HOMENAGEM A JOÃO CEZIMBRA JACQUES, PATRONO DO TRADICIONALISMO GAÚCHO E EX-PROFESSOR DO VELHO CASARÃO DA VÁRZEA (COLÉGIO MILITAR DE PORTO ALEGRE)

 

O HOMEM JOÃO CEZIMBRA JACQUES

Segundo seu biógrafo - o Coronel PM, historiador e membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul – Hélio Moro Mariante, JOÃO CEZIMBRA JACQUES teve sua vida terrena assinalada por um signo dúplice – o do infortúnio e o do pioneirismo – um e outro com extraordinária influência em sua vida.

Abriu os olhos para o mundo na rua do Acampamento, em Santa Maria, no dia 13 de novembro de 1849. Seu pai, moço ainda, expirou no Paraguai a serviço da Pátria, onde também se encontrava nosso biografado que, contando apenas 18 anos de idade, prestava serviços de guerra, engajado no 2º Regimento de Cavalaria.

Sua mãe, esposa e filhos faleceram muito jovens, vítimas da tuberculose que dizimou toda sua família, vindo ele próprio sucumbir aos 73 anos de idade, do mesmo mal.

Juntamente com seus dois irmãos, Cezimbra Jacques foi criado pelos avós paternos.

Esse permanente e angustiante estado emocional influenciou, como não poderia deixar de ser, em sua idiossincrasia, pois que o acompanhou do berço ao túmulo como um ferrete a amargurar-lhe a existência.

De estatura mediana, cabelos lisos, maçãs do rosto salientes. grandes orelhas, olhos levemente amendoados, fronte ampla e bastos bigodes, era bem o tipo representativo do gaúcho da campanha.

"Indiático, pouca barba, a sua fisionomia tinha traços do silvícola nacional. Talvez mesmo, o sangue desses antepassados corresse nas suas veias", segundo precioso depoimento de seu íntimo amigo, Dr. Sinval Saldanha, que acrescentou: "Original, excêntrico, respeitável por todos os títulos, gozava de alta consideração no meio social."

O Dr. Mário Kroeff, amigo pessoal de Cezimbra Jacques, em seus livros "Imagens do Meu Rio Grande" e "O Gaúcho no Panorama Brasileiro", relata com pormenores, a tragédia que se abateu sobre a família de Cezimbra, culminando por acompanhar ele próprio os restos mortais de seus filhos e de seu pai até a última morada. Encarregado do enterro pelo próprio Cezimbra, desincumbiu-se dolorosamente do encargo.

Outro depoimento valioso, de autoria do também seu amigo Dr. Sinval Saldanha, diz: "Mais de uma vez visitei-o em sua residência na Avenida Mem de Sá, no Rio. Eu ia em companhia do Oswaldo e do Mário Kroeff, seus bons amigos aqui do Sul. Na parede do quarto, penduradas, se viam fotografias de dois moços e duas blusas de militar. Eram dos entes queridos levados pela morte. Uma ou duas vezes por semana renovavam-se as flores que enfeitavam aquele quarto.

E o velho pai, reverente, saudoso e positivista, se encurvava todos os dias ante aqueles objetos pertencentes aos caros filhos desaparecidos.

Em dado momento de nossa palestra, naturalmente sobre assuntos do Rio Grande do Sul, Cezimbra Jacques abriu uma gaveta e dela tirou um saquinho. Aberto, vimos que tinha terra. Sim, era terra do Rio Grande do Sul que o venerando cidadão conservava para lhe servir de travesseiro em seu caixão mortuário. Emocionado, disse que ia morrer distante de seu torrão natal, pois não queria afastar-se para longe da sepultura dos filhos, no Rio. E assim sendo, suplicava aos três amigos presentes, que levassem um dia as suas cinzas para os pagos sulinos.

Lamentavelmente não foi cumprida sua última vontade. Oswaldo e eu morávamos em Porto Alegre; Mário, no Rio de Janeiro, viajou à Europa por longo tempo. Deixamos assim, passar o prazo do arrendamento do túmulo do intrépido gaúcho".

