MENSAGEM DO COMANDANTE XANANA GUSM�O PARA O 2� ANIVERS�RIO DA MORTE DO COMANDANTE NINO KONIS SANTANA

 

Konis devia ter 18 anos quando come�ou a guerra. Era um jovem activista da UNETIN que, nas bases de apoio come�ou como um quadro jovem que se destacou pela abnega��o e esp�rito de responsabilidade.

O esfor�o inicial foi de assitir � popula��o de Tutuala que tinha que se movimentar para o Ocidente, para a parte de Lor� e depois disto at� Matebian.

Ele com outros quadros, tamb�m jovens, desempenharam um papel muito importante na mobiliza��o da popula��o. Depois da ruptura da Campanha de Cerco e Aniquilamento, a montanha de Matebian foi escolhido por mim entre outros quadros tamb�m jovens da Ponta Leste.

Acompanhou-me desde o in�cio at� que se fixou em Tutuala para o in�cio da organiza��o da popula��o anteriormente rendida e a popula��o capturada em Matebian.

Em 81, na reorganiza��o do pa�s e da luta foi colocado nas regi�es centrais como quadro m�dio desempenhando desde secret�rio da regi�o de Viqueque, at� finalmente passar para a regi�o de Ainaro como comiss�rio pol�tico.

Em 84 numa tentativa de golpe, feita por alguns descontentes, que estavam a ser despromovidos, por falta de responsabilidade perante a luta e perante os guerrilheiros, Konis Santana, mais uma vez, com outros quadros nas regi�es centrais, e quero anotar a� o ent�o colaborador Ant�nio Campos, foram dos que puderam manter a serenidade perante t�o dif�cil situa��o.

O esp�rito de abnega��o, a vontade de aprender e sobretudo o esp�rito de vencer, a vontade de participar no que pudesse, Konis Santana, destacou-se como um dos meus mais fi�is colaboradores no terreno. Tanto � que, depois da minha captura, e depois da captura de Ma'Huno, naturalmente Konis Santana se colocou � testa da luta. A sua nobreza de esp�rito, a sua humildade, a sua inquebrant�vel vontade de aprender sempre, para poder servir, o esp�rito de sacrif�cio, que dele fez um quadro totalmente entregue � luta, e �s suas responsabilidades, tornou Konis Santana uma das figuras da lideran�a da luta do Povo de Timor Leste. Um car�cter nobre, uma natureza muito simples, uma consci�ncia enorme das responsabilidades.

Estes s�o os votos que configuram a pessoa humana e pol�tica que fez de Konis Santana um dos her�is da liberta��o da P�tria Timor.

Muitas vezes quando ele me escrevia, ele sempre dizia: "Irm�o, tu sabes bem, eu sou o teu Cavalo de Tr�ia". Isto porqu�? Sempre que eu necessitava de algu�m, que fosse cumprir � risca as orienta��es emanadas por mim, era o Konis Santana, com mais alguns outros, mas era o Konis Santana que eu mandava. Dizia: "Vai e cumpre", e foi sempre um fiel companheiro, foi sempre um fiel amigo, em todas, mas todas as circunst�ncias.

Foi amigo, foi irm�o e foi sobretudo companheiro de luta.

Morreu em dif�ceis circunst�ncias. Eu j� fui at� ao local onde ele est� enterrado. Eu j� fui at� ao local onde ele trabalhava. Nunca supus que ele pudesse deixar-nos demasiado depressa. Mas a luta de liberta��o de Timor Leste ficaria incompleta se nas suas p�ginas n�o se registasse uma vontade f�rrea de aprender e de servir, um esp�rito de sacrif�cio, um esp�rito de responsabilidade que, diga-se de passagem, poucos podem oferecer � P�tria.

Konis Santana de um jovem mo�o, de um jovem estudante, tornou-se um l�der. Um l�der com a possibilidade de muito poucos, um l�der que aprendeu, n�o atrav�s de livros, mas atrav�s de pr�prias experi�ncias, da pr�pria luta, da pr�pria viv�ncia com as dificuldades, da pr�pria viv�ncia com o sofrimento do povo.

Konis Santana, um jovem de Tutuala, um jovem da ponta da ilha, que morreu na fronteira, onde � amado, � venerado e onde � recordado como filho tamb�m.

Konis Santana est� entre os grandes da P�tria, est� entre os Her�is da liberta��o do Povo de Timor Leste.

Toda a homenagem que eu poderia fazer, se pode sintetizar nestas breves palavras, em que tentei desenhar o perfil de um jovem quadro que se tornou num grande l�der.

Ele estar� sempre registado entre os Her�is e entre os M�rtires da Liberta��o.
 
 

Kay Rala Xanana Gusm�o D�li, Timor Loro Sa'e, 9 de Mar�o de 2000

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