Star Wars III – A Vingança dos Sith


Ficha:

Título Original: Star Wars: Episode III - Revenge of the Sith
Gênero: Ação, Ficção, Drama
Duração: 140 minutos
Lançamento (EUA): 2005
Direção: George Lucas
Roteiro George Lucas, Jonathan Hales
Produção: George lucas, Rick McCallum


“Star Wars III – A Vingança dos Sith” é o último filme da mundialmente famosa série Star Wars, de George Lucas. O filme, que encerra a 1° trilogia foi lançado em 2005 e alcançou incríveis recordes de bilheteria, sendo consensualmente o mais decisivo, complexo e dramático dentre as duas trilogias. Exatamente por esses motivos, essa resenha seria apenas uma grande redundância, em meio a outras milhares e milhares de resenhas que existem sobre esse mesmo filme, se não tivesse a pretensão de mostrar o filme por uma perspectiva alternativa, menos explorada e mais conspiratória, que comentará o filme ponto-a-ponto, mantendo sempre um rumo geral que ilustra a transformação de Anakin e o cumprimento da Profecia.

Exatamente por esses motivos, essa resenha diferentemente das minhas outras possui revelações sobre o enredo! Então, não é aconselhável para aqueles que ainda não assistiram aos filmes.

Nesse episódio a Guerra clonica chegou ao seu ápice e os separatistas seqüestraram o chanceler Palpatine. Os dois Jedis enviados para resgatar o líder do senado são Obi-Wan Kenobi e Anakin SkyWalker. Nessa cena vemos uma batalha sem paralelos na série, onde as grandes naves dos separatistas e republicanos se enfrentam ao estilo de grandes navios piratas, os efeitos especiais são extremamente empolgantes e tiram o fôlego ainda que ao final a cena pareça ter tido um tamanho exagerado. Outro ponto muito interessante a se notar nesse momento é que a relação de Obi-Wan e Anakin já não é mais, segundo o próprio George Lucas, a de mestre e aprendiz, mas sim a de amigos e companheiros.

Também percebemos que Anakin continua a não ser frio e centrado como um Jedi deveria ser, pois logo na batalha inicial ele prioriza ajudar Obi-wan à missão. E esse é um ponto-chave que percorre todo o filme, sempre Anakin é movido pelos sentimentos e desejos, enquanto os outros Jedis buscam o equilíbrio e a frieza. Na decisiva luta de Anakin contra o Conde Dookan, nos vemos diante de uma cena muito semelhante a que acontecerá no episódio V, em que Luke lutava contra Vader, e Palpatine assiste as duas lutas estimulando os jovens Jedis a cederem aos seus desejos de vingança e passarem para o lado sombrio. Apesar de toda a emoção da batalha é realmente lamentavelmente superficial a maneira como Anakin toma a decisão de matar o inimigo. Aliás, esse é um defeito que percorre todo o episódio que, apesar de ter um bom argumento, é rápido demais e destrói a potencial profundidade das personagens.

Outra crítica bastante pertinente a se fazer é sobre os detalhes do filme, que apesar de em geral muito bem cuidados deixam a desejar em determinados trechos, como quando Anakin, Obi-Wan e Palpatine estão caindo no poço do elevador e Palpatine larga as pernas de Anakin, mas depois repentinamente aparece a segurando de novo. Mas mencionar esses detalhes está bastante distante do objetivo dessa resenha e parece pedante demais. Então, vamos ao que nos propomos...

Ao meu ver a questão mais importante na transição de Anakin para o lado sombrio não é, em si, a premonição em que ele sonha sobre o futuro de Padmé, mas sim, a reação do mestre Yoda, quando Anakin pede seus conselhos. Ele diz: “Sentir falta, jamais. Lamentar, jamais. Alegra-se por aqueles que na Força se transformam” e “Liberte-se do que teme perder”. Ou seja, se por um lado ele mostra toda a sua sabedoria, convenhamos, por outro, mostra-se bastante insensível diante do emocionalmente instável Anakin.

E, devo admitir, que a única questão que me parece bem trabalhada sobre a mentalidade de Anakin é essa incerteza constante a respeito do que fazer. Anakin é uma personagem de caráter bastante volúvel e tem apenas algumas crenças dogmáticas aparentemente herdadas de seu treinamento Jedi. Nesses momentos não sei bem se George Lucas quis nos passar a idéia de dubiedade do personagem ou simplesmente lhe faltou seriedade para elaborar diálogos menos pueris. O protagonista faz várias afirmações muito infantis durante todo o filme como quando Anakin discute com Padmé, defendendo a república com unhas e dentes; ou quando diz mecanicamente para Palpatine: “Os Jedis são altruístas. Eles só se importam com os outros”; ou ainda, na batalha com Obi-wan, quando justifica suas atitudes dizendo: “Para mim, os Jedis são maus”.