No entanto, durante o 32º Congresso Tradicionalista Gaúcho, em Capão da Canoa, uma tradicionalista pediu ao presidente do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul, Cel Cláudio Moreira Bento, para localizar os restos mortais de Cezimbra Jacques, e o Instituto então foi a campo. Através das pesquisas realizadas no Hospital Central do Exército, onde ele faleceu em 28 julho 1922, na Santa Casa - que administra os cemitérios, na Biblioteca Nacional e no jornal A Noite - que registrou seu falecimento, chegou-se à conclusão que seu óbito foi lavrado sob o número 242, tendo sido seus restos mortais trasladados para Porto Alegre em 3 agosto 1927, com a guia de nº 406. Todavia, ainda não se descobriu quem o levou e para onde.

 

O MILITAR JOÃO CEZIMBRA JACQUES

Sua vida militar pode ser assim resumida:

Em 1867, contando apenas 18 anos de idade e à revelia de seus avós, por quem estava sendo criado, alistou-se no 2º Regimento de Cavalaria, que passou a integrar o 3º Corpo do Exército Brasileiro que operou no Paraguai.

Finda a guerra, retornou à Pátria como 2º Cadete do 4º Regimento de Cavalaria, tendo sido condecorado com medalhas conferidas pelos governos do Brasil, Argentina e Uruguai.

Logo após seu regresso, verifica praça no dia 1º outubro de 1870, ingressando, como filho de militar, diretamente na Escola Militar. Gaúcho até a medula dos ossos, preferiu a Arma de Cavalaria, concluindo o respectivo curso no ano de 1874.

Foi elevado a Alferes em 1875, a Tenente em 1884 e a Capitão em 1891.

Em 1895 comandava o 3º Esquadrão do 3º Regimento de Cavalaria.

Foi instrutor da Escola Preparatória de Rio Pardo e do Curso D’Armas da Escola Militar do Rio Grande do Sul em Porto Alegre.

A compulsória atingiu o Capitão Cezimbra Jacques em 1901, quando então foi transferido para a reserva do Exército no posto de Major. Posteriormente, em 1922, segundo pesquisas do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul, foi promovido post mortem ao posto de Tenente-Coronel.

Mestre, desenvolveu atividades, desde o tempo do Império, na Escola Tática e Preparatória de Rio Pardo, grande celeiro de Oficiais Superiores do nosso Exército, e na Escola Militar do Rio Grande do Sul, também famosa pelo número de Oficiais ilustres que passaram pelos seus bancos. De um dinamismo incomum, era muito acatado, quer no meio civil, quer no militar, sendo muito estimado por alunos e considerado por seus pares.

Foi instrutor militar do Instituto de Ensino da Escola de Engenharia, hoje Colégio Estadual Júlio de Castilhos.

  

A OBRA DE JOÃO CEZIMBRA JACQUES

Seu pioneirismo nos é revelado por diversas iniciativas: como escritor versou sobre assuntos até então pouco explorados ou inéditos em nossas letras; por sua inspiração e trabalho de proselitismo foi criado o Grêmio Gaúcho, núcleo primeiro no culto sistematizado das tradições sul-riograndenses; fez parte dos primeiros adeptos do positivismo em nosso Estado; foi um dos primeiros gaúchos a escrever sobre o problema social; falava o francês, o guarani e o caigangue, e gozava de prodigiosa memória.

Sua participação na vida pública, social e intelectual do seu Estado foi profícua e plena de serviços prestados.

Dotado de profundo espírito cívico-patriótico, suas atenções encontravam-se permanentemente voltadas para as origens e fatos de sua terra e usos e costumes do homem nela integrado.

Escritor, conferencista, indigenista, professor e instrutor, possuía o poder da persuasão. Com facilidade atraía amizades e sua palavra, simples mas incisiva, conquistava adeptos para os seus ideais.

Cidadão integrado na política de seu país, foi um dos fundadores do Partido Republicano no RS (1880).

Já na reserva do Exército, teve ativa participação nas liças partidárias. Freqüentemente proferia palestras e conferências versando sobre assuntos políticos; escreveu dois pequenos ensaios: "O Parlamentarismo e o Presidencialismo" e "O Presidencialismo Puro", ambos em 1918.

