definitivamente morto.  Seu pai arrancaria sua cabeça quando descobrisse.  Aah, claro, haveriam Cruciatus e muita tortura antes (e alguém tinha dúvida?)... depois que sofresse mais do que o suficiente, Lucius o presentearia com a morte...

Não parecia um futuro promissor.

Pansy observou Draco.  Tinham o mesmo pensamento.

- Madame Pomfrey - a voz do loiro sou muito macia - acho que será um choque para os... pais... tanto quanto foi pra nós...

- Senhor Malfoy não pense que...

- Não!  Deixe-nos apenas conversar com eles antes...

De repente a idéia de contar àquilo a Harry Potter na presença de Madame Pomfrey e Albus Dumbledore lhe causava arrepios.

- Jamais...

- Calma, Papoula.  Talvez seja uma boa idéia deixá-los explicar a situação aos outros dois garotos.

A enfermeira não gostou nem um pouco da reviravolta mas assentiu.

- Amanhã, quero a senhorita Parkinson e o pai da criança pela manhã nesta enfermaria.  E... senhor Malfoy venha acompanhando pela tarde.  Vocês estarão dispensados das aulas nestes horários.

- Conversaremos amanhã, crianças.  Tudo será esclarecido amanhã.  Papoula concorda comigo em liberá-los por hoje, afinal, gravidez não é doença.  Nem mesmo no caso do senhor Malfoy, apesar de requerer maiores cuidados e muita atenção.

Estando dispensados, tanto Pansy quanto Draco saíram da enfermaria sob os olhares dos dois adultos, se bem que Madame Pomfrey parecia mais do que disposta a manter Draco Malfoy por ali, mais um tempo.

Os Slytherins caminharam pelo corredor lado a lado, sem ter muito o que dizer um ao outro.

Foi Pansy quem teve coragem de romper o silêncio.

- Draco, querido, isso está estranho.  Nem parece a gente...

- Não posso estar grá... vido... vou pedir outro teste.  Eu devia ter pedido outro teste.

- Você disse que acordou sentindo tonturas, como eu...

- E meio enjoado também.

- Madame Pomfrey disse que estamos de dois meses... a data quase exata da festa de fim de trimestre.  Isso quer dizer que... oh, Draco!

A garota concluíra o óbvio.

- O que vai fazer, Draquinho?  Você está mais ferrado do que eu.  Quando seu pai souber que você está esperando um filho de Harry Potter... vai pedir sua cabeça em uma bandeja de prata!

Só então a profundidade do problema atingiu Draco com toda a intensidade.

Ele estava grávido!  Carregava no ventre uma criança que fora concebida em uma noite inimaginável, e o outro pai, era nada mais nada menos do que Harry Eterno Inimigo do Lorde Das Trevas Potter.

Lorde das Trevas que por sinal, era mestre de seu pai.

- Pansy... estou... morto...

Draco sentiu uma vertigem e teve que buscar apoio na garota, para evitar que caísse.  E dessa vez, a tontura não fora causada por sua provável gravides... e sim com as conseqüências dela...

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HPDM

4ever

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Continua...


 

 

 

 

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