A Página do José Medeiros
José Medeiros, conhecido nos meios das Artes por "ZECA MEDEIROS", nasceu no Arquipélago dos Açores, na Ilha de São Miguel, em Vila Franca do Campo, nos finais do ano de 1951.

Homem de talentos vários, foi na Música que começou a sua vida de andarilho, tocando a bordo do saudoso paquete "Funchal".

Mais tarde, já depois de cumprido o serviço militar, entrou para os quadros da RTT (Rádiotelevisão Portuguesa) percorrendo um longo caminho de aprendizagens várias, desde as VTPs. até Assistente de Realização. A abretura da Televisão nos Açores, levou-o de volta, à terra natal, onde iniciou uma carreira de Realizador de Televisão, que o catapultou para a ribalta e deu a conhecer o que de importante se fazia, com os parcos meios existentes, lá por aquelas paragens.

"Xailes Negros", "Balada do Atlântico", "O Barco e o Sonho", Mau Tempo no Canal", "O feiticeiro do Vento" e "Gente Feliz com Lágrimas",são tarbalhos que ombreiam com o que de melhor já se fez em Televisão em Portugal.

Coincidente com o trabalho televisivo,as "Músicas" constituiram a "outra" actividade primacial deste enorme criador.
Lembremos aqui o que foi essa aventura que deu pelo nome de: "ROSA dos VENTOS".
Foi no já longinquo ano de 1983 que o José Medeiros, oTelmo Palma, a Vera Quintanilha, a Elisa, o Tolis e o João Miguel com a colaboração do: Sérgio Mestre, Mário Ribeiro, Rui Vaz, Pedro Casais e Rabanal se juntaram e gravaram o "RIMANDO CONTRA A MARÉ", uma edição Sassetti, com a etiqueta Diapasão.
Mais tarde, em 1986, regresso aos albúns, desta vez num projecto a solo, "ala - bote!", uma edição Disrego. Neste albúm José Medeiros contou com músicos como: Gil Alves; Luís Bettencourt; Luis Pedro Fonseca; João Macedo; Minela; Sérgio Mestre; Rabanal; Vera Quintanilha; Mário Ribeiro; Tó Sequeira; Filú; Mário Mareante; João Miguel e Tólis

NOT�CIAS

José Medeiros, vai apresentar no próximo dia 14 de Dezembro, no Teatro Micalense, em ante-estreia a sua mais recente criação para a RTP-Açores, trata-se da versão para TV da peça "O Sorriso da Lua nas Criptomérias", que tanto êxito alcançou na versão original.
Um video a aguardar com toda a espectativa.  








LUA DE MAPUTO



Ó lua tu és feiticeira

ó quarto crescente

no céu tão azul

ó lua tu és viageira

barquinha errante

nos mares do sul



Ó virgem negra de mestre Chissano

Como eu gostava de ser teu cantor

hei-de compor um salmo africano

sem esquecer um verso triste

para o pranto e para a dor

aqui a lua não é mentirosa

trás novas cores ao meu violão

um doce harpejo do Chichorro

cimitarra luminosa

e o Craveirinha no poema do futuro cidadão



Sonambulando na terra do Mia

ao sol vermelho do Malangatana

vou-me perder nessa doce folia

embriagado no colorido dessa tua capulana

trago cajú, píri-píri, "laurentina", camarão

o sol nascendo na minha janela

na tua orquestra talvez possa pontear meu violão

num Kanimambo à malta do Mutumbela

(nakurandza!)



José Medeiros

in  CD "Torna-Viagem" (2004)
Prémio José Afonso - 2005



















"Meu amigo:



Escrevo-te para daqui a um século, cinco séculos, para daqui a mil anos... É quase certo que esta carta te não chegará às mãos ou que, chegando, a não lerás. Pouco importa. Escrevo pelo prazer de comunicar. Mas se sempre estimei a epistolografia, é porque é ela a forma de comunicação mais directa que suporta uma larga margem de silêncio; porque ela é a forma mais concreta de diálogo que não anula inteiramente o monólogo. Além disso, seduz-me o halo de aventura que rodeia uma carta: papel de acaso, redigido numa hora intervalar, um vento de acaso o leva pelos caminhos, o perde ou não aí, o atira ao cesto dos papéis e do olvido, ou o guarda entre os sinais da memória. Por sobre tudo, porém, agrada-me falar desde o centro deste Inverno e desta cidade mortal que me cercam.



Ouço as vozes subterrâneas à alegria mecânica, aos passos cronometradas,à azáfama de nervo e esquecimento que adivinho ao onge, numa metrópole-síntese construída em arame e cimento, e è bom que essas vozes ressoem na minha boca."







VERG�LIO FERREIRA



Carta ao Futuro
JOSÉ MEDEIROS
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José Medeiros e os Açores Merecem-se. Façamos tudo para que assim seja!
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