Integrou o elenco de intelectuais gaúchos que fundou a Academia de Letras do RS, onde ocupou a cadeira de Crítica e História. É o patrono da cadeira nº 19 da atual Academia Riograndense de Letras.

Discípulo convicto de Augusto Comte, revela seus ideais positivistas em vários ensaios sobre política e assuntos locais, todos embasados no Sistema Político Positivo. Seguindo seu destino de antecipar fatos e idéias, Cezimbra Jacques publicou, também em 1918, um pequeno ensaio sob o título "A Proteção ao Operariado na República", tema pouco explorado e quase tabu à época.

Indigenista, falava muito bem o Guarani e possuía bons conhecimentos do Caigangue, o que lhe permitia dialogar com representantes dessas tribos. Era uma espécie de cônsul dos aborígenes semi-civilizados então existentes no RS. Recebia-os em sua residência na Várzea ( atual Avenida João Pessoa, em Porto Alegre), onde por vezes eram alojados. Encaminhava-os aos poderes competentes, apadrinhando suas reivindicações.

Além de considerações a respeito da vida, usos e costumes dos indígenas sul-riograndenses, registrados em seu "Ensaio Sobre os Costumes do Rio Grande do Sul" (1883) e em "Assuntos do Rio Grande do Sul" (1911), escreveu uma pequena monografia intitulada "Frases e Vocábulos de Aba Neenga Guarani e Notas Sobre os Silvícolas".

Estas duas obras tratam de história, geografia, usos e costumes das gentes da raia meridional patrícia, de alto interesse para antropólogos, folcloristas e estudiosos em geral.. Variada é a matéria apresentada: música, poesia, danças populares, crendices e superstições, aspectos lúdicos, culinária, indumentária, pelagens bovina e eqüina, lendas em sua pureza primitiva, colhidas diretamente da boca do povo, e outros aspectos da vida do homem do campo que faz da faina pastoril o motivo e a razão de ser da sua existência.

Registra ainda um pequeno vocabulário; dá-nos uma sintética notícia da nossa antologia literária e inclui valioso estudo etnográfico referente aos indígenas instalados no RS.

Um estudo sério da formação do homem no pampa sul-brasileiro não pode prescindir de consultar a obra de Cezimbra Jacques

É mais um mestre, um pesquisador e divulgador que um escritor. Sua aspiração era ser útil, e o foi.

Apaixonado por seu pago, orgulhoso da história, admirador da geografia e profundo conhecedor dos costumes sul-riograndenses, por ele recolhidos, analisados e, principalmente, vividos, passou a publicar os resultados das suas remebranças, observações e pesquisas em periódicos. Posteriormente, atendendo a solicitações de amigos e admiradores dos seus trabalhos de coleta e divulgação, enfeixou-os nos dois referidos volumes.

 

O GAÚCHO JOÃO CEZIMBRA JACQUES

Entusiasta e excelente tocador de viola, era grande conhecedor das danças antigas, cujas características – coreografia, música e letra – recolheu nas suas andanças pelos pagos.

Foi um grande ginete e exímio domador. Anacleto Torres, relata que João Cezimbra Jacques costumava passar temporadas nas estâncias de parentes e amigos, participando, com invulgar entusiasmo, de todas as práticas campeiras, nas quais se revelava um verdadeiro mestre, informando-nos ainda que "usava estribos de cônica aspa de touro brasino e botas de meio pé, feitas de garrão de bagual tordilho-negro".

Conseguiu ver colimado seu anelo de criar no Rio Grande do Sul entidades de cunho nativista onde, segundo suas próprias palavras, se pudesse "cultivar os usos salutares do passado, já nos outros ramos de atividades de um povo, já nos jogos e diversões, de modo a poder-se reproduzir esses quadros da vida dos nossos Maiores nas comemorações dos grandes acontecimentos do passado...".

Auxiliado por um grupo de dedicados patriotas, civis e militares, e entre estes, colegas e alunos da então Escola Militar, fundou o Grêmio Gaúcho na cidade de Porto Alegre, no dia 22 de maio de 1898. No seu próprio dizer, foi ele o "primeiro iniciador de sociedades dessa ordem no Rio Grande do Sul" com a fundação do Grêmio Gaúcho.

