“A Queda!” é um filme histórico não apenas por tratar do passado, mas, por ele mesmo, marcar uma época. Tendo sido lançado em 2004, na Alemanha, de imediato o filme causou uma polêmica generalizada. E já era de se esperar, afinal por muitos anos o personagem histórico teve que se submeter a uma demonização irracional a qual ainda há quem considere indispensável. No entanto, o mito do mal absoluto começa a ruir nessa produção alemã que nos mostra os diversos ângulos do ditador sob a perspectiva de sua secretária, Traudl Junge.
A história se passa do dia 30 de abril ao dia 8 de maio e nesse curto período Hitler vive momentos importantes como seu casamento com Eva Braum, seu último aniversário e asssite a cada vez mais certa vitória das tropas soviéticas, que rapidamente avançam rumo a Berlim. Esses últimos 12 dias da vida do Füher são uma decadência que entra em evidente contraste com os 12 anos de poder e ostentação do 3° Reich.
Mas o enorme sucesso desse filme não é apenas fruto de sua imparcialidade e qualidade documental é também parte de um trabalho em equipe e da brilhante atuação de Bruno Ganz, interpretando o ditador. Além de fisicamente parecido com seu personagem o ator deu um espetáculo de atuação sendo perfeito na representação das mais diversas faces de Hitler, desde o comportamento sereno e a voz baixa nas conversas particulares até sua ferocidade nos momentos de fúria, além, é claro, da sua eficiente oratória em discurssos.
Ao contrário do que alguns podem supor depois de tamanha polêmica o filme de Oliver Hirschbiegel absolutamente não é anti-semita nem tão pouco pró-nazista, ele simplesmente retrata Hitler como um verdadeiro ser humano, que muitas vezes foi realmente diabólico, mas, em outras tantas, agia como todos nós, tendo seus momentos de generosidade, bom humor e otimismo. Mas as razões das tais controvérsias vão para além disso e mesmo da falta de conhecimento histórico e do puritanismo. O filme provavelmente incomoda também por ter, pela primeira vez, numa produção alemã, um ator no papel do ditador, por não citar o exército estadunidense e não ser protagonizado por soldados ou judeus. Esses motivos aparentemente banais somam-se as qualidades já citadas e tornam “Der Untergang” um filme único e imperdível dentre os incontáveis filmes sobre a 2° Guerra Mundial.
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