Desafio: Resposta ao desafio: “O Belo
Adormecido e o Príncipe Relutante. Um Comensal da Morte, ou o próprio
Voldemort, lança um feitiço em alguém, e só aquele outro alguém poderá acordá-lo...
com um beijo. Mas essa pessoa odeia o Belo Adormecido (que, aliás, pode nem ser
Belo!)” da Ptyx
Título: Um Conto de Bruxos
Autor: Marck Evans
Classificação: T ou PG-13
Casais: Draco Malfoy e Ron Weasley.
Remus Lupin e Severus Snape, Hermione Granger e
Luna Lovegood, Harry Potter e Tonks, Harry Potter e Draco Malfoy são citados.
Resumo: Draco é enfeitiçado e só Ron pode salvá-lo.
Disclaimer: Esses personagens não me pertencem. São
de JKR. Eu só brinco um pouco com eles.
Um Conto de Bruxos
O Príncipe Relutante:
-Não! Não mesmo. E nem adianta me
pedir!
-Ron, pensa bem!
-Não, Hermione! Eu não vou fazer
isso. Não por aquele babaca.
-Ron, é necessário!
-Hermione, é o Malfoy!
A
discussão entre os dois já durava horas, e não parecia próxima de um fim.
-Ron – Lupin interferiu na conversa
com um ar muito sério -, se você não fizer isso, Draco vai morrer. Quer
realmente ter a morte dele na sua consciência?
Ron não tinha resposta para isso.
Ele não queria que Draco morresse. Já haviam perdido muita gente nos anos de
guerra contra as trevas; Malfoy fora um aliado, no final das contas, e Ron já
vira mortes demais.
Mas aquilo também já era pedir
muito.
-Mas por que eu?
A pergunta era retórica, mas
Hermione não conseguia deixar de explicar:
-Ron, o feitiço que Draco recebeu
daquele comensal o fará dormir para sempre. Ou pelo menos até definhar e
morrer. Ele vai sentir o tempo passar e não vai conseguir acordar. Esse feitiço
é muito antigo, foi um desses que deu origem à lenda da Bela Adormecida, apesar
de a lenda ser um pouco diferente, claro. Essa é uma forma muito cruel de
vingança; imagine só o que ele deve estar sentindo lá no quarto da torre.
-É. Tem até um dragão tomando
conta dele – interrompeu Ron, dando vazão à sua frustração. - E um dragão
seboso.
-Deixe Severus fora disso. – Remus
disfarçou o sorriso ao imaginar o que o namorado faria se ouvisse Ron chamá-lo
de Dragão Seboso. – Ele está cuidado o melhor possível de Draco.
-Certo, Remus. Me desculpe. Eu não
quero que o Malfoy morra em um ou dois anos sem ter acordado mais. É só que....
ah droga! Por que eu?
-Porque o seu nome foi o último
que ele pronunciou antes de ser enfeitiçado. – Hermione estava quase perdendo a
paciência, outra vez, com as reclamações do amigo. – E temos sorte de Harry ter
ouvido o que ele disse.
-Obrigado, Harry. Muito obrigado.
Harry, que até então não
participara da discussão, resolveu intervir:
-Ron, pára de reclamar, você sabe
que no final vai fazer o que tem de fazer, porque é o certo. Então vai logo lá
e cura o Draco.
-Eu vou. Mas sob protesto. – Com
um suspiro desanimado, ele andou até a porta. – Hermione, tem certeza que não
tem outro jeito de acordar o Malfoy?
-Tenho, Ron. E o professor
Dumbledore também. Agora pára de frescura e vai lá beijar a boca do Draco.
O Feitiço:
Aos vinte e três anos, Ronald
Weasley era um jovem bastante alto e dono de um certo charme. Sem ser
propriamente bonito, havia algo em seu ar desligado e jeito de criança perdida
que encantava a maioria das garotas. E alguns garotos, também.
Os anos de guerra haviam tirado a
chance dele e dos amigos terem um final de adolescência normal e transformado
Ron em um guerreiro. Um guerreiro que, mesmo depois do final daquele pesadelo,
ainda era capaz de olhar com doçura para os que amava, mas uma doçura triste,
como se ele não acreditasse mais em finais felizes.
Hermione e Harry estavam
preocupados com o amigo. Diziam que ele precisava de um amor, mas Ron não
mostrava interesse por ninguém. O que ele não queria confessar é que tivera uma
paixão por Oliver Wood e, como as coisas entre eles não tinham terminado bem,
ele se tornara ainda mais reservado nessa área. Ron invejava Harry, que, depois
de um romance com Draco no sétimo ano, conseguira continuar amigo do
ex-namorado e agora estava muito bem com a Tonks.
