Uma biografia nada emocional: um perfil do nosso querido Worm no que diz respeito t�o-somente a sua "carreira"
Rafael de Ara�jo Aguiar, nascido em 25/04/1988, nativo e residente em Bras�lia/DF, j� com 7 ou 8 anos, cansado de se remoer num decadente condom�nio de classe m�dia, decide-se pela carreira ing�nua de cientista. Por�m seus pais j� lhe descobriam outros talentos. Dois ou tr�s anos mais e ele j� estaria convicto: queria viver no mundo das palavras. Ser um leitor, escritor, rep�rter, jornalista. O Mediaman. N�o se sabe ao certo o porqu� desta troca � provavelmente ter� sido pelos v�rios ramos que um cientista � obrigado a seguir: ele n�o pode saber de tudo. N�o que o presente biografado tenha passado a odiar o m�todo cient�fico. Do contr�rio, tamb�m n�o teria escolhido o curso de Comunica��o.
Pois bem: sua m�e e seu pai j� sabiam de seu talento nato. Ou melhor: inato. Ningu�m nasce sabendo. Mas do modo como foi criado ele n�o podia reclamar da falta de oportunidades de leitura. � primeira s�rie do ensino fundamental j� era capaz de emocionar multid�es com seus poemetos.
S� que ser muito subjetivo, rom�ntico ou vendedor de ilus�es nunca foi o intuito de Rafael/Worm. Ele sempre quis desnudar a verdade, se � que ela existe ou deixa de ser relativa em algum momento. Sua maior motiva��o era (e �) decifrar esse maravilhoso mundo em que estamos. Ele leu muita fic��o, mas o g�nero n�o-fic��o � o �nico pelo qual envereda no momento atual. Talvez porque j� tenha conhecido a excel�ncia inigual�vel de um Senhor dos An�is. N�o se sabe. Mas, diz ele, prefere deixar as inventividades para quando vai jogar ou bolar Role Playing Games.
Desde 2001 se considera ateu, embora tenha come�ado com um sistema rudimentar de cren�as que ainda envolvessem uma ou mais divindades, vindo a se tornar isento de "poderes supremos" talvez n�o mais que 2 anos depois.
Esses dois fatos peculiares (sim, pois na sociedade constru�da na Terra crer em algo que tem tudo para inexistir de fato ou viajar o tempo todo em mundos pat�ticos parece ser o absolutamente comum) se inter-relacionam profundamente, na medida em que R. A. A. dilapidou muito seu m�todo de escrita nesta mesma �poca � e n�o parece uma simples coincid�ncia. Afirma o mesmo que na oitava s�rie j� teria um n�vel suficiente para corresponder �s expectativas de qualquer contratante da grande m�dia. N�o � para menos: que pa�s mais cheio de analfabetos funcionais!
De l� para c� (quando est� em princ�pios de seu curso de Jornalismo no UniCEUB) evoluiu ainda mais, mas o grande salto parece ter sido dado nessa �poca de decis�es interiores t�o profundas. Nunca teve Rafael Aguiar um projeto abortado antes que desse certo.
Foi tamb�m nesta �poca que ele foi agraciado com uma conex�o perene (vulgo ADSL) de Internet, o que possibilitou demonstrar seus talentos para milhares de pessoas. Ah, a grande rede! Uma semana depois de debutar com os invej�veis 256k, o "portal" NewGen j� estava pronto. Trata-se de um "tudo" (simplesmente porque n�o tem limites, a priori) de games, um de seus t�picos favoritos, se n�o o mais. J� fazem mais de 4 anos e seu projeto s� se engrandeceu. Engloba muito mais se��es que o anteriormente previsto, ruma para os 2000 artigos e n�o se limita mais ao mundo dos jogos eletr�nicos. E, em realidade, ele nega ter visto na vida algu�m com uma produ��o individual t�o prol�fica. S� mesmo os websites profissionais para concorrerem com ele! E mesmo assim...
Mudando um pouco de perspectiva, sua educa��o no lar foi fundamental, por�m nada adiantaria se em meio escolar isso (essa "�tica" toda, visando o aprender) fosse anulada. Estudou os anos prim�rios (quando algu�m se alfabetiza) na Escola Pedacinho do C�u, renomada institui��o detentora do selo de qualidade ISO 9000. Em seguida, foi matriculado para 4 anos na Escola Classe 106 Norte. � sabido que o ensino p�blico no Brasil, ainda que aqu�m do med�ocre, apresenta uma boa estrutura para as primeiras s�ries obrigat�rias.
