Beleza - Comportamento - Homens - Horóscopo - Moda - Namoro - Negócios - Saúde - Sexo - Contato - Parceiros

Em pleno auge da era da internet, não é segredo pra ninguém que as salas de bate-papo são talvez o maior chamariz da rede. Pessoas de todas as idades, de todas as tribos (hetero, homo, pan ou transexuais), de todos os apetites, de todas as correntes filosóficas, de todo "tudo" que você possa imaginar, vêm pro chat. Umas dizem que vêm só pra se divertir, outras dizem que vêm pra curtir um papo descontraído, algumas dizem que vêm porque estão de bobeira sem nada melhor pra fazer, enfim, essas dão uma disfarçada pra não entregarem de bandeja o tesão que estão sentindo.

Como se sabe, o tesão é uma coisa que não tem explicação. Ele simplesmente dá sinal, chega e se instala, sem dó nem piedade, no corpo de quem dá mole. Mole, pero no mutcho, diga-se de passagem, porque a moleza dura pouco nesses casos. O tesão é inconveniente. Costuma pegar de surpresa quem está distraído no meio da rua, no ônibus cheio, no metrô lotado, na fila do banco. Pro tesão não existe hora nem lugar. Ele não respeita nada nem ninguém.

Antigamente, quando o tesão pintava de repente numa noite de chuva, pouca grana e solidão, fazer o quê? Dormir de bruços, assaltar a geladeira, fazer 500 abdominais, tomar um banho frio, chicotear as costas ou procurar aquela revistinha ensebada na prateleira de cima do armário? Sublimar, recalcar ou encarar a realidade? Marque a resposta certa com um xis. Em qualquer um destes casos, o homem estaria juntando a fome com a vontade de comer, mas continuaria faminto como um leão. Tesão não morre nem com inseticida. Tem que ser vagarosamente derretido a dois, a duas, a três, a mil. Exige altas temperaturas e precisa de uma coisa básica: retorno.

O prazer solitário evoluiu muito nos últimos anos. Ficou plugado, digitalizado, globalizado e conectado. A masturbação não é mais aquela prática mecânica do tempo da vovó. Agora ninguém mais goza de graça ou goza por gozar, pensando nas coxas da miss Brasil. Agora, em tempos de tchans dando com o pau, de seios siliconados que quase sufocam narizes desavisados, de mulherões construídos nas academias pra darem ao homem a vaga impressão de que elas são muita areia pro caminhãozinho deles, adivinha o que acontece?

Acontece que o homem vira voyeur em potencial e se sente meio incompetente pra ir além das revistas, da visão gulosa das mulheres perfeitas, da sacação safada do balé erótico das tchutchucas vitaminadas. Ele brocha só de pensar em brochar diante de tanta belezura na hora do "vamuvê". E aí? Bem, e aí ele procura uma mulher normal, acessível, possível e que sinta tesão por homens comuns como ele. É claro que ele vai propor a essa mulher que ela finja ser aquela outra poderosa nos jogos de sedução, mas essa é uma fantasia pra lá de excitante. Com uma vantagem: fantasias não brocham.

Falando em fantasia, a gente tem várias. Às vezes uma fantasia quando chove, outra quando faz sol, outra quando faz aquele friozinho, outra quando bate aquela saudade da adolescência, outra quando a vizinha do 502 desce junto no elevador, usando uma gotinha de Chanel nº 5 na curva da perna. Onde encontrar a mulher que ele precisa sentir naquela segunda-feira em especial? A morena que ele quer na terça? A loura que ele quer na quarta? A tímida da quinta, a extrovertida da sexta, a porra louca do sábado e a classuda do domingo?

Onde encontrar tantas mulheres gostosas e conseguir transar com cada uma delas numa big suíte presidencial de um motel da moda, num navio no Caribe, na primeira classe de um avião, num camarote do sambódromo ou voando de asa-delta? Onde, me diz? Acertou quem respondeu que essas mulheres delicinhas estão nas salas de bate-papo, à espera do príncipe encantado virtual que vai brincar de cavalinho com elas pelos jardins de algum castelo invisível, mesmo que ele nem tenha um cavalo branco como nos contos de fada. Ela vai se sentir uma princesa quando vir a varinha de condão que ele guardou no bolso esquerdo.