Draco Malfoy era quase o oposto
perfeito de Ron. Ele se unira à Ordem no final do sexto ano, mas sempre
conservara a postura arrogante e a fala arrastada.
Ele ainda era baixo, loiro,
arrogante, refinado e solitário. Harry passara de caso a amigo e, além de Snape
e Lupin, era uma das poucas pessoas com quem o jovem Malfoy se dava realmente.
Com os outros, apenas uma certa camaradagem e um pouco de confiança duramente
conquistada.
Draco ainda provocava Ron, não
mais com os argumentos que usara na infância — mesmo porque ele desenvolvera
uma admiração inesperada pela matriarca dos Weasley durante os anos negros, e
por algum tempo tivera ainda menos dinheiro que o antigo desafeto. Agora ele
preferia irritar Ron de maneira mais sutil e fazer o ruivo cabeça-quente
explodir.
Harry achava que havia algo mais
por trás dessas provocações todas. Mas nem a ele nem a ninguém Draco
confidenciara nada. O que não impedia Harry de tentar investigar. Certas coisas
nunca mudam, afinal de contas.
Harry fora visitar Draco, que vivia
na antiga residência de verão dos Malfoy. O pequeno castelo combinava
maravilhosamente com o aristocrático Draco. Tinha até uma torre.
-Draco, você está apaixonado –
Harry surpreendeu Draco soltando a afirmação categórica no meio de uma
agradável conversa sobre quadribol nos jardins do castelo.
-Nem vem, Harry!
-Confessa, Draco. Você não
resistiu aos cabelos de fogo dele.
-Pára de bobeira, Harry. Eu não
sinto nada pelo Ronald.
-Mas eu não disse o nome do Ron,
Draco. Foi você quem se entregou. - O rubor no rosto do amigo fez Harry rir. –
Assume de vez o que você sente pelo Ron.
-Eu não sinto nada por Ron nenhum!
Harry ainda estava rindo quando
foram atacados.
Os três últimos Comensais
foragidos mergulharam dos céus, em um vôo arriscado com vassouras roubadas. Em
uma ação desesperada e bem planejada, eles tramaram uma última vingança. O alvo
era Draco, que eles consideravam um traidor e responsável pela prisão de muitos
deles.
Sabiam como burlar os sistemas de
defesa do castelo, mas não contavam que Draco não estivesse sozinho.
Harry atacou, mas antes que Draco
pudesse sacar a varinha um dos Comensais se lançou contra ele com um objetivo
específico em mente. Lançou um feitiço antigo, e Draco caiu no chão sem
pronunciar nem mais uma palavra.
Harry havia estuporado um dos seus
adversários e ferido outro quando Tonks chegou correndo e imobilizou o
terceiro.
Dois dos comensais estavam presos,
e a única coisa que o que enfeitiçara Draco disse antes de se matar foi:
-O traidorzinho vai dormir para sempre.
Depois disso Draco não despertava.
Nenhuma poção ou encantamento parecia capaz de trazê-lo de volta. Até que
Dumbledore deu-se conta de qual feitiço havia sido usado.
Haviam levado quase dois dias inteiros
para identificar o feitiço que Draco recebera e seu único contrafeitiço, e nas
últimas horas eles estavam tentando enfiar na cabeça dura e esquentada de Ron
Weasley que o único jeito de salvar Draco Malfoy seria um beijo. Não um simples
roçar de lábios, mas um beijo de verdade.
Andar pelos corredores do Castelo
Malfoy até o quarto na torre onde Snape velava o sono de Draco foi uma das
tarefas mais árduas que Ron já encetara.
Quando chegou ao quarto, parou à
entrada sem coragem de avançar. Snape, ao vê-lo hesitar, veio até a porta.
-Veio fazer o que deve ser feito,
Weasley?
-Vim, Professor.
-Agora?
-Sim.
-Sabe que tem de ter uma profunda
intenção no ato, ou o feitiço não se quebra?
-Sei, Professor.
-Então vá. Dê logo esse beijo.
-Professor, ehr.. ah...
-O que foi, Weasley?
-Dá para eu ficar sozinho? Isso
tudo é meio estranho, eu tenho de me preparar.
Snape analisou a situação por
alguns instantes, até que, com um ar de compreensão, se afastou avisando:
-Estarei na sala principal.
-Você e o resto da Ordem. Todo
mundo sabendo que eu vou beijar o Malfoy. Droga! – Mesmo resmungando baixinho,
Ron se aproximou da cama onde Draco estava deitado.
