No mapa ao lado vemos a distribuição dos votos para presidente no 1° turno. Há pelo menos duas versões que explicariam essa distribuição do eleitorado entre PT e PSDB. A primeira delas me parece um tanto preconceituosa e é espalhada com especial ênfase por certos grupos de tucanos e da imprensa. Seria uma divisão dos eleitores segundo sua renda e escolaridade, sendo assim, os pobres teriam preferência pelo presidente Lula e a classe média e alta por Geraldo Alckimin.
A 2° teoria é bastante mais consistente e separa os dois “Brasis” segundo o desempenho do governo. No centro-sul, apesar da redução do desemprego e da histórica redução da pobreza, a economia cresce a passos de ‘tartaruga’, enquanto no norte e nordeste se cresce num ritmo chinês, é claro, além de programas como o Bolsa Família e o forte apoio à agricultura familiar. No caso do Amazonas onde o presidente obteve sua maior votação proporcional há também um efetivo e bem sucedido combate ao desmatamento que caiu mais de 30%.
No entanto, existem exceções significativas nessa divisão como o caso do Rio e Espírito Santo onde o incentivo a indústria naval gerou uma importante vitória para Lula. E talvez a mais expressiva surpresa das urnas tenha sido em Minas onde o PSDB conquistou o governo com uma consagradora vitória de Aécio Neves, mas onde Alckimim ficou mais de 1 milhão de votos atrás do presidente Lula. O que não é atribuído apenas ao sucesso do governo federal, mas também a famosa aliança “Lula – Aécio” que tanto incomoda ambos os partidos. A favor do tucano há o caso do Acre e Roraima, onde podemos supor que não suou bem a crise da Bolívia e as críticas de Evo Morales.
Nessa tão delicada disputa em que cada eleitor é acirradamente disputado cada um dos dois candidatos enfrenta seus próprios inimigos que curiosamente nem sempre estão na trincheira oposta, afinal se há um responsável pela não reeleição do presidente no 1° turno é o PT com seus incansáveis escândalos e trapalhadas. Alckimin por sua vez é visto com maus olhos pela cúpula de seu partido que ainda faz ‘corpo mole’ ressentido por não ter emplacado seu preferido, José Serra, na disputa presidencial. Isso para não mencionar a vergonha do companheiro e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Seria cômico se não fosse trágico ver o PSDB e PFL levantarem a bandeira da ética. Mesmo que esqueçamos o governo FHC recordista de corrupção na história desse país ainda me parece um tanto suspeito alguém posar ao lado de ACM e Anthony Garotinho e continuar querendo vender a imagem de honestidade. Chegamos a um ponto em que os ‘marqueteros’ criam candidatos e não há a mínima ponderação em relação à personalidade do indivíduo ou sua história de vida. Exemplo disso é quando vimos o Alckimim agressivo no debate da TV Bandeirantes. Ele simplesmente deixou de ser o habitual ‘Chuchu’ e virou um pugilista querendo vencer por nocaute.
Heloísa Helena e Cristóvão Buarque os únicos entres os ‘bem votados’ que apresentaram propostas foram disputados até o limite pelos vencedores do 1° turno, mas felizmente foram coerentes o bastante para não ceder, embora o PDT de Cristóvão tenha ponderado um apoio a candidatura do Psdebista. E é isso o que mais me impressiona. Afinal, por mais que ele tenha se desentendido com o PT apoiar Geraldo Alckimim seria renegar toda sua história e a do seu partido. O que pensaria Leonel Brizola se ainda estivesse entre nós? Acho que isso pouco importa para os politiqueiros de Brasília.
Voltando aos que continuam na briga. Esses que afinal são mais populares, ou melhor, populistas. A eleição Lula versus Alckimim daria inveja até nos anos 60. Não quero ser tendencioso, por isso digo: Sim, Lula tem algumas (quer dizer muitas) características populistas, mas ainda assim na Bandeirantes o tucano deu inveja ao finado Jânio Quadros. Aquela de vender o avião presidencial para construir cinco hospitais foi a pior da minha vida. E pior justificar isso dizendo: “O papa não tem avião”. Só rindo mesmo. A diferença caso ele não saiba é que o papa comanda o menor país do mundo e o Lula o quinto maior.
Depois de relembrar essas ‘pequenas’ peripécias de nossos presidenciáveis até perco o fôlego de continuar. O que nos consola é que os que rodaram no 1° turno só eram mais uns ‘salvadores da pátria’. Então continuemos a escolher o que é menos pior. Domingo, dia 29 de outubro saberemos o que o povo quis.