Resenha de memórias Póstumas de Brás Cubas

AUTOR: Machado de Assis

Opiniões pessoais:

Machado de Assis usa um artifício que garantiria a máxima sinceridade e liberdade crítica à história: um defunto autor; afinal, há coisas que só um morto pode dizer. Assim, do além, Brás Cubas consegue a distância necessária para contar a história de sua vida com uma ironia fina, mas nem por isso menos amarga em sua crítica.

Como uma vez já tinha dito o escritor, a verdadeiro valor dos seus livros está nas entrelinhas, e é de certa maneira difícil não se perceber intrigado, e instigado a pensar sobre os personagens e acontecimentos. A respeito do propósito da vida e da sociedade, o pessimismo é notável, como na frase “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”. O livro é permeado metáforas e divagações muito pertinentes que se poderiam dizer filosóficas.

A visão meio pessimista, ele talvez dissesse “realista”, é perpassada de um humor sarcástico e irônico. Humor que também é visto na maneira inusitada como o livro é feito: com capítulos curtos, alguns com poucas linhas, outro tem apenas sinais de pontuação, e ainda há os que Cubas diz inúteis por serem lembranças, devaneios que vão e voltam no tempo.

Pois como já foi dito antes, o defunto é autor, e defunto não tem pressa, tem a eternidade toda e debocha das críticas dos vivos; e se o livro não te apraz ao lê-lo, Machado já avisa, te desfaças dele com um “piparote”.

Por fim, a impressão que pode passar a leitura é que Brás Cubas está ali do lado, falando como um velho conhecido nosso, tal é o poder de nos envolver na sua história e o quão à vontade nos fala.


Por: Tayuya
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