Harry Potter e a Câmara Secreta, dirigido por Chris Columbos, é o segundo filme dos sete da série Harry Potter. Nesse episódio das aventuras do jovem bruxo, o garoto vive logo de início uma situação dramática na casa de seus tios trouxas(não-bruxos). Ele fica preso em seu quarto sem direito a mais do que uma refeição por dia e ainda tem que dividir seus alimentos com a coruja Edwiges.
O pior no claustro de Harry é a solidão com a qual já não mais estava habituado, afinal na escola contou sempre, no último ano, com a amizade de seus amigos Hermione e Rony. Sem contanto algum com seus amigos, e ainda passando o aniversário na mais absoluta solidão sem receber nem ao menos “parabéns”, Harry mal pode esperar pelo reinicio das aulas na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.
A pior parte das férias para Harry ocorre em um dia em que seu tio recebe uma visita de negócios e exige que Harry fique no seu quarto sem fazer barulho. Contudo, para sua surpresa, recebe a visita de em elfo doméstico que lhe avisa para jamais voltar a Horgwarts, pois um perigo mortal o aguardaria caso decidisse cursar seu segundo ano escolar. O jovem desesperado apenas com a possibilidade de passar o resto do ano com seus tios e não voltar a ver seus amigos avisa ao elfo que não seguirá seus conselhos. O Elfo, chamado Dobby, resolve vingar-se e derruba um bolo sobre a cabeça de uma das visitantes do tio de Harry.
Após esse momento, Harry se depara com uma situação insuportável com seus tios não lhe alimentando e ainda o proibindo de voltar para Hogwarts. No entanto, para sua surpresa seu amigo Rony vem salva-lo em um carro voador. As cenas iniciais desse filme, retratam da maneira mais fiel possível os acontecimentos do livro com a toda sua complexidade, com cenas dramáticas, de ação e até mesmo de humor e tudo na medida exata.
Depois da espetacular fuga da casa de seus tios, Harry chega pela primeira vez na Toca, casa da família Wesley. O cenário da casa é realmente uma adaptação impecável do livro, todos os objetos curiosos e mágicos estão presentes, encontra-se uma perfeita mistura de pobreza e magia. No entanto, o que, como leitor do livro, mais me encanta nessa parte do filme é a forma como são mostradas as relações das personagens, é um dos poucos momentos, nos filmes, em que a relação de amizade entre os Wesleys e Harry é tão bem mostrada, também o espírito familiar entre os próprios Wesleys e o sentimento de Gina por Harry fica bem enfatizado.
Nessas cenas, Columbus consegue nos inserir com bastante habilidade no mundo de J.k Rowling, a magia nos é apresentada nas explicações sobre o pó de Flu, na indesejada e perigosa visita de Harry a Travessa do Tranco e também no Beco Diagonal. Obviamente, já aí, muitas cenas interessantes são suprimidas ou adaptadas de maneira não muito agradável aos olhos de quem leu o livro, mas, com certeza, nada que mude significativamente o sentido da história e nem tão pouco que possa fazer grande diferença na compreensão de quem não leu.
Não sem muita aventura e dificuldades Harry consegue voltar para seu segundo ano letivo em Hogwarts. Dessa vez, as coisas ficaram mais complicadas que nunca com Severo Snape constantemente perseguindo Harry e um novo professor de Defesa Contra A Arte das Trevas, Gilderoy Lockhart, um bruxo famosíssimo, mas absolutamente soberbo e narcisista.
Entretanto nada disso se compara ao drama que a escola vive, pois há algo anormal e perigoso em Hogwarts, alguma coisa ou alguém está atacando os alunos e os transformando em pedras. Após um duelo em que Harry mostra conhecer a linguagem das cobras ele passa a ser considerado o principal suspeito de controlar o basilisco, serpente que pode matar as pessoas com apenas um olhar. Em meio a tudo isso, Harry ainda tem que enfrentar a rotina normal de um aluno de Hogwats com aulas, provas e difíceis jogos de quadribol ao longo de todo o ano.
Aqui é válida uma pequena interrupção para elogiar a atuação de alguns atores que deram graça especial ao filme. Como o espetacular Alan Rickman, mais uma vez captando com perfeição o espírito do tenebroso e misterioso professor Snape, e, não poderia deixar de mencionar, o ator da vez, Kenneth Branagh (interpretando Gilderoy Lockhart), ele foi capaz de encarnar, por completo, o engraçado professor picareta e mal intencionado. Quanto ao trio protagonista, Daniel Radcliffe(Harry) Rupert Grint (Rony), Emma Watson (Hermione), me parecem ter mantido a mesma média da película anterior, embora eu veja mais talento em Emma Watson.
Os momentos finais do filme correspondem ao encontro de Harry com seu arquiinimigo lorde Voldemort e sua criatura, o basilisco. A luta final, ainda que emocionante, é o ponto menos bem elaborado do filme. A batalha extremamente parada e com interrupções, como quando a fênix de Dumbledore aparece ou quando Harry foge da serpente deixa muito a desejar em relação ao restante do filme e, nem é preciso dizer, é incomensuravelmente inferior ao livro.
Sobre o filme é necessário ressaltar, sobretudo, que Chris Columbus melhorou sim, e muito, em comparação com o primeiro filme e, com certeza, a história ganhou em ritmo, ação e comicidade. Mas, por outro lado, não melhorou em nada a infantilização da série que felizmente viria a ser encerrada no terceiro filme, de Alfonso Cuáron. Harry Potter e a Câmara Secreta é um filme imperdível para qualquer pessoas que goste de aventura e magia, mas pode ser um tanto frustrante para os que apreciam os livros de Katherine Joanne Rowling.
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