| PORTUGAL CELTA 1: Portugal é uma Nação celta | |||||||||||||
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| PORTUGAL, Uma Nação celta. A/ Uma Nação celta. Sempre nos ensinaram que os antepassados dos portugueses foram os lusitanos, celtiberos. Mesmo se a imagem da fusão pacifica de dois povos é bonita,um simbolo de tolerancia, existe outros meios para ensinar a tolerância e para além do mais esta imagem não é a exacta realidade. Se entre Douro e Tejo, a Lusitânia parece ser um cadinho onde se fundem varios povos como os povos "antigos europeus", os Turdulo Veteres, alguns povos orientais, o conjunto celtizado de maneira importante; a norte do Douro, sem ocultar os poucos povos presentes antes da idade do bronze e algumas colonias orientais e mediterrânicas, a principal componente étnica, genética e cultural é celta. Vieram-se enxertar, com as diferentes invasões, outros povos mas a especifidade geomorfològica manteve globalmente protegida a natureza étnica e cultural do povo galego. Além disso, os povos originarios destes enxertos fundiram-se no conjunto. As pesquisas recentes comprovam esses dados mesmo que existam debates sobre as datas e o grau de celtização das diferentes regiões. Para explicar a expansão celta, a teoria radial, o que significa a expansão desde um centro até uma periferia no ocorrer do século V antes de Cristo, foi até uma data recente adoptada. esta teoria esta caducada. Até que é logico. Pois como pensar que area de civilização de "La Tène", do centro da Europa, pôde produzir em cadeia, montes de individuos celtas, uma erupção humana tal que permitiu uma cobertura humana quase total de areas extensas, conjuntamente com uma aculturação linguistica e cultural rapidissima dos diferentes substratos de povoação presentes antes dessa submersão. as teorias actuais presentam assim a celtização da Peninsula Celtiberica. Desde a idade do bronze ( 1700-800 a.C.) um nucleo de povoamento celta instala-se nas regiões centrais da nossa peninsula. Esse nucleo foi celtizando ou ocupando as regiões ocidentais e assim formando um grupo culturalmente autonomo em relação às culturas celtas Hallstatianas, e de "La Tène", pelo menos dum ponto de vista arqueologico. Pois varias similitudes podem ser observadas nos dominios religiosos e da organização social. Esta primeira celtizaçação fez-se graças à grande mobilidade dos povos celtas. Estrabão dà como exemplo (geografia III, 3,4) a expedição militar duma parte dos Celtici do sul alentejano que se concluiu pela instalação deste povo no norte do cabo Finisterra, no actual Cabo Torrinhão, a 600 km da sua localidade de origem. À migração organizada e às expedições armadas juntam-se as deslocações regulares levadas pela emigração periodica dos rebanhos no quadro da transumância. Os cacos de hospitalidade utilizados na institruição celta do "kortika karuo" (pacto de hospitalidade), mostrando que pactos foram feitos entre individuos de cidades distantes, por vezes, de varias centenas de quilometros, demontra essa mobilidade dos povos celtas da peninsula. A partir do seculo III a.C, outros povos celtas, Gauleses desta vez,passam os Pirineus multiplicando assim as influencias Latenianas na peninsula. A explosão do mercenariado militar serve para explicar estes movimentos de populações. O valor militar, e o culto da guerra, dos nossos antepassados era tal, que eram contratados pelas tropas cartaginesas e até romanas. Assim, César ( Guerras civis, I, 51) indica que 6000 guerreiros gauleses chegam à Lerida com as suas familias. Viriato,um dos nossos herois nacionais, é um simbolo deste valor militar dos celtas d'Iberia. Infelizmente, a historiografia portuguesa cobre tudo isto, todas estas origens celtas, debaixo da denominação de "cultura castreja". Devo aqui indicar que os castros foram a forma caracteristica de habitação dos celtas e não dum povo "dos castros" anonimo. Houve ainda outra chegada, mais tardia, de povos celtas depois da romanização. De igual modo que na Bretanha francesa, a emigração dos celtas bretões abrangiu a Galiza. Assim, no inicio do seculo VI, chegaram os bretões à costa norte da Galiza, com a chefia do bispo Maeloc. Instalaram-se na actual area de Bretonha, Mondonhedo e na marinha de Lugo. Isto tudo justifica, cà para mim, a utilização dum