Ajoelhando-se ao lado da cama, Ron
encarou o rosto pálido do outro rapaz.
-Ele realmente se parece com a
Bela Adormecida. – Ron sorriu de leve; Draco odiaria essa comparação.
Os cabelos compridos de Draco
estavam espalhados pelo travesseiro, e seu rosto de traços finos parecia tão
sereno sem a expressão habitual de superioridade.
-É um cretino, mas é bonito, o
desgraçado!
Ron deixou seu olhar vagar pelo
rosto de Draco. Os lábios, vistos agora, pareciam suaves, doces até.
Tanta vida presa naquele sono
artificial!
Com paciência, Ron foi abaixando
suas defesas emocionais contra o sonserino. Eram anos de ressentimento, mas
vê-lo assim, tão indefeso e tão lindo, tocava o coração naturalmente generoso
de Ron. Era difícil esquecer do passado, mas vendo Draco daquele jeito, e
sentido a força da Vida e da Magia dele, Ron se condoeu e permitiu que as boas
memórias que ele tinha de Draco viessem a sua mente.
Não eram tão poucas assim, para
sua surpresa.
Na escola não havia nada de bom
para lembrar dele, pelo menos não até o último ano em Hogwarts. Ron se lembrou
de como Draco fora importante naquele ano. Ele achava que, se não fosse a
presença do sonserino, Harry não teria conseguido agüentar a pressão.
Ele e Draco haviam juntado forças
para ajudar Harry. Engraçado, naquela época ele havia imaginado que Harry e
Draco viveriam um conto de fadas e ficariam juntos e felizes para sempre. Mas
não fora assim.
Harry era feliz com Tonks, e
Draco... bem Draco estava sozinho agora, e não era por falta de opções. Ele via
bem o quanto Draco atraía as pessoas. A mítica de ser um dos heróis da vitória
sobre Voldemort, sua fortuna, sua beleza e seu encanto, tudo isso era muito
sedutor. Mas sua língua ferina e sua natureza desconfiada afastavam os
desavisados. Para ficar com Draco, teria de ser alguém muito especial.
Ron sorriu olhando o rosto
adormecido à sua frente. Ele parecia tão frágil sem seu sarcasmo. Tão atraente.
Sentado ali, Ron tentou se
imaginar na pele de Draco. Tentou imaginar como seria ser filho de um canalha como
Lucius e uma omissa como Narcissa. Tentou imaginar os riscos que Draco
enfrentara ao trocar de lado e entregar à Ordem os segredos dos comensais.
A lembrança dos cartões que Draco
sempre mandava para Molly no aniversário dela veio à mente de Ron enquanto ele
tentava entender o que estava sentindo. Draco fora ao enterro de Arthur e
ficara próximo a Molly todo o tempo. Ron sabia que por muito tempo Draco
mantivera o hábito de ir vê-la na hora em que os filhos estavam trabalhando.
Vistas agora, todas as provocações
entre os dois nos últimos anos pareciam divertidas e até um pouco excitantes.
Com um meio sorriso conformado,
Ron cedeu. Draco ganhara um espaço no seu coração, um espaço que sempre
estivera vazio, esperando por alguém. Esse espaço, sem que Ron tivesse se dado
conta antes, já tinha dono. Draco Malfoy.
Lentamente, sem asco ou rejeição,
e com um enorme carinho, Ron aproximou os lábios dos de Draco e, quando o
beijou, seu único pensamento era o de que queria, do fundo do coração, que o
outro voltasse à vida.
A princípio os lábios de Draco
estavam cálidos, mas imóveis. Então, como se acordando de um sonho, ele começou
a retribuir o beijo — que se aprofundou, sem que Ron achasse nada de errado
nisso.
Quando Ron interrompeu o beijo e
olhou nos olhos de Draco, estava sorrindo, e Draco parecia encantado. Ele tocou
a face de Ron e murmurou, ainda sem estar totalmente desperto:
-Ronald! Ah, Ronald! Você veio por mim.
E, surpreendendo Ron, puxou-o para
mais um beijo, tão doce e mágico quanto o primeiro.
Quando se separaram Ron ajudou
Draco a se levantar. Ele ainda parecia meio tonto e precisou apoiar-se em Ron
quando ficou de pé.
-O que aconteceu comigo?
-Um feitiço, mas agora vai ficar
tudo bem. – Ron não sabia o que sentia a respeito de Draco ali, em seus braços.
– Os outros estão esperando na sala. Vamos, a Hermione lhe explica o que houve.
-Eu sei que ela explica.
