Fez-se uma an�lise profunda do papel desempenhado pelos quadros do CNRT e da sua miss�o fundamental de organizar a resist�ncia do povo de Timor contra a ocupa��o militar indon�sia por longos e dif�ceis anos. Recordou-se ainda a sua miss�o hist�rica de mobilizar o povo para o Referendum de 30 de Agosto de 1999, numa fase extremamente perigosa que culminou com a destrui��o total verificada no m�s de Setembro seguinte. Foi tamb�m lembrado todo um longo per�odo de sacrificios, de total entrega, de excepcional coragem dos quadros do CNRT para enfrentar os perigos que os espreitavam nas suas actividades como quadros de uma ampla organiza��o clandestina que vivia lado a lado com o sofisticado aparato repressivo do inimigo. I - 1. Foi largamente considerado, na Reuni�o que o Congresso do CNRT, realizado de 21 a 30 de Agosto de 2000, decidiu que as estruturas do CNRT dessem lugar, aos poucos, �s estruturas administrativas, para se evitar o paralelismo de estruturas. Contudo, a. devido � grande morosidade na implanta��o de uma estrutura administrativa REAL e EFICIENTE no terreno, b. aliado ao facto de os internacionais colocados nos distritos e sub-distritos, s� falarem ingl�s e pouco ou nada conhecem da realidade timorense c. e com int�rpretes, jovens com pouquissima capacidade de interpreta��o e sem nenhuma experi�ncia de contacto com as realidades sociais, pelo que deturpam a seu bel-prazer (igual a "a seu belo desconhecimento") a an�lise dos problemas, os quadros do CNRT sabem que sem uma sua participa��o directa ou indirecta no processo, os problemas ir�o acumulando-se dia ap�s dia, com dif�cil solu��o. 2. Todos os quadros expressaram com grande desapontamento que, na generalidade, at� mesmo ao n�vel dos sub-distritos, os internacionais da UNTAET e institui��es internacionais n�o demonstram a m�nima considera��o para com os quadros do CNRT, como se o CNRT fosse um partido pol�tico que tem como estrat�gia a sua destrutiva implanta��o nas massas. Tal � a ignor�ncia sobre a realidade timorense que eles (internacionais) consideram que as elei��es levadas a cabo pelo CNRT at� ao n�vel dos sucos, para suplantar a confus�o de 2 estruturas (administrativa/indon�sia e clandestina/resist�ncia timorense), foram do CNRT e as estruturas s�o do CNRT. A arrog�ncia de pensarem que eles (staff da UNTAET e institui��es internacionais) vieram salvar o Povo de Timor das garras opressoras do CNRT (e qualquer refer�ncia a um quadro do CNRT � logo considerado "bias" ou "political apointment"), como dizia, essa arrog�ncia, pr�pria de estrangeiros, permite a eles pretender que s� algo fora do CNRT pode dar oportunidade a "outras" for�as pol�ticas, nomeadamente aos pro-autonomia (que esses mesmos internacionais n�o sabem que significa "pro-integra��o na Indon�sia"). 3. Mas notou-se tamb�m um outro fen�meno que s� revela a inefic�cia, a incapacidade desse staff internacional nos Distritos e sub-distritos (assim tamb�m ONGs internacionais e nacionais ou timorenses envolvidos em projectos 'internacionais'). V�o decididos a n�o contactar ou coordenar com os quadros do CNRT, sobretudo com a ideia de que assim evitam a corrup��o ( os quadros do CNRT poderiam ficar com os produtos alimentares, ficar com os zincos e cimento para fazer as suas casas, etc, etc). Por�m, por causa da maneira mais est�pida como as ONGs e outras Ag�ncias fazem as distribui��es, relatadas como 'directamente � popula��o' (mas n�o a toda a popula��o e sem crit�rios definidos e explica��o adequada) sempre que surgem problemas, aparecem tamb�m 2 situa��es: ou a culpa � dos quadros do CNRT porque n�o ajudaram a 'acalmar' a popula��o ou os quadros do CNRT s�o, ent�o, chamados para ajudar a resolver os problemas. O mesmo acontece por parte de tantos internacionais da UNTAET, (Administradores, CIVPOL, staff de toda a ordem que pululam em todo o territ�rio). N�o ligam pura e simplesmente aos quadros do CNRT. Em contraste, hoje, em Timor, os int�rpretes locais (com baixissima qualidade, que confundem as palavras e deturpam o sentido das frases) s�o as PESSOAS-CHAVES do processo de uma administra��o pesada e ineficaz, cuja preocupa��o central � realizar meetings di�rios, sem subst�ncia e sem resultados concretos, quanto mais vis�veis. E quando os problemas aparecem, esses ganhadores de bons sal�rios (que v�m de todas as partes do mundo e alguns sem nenhuma experi�ncia), chamam os quadros do CNRT para os ajudar a resolver os problemas. II - 1. Como que a juntar o �til ao agrad�vel, os quadros do CNRT manifestaram tamb�m a sua profunda preocupa��o em rela��o ao campo pol�tico. H� grupos pol�ticos que, arvorando a bandeira da Liberdade, lan�aram-se a organizar a popula��o a partir das aldeias e sucos, criando confus�o na popula��o. O CNRT, no seu Congresso, definiu que os Partidos deveriam ser partidos de quadros e n�o partidos