Por este motivo foi agraciado com o honroso título de Patrono do Tradicionalismo Gaúcho, resolução tomada no 6º Congresso Tradicionalista Gaúcho efetivado na cidade de Cachoeira do Sul e patrocinada pelos ilustres Carlos Galvão Krebs e Antônio Augusto Fagundes, então presidente e diretor administrativo, respectivamente, do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore.

Ao homenageá-lo nesta data solene, ano do sesquicentenário de seu nascimento e centésimo primeiro da fundação do Grêmio Gaúcho, o fazemos com especial deferência.

Ao insigne mestre deste Velho Casarão da Várzea, Tenente-Coronel João Cezimbra Jacques, o Colégio Militar de Porto Alegre e o Exército Brasileiro curvam-se num preito de honra, respeito e admiração.

Ao mesmo tempo, o CTG Potreiro da Várzea, captando e exprimindo o sentimento dos gaúchos de todas as querências, ergue os olhos para o firmamento e, com a voz embargada pela emoção, grita em alto e bom tom: "Obrigado, tchê Cezimbra!".

 

Voltar para o CTG Potreiro da Várzea

 

SÍNTESE HISTÓRICA DO CTG POTREIRO DA VÁRZEA

 

Para contar a história do CTG Potreiro da Várzea, é justo que se volte agora 101 anos na história... E assim voltando, nos idos 1898, aqui, no Velho Casarão da Várzea, onde então funcionava a Escola Militar do Rio Grande do Sul, vamos encontrar o então Capitão de Cavalaria e Professor João Cezimbra Jacques, o qual, neste mesmo ano, tendo como companheiros um grupo de Alunos, Oficiais e civis, fundou o Grêmio Gaúcho, entidade pioneira no tradicionalismo organizado do Rio Grande do Sul. O trabalho de Cezimbra Jacques, por sua relevância e pioneirismo, foi reconhecido pelos próceres tradicionalistas gaúchos que, em 1987, no 6º Congresso Tradicionalista em Cachoeira do Sul, o consagraram como Patrono do Tradicionalismo Gaúcho.

Muitos anos depois de Cezimbra ter fundado o Grêmio Gaúcho, nos anos de 1951 e 1952, um outro grupo de jovens alunos deste Velho Casarão da Várzea, pertencentes à então Escola Preparatória de Porto Alegre, também se reuniam em rodas de chimarrão para, enquanto sorviam o amargo, ler contos de Simões Lopes Neto, pesquisar, discutir a história e a cultura rio-grandenses, ou entrar noites a dentro em tertúlias musicais e literárias sobre o folclore gaúcho.

Esses mesmos jovens também participavam, juntamente com Paixão Cortes, Barbosa Lessa, Cyro Dutra Ferreira e tantos outros pioneiros, dos bailes primeiros do 35 CTG, o qual fora recém fundado.

E entre aqueles alunos da antiga Escola Preparatória, encontrava-se um jovem que hoje, para nossa satisfação, é um dos mais destacados Oficiais do Exército no campo da História e das Tradições, sendo fundador e presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil e do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul – o Coronel Cláudio Moreira Bento.

É justo acreditar que o lirismo e o idealismo daqueles grupos de gaúchos, tanto os de 1898 quanto os de 1952, ainda permanecesse impregnando as paredes deste Velho Casarão por muito tempo. E é provável também que essa aura de pioneirismo fosse a fonte invisível de inspiração quando, em 29 de abril de 1985, nas dependências do já Colégio Militar de Porto Alegre, foi fundado o CTG Potreiro da Várzea.

Adotando o lema "Com raça gaudéria, peleando por nossas tradições", o nosso CTG tem, como principal objetivo, o de cultuar e difundir as tradições do Rio Grande do Sul, sua formação sócio-histórica-cultural, seus valores cívicos e morais, assim como pesquisar, estudar defender e propagar o folclore gaúcho.