A leve ironia na frase de Draco
fez Ron sorrir. Sorriso que se apagou quando percebeu que o outro ainda estava fraco
demais para andar.
-Você está bem?
-Foi só uma vertigem.
-Você está mais pálido que o
normal. – E Ron pegou o bruxo menor no colo. – Eu levo você.
-Não! Eu posso....
-Não discute, Malfoy.
E foi carregado nos braços de
Ronald Weasley que Draco Malfoy entrou na sala de seu próprio castelo.
-TRÊS DIAS! Hermione, já faz TRÊS
DIAS!
-Eu sei, Harry, não precisa
gritar.
-O Ron é um idiota.
-Ele só está inseguro.
Harry olhou para Luna, que
estivera todo o tempo da conversa dele com Hermione lendo um livro e agora dava
sua opinião sem parar de ler.
Por um instante Harry considerou
como Hermione namorava alguém tão.. tão ... tão Luna, mas ele ouviu o barulho de
algo se quebrando na cozinha e sorriu. Afinal de contas tinha sua Tonks com
ele, e nenhum dos quatro era exatamente sem peculiaridades.
-Quebrou alguma coisa Nymphadora?
-Algumas xícaras, Cicatriz. Mas a
sua cabeça está na lista se me chamar assim de novo. – Tonks entrou na sala
levitando uma bandeja com o chá.
Harry atirou um beijo para ela,
adorando ver a zanga da namorada por ter sido chamada pelo nome.
-A Luna está certa. – Hermione
olhava a garota que só tirou os olhos do livro tempo o suficiente para
mostrar-se levemente surpresa de alguém ter duvidado que ela estivesse certa, e
voltou a ler.
Vendo a maneira como Hermione
fitava Luna, Harry se lembrou do terceiro ano:
Hermione olhava a Luna do mesmo jeito que olhava o Bichento. Sempre
pronta a defendê-lo das implicâncias de Ron, e com o ar sonhador que era tão
raro no rosto da amiga.
-Como vai o Bichento?
As três mulheres olharam para
Harry como se lhe tivessem nascido antenas verdes de uma hora para outra.
-Ele está bem, Harry. Obrigada por
perguntar.
-No que Luna está certa? – Tonks
servia o chá, milagrosamente sem quebrar mais nada.
-Eu disse que o Ron não procura o
Draco porque está inseguro. – Luna enfim largou o livro que havia trazido e
juntou-se aos outros três para o chá. – Você devia conversar com ele, Harry.
-Eu!
-Claro. Você não é amigo dele?
-Melhor eu fazer isso – Hermione
interveio. - Conhecendo esses dois como eu conheço, essa conversa não vai levar
a nada.
-Nem com você, Mione. Do jeito que
o Ron é, ele vai ficar vermelho, discutir com você, e empacar de vez.
-O pior é que isso é o mais
provável.
-É tolice o Ron ficar inseguro.
Draco parecia no paraíso quando entrou na sala carregado por ele. Eles estavam
tão bem juntos! – Tonks ficou com um ar sonhador por alguns instantes. – E se
Remus falasse com ele?
-Ou Severus. – Luna era a única
entre eles que chamava o Professor de Poções pelo nome de batismo. – Talvez ele
possa ajudar.
-Come um bolinho, meu bem. –
Hermione enfiou um bolinho na mão da namorada enquanto analisava a proposta de
Tonks. – Sabe, acho que Remus é a melhor opção.
-Ou Severus.
-Luna!
O Último Desafio dos Príncipes:
Ron não estava apenas inseguro:
ele estava perdido no caldeirão de emoções em que se encontrava agora.
Com Oliver as coisas eram mais
simples. Os dois goleiros freqüentavam o mesmo universo de jogadores de
quadribol. Eles se encontravam, ficavam juntos e se separavam. Intenso,
prazeroso e prático. Era uma explosão de sentidos, mas nem a melhor transa dos dois
conseguira deixar uma emoção tão duradoura em Ron quando um beijo de Draco.
Com Draco, Ron estaria sempre
vulnerável aos seus sentimentos. Desde daquele bendito beijo, ele se sentia
exposto, frágil e idiotamente feliz quando estava perto de Draco.
Foi mergulhado nessa agitação
emocional que Lupin o encontrou nos jardins da Toca logo depois do pôr-do-sol.
Remus não abordou o assunto
diretamente, só comentou que estava esperando Severus, pois este fora visitar
Draco, que não andava bem.
-Ele está com algum problema,
Remus? Alguma seqüela do feitiço?
-Ele anda melancólico. Severus
está preocupado, mas eu acho que é só tristeza.