E aí sim, apesar da bobeira dessa última afirmação, reside o segredo de uma interpretação bastante interessante do filme, pois vejam que em vários momentos os Jedis de fato se mostram “maus” ou, ao menos, desorientados. E se for assim, não seria justamente esse o sentindo da Profecia que dizia que o Escolhido traria equilíbrio a Força? No final das contas, como todos sabem, Anakin eliminou os antigos Jedis e, mais tarde, ao imperador e a ele mesmo (ou seja, também eliminou os Sith) deixando vivos apenas os seus filhos que no episódio VI representarão o retorno e a renovação dos Jedi.

Analisando várias atitudes dos Jedis vivos no episódio III veremos que eles agiam de maneira suspeita e em uma conversa sobre o futuro da república disseram: “Se Palpatine não renunciar devemos destruí-lo” e Mace Windu completou: “Temos que assumir o senado para garantir uma transição pacífica”. O próprio Yoda advertiu os outros dois mestres dizendo: “Para um lugar sombrio essa linha de pensamento nos vai levar”.

Contudo, a cena que mais explicitamente corrobora essa tese é a luta entre Mace Windu e Darth Sidios, quando mestre Windu diz: “Ele é perigoso de mais para continuar vivo!” e percebam que essa é exatamente a mesma fala que Palpatine disse no começo do filme quando estava tentando convencer Anakin a matar o Conde Dookan! Ou seja, a Ordem Jedi estava tão corrompida pela guerra e pelo passar dos anos que sua maneira de pensar se igualou a dos Sith. O próprio Anakin diz para mestre Windu: “Esse não é o método Jedi”.


Após esse momento em que Anakin corta as mãos de Mace Windu, acontece a sua tão esperada conversão a Darth Vader e, com certeza, esse é o momento mais decepcionante de todo o filme, pois não há nenhuma(mas nenhuma mesmo) profundidade emocional nessa conversão. Muitos atribuíam essa banalização da história ao ator(Hayden Christensen), mas creio que nesse caso tenha ficado claro que a culpa é praticamente toda de George Lucas, que não se esforça para dar o mínimo realismo as cenas mais decisivas da série! Contudo, vendo o filme não resta muito tempo para lamentações, pois a cena seguinte é, para mim, a melhor de todo o filme e uma das mais emocionantes da série, na qual os Jedis começam a ser exterminados por toda a Galáxia. As circunstâncias e a reação de Yoda, que pressente tudo são uma emoção à parte e realmente comoventes.

Além disso, há um comentário verdadeiro, mas maldoso que não pude deixar de fazer quando percebi que a melhor cena do filme é a que menos depende de George Lucas. Afinal, ele entra apenas onde é bom na história e deixa a equipe trabalhar nos efeitos especiais, trilha sonora e no computadorizado Yoda.

Ao final do filme, só nos resta uma decepção, na cena em que Obi-Wan descobre os assassinatos que Anakin cometeu, mas logo após a essa “não-emoção”, assistimos a luta mais esperada da trilogia, entre Anakin e Obi-wan. A luta é fantástica e as nostálgicas cenas que se seguem também ajudam a encerrar o filme com chave de ouro e muitas lágrimas da emotiva platéia na qual eu assisti o filme pela primeira vez! O resultado final desse filme é excelente e deixa bastante material para a série que será encaixada entre o episódio III e IV como, por exemplo, a premonição de Anakin que, por sinal, só se cumpriu por ele a ter tido e sobre como Palpatine adivinhara os temores de Anakine também sobre o treinamento que Yoda recomendou a Obi-wan.

Apesar dos pesares, certamente, todos que viram o filme se encantaram com as possibilidades para essa futura série e se emocionaram com o triste final de Padmé, Anakin e dos outros Jedis. Enfim, o filme comove e cria expectativa para a série que vem por aí.

Elenco:
Hayden Christensen (Anakin Skywalker),
Ewan McGregor (Obi-Wan Kenobi),
Natalie Portman (Padmé),
Ian McDiarmid (Palpatine),
Samuel L. Jackson (Mace Windu),
Frank Oz (Yoda),
Christopher Lee (Conde Dookan).


Por: Sesshoumaru
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