Maria Antonieta


Ficha:

T�tulo Original: Marie Antoinette
G�nero: Biografia, Drama
Dura��o: 123 minutos
Lan�amento(EUA, Jap�o e Fran�a): 2006
Dire��o:Sofia Coppola
Roteiro:Sofia Coppola
Produ��o:Sofia Coppola e Ross Katz



Maria Antonieta, de Sofia Coppola, tem uma proposta bastante simples: retratar a vida da jovem �ltima rainha da Fran�a por um �ngulo nem hist�rico, nem pol�tico, mas psicol�gico de uma jovem princesa austr�aca retirada de seu pa�s e entregue � tutela de uma corte estrangeira, absolutamente diversa da sua e muito mais pomposa e coerciva.

A diretora, Sofia Coppola, �, como se sabe, filha do famos�ssimo diretor Francis Ford Coppola e ap�s seu �ltimo filme, Encontros e Desencontros, esperava-se realmente muito de sua mais recente produ��o. Afinal, porque ela foi vaiada em Cannes? Pessoalmente, nas v�rias cr�ticas que li, percebi uma maioria, por incr�vel que pare�a, de cr�ticos que ovacionam o filme.

H� quem diga que Coppola n�o foi bem interpretada em Cannes. O filme, dizem, tinha como ambi��o e proposta justamente mostrar uma vis�o interior da personagem apolitizada, que com sua futilidade agravou a crise �s beiras da Revolu��o Francesa. Tamb�m seria conscientemente que a diretora exp�s a vida de Maria Antonieta por uma perspectiva moderna e absolutamente n�o-francesa.

E, nesse ponto, eu concordo plenamente. De fato, as atitudes de Coppola endossam por completo esses argumentos, afinal ela recusou-se a utilizar a biografia do famoso Stefan Zweig, biografo, poeta, historiador, dramaturgo, ensa�sta etc... (por curiosidade, tamb�m autor de Brasil: um pa�s do futuro) e optou por uma biografia mais �humana� e menos t�cnica de Antonia Fraser.

Mas, mesmo considerando tudo isso, � preciso dizer que n�o houve equ�voco nas vaias em Cannes, o p�blico compreendeu perfeitamente as inten��es de Coppola, por�m, ainda dentro da proposta, o filme n�o foi realizado de maneira genial, mas, pelo contr�rio, as tentativas de fazer um filme n�o-pol�tico e n�o-hist�rico se mostraram inf�rteis ao tratar de um tema, por excel�ncia, hist�rico e pol�tico como a vida de Maria Antonieta e a Revolu��o Francesa. Contudo, vamos agora ao filme, em si, e mostremos suas virtudes e equ�vocos mais de perto.

O filme narra a vida de Maria Antonieta que, gra�as � manobra pol�tica de sua m�e, Maria Teresa, � prometida ao neto de Lu�s XV, o qual com a morte prematura de seus pais, tornou-se Delfim da Fran�a (herdeiro ao trono). Maria Antonieta, ainda com 14 anos, selaria a paz entre as na��es inimigas, Fran�a e �ustria. E � assim que o filme come�a com Maria Antonieta(interpretada por Kirsten Dunst) chegando � fronteira francesa.

Pelos r�gidos costumes franceses, ela teve que se despir por completo e abandonar tudo o que era austr�aco, como s�mbolo de sua nova nacionalidade. Kirsten Dunst interpreta a cena de maneira convincente, assim como faz nas demais, contudo n�o tenho certeza sobre em que medida uma jovem princesa do s�culo XVIII compartilharia da perplexidade da contempor�nea diante de tal situa��o. E da� aproveito para dizer que por muitas vezes me pareceu - e olhe que n�o gosto de fazer essa acusa��o de maneira casual � haver uma certa dose de anacronismo, e involunt�rio, por parte de Coppola.

Por�m, a trajet�ria de Maria Antonieta tamb�m inclui momentos em que � mais f�cil mensurar o tamanho de suas dificuldades como, por exemplo, o que � muito bem ilustrado no filme, a demora de Lu�s XVI para consumar seu casamento e a frustra��o da princesa, que ainda tinha que suportar a press�o da m�e em rela��o a tal situa��o, afinal um casamento poderia ser desfeito em qualquer momento antes de haver rela��es sexuais entre o casal. Por sinal, uma curiosidade que n�o consta no filme, � o fato do casal apenas ter conseguido realizar �por completo� o seu casamento ap�s sete anos!!!

