A ERVA MATE (lenda indígena)

Era sempre assim: a tribo derrubava um pedaço de mata, plantava a mandioca e o milho, mas depois de quatro ou cinco anos a terra se exauria e a tribo precisava emigrar à terra além.

Cansado de tais andanças, um velho índio um dia se recusou a seguir adiante e preferiu quedar-se na tapera.

A mais jovem de suas filhas, a bela Jary, ficou entre dois corações: seguir adiante, com os moços de sua tribo, ou ficar na solidão, prestando arrimo ao ancião até que a morte o levasse para a paz do Ivy-Marae. Apesar dos rogos dos moços, terminou permanecendo junto ao pai.

Essa atitude de amor mereceu ter recompensa. Um dia chegou ao rancho um pajé desconhecido e perguntou a Jary o que é que ela queria para se sentir feliz. A moça nada pediu. Mas o velho pediu: "Quero renovadas forças para poder seguir adiante e levar Jary ao encontro da tribo que lá se foi".

Entregou-lhe o pajé uma planta muito verde, perfumada de bondade, e ensinou que ele plantasse, colhesse as folhas, secasse ao fogo, triturasse, botasse os pedacinhos num porongo, acrescentasse água quente ou fria e sorvesse esta infusão.

"Terás nessa nova bebida uma companhia saudável mesmo nas horas tristonhas da mais cruel solidão".

Dada a receita, partiu.

Foi assim que nasceu e cresceu a caá-mini. Dela resultou a bebida caá-y que os brancos mais tarde adotaram com o nome de chimarrão.

Sorvendo a verde seiva o ancião retemperou-se, ganhou força, e pôde empreender a longa viagem até o reencontro com os seus.

Foram recebidos com a maior alegria.

E a tribo toda adotou o costume de beber da verde erva, amarguentinha e gostosa, que dava força e coragem e confortava amizade mesmo nas horas tristonhas da mais total solidão.

Introdução

A erva mate (Ilex paraguariensis St. Hill) , pertence à família Aquifoliaceae, sendo assim classificada pelo naturalista francês August de Saint Hillaire e, assim publicada em 1822, nas memórias do Museu de História Natural de Paris.

Sabe-se também, por declaração do próprio naturalista, que suas coletas foram realizadas nas proximidades de Curitiba, "Prov. de Saint Paul". Isto se explica porque, nessa época, a cidade de Curitiba pertencia ao Estado de São Paulo, do qual foi desmembrada em 1853.

Quanto ao nome científico Ilex paraguariensis , o naturalista assim a denominou por considerá-la exatamente igual à erva do Paraguai. Como havia colhido materiais de várias localidades, ocorreu uma mistura dos exemplares que redundaram na troca de etiquetas de identificação.

Evolução Histórica

O uso desta planta como bebida tônica e estimulante já era conhecido pelos aborígenes da América do Sul. Em túmulos pré-colombianos de Ancon, perto de Lima no Peru, foram encontradas folhas de erva mate ao lado de alimentos e objetos, demonstrando o seu uso pelos incas.

Desde os primórdios da ocupação castelhana no Paraguai, indicado por Don Hernando Arios de Saavedra (governante de 1592-1594), observou-se a utilização da erva mate pelos indígenas.

Os primeiros jesuítas estabelecidos no Paraguai (posteriormente nas missões), fundaram várias feitorias, nas quais o uso das folhas de erva mate já era difundido entre os índios guaranis, habitantes da região.

Posteriormente observou-se que os indígenas brasileiros, que habitavam as margens do rio Paraná, utilizavam-se igualmente desta Aquifoliácea. Outras tribos não localizadas em regiões de ocorrência natural da essência, possuíam o hábito de consumi-la, obtendo-a através de permuta.

Estas tribos localizadas no Peru, Chile e Bolívia, transportavam o produto por milhares de quilômetros.

Orientados pelos jesuítas, instalados na Companhia de Jesus do Paraguai (denominação dada no século XVII aos territórios das províncias do Paraguai, Buenos Aires e Tucuman), os indígenas iniciaram as plantações de erva mate.

Concomitante a implantação de ervais, os jesuítas aprofundaram-se no estudo do sistema vegetativo da planta, visto que as sementes caídas das erveiras não germinavam naturalmente. Os jesuítas definiram preceitos sobre época de colheita de sementes, do preparo e cultivo da erva mate.

Por mais de século e meio (1610-1768), quando se deu a saída forçada da Companhia de Jesus, os jesuítas exploraram o comércio e a exportação do mate. O Padre Nicolós Durain observou que os índios tomavam o mate em água quente, não podendo passar sem ele no trabalho, muitas vezes, pois era o único sustento.

As bandeiras paulistas que de 1628 a 1632 percorreram as regiões de Guaíra regressaram trazendo índios guaranis prisioneiros, e com eles o hábito da bebida.

Nomes Populares

A erva mate é conhecida popularmente também como mate, chá-mate, chá-do-paraguai, chá-dos-jesuítas, chá-das-missões, mate-do-paraguai, chá-argentino, chá-do-brasil, congonha, congonha-das-missões, congonheira, erva, mate-legítimo, mate-verdadeiro.

Outras denominações populares de menor disseminação incluem: erva-de-são bartolomeu, orelha-de-burro, chá-do-paraná, congonha-de-mato-grosso, congonha-genuína, congonha-mansa, congonha-verdadeira, erva-senhorita.

As denominações indígenas para a erva-mate são caá, caá-caati, caá-emi, caá-ete, caá-meriduvi e caá-ti.

PREPARANDO UM BOM CHIMARRÃO

Encha a cuia até 3/4 do seu volume com erva mate.

Feche a boca da cuia com a mão e coloque-a na posição horizontal.

Levante a cuia lentamente adicionando água morna (60ºC) em quantidade suficiente para deixar a erva armada na posição inclinada.

Deixe-a descansar por 3 minutos.

Feche o bocal da bomba com o polegar inserindo-a na cuia e apoiando-a contra a borda da mesma (não sobre a erva).

Agora você está pronto para saborear o seu chimarrão.

Adicione água quente (80ºC) no espaço vazio próximo a bomba enchendo a cuia (sem cobrir completamente a erva).

Beba até que a água tenha terminado e volte a encher a cuia e assim por diante. Não mova a bomba e continue usando a mesma erva até sentir que ela perdeu o gosto.

 

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