� dif�cil diagnosticar se se destacava j� nos Jardins de Inf�ncia, mas ele se lembra de duas coisas desta �poca: Mario Bros. e seu gosto pela leitura. Adorava ficar imaginando quando ia finalmente chegar em casa e como ia ligar o console, se sentar e jogar seu jogo preferido (enquanto estava em aula, olhando para o rel�gio, se � que possu�a um). Inclusive quando tinha que pintar um desenho com giz-de-cera, freq�entemente escolhia o encanador e o vil�o Bowser como temas. E, para a "formatura" de conclus�o, foi-lhe solicitado (e a todos da turma, numa iniciativa at� hoje inacredit�vel) que optasse por uma dentre 3 carreiras para ser ele pr�prio o protagonista de um livrinho sa�do da gr�fica, com capa dura e tudo, enfrentando os desafios da tal profiss�o. Entre astronauta, pedreiro e sabe-se l� o qu�, ele n�o pestanejou: sempre quis saber como eram as estrelas. S� estranhou o fato das ambi��es dos colegas serem menores...
Gasta-se tempo falando desse livreto porque, assim que ele foi entregue no prazo estabelecido, o encantamento foi instant�neo. Para nunca mais se desmanchar, acredite. Rafael era acompanhado de seus melhores amigos Mateus e Lucas. Em primeiro lugar, ele n�o acreditava que era o Sol � o centro! � de um LIVRO. Livros s�o coisa de gente grande. Quantos n�o trabalharam s� para fazer aquele material, com o nome dele ali? As imagens n�o tinham o rosto dele, mas a� era pedir demais. Al�m disso, na sua empreitada para explodir um cometa vindo em alta velocidade para nosso planetinha, bem-sucedido ele foi. Vivas!
O curioso � que nosso personagem desta biografia sempre gostou de ler em voz alta. E numa das infind�veis vezes que fez isso com seu livrinho m�gico ele se deparou com um dilema: a �nica palavra que n�o sabia pronunciar de primeira era LIQUIDIFICADOR. Na verdade pode ser s� impress�o dele, mas o livro trazia "liq�i", ou seja, o termo era tremado. Isso realmente complicava para o pequeno falante. E o sugou para o mundo da fon�tica: "se eu ler mais, poderei ser perfeito na leitura e na transmiss�o de mensagens a meus interlocutores" � gente, claro que ele n�o foi refinado assim (�quela �poca).
Outras leituras inveteradas suas come�aram na segunda s�rie com A Turma da M�nica de Maur�cio de Souza. Rapidamente chegaria aos gibis de tramas mais complexas como X-Men, e resolveria pular deles para aquelas mensais (ou quinzenais, ou semanais, como era a Gamers!) de videogames. No in�cio os termos tecnol�gicos eram at� complicados para entender. Mas se ficasse no mundo do "tudo f�cil" pra sempre... tsc.
Essa mudan�a deve ter ocorrido pela quarta s�rie. Foi gradual. Mas aos 11 anos dificilmente pegava um desses gibizinhos. Na realidade teve uma reca�da na sexta s�rie, onde ali�s estudou com os capitaneadores desse grande projeto chamado Portal Sagas. Eles devem lembrar quando uma professora tomou suas revistinhas. Sim, um col�gio muito conservador, do qual falaremos agora.
Depois de estudar duro e nele entrar por concurso (necess�rio para estudantes filhos de "pessoas civis"), o Col�gio Militar de Bras�lia parecia demandar um amadurecimento ainda maior de nosso persnagenzinho. Pois bem: no fim desta mesma sexta s�rie ele come�ou a ler a VEJA. Ou seja: primeiros contatos com a Pol�tica. E quanto mais era oprimido pelos sargentos l� dentro, mais se identificava com a rela��o de poder, de um Estado para com seus cidad�os. Assim como para os termos do mundo dos games quando tinha 10 anos, os termos pol�ticos para um pirralho de 12 ou 13 eram dific�limos. Ele lembra das f�rias em que se aventurou pelo tipo de leitura mais complicado de que se lembra, por�m n�o desanimou. At� porque viajava de carro para o Nordeste e n�o gostava de perder tempo olhando a janela: lia a retrospectiva daquele ano, e tantas outras edi��es acumuladas da revista. Come�ou com esse seman�rio, o qual l� religiosamente at� hoje, mas sabendo diferenciar (quase sempre) a informa��o valiosa e fiel da manipuladora e distorcida.