Tamb�m � bastante ver�dica, podemos supor, as dificuldades de Maria Antonieta diante de uma corte muito diversa da sua, em que o Rei n�o fazia quest�o de esconder sua concubina e, pelo contr�rio, fazia-lhes honras p�blicas (a corte austr�aca era, com certeza, mais convencional). A adapta��o n�o deve ter sido menos dif�cil em rela��o aos costumes de revistarem, todas as manh�s, a cama do casal em busca de provas da consuma��o nupcial, ou pior, a obriga��o da Rainha de ter os seus partos realizados em p�blico, ali�s, esse �ltimo costume, o qual ela mesma veio a abolir, ap�s seu segundo parto.

O que me parece � que, durante todo o filme, Coppola preocupou-se demasiadamente em vitimizar sua protagonista e mesmo quando mostra Maria Antonieta em sua historicamente prov�vel rela��o extraconjugal com o conde sueco, Axel Fersen, o faz de maneira que, a j� rainha Maria Antonieta, pare�a ing�nua e passiva o que n�o �, em absoluto, verdade, ao contr�rio, sabe-se que a rainha n�o era, de forma alguma, mera expectora e possu�a forte influ�ncia na corte e sobre as decis�es de seu marido. Como diz a historiadora Caroline Weber:

�Ela usava a moda como um instrumento pol�tico, como forma de aumentar ou sustentar sua autoridade(...) Antes, as soberanas francesas tinham de projetar uma imagem d�cil, vivendo longe dos holofotes. Quem tentava se envolver em pol�tica e exibir seu poder por meio de roupa luxuosas eram a amantes dos reis (...) Isso mostra que, at� certo ponto, ela tinha uma percep��o bem sofisticada e muito moderna do poder da imagem para mudar a realidade� Ou seja, Maria Antonieta n�o era uma jovem f�til que ignorava as conseq��ncias de seus atos ou que apenas queria aproveitar a vida, ela conhecia e usava seu poder!

Ali�s, n�o � apenas a rainha que Coppola vitimiza de maneira exagerada, at� mesmo Lu�s XVI que, apesar da impress�o que se poder ter pelo que foi dito at� agora, n�o era um completo palerma. O filme faz quest�o de mostrar cenas como na morte de seu av�, quando ele diz �Que Deus nos ajude, pois somos muito jovens para governar�, contudo, � interpreta��o n�o apenas f�cil e simplista, mas profundamente equ�voca e enganadora, ainda que seja pr�tica muito comum, atribuir a um homem a responsabilidade por crises acumuladas a gera��es. Faze-lo idiota e �nico respons�vel � esquecer-se que ele n�o foi o primeiro rei, nem foi ele quem criou sozinho os costumes ou dividas no reino da Fran�a.

Lu�s XVI n�o parece ter sido especialmente astuto, afinal sua exagerada timidez, o excesso de peso e at� sua miopia contribu�am para lhe conferir um ar jocoso, n�o obstante, nunca faltou ao rei pulso forte para manter as r�deas de seu governo, inclusive, restringindo a participa��o de sua idolatrada esposa na pol�tica, tamb�m n�o lhe faltou convic��o para recusar as restri��es a seu poder que os revolucion�rios queriam lhe impor e menos ainda faltou intelig�ncia em suas escolhas para ministros, entre os quais, figuram Saint-Germain, Turgot, Malesherbes.

Coppola como fez quest�o de dizer e repetir n�o queria fazer um filme hist�rico, mas fez! Querendo ou n�o, ela aponta causas da Revolu��o Francesa e o problema � que aponta apenas as causas que lhe pare�am melhor enfeitar a hist�ria, como as despesas f�teis da Rainha e, como n�o poderia ser diferente, em qualquer filme estadunidense, d�, quase como causa exclusiva da Revolu��o o apoio a guerra de independ�ncia do EUA.

Afora isso, n�o se pode deixar de citar a trilha sonora moderna do filme, que recebeu tantas e t�o duras cr�ticas, mas, nisso, estou com Coppola e realmente enxergo sua m�sica como op��o coerente a sua proposta, assim como, o t�nis contempor�neo que aparece entre os de Maria Antonieta, a m�sica nada mais faz do que ilustrar, simbolicamente, as inten��es da diretora. Finalmente, o figurino sob a responsabilidade de Milena Canonero � irretoc�vel.

Maria Antonieta de Sofia Coppola �, enfim, um filme bastante razo�vel dentro de sua, n�o completamente cumprida, proposta e ainda que n�o seja um g�nero que me agrade, realmente aconselho para quem se interessa pelo estilo ou pela diretora. Mas que ningu�m estranhe ou deixe entender as vaias recebidas no Festival de Cannes, afinal bem poucos franceses devem ter se satisfeito ao assistir sua hist�ria contada de maneira t�o displicente por uma estrangeira, a qual at� mesmo recebeu permiss�o para gravar no Pal�cio de Versalhes!

Elenco:
Kirsten Dunst,
Jason Schwartzman,
Rip Torn,
Judy Davis.


Por: Sesshoumaru
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