APOSTILA
TEXTO 7
CRIATIVIDADE
Idalberto Chiavenato
Criatividade e Inovação
As organizações orgânicas estão impondo um novo e diferente padrão de comportamento das pessoas: um comportamento criativo e inovador. Se o mundo mudou, as empresas também estão mudando na mesma direção e cada vez mais rapidamente. Isso requer mudanças em produtos e serviços, métodos e processos, equipamentos e tecnologia, estrutura organizacional e cargos e, sobretudo, comportamento das pessoas. A criatividade está na base disso tudo.
Criatividade significa a aplicação da engenhosidade e imaginação para proporcionar uma nova idéia, uma diferente abordagem ou uma nova solução para um problema. Ela é essencial às organizações que enfrentam demandas de um ambiente instável e mutável. Em situações complexas e mutáveis de trabalho, os gerentes precisam utilizar todas as vantagens da participação, envolvimento e empoderamento (empowerment) das pessoas para estimular a criatividade individual e grupal. A habilidade de encorajar a criatividade e tolerar erros parece ser hoje em dia uma das mais importantes responsabilidades gerenciais. Porque quem erra pode acertar mais rapidamente. A criatividade é a base para a mudança construtiva e o seu aspecto mais importante se chama inovação.
A inovação requer criatividade. Inovação é
o processo de criar novas idéias e colocá-las em prática.
Nas organizações, essas aplicações concretas podem
ocorrer em duas formas:
- inovação de processos, com a criação de novas
maneiras de fazer as coisas;
- inovação de produtos, que resulta na criação de
produtos ou serviços novos ou melhorados.
A administração da inovação, tanto de processos
quanto de produtos ou serviços inclui o apoio intensivo à invenção
( o ato de descobrir) e à aplicação ( o ato de usar). A
invenção se relaciona com o desenvolvimento de novas idéias.
Os gerentes estão sendo solicitados a criar novos ambientes de trabalho
que estimulam a criatividade e o surgimento de novas idéias através
das pessoas. A aplicação se refere à utilização
das invenções para extrair e tirar vantagem de seu valor.
Eles devem assegurar a implementação de boas idéias para
novos ou diferentes processos de trabalho, como também assegurar que
o potencial comercial de idéias de novos produtos ou serviços
seja totalmente realizado.
O processo inovador
0 processo de inovação ocorre em quatro etapas:
1. Criação de idéias. Proporciona novas formas de conhecimento através de descobertas, extensões de conhecimentos atuais ou criatividade espontânea pela inventividade das pessoas e comunicação com outras.
2. Experimentação inicial. As idéias são inicialmente testadas em seus conceitos através de discussões com outras pessoas, clientes, consumidores ou técnicos e/ou na forma de protótipos ou amostras.
3. Determinação da viabilidade. A praticidade e o valor financeiro das idéias são examinados em estudos formais de viabilidade que identificam custos e benefícios potenciais, assim como mercados e aplicações potenciais.
4. Aplicação final. Ocorre quando o novo produto é finalmente comercializado e posto à venda no mercado aberto ou o novo processo é implementado como parte da rotina operacional normal.
A criatividade e inovação constituem um modo de vida em muitas
organizações, isso significa que ambas dependem da cultura organizacional.
A 3M - uma das empresas americanas mais inovadoras e mais bem-sucedidas do mundo,
atribui seu êxito à criatividade de seus funcionários (
através de uma cultura organizacional extremamente aberta e participativa
que privilegia as pessoas). Liberdade e franqueza imperam dentro da organização.
Para incentivar a criatividade das pessoas, a 3M dá um tempo para o colaborador
fazer o que bem entende no seu horário de trabalho. Essa liberdade interna
faz com que a 3M consiga a proeza de lançar um produto novo a cada semana.
Sugestões para incentivar a criatividade organizacional
1. Desenvolva a aceitação da mudança. AS pessoas da organização devem acreditar que a mudança trará benefícios a elas e à empresa. Isso acontece quando as pessoas participam com seus gerentes na tomada de decisões e nos assuntos relacionados com as pessoas.
2. Encoraje novas ideias. Os gerentes, desde o topo até os supervisores de primeira linha, devem assumir claramente, em palavras e atos, que são totalmente abertos a novas ideias e abordagens. Os gerentes devem estar prontos a ouvir sugestões de seus subordinados e a implementar as boas ideias ou levá-las a seus superiores.
3. Permita maior interação. Pode-se promover um clima permissivo e criativo dando às pessoas a oportunidade de interagir com outros membros de seu próprio grupo de trabalho ou de outros grupos. Essa interação incentiva o intercâmbio de informações úteis, o livre fluxo de ideias e novas perspectivas na resolução dos problemas.
4. Tolere os erros. Muitas ideias novas podem ser inúteis ou sem qualquer
praticidade. Os gerentes eficazes aceitam o fato de que tempo e recursos devem
ser investidos na experimentação de novas ideias, mesmo que elas
não conduzam a qualquer solução.
5. Defina objetivos claros e dê liberdade para alcançá-los. As pessoas devem ter um propósito e direção para sua criatividade. Os gerentes devem apontar linhas de orientação e limites razoáveis, para terem algum controle sobre o volume de tempo e dinheiro investidos no comportamento criativo.