Partidos? Caixa dois? Comunismo? Juros? Gabinete? Parlamentares? Familiarizar-se com todas essas coisas foi dolorido, no entanto recompensador. Em um ano j� tinha uma maturidade, se n�o no seu pr�prio meio (talvez se considerasse t�mido demais), muito alta mesmo para o mundo dos adultos, no que se refere ao processe de escolhas importantes numa vida. Pois a Internet veio para fazer dessa rea��o antes retida num determinado espa�o em algo catacl�smico, uma verdadeira rea��o em cadeia!
� dif�cil descobrir um assunto jamais abordado por Rafael A. em suas ferramentas na web ou algo de que ele n�o leu consideravelmente a respeito. N�o � esnobeza dele. Deixou de jogar muito futebol. Deixou de sentir muitos prazeres por muito tempo para estar na dianteira. Na dianteira na corrida da vida. Na corrida que o "todo" nos imp�e. Por todo entende-se o atual sistema que nos rege tanto pol�tica, quanto cultural ou tamb�m economicamente. De todos os conhecimentos adquiridos, ele cr� que este seja o mais importante.
Talvez falar dos games seja um modo de se desapegar de todas essas mazelas sem necessariamente ir para a fic��o, pois os games � apesar de simularem situa��es abstratas � s�o inven��es dentro do mundo real, portanto poss�veis, portanto pass�veis de um estudo do nosso "adorador da realidade". Afinal, o que seria de nossos dedos calejados por tantas horas apertando bot�es se uns carinhas "malas" n�o soubessem muita Matem�tica para programar tudo aquilo que vemos na tela?
O atrito com as "autoridades" do Col�gio Militar incomodava muito nosso aluninho rebelde. E contra uma hierarquia s�lida (mas burra) formada h� tanto tempo ele n�o tinha chance de sobressair-se. O resultado foi sua iminente expuls�o da enorme institui��o. Rumou para um antro de patricinhas e descerebrados (talvez aqueles mesmos de sua sala do Pedacinho do C�u que n�o quiseram que a cabe�a doesse pensando nos problemas que sempre s�o dif�ceis quando enfrentados pela primeira vez) e se sentiu muito mal meses demais. Por�m, enquanto seu desempenho nos estudos n�o conseguia ser t�o satisfat�rio gra�as a um justificado �dio do pr�prio col�gio que dava as mat�rias, nas suas atividades (intelectuais, diga-se!) paralelas, duplicava a produtividade. Houve um fosso, um tempo no CMB, em que se encontrara desmotivado para manter o NewGen e continuar com seu primeiro grande RPG, Os Blinks.
A insatisfa��o por encontrar idiotas no turno da manh� o motivava a gostar das horas da tarde e da noite em que se debru�ava sobre sua escrivaninha, seja operando seu teclado preto, seja escrevendo em sua lapiseira igualmente negra. E como os fazia bem!
Depois de muito insistir conseguiu ir para o Gisno. Agora sim: institui��o p�blica de ensino m�dio no Brasil � um desastre. Mas ele sabia cuidar do vestibular por si s�. O bom era o maior tempo livre proporcionado pela nova escola. At� que reduziu a marcha, mas jamais afirmar�amos que abandonou seus ideais da �poca racional/pessimista do Sigma. Foi neste tempo que desenhou em sua mente projetos grandiosos para tudo quanto � lado. Maioria deles s� ser�o realizados quando for um homem financeiramente sustentado. Digo: auto-sustentado. Independente. Espera-se que n�o esteja longe.
Estudou muito para a universidade federal, n�o conseguindo �xito porque o �rg�o elaborador das provas exige muito mais das Ci�ncias Exatas. Logo de quem? Um jornalista. Mesmo que enraivecido pela cegueira estatal, sempre vai se sentir culpado ("e se eu estudasse mais?"). Est� no CEUB, o melhor centro jornal�stico do Centro-Oeste. Poderia listar nomes que de l� sa�ram para o sucesso televisivo, mas seria desnecess�rio. Ele nem quer isso! Tem muito mais gente brilhando com de um