O Homem que Copiava


Ficha:

T�tulo Original: O Homem que Copiava
G�nero: Com�dia, Drama, Romance
Dura��o: 123 minutos
Lan�amento (Brasil): 2003
Dire��o: Jorge Furtado
Roteiro: Jorge Furtado
Produ��o: Nora Goulart e Luciana Tomasi




O Homem que copiava, para mim, um dos melhores filmes criados no pa�s nos �ltimos tempos. Ali�s, tamb�m n�o me lembro agora de muitos filmes extra-nacionais que, ultimamente, tenham me causado melhor impress�o, mas, mais do que boa impress�o, o filme de Jorge Furtado me d� esperan�as para um novo cinema nacional. O tema � ainda o t�pico da cinematografia nacional com um rapaz pobre que deseja mudar de vida, contundo, dessa vez, fiquem tranq�ilos, n�o estamos retratando pobreza por ela mesma. A hist�ria � genial e criativa, bem amarrada e, ainda por cima, cheia de reviravoltas!

Jorge Furtado, esse diretor fabuloso, est� apenas em seu segundo longa metragem, o primeiro � Houve Uma Vez em Dois Ver�es, o qual foi rodado com verbas m�nimas e apenas com atores pouco famosos e que, mesmo assim, parece ter sido um filme bem realizado. Todavia, a mais famosa produ��o de Furtado � o curta metragem �Ilha Das Flores� e, quem assistiu, deve ter percebido a genialidade do diretor que de maneira extremamente criativa nos conduz da planta��o de tomates at� o lix�o, onde as fam�lias dos miser�veis buscam comida entre os alimentos rejeitados para os porcos. O estilo de narra��o do curta se repete em o Homem que Copiava, com o narrador enciclopedicamente explicando o que ele pr�prio diz.

O protagonista Andr� (interpretado por L�zaro Ramos) tem 20 anos e o ensino m�dio incompleto, trabalha na livraria e papelaria J. Gomide, ganha 380 reais por m�s e ainda paga as presta��es de uma televis�o. O rapaz mora com a m�e, uma senhora, n�o muito agitada, que todas as noites repete �televis�o me d� um soono�. Andr� vive uma vida repetitiva e mon�tona sem muitas expectativas de melhora e mesmo o seu maior talento, o de desenhista, n�o � o bastante para abrir portas para um ga�cho jovem e pobre do 4� distrito de Porto Alegre.

� na voz do pr�prio Andr� que conhecemos sua hist�ria e L�zaro Ramos � tamb�m perfeito para essa fun��o. Sua voz nos causa absoluta empatia pela personagem, n�s sentimos pena e, ao mesmo tempo, gargalhamos com sua tentativa de impressionar se autodenominando �operador de fotocopiadora� ao inv�s de �rapaz do xerox�. Ele tamb�m admite, azedamente, que sua fun��o n�o � nada mais do que uma repeti��o de movimentos mec�nicos e, depois de nos dar simples instru��es, ele diz: �Proto. Voc� j� sabe tudo o que � preciso saber para fazer o que eu fa�o�. Andr� tamb�m n�o � l� muito culto, tudo o que ele sabe � o que algumas leituras casuais dos textos que tirou xerox o ensinaram.

No entanto, o que � mais decisivo na vida Andr� � o seguinte: ele est� apaixonado por S�lvia (interpretada por Leandra Leal), moradora do pr�dio em frente ao seu. Ele, com muito esfor�o e economia, comprou um bin�culo que utiliza para espiona-la, o que j� faz a tempo o suficiente para conhecer seus h�bitos e todas as �reas que o espelho do guarda-roupa dela permitiu conhecer do quarto. S�lvia trabalhava durante o dia e faz cursinho a noite. Com a inten��o de descobrir onde a mo�a trabalhava, Andr� resolve segui-la.

Ao descobrir que S�lvia trabalha em uma loja de roupas, ele decide que precisa comprar um chambre para aproximar-se dela. O problema � que esse chambre custa R$ 38,00 e isso � dinheiro demais para um �operador de fotocopiadora�. Sem alternativas, Andr� pensa primeiramente em conseguir dinheiro com sua colega de trabalho, Marin�s (interpretada por Luana Piovani), mas, segundo ele mesmo, ela n�o tem condi��es financeiras melhores do que ele. Mas, por sorte, seu patr�o adquire uma nova m�quina que faz c�pias coloridas e deixa R$ 50,00 com o rapaz, para que pagasse uma conta; � a� que Andr� tem uma id�ia interessante e perigosa: precisa falsificar uma nota de cinq�enta!

Ap�s uma noite inteira de tentativas, ele consegue uma c�pia quase perfeita. Seu novo problema � arranjar uma maneira de trocar a nota, sem que percebem, e da� poder� comprar o bendito chambre. E mesmo nesse momento, o p�blico n�o deixa de dar ades�o ao her�i, que, de certa maneira, n�o deixa de ser uma boa pessoa e at� mesmo faz quest�o de n�o dar o golpe em uma v�tima em m�s condi��es financeiras.

Naturalmente, em busca de cada vez mais dinheiro, os golpes e crimes de Andr� v�o crescendo de um assalto at� um assassinato. O c�mplice de Andr� � Cardoso (interpretado por Pedro Cardoso), um sujeito malandro, dono de uma loja de velharias e que tenta n�o parecer pobre. Cardoso tamb�m deseja se aproximar de Marin�s, mas sem ter dinheiro isso parece praticamente imposs�vel.

Todos os ingredientes do magn�fico roteiro de Furtado unem-se a brilhantes interpreta��es. Sobre L�zaro Ramos e Pedro Cardoso sou um pouco suspeito para falar, afinal, para mim os dois s�o sempre geniais. Mas tamb�m, a interpreta��o de Leandra Leal � irretoc�vel, ela, assim como L�zaro, � perfeita para o papel. Luana Piovani tamb�m est� bem no filme e recebeu elogios de Furtado, como sendo quem melhor adaptou-se a maneira ga�cha de falar.

Furtado tem outra caracter�stica que muito me agrada � a de n�o seguir a linha comum dos filmes brasileiros, ou seja, aquela maneira escatol�gica e apelativa de retratar as hist�rias. A pel�cula retrata a pobreza, a ambi��o, o amor e tudo mais sem cair no desagrad�vel lugar comum dos filmes nacionais. Ao mesmo tempo, devemos ressaltar a impossibilidade de enquadrar O Homem que Copiava em algum g�nero, porque h� realmente um pouco de tudo, com�dia, a��o, drama etc...

H�, por outro lado, quem considere o filme como uma apologia ao crime e aus�ncia de valores. Esse ponto � mais pol�mico e n�o sei se sou uma v�tima do crescente niilismo da sociedade contempor�nea, mas n�o vejo mal algum em hist�rias que apontam a ambival�ncia natural dos seres humanos, seu lado negativo convivendo com seu lado positivo e, afinal, tudo o que Andr� faz n�o � meramente por dinheiro, na verdade, ele busca um valor maior, o amor de S�lvia. Creio que n�o devemos restringir os filmes a determinados c�nones, como o bem contra o mal, ao contr�rio, acho que o cinema moderno tem a vantagem de abrigar as mais diversas maneiras de fazer filme. Em todo caso, essa discuss�o sobre moral contempor�nea merece reflex�o em outro lugar, que n�o nessa resenha.

Elenco:
L�zaro Ramos,
Leandra Leal,
Luana Piovani,
Pedro Cardoso.


Por: Sesshoumaru

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