ponto de vista celtista para examinar a nossa cultura passada e presente como a nossa identidade. B/ O celtismo Nos nossos dias, mesmo se ainda existem espiritos obtusos para fazer uma recuperação maligna do celtismo, este não é e nunca deve servir um nacionalismo que seria cego, obscurantista ou racista. Todavia, um nacionalismo democratico (junto estas duas palavras volontariamente) apoiado na opinião publica e nas urnas de voto, um nacionalismo como reivindicação identidaria ou territorial leva toda a minha benevolência. Claro que uma reivindicação identidaria faz-se relativamente a uma ou em oposição à outra cultura, sobretudo quando esta cultura é a do invasor, tentando abafar a nossa. Não obstante, não hà na minha diligencia uma visão de supremacia cultural ou racial. até que considero os castelhanos como um povo familiar, primos nossos. Mas em todas as familias hà zaragatas. E na nossa familia celtiberica hà para jà uma grande; a questão galega. Estamos e estaremos opostos enquanto não nos devolverem a Galiza, não reconhecerem a especifidade cultural da nossa terra nai, a nòs portugueses. Este presente conflictuoso não impedira, uma vez os problemas resolvidos, o regresso a um dialogo fraternal, amical. Ha que preservar num canto do nosso coração o sentimento de paz e carinho que podemos ter para nossos primos espanhois. Mas cada coisa a seu tempo. E para jà, temos que manter um espirito combatente para obter não uma esmola, nem impor um "diktat", mas o que nos é obviamente natural, a galiza e o reconhecimento da nossa cultura, identidade propria. Temos de manter este espirito combatente como portugueses mas ainda mais nòs, os nortenhos, como galegos, pois tenho a impressão amarga que Lisboa, se divertindo, sente-se afastada demais de nòs, da nossa Galiza historica, e da defesa dos nossos interresses que são, mesmo se Lisboa o esquece por cobardia ou falta de cultura, os interresses de todo portugal. Lisboa tem de reconhecer e ensinar que o nosso passado é celta e bem celta e que o nosso presente também o é ou sera; ensinar simplesmente o que faz parte de nòs. Conhecer a sua identidade, sem retorcer-se sobre si mesmo, não é uma limitação do horizonte, mas pelo contrario as fronteiras dum berço segurador onde podemos alimentar a nossa alma, reenraizar-nos; um berço, uma fronteira para ser ultrapassados como sempre o fizemos, um leme, uma bùssola que nos permite ir até aos outros sem no entanto nos perder-mos. Podemos, assim ao mesmo tempo, ser galegos, portugueses, celtas, europeus e cidadãos do mundo. os celtas foram capazes de emigrar, viajar por todo o mundo conhecido antigo, impondo as suas linguas, ideias a outras povoações e ao mesmo tempo de assimilar e integrar influencias diversas. a Nação portuguesa ao ultrapassar as fronteiras maritimas fez o mesmo e é assim a mais directa herdeira desta tradição celta. A civilização portugalaica levou assim pelos mares a nossa lingua, as nossas ideias e assim enriqueceu-se de muitas outras ideias e palavras; levou e trouxe. Agora é tempo, de nòs não nos esquecer-mos desta brihante herança, de a cultivar, de a defender e ao mesmo tempo de continuar abertos. Acabo aqui assinalando um sentimento quase analogo exprimido pelo arqueologo e historiador francês, especialista dos celtas, Venceslas Kruta: Falando dos celtas da peninsula Celtiberica, Venceslas diz o seguinte: "O dinamismo e a capacidade a impor a sua lingua e as suas ideias a outros povos, a de assimilar e integrar num sistema homogeneo e original influencias de origens diversas, atestadas claramente tanto nos textos como no material arqueologico, são as mesmas qualidades que deram aos outros celtas um papel tão grande na formação da Europa antiga. O povoamento celta marcou com a mesma importancia a area peninsular como as outras regiões da Europa onde as raizes tinham o mesmopassado, antiga implantação. A sua herança não foi completamente apagada nem pela ocupação romana, nem pelas vicissitudes sucessivas de povoação. È não sò um elemento constitutivo da personalidade dos habitantes modernos das vastas regiões que os celtas ocupavam ao entrar na historia,mas ainda mais, estes rastos indiscutiveis ficaram até o dia presente nas tradições populares, rurais." |
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