Bem, uma vez definido o casal, começa a troca de perguntinhas entre os parceiros. Em 5 ou 10 minutos, a intimidade já é tanta que ambos já começam a percorrer com as palavras o corpo do outro como se fossem amantes de longa data. O tesão aumenta e os corpos respondem aos estímulos teclados à medida em que o nível do papo vai descendo, até atingir o subsolo da decência. Quanto mais obscenidades e baixarias, mais os hormônios entram em ebulição. A saliva parece que fica efervescente, as mãos suam frio, as pernas ficam meio bambas sob o impacto das revelações mútuas. Sobra coragem pra contar segredinhos que nunca foram ditos. Sobra vontade pra pedir carinhos diferentes. Os corpos se procuram na rede, no espaço cibernético, nas nuvens. As bocas flutuam no cosmos da internet, os pés se entrelaçam na cama da web e não fica perna sobre perna.

Chega uma hora que não dá mais. Toques com perícia, carícias atrevidas, massagens precisas, viagem de auto-conhecimento imaginando a ação do parceiro com as mãos, com os dedos, com a boca, com a língua, com acessórios, brinquedinhos ou, como direi, com aquilo, sabe né? E ele lá, do outro lado da conexão, também na mesma situação, a mão naquilo ou aquilo na mão, tanto faz. Tudo vale a pena se a mão não é pequena, diria qualquer pessoa, mesmo que não fosse o Fernando (Pessoa).

Quem freqüenta o chat e faz sexo virtual sabe que o orgasmo é a conseqüência mais previsível de um bate-papo de qualidade. Sabendo temperar a conversa com charme, com criatividade, com inteligência, com coisinhas engraçadinhas, com sorrisos, com uma certa ironia barata, com um pouquinho de marra, com uma taça de vinho, com uma flor no cabelo, com uns palavrões falados bem baixinho no ouvido, com um vestido transparente, com um fundo musical daqueles de arrepiar, numa noite virtual de lua cheia, que homem resiste? Você conhece algum homem que não goste de um dengo? Que não troque o futebol por um bom cafuné? Que não troque o chopp por um banho de champanhe? Conhece? Eu não conheço. Se ele não trocar nada por você, cuidado, amiga. Você está prestes a ganhar chifres virtuais e daí pra chifres reais, é uma tecladinha.

Tecle gostoso, se dê pro seu parceiro virtual com o mesmo gás com que você se daria pro Richard Gere, se ele tocasse agora o interfone do seu apê. Ou pro Van Damme, ou pro George Clooney, ou pro Mel Gibson ou pro grande amor da sua vida, conforme o seu tipo preferido (eu sou mais o Clooney).

Acredite na força da experiência que você está vivendo. Considere a importância de estar passando duas horas da sua vida com um desconhecido que o destino colocou na sua telinha, provavelmente com algum objetivo. Fique atenta aos sinais, às afinidades e às aparentes coincidências. Pense no que esses momentos vão acrescentar a você.

Não sinta vergonha de assumir que está gostando do que está sentindo, até porque o sexo virtual dá mesmo prazer real. Não se sinta culpada por achar que está fazendo amor escondido. Nada disso! Você apenas está entre quatro paredes virtuais, em algum lugar do ciberespaço, mas está fazendo algo absolutamente normal e saudável. Se você for casada, não se sinta uma traidora, porque na imaginação não existe traição nem pecado, mas fique por aí. Vá fundo, pense na fantasia que você vai querer viver hoje. Capriche na escolha. Vista a fantasia, mas tire a calcinha, porque isso ajuda. No mais, aceite a masturbação como um ato puro de amor que você se dedica, empenhe-se em se amar antes de pensar em amar alguém. Exercite a sua sexualidade no chat. Lá você sempre encontra alguém muito a fim de colaborar.

Vamos: roupa confortável fácil de tirar, um batonzinho, um perfume, um anel bonito pra dar um charme no teclado, uma bebidinha pra relaxar. Sinta-se bonita e gostosa. Respire fundo, conte até 3 e encare, sem medo de ser muito feliz nessa noite.. Não se surpreenda nada nada nada se além do sexo você também receber emoção, carinho e sentimento. Faz parte.

Ah, e goze, muito!
Você precisa e merece.

Hosted by www.Geocities.ws

1