de massas. A experi�ncia pol�tica de 25 anos atr�s, com a distribui��o de cart�es at� �s aldeias e sucos, dividindo o povo que depois entrava em viol�ncia, quando os l�deres pol�ticos n�o se entendiam, n�o deve nunca ser esquecida. Os quadros do CNRT lamentam que, apesar de tudo o que aconteceu em Setembro de 1999, sobretudo em termos de morte e sofrimento para o nosso Povo, pol�ticos e l�deres n�o se tenham compenetrado da enorme responsabilidade que os partidos pol�ticos t�m pela frente - a de garantir ao povo o seu direito de viver em harmonia, paz e sossego. Esta condi��o � fundamental para que o Povo trabalhe e tente melhorar, pouco a pouco, as suas m�seras condi��es de vida. 2. A popula��o est� aflita perante a situa��o confusa que a perturba. Elementos que participaram com o General do Kopassus, Zacky Anwar, na funda��o do PNT (um partido pro-autonomia), no Hotel Mahkota, durante o processo da Consulta Popular, hoje proclamam-se defensores da RDTL (Rep�blica Democr�tica de Timor-Leste, proclamada unilateralmente pela FRETILIN em 28 de Novembro de 1975), apresentando-se como uma fac��o da FRETILIN. A dita CPD-RDTL j� come�ou a implantar-se em v�rias localidades, utilizando o engano e amea�as, recrutando ex-mil�cias e incitando mesmo � viol�ncia. Mobilizam jovens, a partir de D�li, para as suas 'campanhas' no interior e estes jovens, na maioria, n�o pertencem �s organiza��es juvenis clandestinas, porque estavam afectos ao aparato da intelig�ncia indon�sia, desordeiros por natureza. Uma pergunta surge, sempre que olhamos para as actividades do grupo da RDTL: donde vem o dinheiro que permite � CPD-RDTL sustentar estas actividades? 3. De igual modo, outros grupos tentam instalar-se at� �s bases, pondo a popula��o perante o dilema: ouvir o Chefe do suco? Ouvir o Conselho, criado pelo Banco Mundial para o CEP (Community Empowerment Project)? Ouvir o Respons�vel do Partido na aldeia e no suco? Come�a-se a dizer que, ao Chefe do Suco, N�O, porque � do CNRT e o CNRT j� n�o vale e vai morrer brevemente. Ao Chefe do Conselho, sim, porque � atrav�s do Conselho � que o dinheiro do Banco Mundial vem. Mas ao Respons�vel do Partido, SIM, porque agora � liberdade e cada partido deve organizar-se. Outros, aproveitando a ignor�ncia democr�tica da popula��o, ainda amea�am com as Falintil, fazem recenseamento, etc. Quando os quadros do CNRT tentam esclarecer � popula��o e alert�-la para as consequ�ncias nefastas do divisionismo, s�o logo tomados como violadores da liberdade, como anti-partidos e, portanto, anti-democraticos. III - 1. Perante esta complicada situa��o, os quadros do CNRT debateram com muita profundidade sobre o seu papel nesta fase de transi��o. Chegou-se a considerar a hip�tese de, a partir de agora, os quadros do CNRT deixarem de preocupar-se com o processo, para que cada um comece a pensar na sua vida privada, cheia de preocupa��es familiares (e desde 30 de Agosto de 1999, continuam leais ao princ�pio de servir o povo, sem nenhuma remunera��o). Os quadros do CNRT manifestaram entretanto a sua enorme preocupa��o com o facto de deixarem a popula��o � merc� dos internacionais e dos int�rpretes locais, uns e outros igualmente incapazes, totalmente desligados da realidade social, cultural e pol�tica em Timor, e que apenas se completam na miss�o de receber sal�rios da UNTAET, que aparece como a estrutura de um poder um tanto ou quanto sup�rfluo. Os quadros do CNRT manifestaram tamb�m a sua grande preocupa��o com o escalar da viol�ncia, por irresponsabilidade de grupos pol�ticos. 2. Os quadros do CNRT decidiram que JAMAIS ABANDONAR�O O POVO NESTAS CIRCUNST�NCIAS! COM ELE LUTARAM, COM ELE SOFRERAM E COM ELE VENCERAM! E OS QUADROS DO CNRT V�O CONTINUAR AO LADO DO POVO, NESTE PER�ODO EM QUE ELE AINDA DELES NECESSITA! Quando tanto o processo pol�tico como o da timoriza��o tiverem assegurado confian�a e clima de estabilidade junto do Povo, os quadros do CNRT ser�o apenas pessoas an�nimas em uma sociedade, onde pol�ticos e intelectuais ter�o papel importante a desempenhar. 3. OS QUADROS DO CNRT EXIGEM: a) � UNTAET para reconhecerem o papel dos quadros do CNRT, na transi��o � independ�ncia b) a todo o staff internacional, operando em Timor, que coordenem as suas actividades com os quadros do CNRT ( e fique claro que nenhum quadro do CNRT pedir� pagamento pela sua participa��o) c) uma melhor prepara��o dos int�rpretes da UNTAET e utiliz�-los meramente nas suas fun��es de int�rprete e n�o como 'experts da realidade timorense' ou 'fontes de dados da UNTAET' d) aos grupos e partidos pol�ticos para refrearem a �nsia ao poder e pensarem em termos de garantir ao povo, sossego, tranquilidade e toler�ncia. ESTE � O TEOR DA DECLARA��O FINAL DOS QUADROS DO CNRT. Sede do CNRT, em Balide, aos 17 de Janeiro de 2001. O Presidente do CNRT/CN, Kay Rala Xanana Gusm�o | Home | |