Como sócios fundadores encontravam-se alunos, professores, oficiais e praças deste Colégio Militar e, entre esses, aquele que idealizou o nosso CTG: o então Capitão (hoje Coronel do Exército e Patrão do 35 CTG) Ivo Benfatto, o qual contou com o decisivo apoio e incentivo do então Comandante do CMPA, Coronel Neri Pacheco Prates, seu primeiro Patrão de Honra.

Atualmente a Patronagem do CTG é constituída por alunos, ex-alunos e convidados. Tem como Patrão a Aluna Débora de Bairros Braga , como presidente do Conselho de Vaqueanos, o Major Antônio Cláudio Belem de Oliveira e, como Patrão de Honra, o Comandante do Colégio Militar, Coronel Edmir Mármora Júnior.

Tendo ficado inativo por alguns anos, o CTG Potreiro da Várzea foi reativado em fins de 1998, graças à dedicação de seu grupo de peões e prendas, ao apoio do Cel Mármora, do Maj Belem, do Sr. Miguel Ademir Rocha Martins (Tatu – nosso gaiteiro), do Cel Erildo Simeão Camargo Lemos, do Cel Neri e do Tenente-Coronel Leonardo Roberto Carvalho de Araujo.

E já em janeiro deste ano, por ocasião do 44º Congresso Tradicionalista Gaúcho, realizado em Passo Fundo, o Potreiro da Várzea destaca sua veia cultural e pioneira ao apresentar proposição criando a "Semana João Cezimbra Jacques", a realizar-se aqui neste Velho Casarão em novembro deste ano, por ocasião dos sesquicentenário do nascimento de Cezimbra Jacques, num preito de homenagem e resgate da memória e dos feitos do Patrono do Tradicionalismo Gaúcho, cuja nome e história são desconhecidos para muitos. Recebida com entusiasmo e aprovada por unanimidade, a proposição teve por defensores, além de nossa Patrão, figuras de proa como Paulo Roberto Fraga Cyrne, Ivo Benfatto, Jane Bintz e Dionízio Araujo Nascimento, entre tantos outros que a acolheram.

Assim, em sua essência, o CTG Potreiro da Várzea herdou o ideário e a tradição dos pioneiros que o antecederam, como o Tenente-Coronel João Cezimbra Jacques e o Coronel Cláudio Moreira Bento, bem como a fibra e o valor daqueles que o fundaram ou o reativaram, como o Cel Benfato, Cel Neri, Cel Mármora, Tenente-Coronel Araujo, Major Belem e a aluna Débora, entre tantos outros.

Aos entusiasmados e dedicados jovens de todas as idades que agora o dirigem e integram, cabe pensar bem na carga de responsabilidade histórica que pesa sobre seus ombros, pois a uma entidade que carrega, por origem, tão nobres tradições, o destino não permite que sucumba ou se apequene. Seu lugar é ao nível do panteão onde se encontram aqueles bravos que a antecederam e forjaram seu lugar na história do Rio Grande do Sul.

 

Voltar para o CTG Potreiro da Várzea

SÍNTESE HISTÓRICA DO IHTRGS

O DECANO INSTITUTO DE HISTÓRIA E TRADIÇÕES DO RIO GRANDE DO SUL

Em 10 de setembro de 1986, sesquicentenário do combate do Seival, combate este que criou condições para a Proclamação da República Riograndense no Campo dos Menezes, foi fundado, em cerimônia concorridíssima na Escola Técnica de Pelotas, o Instituto de História e Tradições do RGS, instituição destinada, precipuamente, a memorar fastos sesquicentenários da Revolução farroupilha.

Como sócios efetivos fundadores, figuraram: Alberto Rodrigues, Ângelo Pires Moreira, Arnaldo Cassol, Clayr Rochefort, Cláudio Moreira Bento, Corálio Cabeda, Fernando O’Donell, Gastão Abbot, Hélio Moro Mariante, Ivo Caggiani, Jonas de Morais Correia Neto, José Luiz Silveira, Júlio Petersen, Manoel Rodrigues, Mário Gardelin, Mário Matos, Marlene Coelho, Morivalde Fagundes, Mozart de Souza, Osório Santana de Figueiredo, Péricles Azambuja, Sejanes Dorneles e Telmo Lauro Müller.