-Por quê?
-Por que o quê, Ron?
-Por que Draco estaria triste?
-Eu não sei. Logo depois que você
quebrou o feitiço, Draco estava eufórico. Agora ele se fechou. Nada muito
grave, apenas parece muito triste.
-Acha que... Droga.... Remus, você
acha que ele está triste porque fui eu quem o beijou?
-Não, Ron. Ter sido você que o
acordou não o entristeceria; muito pelo contrário.
-Bom... eu achei que ele não
gostando de mim, não tivesse gostado de ter sido eu a .... bem, você sabe.
-Sabe, Ron, Slytherins são
difíceis de entender algumas vezes. Eles não se expõem demais.
-Imagino que sim. – Ron olhou o
céu por algum tempo. – Acha que Snape é a pessoa certa para tirar Draco da
tristeza dele?
-Não. Mas alguém precisa tentar.
-É. Alguém tem de fazer alguma
coisa. Talvez fosse bom falar com Harry.
-Não acho que seja Harry que Draco
anda precisando ver.
-Quem então? – Nunca Ron temeu e
desejou tanto ouvir uma palavra.
-Você.
Sim. Era o que ele mais temia e o
que mais queria. Novamente ele olhou para o céu antes de se decidir.
-Dá licença, Remus. Eu vou fazer
uma coisa.
E aparatou.
-Muito Slytherin da sua parte, Remus–
Severus saiu das sombras da sebe onde estivera escutando a conversa dos dois –,
provocar o heróico Gryffindor dentro do Weasley.
-Conviver com você, Severus, é bem
educativo. – Remus abraçou Severus pela cintura. – Falou com Draco?
-Sim.
-E?
-Ele está decidido a tentar
entender o Weasley.
-Desafie um Slytherin e você terá
uma surpresa! – Remus encarou Severus com um ar brincalhão. - Aposto como eu
beijo melhor que você.
-Você realmente gosta de bancar o
tolo. – Severus apossou-se dos lábios de Remus, que sorriu um pouco antes de se
entregar.
Draco estava no quarto da torre,
deitado na cama de dossel, pensando. Severus estava certo: ele tinha de buscar
o que queria.
Draco era pragmático. Harry já percebera
seu tão bem guardado segredo; Severus e, por tabela, Remus, também já sabiam.
Segredo que mais de um conhece logo não é mais segredo. Ronald não demoraria a
saber também.
-Merda! – Draco não gostava de se
sentir vulnerável desse jeito.
Ali naquele quarto, Ronald o
beijara. Infelizmente, apenas para salvá-lo. Mas ele correspondera ao segundo
beijo, e fora tão galante ao carregá-lo no colo.
-Merda! – Totalmente imperdoável
estar tão confuso por causa de um Gryffindor.
-Está muito desbocado, Draco.
O jovem bruxo abriu os olhos e
sentou-se na cama ao ouvir a voz levemente zombeteira do seu objeto de desejo.
-Ronald!
-Só você e minha mãe me chamam
assim.
-É seu nome, não?
-Calma, Draco. Eu vim em paz.
“Merda, eu estou fazendo tudo
errado!”
-Claro, Ronald. Eu só me
surpreendi com sua aparição.
-Você parecia tão distante. – Ron
sentou-se ao lado de Draco na cama. – Quase inatingível.
-Só pensando.
-Eu também andei pensando muito
esses dias.
-Em quê? – Draco odiou ouvir a fragilidade
em sua voz.
-Em você. No que senti ao beijar
você.
-Achei que os da sua Casa fossem
mais de ação e menos de reflexão. – Draco mantinha os olhos fixos nos lábios de
Ronald.
-Quando o assunto é sério, eu
gosto de ter certeza.
-E você já tem certeza?
-Tenho. E você, Draco?
-Toda do mundo. – Não era hora de
arriscar um joguinho.
-Ótimo.
Dessa vez os lábios de Ronald
encontraram os de Draco a meio caminho. Desejo, doçura e promessas uniram os
lábios dos dois.
Quando se separaram, Ronald tocou
o rosto de Draco como para se certificar de que ele estava ali, enquanto Draco
passava os dedos pelas mechas ruivas do outro bruxo.
-Você ficou muito bem de Belo
Adormecido, Dragão.
-Não amola, Salamandra.
-Sabe, Draco, salamandras vivem
muito bem no calor do fogo de um dragão.
- Cala a boca e me beija.
Se para
sempre ou não, não dava para saber. Mas naquele momento os dois Príncipes de
Fogo estavam determinados a serem felizes. Juntos.