| O MUNDO, A POESIA, A VIDA..... | ||||||||||||||||
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| O Mundo est� pequeno. Em Portugal, o pa�s arde. Do resto do Mundo s� nos chegam horrores Quando o Homem for Homem, essas coisas n�o ser�o assim. � uma esperan�a. Jos� Manuel Ruivo Palmeiro ( ver�o de 2005) S� PRUDENTE S� prudente, guarda-te do perigo, n�o corras o risco, evita os espinhos que as rosas disfar�am, escolhe o caminho pelo mais seguro, s� prudente... para a garra do cancro, para a afli��o do enfarto, para a caquexia de morrer de velho, ...s� prudente. Joaquim Namorado in Poesia Necess�ria O LIVRO Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que h� para ler e os anos que terei de vida. N�o chegam, n�o duro nem para metade da livraria. Deve certamente haver outras maneiras de se salvar uma pessoa, sen�o estou perdido. No entanto, as pessoas que entravam na livraria estavam todas muito bem vestidas de quem precisa salvar-se. Jos� de Almada-Negreiros in: Obras Completas - vol.1 AMARGA REALIDADE No meu Alentejo amargurado, A cotovia, em vez de cantar, chora. O ganh�o j� n�o toca o gado, Ao romper da bela aurora. Nem o pastor sai da cabana Para o rebanho apascentar. A mondadeira alentejana N�o canta, a papoula est� a chorar. Nos montes j� ningu�m mora! Das vilas est�o a emigrar Bra�os que o Alentejo adora. Mulher e filhos v�o deixar; Como a cotovia que chora Em vez de alegremente cantar! Manuel Jo�o Man�os in, Voz Insurrecta LIBERDADE Vivemos com o peso do passado e da semente esperar tantos anos torna tudo mais urgente e a sede de uma espera s� se estanca na torrente e a sede de uma espera s� se estanca na torrente Vivemos tantos anos a falar pela calada s� se pode querer tudo quando n�o se teve nada s� quer a vida cheia quem teve a vida parada s� quer a vida cheia quem teve a vida parada S� h� liberdade a s�rio quando houver a paz o p�o Habita��o sa�de educa��o s� h� liberdade a s�rio quando houver liberdade de mudar e decidir quando pertencer ao povo o que o povo produzir S�RGIO GODINHO in "Can��es de S�rgio Godinho" O C�O FIEL Era um c�o fiel... foi a dar ao rabo atr�s do dono at� � oliveira em que aquele o enforcou com um arame. Joaquim Namorado in "Poesia Necess�ria" 23 DE FEVEREIRO DE 2006 Hoje, passam 19 anos do desaparecimento de Jos� Afonso. Num "s�tio" como este, n�o podiamos deixar de assinalar esta efem�ride, por isso aqui fica um poema que ilustra bem o seu car�cter. "UTOPIA" Cidade Sem muros nem ameias Gente igual por dentro Gente igual por fora Onde a folha da palma Afaga a cantaria Cidade do homem N�o do lobo mas irm�o Capital da alegria Bra�o que dorme Nos bra�os do rio Toma o fruto da terra � teu a ti o deves Lan�a o teu Desafio (bis) Homem que olhas nos olhos Que n�o negas O sorriso a palavra forte e justa Homem para quem O nada disto custa Ser� que existe L� para as margens do oriente Este rio este rumo esta gaivota Que outro fumo deverei seguir na minha rota? Jos� Afonso in, Textos e Can��es A VI�VA RICA A vi�va rica vai de saia nova. Leva baixo o rosto, mas o olhar desperto. Vai ao cemit�rio queixar-se ao marido de, sem ele, a cama lhe ser um deserto. Especados �s portas das lojas da vila, subtilmente os homens p�em-se a despi-la. Vai de saia nova e de sangue em brasa. Levanta-te morto. Volta para casa. Na vila n�o h� mulher feia ou bela, nem mais s� que ela, nem mais desejada. A vi�va rica vai de saia nova. E j� nessa noite dorme acompanhada. Armindo Rodrigues in,Poetas Alentejanos do S�c.XX - Antologia PERFILADOS DE MEDO Perfilados de medo, agradecemos o medo que nos salva da loucura. Decis�o e coragem valem menos e a vida sem viver � mais segura. Aventureiros j� sem aventura, perfilados de medo combatemos ir�nicos fantasmas � procura do que n�o fomos, do que n�o seremos. Perfilados de medo, sem mais voz, o cora��o nos dentes oprimido, os loucos, os fantasmas somos n�s. Rebanho de medo perseguido, j� vivemos t�o juntos e t�o s�s que da vida perdemos o sentido... Alexandre O'Neill in, "Quinze Poetas Portugueses do S�c.XX" Ass�rio e Alvim Vamos l� a ver o que me reserva este meu destino de m�rtir moderno Vou balanceando de aqui para ali e me vou perdendo do que j� perdi de "Hor�scopo" 1967 Ra�l de Carvalho 2007 FEVEREIRO HOMENAGEM A JOS� AFONSO, NOS 20 ANOS DA SUA MORTE. PROSEMA III Querida Joana: Como sabes eu estou preso mas tamb�m n�o sou um homem mau. Viste como foi. N�o sejas rabujenta e ajuda o Pedro. Se ele estiver birrento lembra-te que ainda � um b�b� e tu mais crescida que ele. O que eu n�o gosto � que sejas ego�sta porque � muito feio. Se algumas das tuas amigas querem tudo para elas deixa l�. Elas fazem mal mas tu n�o. Explica-lhes que n�o devem ser ego�stas. Tem cuidado com os sugos e outras porcarias iguais porque podes ficar sem dentes. Depois, mesmo que os queiras ter j� ningu�m te os pode p�r. Ficas como os velhinhos. Alguns deles tinham a mania de comer guloseimas, gelados e caramelos. E tamb�m chocolates. Eu lembro-me muito de ti e do Pedro. O Z� ainda n�o cortou as barbas? Diz � Lena que eu n�o gosto que ela seja desarrumada. Todos t�m que ajudar a m�e e a Dina. Muitos beijos do Zeca Pai Caxias 13-5-1973 O CANTADOR O cantador chegou de madrugada venceu a noite pelas praias do mar na sua voz teceu uma balada amanhecer que havemos de cantar O cantador rasgou as nossas penas num canto mo�o que havemos d'acender na sua voz ergueu vilas morenas Maio maduro que havemos de colher Ergueu cidades sem muros nem ameias lan�ou sementes na terra de ningu�m cantou o sol rompeu nossas cadeias trouxe consigo outro amigo tamb�m Jos� Medeiros in CD "Torna-Viagem" (2004) Pr�mio Jos� Afonso - 2005 |
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| 2008 - 21 Anos da Morte de Zeca Afonso | ||||||||||||||||
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