A filosofia cartesiana diz que é preciso entender as partes, separar, dividir, para entender o todo. Apesar de muitos séculos terem se passado, é essa filosofia predominante hoje em dia tanto na ciência, como na nossa cultura. Vemos os problemas da violência, da falta de emprego, falta de ética e do desrespeito ao meio ambiente como problemas que não têm nenhuma relação um com o outro, e tentamos resolve-los separadamente ( sem muito sucesso). Ainda não conseguimos ver que eles são fruto de um único problema: a ideologia com a qual vivemos.
Nossa sociedade atual se fundamenta em diversas dialéticas e pragmatismos como a dualidade corpo vs. espírito, e assim há uma conseqüente rejeição de tudo que mundano, tido como inferior : cheio de maldades, luxúrias. Deus , assim como tudo que é perfeito, estaria numa esfera superior. Esse pensamento é nitidamente de origem platônica e provavelmente influenciou a igreja católica.
Assim, a natureza que era sagrada e era vista como parte de um grande todo por certas culturas antigas, passou a ser menosprezada e vista como algo que foi feito por Deus para nos servir. O consumismo e o capitalismo estão muito bem fundamentados nessa ideologia, como conseqüência há a exploração natureza em função do utilitarismo, lucro, imediatismo e desenvolvimento.
Um típico exemplo: um dono de um terreno que decide desmatar todo o cerrado para plantar grama. Ele certamente pensou : cerrado não SERVE pra nada e é “feio”, desmatando TEREI mais terra e uma visão mais agradável .
Além da dicotomia homem vs. natureza, outra bastante presente é a feminino vs. masculino, teoricamente com origem quando antigas sociedades com valores femininos - fraternidade, sensibilidade, delicadeza - foram dominadas por sociedades de espadas, guerreiras, que valorizavam o masculino.
Não é preciso muito para perceber que vivemos numa cultura de espada : machismo, guerras, sub-valorização da emoção, e desrespeito pelo o que antigas sociedades consideravam fruto do útero da grande mãe Gaia : o planeta, toda a vida em geral. No entanto, há movimentos que vão de encontro a essas ideologias como os movimentos pacifistas, feministas, ambientalistas e ecumênicos; o crescimento do voluntariado, que também pode ser considerado uma resistência, e o Fórum Social Mundial, entre outros.
Nota-se que a sociedade caminha “aos trancos e barrancos” para uma mudança de valores, para qual a educação e a visão crítica são de fundamental importância. Talvez, para que essa mudança de fato ocorra, seja preciso chegar à um ponto crítico, para o qual a única solução seria uma mudança radical de valores pela impossibilidade de continuar com os antigos, que são auto- destrutivos. Se pessoas com a mentalidade de Bush continuarem no governo, é difícil acreditar numa mudança espontânea.
Por: Tayuya