Dentre as múltiplas realizações do Instituto de História e Tradições do RGS, menciona-se os encontros anuais com vistas a integrar e estreitar laços culturais e de amizade entre historiadores, tradicionalistas e folcloristas, muitas vezes isolados em seus rincões de origem. Tais encontros comemorativos realizam-se nos próprios locais-cenário dos fastos históricos.

Assim, no ano de 1986, em Pelotas, ocorreu o encontro de fundação, comemorativo ao Combate do Seival.

Em 1987, houve encontros em Caçapava do Sul, Pelotas e Porto Alegre, onde deram-se conferências sobre o Sítio Farrapo desta última cidade.

Em 1988 ocorreu o encontro de Rio Pardo, comemorativo da maior vitória farrapa – o combate do Rio Pardo.

Ainda em 1988 houve o encontro de Canguçu, tendo como tema o combate do Serro Alegre. Este encontro foi também atividade preparatória à fundação, três dias depois, da Academia Canguçuense de História.

Em 1989, em São Borja, comemorou-se a resistência à invasão paraguaia em 1865, além de ser feita uma visita histórica às ruínas de S. Miguel.

Em 1990 e 1991, os encontros realizaram-se em São Gabriel, sendo evocada, neste último, a obra de Alcides Maya.

Lavras do Sul sediou o encontro de 1992 e Santana do Livramento o de 1993. Nesta última cidade foi lançada a obra "O Exército Farrapo e seus Chefes", de lavra do presidente, Cel Cláudio Moreira Bento.

O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, com sede no Rio de Janeiro, foi o palco do encontro de 1995. Em 1996, no mesmo local, em parceria com a Sociedade Sul-Riograndense e seu CTG Desgarrados do Pago, além do CTG Galpão da Saudade (da Academia Militar das Agulhas Negras), deu-se o encontro comemorativo do 10º aniversário do Instituto de História e Tradições do RGS.

Novos e ilustres nomes foram se somando aos quadros do Intituto durante esta caminhada: Humberto Fossa, Armando Perez, Sérgio Morgado, Apparício Silva Rillo, Caio Prates da Silveira, Edilberto Teixeira, Raul Pont, Miguel Trindade, Blau Souza, Manoel Pessoa Mello Faria, Edson Otto, Daoiz de La Roche, Ari Veríssimo da Fonseca, Ciro Dutra Ferreira, Mallet Jobin e Hélio de Almeida Brum.

É oportuno ressaltar-se que o Instituto tem o apoio de vários órgãos de imprensa sensíveis ao estudo e à divulgação das coisas da história. Entre estes, e principalmente, o jornal "Tradição", editado pelo sócio efetivo Edson Otto e hoje órgão oficial de nossa entidade, assim como também do MTG e da CBTG.

Neste dez anos de resistência cultural, alguns soldados do Instituto faleceram, outros foram atingidos por problemas de idade ou outras limitações que os impedem de manter uma presença mais efetiva em suas atividades históricas. A renovação dos quadros do Instituto foi e é pouca, estando longe de ser a desejada, da mesma forma que nas demais entidades brasileiras ligadas à história. Serão as novas gerações avessas, não só aos estudos históricos, como também à produção e divulgação históricas? Ou serão os pais, governantes, educadores e líderes de todos os setores que não estão sabendo estimular nos jovens de todas as idades, o gosto e o culto às suas raízes, seus vultos maiores, suas tradições e, enfim, a todo o contexto histórico que, os antecedendo no tempo, lhes dá hoje identidade e perspectiva?

Propugna-se o Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul a ser então, não apenas mais um órgão a estudar e divulgar a história, as tradições e o folclore do nosso Estado, mas sim em transformar-se no vetor pelo qual os jovens cidadãos gaúchos possam aprender a amar, respeitar, cultuar e inculcar em seus futuros filhos, tudo aquilo que representa o cerne, a alma e a perenidade de um povo.

 Voltar para o CTG Potreiro da Várzea

Hosted by www.Geocities.ws

1