6. Ofereça reconhecimento. Pessoas criativas trabalham motivadas, mesmo em tarefas duras ou que não lhes interessam, quando são recompensadas por um trabalho bem-feito. Ao oferecer reconhecimento de maneira tangível e clara, como prémios e aumentos salariais, os gerentes precisam demonstrar que o comportamento criativo é valorizado na organização.
Como criar uma estrutura de criatividade na organização
Para criar um ambiente de criatividade na organização é preciso:
1. Implantar e incentivar um programa de sugestões na organização.
2. Desenvolver grupos de geração de idéias (brain-storming),
3. Criar oficinas de criação ou de gerenciamento de conceitos.
4. Criar centros de criatividade na organização.
5. Desenvolver círculos de qualidade e criatividade.
6. Elaborar programas de treinamento em criatividade.
7. Implantar um programa de melhoria contínua e incremento da inovação.
8. Fazer pesquisa e desenvolvimento de ideias com as pessoas.
9. Criar sessões criativas regulares.
10. Desenvolver pessoas que atuem como facilitadores da criatividade.
Stephen Robbins
Melhorando a criatividade na tomada de decisões
Quem toma decisões precisa ter criatividade (habilidade de gerar idéias novas e úteis). A criatividade permite que o tomador de decisões avalie e compreenda melhor o problema, inclusive percebendo aspectos que outros não conseguem ver. Entretanto, o valor mais óbvio da criatividade está em ajudar o tomador de decisões a identificar todas as alternativas viáveis.
Potencial Criativo A maioria das pessoas possui um potencial criativo que pode ser usado quando elas se confrontam com a necessidade de solucionar um problema. Mas, para que este potencial se manifeste totalmente, elas precisam sair das rotas psicológicas pré-traçadas, que geralmente as prendem, e aprender a pensar sobre o problema de maneiras diferentes.
As pessoas diferem em relação à sua criatividade inerente.
Einstein, Edison, Picasso e Mozart eram indivíduos de excepcional criatividade.
Isso ocorre com 1% da população.
A grande maioria de nós tem potencial criativo, desde que queiramos despertá-lo.
Modelo de Criatividade de Três Componentes A maioria das pessoas possui capacidade para ser criativa, pelo menos moderadamente, o que elas e as organizações podem fazer para estimular esta característica? A melhor resposta está no modelo de criatividade de três componentes.26 Com base em um grande volume de pesquisas, este modelo propõe que a criatividade individual requer, essencialmente, perícia, pensamento criativo e motivação intrínseca pela tarefa (veja o Quadro 5-4). Os estudos confirmam que, quanto mais alto o nível de qualquer um desses componentes, mais alto o nível de criatividade.
A perícia é a base de todo trabalho criativo. Os conhecimentos de física de Einstein foram condições necessárias para que eles pudessem contribuir criativamente em suas áreas. Não se pode esperar que uma pessoa sem nenhum conhecimento de programação seja um engenheiro de software muito criativo. O potencial de criatividade é maximizado quando a pessoa tem as habilidades, conhecimentos e domínio dos assuntos relativos à sua área de atuação.
O pensamento criativo. Engloba características de personalidade associadas
à criatividade e à habilidade de usar analogias, bem como ao talento
de ver o que é familiar sob uma nova perspectiva.
Os seguintes traços individuais mostraram estar associados ao desenvolvimento
de ideias criativas: inteligência, independência, autoconfiança,
propensão para correr riscos, centro de controle interno, tolerância
à ambiguidade e perseverança diante da frustração.
O uso eficaz das analogias permite que os tomadores de decisões apliquem
uma ideia de um contexto em outro. Um dos exemplos mais famosos em que o uso
da analogia resultou em uma ideia criativa foi a observação de
Alexander Graham Bell de que seria possível tomar os conceitos do funcionamento
do ouvido humano e aplicá-los a uma "caixa de falar". Ele percebeu
que os ossos dentro do ouvido são operados por uma fina e delicada membrana.
Perguntou-se, portanto, se uma membrana mais resistente não seria capaz
de mover uma peça de aço. A partir desta analogia, nasceu o telefone.
A motivação intrínseca pela tarefa. Isto se traduz no desejo
de trabalhar em alguma coisa por ela ser interessante, envolvente, excitante,
gratificante ou pessoalmente desafiadora.
Este componente motivacional é o que faz com que a criatividade potencial
se transforme em ideias criativas concretas. É ele que determina até
que ponto as pessoas empenham seus conhecimentos e habilidades criativas. Por
isso, geralmente as pessoas criativas adoram seu trabalho a ponto de parecerem
obsessivas.
O ambiente de trabalho das pessoas pode ter um efeito significativo sobre a
motivação intrínseca. Os aspectos do ambiente de trabalho
que estimulam a criatividade incluem
-uma cultura que encoraje o fluxo de ideias;
-um sistema de avaliação de ideias justo e construtivo, capaz
de reconhecer e recompensar o trabalho criativo;
-informações e recursos materiais e financeiros suficientes;
- liberdade para decidir o que e como fazer;
-uma supervisão que saiba se comunicar, que expresse confiança
nos outros e que apoie o trabalho em grupo;
- e membros de equipe que se sustentem entre si e confiem uns nos outros.
Fontes:
Idalberto Chiavenato
Gestão de Pessoas
Campus
Stephen Robbins
Comportamento Organizacional
Pearson