Olga Bern�rio foi uma alem� com importante participa��o no movimento comunista internacional, o filme, dirigido por Jayme Monjardim, sobre sua vida baseia-se na biografia hom�nima de Fernando Morais e estreiou nos cinemas em 2004. Monjardin, nesse filme, realizou sua primeira obra para o cinema, anteriormente s� havia dirigido telenovelas e, como de costume, muitos cr�ticos acusam o filme nacional de ser demasiadamente televisivo ou �novelesco�. Antes de analisar a proced�ncia e os motivos de cr�tica, ser� interessante comentar o filme.
Em seus aspectos t�cnicos, o filme � praticamente irretoc�vel e Monjardim foi pessoalmente a Alemanha para reconstruir, como o m�ximo de fidelidade poss�vel, os lugares pelos quais Olga passou e o campo de concentra��o de Ravensbr�ck. Mesmo o filme inteiro sendo rodado em est�dios brasileiros, consegui-se retratar com extrema fidelidade locais da Uni�o Sovi�tica, Alemanha e Brasil da d�cada de 30. No caso do campo de concentra��o, as filmagens foram realizadas em uma antiga f�brica t�xtil, no Rio de Janeiro, e a equipe teve de produzir uma neve artificial com algo em torno de dois mil sacos de sal grosso e os atores suportaram um calor de 40� com roupas de inverno.
A pel�cula come�a mostrando a jovem Olga, que abandona a casa dos pais e junta-se ao partido comunista alem�o, ela, juntamente com seus camaradas, salvam Otton Broun da pris�o alem� e s�o obrigados a fugir para a Uni�o Sovi�tica. Mais tarde, Olga � designada como guarda-costas de Lu�s Carlos Pretes (interpretado por Caco Ciocler) que retornaria ao Brasil para liderar o movimento comunista e, como parte do disfarce, eles deveriam passar-se por casados, enquanto viviam como clandestinos no Brasil e planejavam encerrar a ditadura de Get�lio Vargas.
Entretanto, com o passar do tempo, a rela��o que era apenas uma fachada desenvolve-se em uma grande paix�o de dois militantes motivados por um ideal em comum. Olga decide continuar no Brasil com Prestes e engravida em 1935, ap�s o plano deles falhar, seus companheiros s�o presos e torturados e, mais tarde, tamb�m ambos s�o presos. Olga, por ser alem� e judia, foi extraditada para a Alemanha, mesmo estando gr�vida de sete meses.
Na pris�o alem�, nasceu sua filha que Olga batizou como Anita Leoc�dia, em homenagem a m�e de Prestes. Olga pode ficar com sua filha na Alemanha apenas por quatorze meses, o per�odo que durou a amamenta��o, depois disso separada de sua filha foi enviada para o campo de concentra��o de Ravensbr�ck e, mais tarde, morta em uma c�mara de g�s em Bernburg. Sua �ltima carta para o marido � a filha pode ser lida clicando-se aqui. Anita, filha de Olga e Prestes, conquistou o direito de viver com a av� Leoc�dia, enquanto seu pai permanecia preso.
Ap�s esse resumo do enredo, voltemos a cr�ticas feitas ao filme. De maneira geral, o que se diz � que o filme possui uma linguagem televisiva e n�o cinematogr�fica. Mas qual a diferen�a, afinal? A �linguagem novelesca� seria caracterizada por suas cenas excessivamente emocionais, com muitas aproxima��es da imagem em dire��o ao rosto das personagens e m�sica constante, que conduz o espectador �s emo��es desejadas. E, de fato, podemos constatar essas caracter�sticas em Olga, mas n�o creio que isso seja argumento o bastante para desqualificar filme algum e tamb�m concordo com Monjardin, sobre n�o haver linguagem proibida no cinema, afinal quem decide o que � adequado para novela e o que � pr�prio de filmes?
Monjardin diz tamb�m �Todos os sentidos ficam de fora da an�lise ignorante, tipicamente pol�tica, que divorcia a t�cnica da percep��o sensorial. E � exatamente a� que reside o �nico interesse de um realizador: o momento do encontro do espectador com a obra�. Nesse ponto tamb�m concordo e n�o vejo crime em se produzir efeitos que geram como��o do grande p�blico. Tais cr�ticas fundamentam-se apenas em preconceitos e devemos ter em mente que a linguagem cinematogr�fica de Olga � uma, e apenas uma, das possibilidades de estilo para um filme.
Parece-me mais pertinente, por outro lado, a cr�tica feita em rela��o � exagerada romantiza��o da hist�ria, afinal uma coisa � enfatizar a perspectiva emocional das personagens outra � esquecer-se dos aspectos hist�ricos e psicol�gicos. Algo que se nota, e n�o pode deixar de causar-nos certo pesar � superficialidade das motiva��es mostradas como ideais de Olga e Prestes. As passagens sobre seus sonhos e ideais eu diria, quase se resumem, a frase de Olga, em diz lutar pelo �justo, pelo bom e pelo melhor do mundo�.
No elenco, temos que elogiar Camila Morgado que, mais uma vez, trabalhou bastante bem e tamb�m Fernanda Monte Negro, como Leoc�dia. Por fim, devo acrescentar que n�o me agradou a representa��o de Lu�s Carlos Pretes, obviamente, Caco Ciocler, que � �timo ator, n�o � o respons�vel, mas foi, ao que parece, op��o da produ��o que se concentrou em retratar o amor entre os dois e a fibra de Olga, esquecendo-se de dar, ao menos alguma, vitalidade pr�pria a esse grande personagem de nossa hist�ria.
Elenco: