UM SINAL NA HIST�RIA
Vicente Pallotti era filho de Pedro Paulo Pallotti e Maria Madalena de Rossi. Casaram-se em 1790. Dentre 10 filhos, Vicente foi o terceiro e veio ao mundo na noite de 21 de abril de 1795. Foi batizado no dia seguinte, na Bas�lica de S�o Louren�o, recebendo o nome de Vicente Luiz Francisco. O dia do seu batismo era sempre comemorado com uma grande a��o de gra�as, por ter recebido esse sacramento.
Pallotti, desde pequeno, tinha um grande afeto e compaix�o pelos pobres. V�rias vezes voltava para casa sem palet�s, sem sapatos, sem camisa e certa vez doou seu colch�o e as roupas de cama.
Pallotti nasceu em Roma, a cidade dos papas e centro do cristianismo. Vivenciou as conseq��ncias da Revolu��o Francesa: persegui��es, a pris�o de dois papas que foram levados ao ex�lio e a ocupa��o da cidade de Roma pelos ex�rcitos franceses. Esses fatos, entretanto, influenciaram sua postura e modo de ser.
Pallotti demonstrou sua voca��o para a santidade ainda pequeno. Seu passeio preferido era levar os irm�os � Igreja. Constru�a altarzinhos enfeitados com flores e imagens. Sua fam�lia era profundamente crist� e reunia-se sempre para a ora��o. Ainda na inf�ncia, recebeu muitos sacramentos.
Pallotti come�ou a freq�entar a escola de seu bairro, com seis anos, destacando-se pela sua aplica��o e comportamento. No in�cio apresentou dificuldades para acompanhar o estudo, mas com muito esfor�o e ora��es de sua m�e ao Esp�rito Santo, tornou-se um dos melhores da turma. Recebia medalhas e honras devidas �s suas grandes capacidades. Em seguida as distribu�a aos pobres e as oferecia a Nossa senhora, por quem tinha grande devo��o.
UMA LUZ EM SUA VIDA

Pallotti, no ano de 1807, com 12 anos, p�s-se sob a dire��o do Padre Bernardino Fazzini.
Esse fato foi fundamental na sua vida. Muitas decis�es dele foram tomadas a partir de seus conselhos.
A cidade de Roma apresentava uma profunda devo��o Mariana, visto que, de 353 igrejas, 80 eram dedicadas a Maria. A famosa Escola S�o Pantale�o, dirigida pelos Padres Escol�pios, onde estudou at� os 13 anos, oferecia v�rios momentos dedicados a Maria.
Pallotti, sua m�e e o Padre Fazzini
COM OS P�S NO CH�O
Nenhum santo nasce pronto. A santidade se cultiva no decorrer da exist�ncia, com corpo e alma voltados para Deus e os p�s no ch�o da realidade, enfrentando os desafios que a pr�pria sensibilidade crist� faz perceber.
Pallotti, j� desde tenra idade, percebia a realidade gritante dos que com ele conviviam. Seu cora��o aberto para a luz de Deus deixou que essa mesma luz clareasse todo o contexto de vida existente. Ele foi cultivando essa sensibilidade desde pequeno, na fam�lia, na escola, nos grupos, na vida.
Na fam�lia foi assumindo o necess�rio cultivo para que o projeto de Deus se tornasse realidade no mundo. Era preciso fidelidade a esse projeto de amor, coragem para enfrentar os desafios, compromisso e seriedade nos trabalhos, estudo e miss�o.
Imbu�do do amor de Deus, concretiza-o nas pequenas coisas do dia-a-dia. Tem a coragem e a criatividade de encontrar alternativas para se achegar de mansinho, sem se impor, mas de fazer todos perceberem a necessidade de abrirem o cora��o �quele que � o Senhor da vida e da hist�ria.
Ajuda os colegas em seus estudos. Distribui-lhes honras merecidas pelo esfor�o e dedica��o. Achega-se com ternura e carinho a todos aqueles que sentia viverem sem luz e a gra�a de Deus. Reparte seu lanche com aqueles que percebia terem mais fome do que ele. Era desapegado de suas coisas. Freq�entemente, dava suas roupas, seus sapatos, sua cama... Procurava estar sempre presente, em todos os lugares e momentos, para espalhar o amor e a luz que trazia em seu cora��o.
Desde novo, n�o havia obst�culos para ele, e sim desafios que o impulsionavam a prosseguir e a dar forma e vida externa �quilo que j� era vida em seu interior. Certamente que n�o fora f�cil, em todos os momentos, mas sempre acreditava que a for�a de Deus, em seu ser e agir, era maior, infinita e que, por isso, conseguia dar passos e mais passos sem desanimar.
Palpitava em seu peito um cora��o abrasado de uma chama t�o forte, que seria imposs�vel ficar parado diante da realidade iluminada que se fazia perceber. Inquieta��o! Sim, ningu�m consegue ficar indiferente, quando vive em seu interior a alegria de estar na luz e de sentir esse amor t�o grande de Deus por si e perceber que muitas pessoas vivem na escurid�o, na amargura e na insatisfa��o de uma vida, sem saber que a miss�o de cada um � importante nesta terra e que, se cada um n�o fizer a sua parte, algo ficar� sem ser feito. E como muitas pessoas n�o faziam o que lhes cabia, havia muitas lacunas que deveriam ser supridas.
Adolescente, coloca em a��o toda a sua energia para fazer o bem. S�rio, em seu agir, porque era s�ria e angustiante a realidade; alegre em seu fazer, porque grande era a alegria em cumprir a miss�o. Buscava sempre formar grupos que viessem sanar as dificuldades encontradas.
Com o passar do tempo, sente o chamado de dedicar-se totalmente ao servi�o do Senhor, mais concretamente como sacerdote. Assim, seus esfor�os e estudos s�o todos direcionados para responder, com o m�ximo de dedica��o e empenho, a essa causa, n�o deixando de lado o viver como adolescente e jovem que era, mas sempre cumprindo a miss�o que sua sensibilidade o fazia perceber.
UM SACERDOTE INQUIETO
Num
processo cont�nuo de entrega a Deus, Pallotti sentia-se cada vez mais tocado por
uma inquieta m�stica, isto �, percebia o infinito amor de Deus com ele, e
desejava tudo fazer para responder a essa gra�a. Neste sentido, revelou essa
experi�ncia, doando generosamente sua vida �queles que o pr�prio Deus lhe
confiava.
Antes mesmo de ser ordenado, j� desenvolvia trabalhos apost�licos; por�m, ao receber o sacerd�cio, em 16 de maio de 1818, sentiu-se impulsionado a fortalecer ainda mais sua miss�o.
Foi ordenado padre segundo o t�tulo de sua fam�lia, isto �, n�o precisava morar em uma par�quia, podia desenvolver seu trabalho pastoral, morando na casa dos pais. Mesmo assim, em 1832, aceitou trabalhar na Igreja do Esp�rito Santo, em Roma, onde a viv�ncia crist� estava muito enfraquecida. Muitos tentavam impedir o seu apostolado, escondendo o material lit�rgico, as chaves..., mas Pallotti n�o se deixou intimidar. Com muita serenidade e sem ofender ningu�m melhorou as celebra��es, adquiriu novo material lit�rgico e celebrou dignamente os sacramentos.
Pallotti tinha sempre como cento de sua vida e sentido para o seu apostolado o projeto de Deus que o impulsionava a reavivar a f� e a reacender a caridade.
J� como professor se encontrava em meio aos jovens, que se sentiam profundamente amados por ele. Nem por isso deixava de adverti-los, quando necess�rio, pois acreditava que um jovem bem instru�do seguiria esse caminho por toda a vida.
N�o podendo ser um mission�rio fora da cidade de Roma, devido � sua sa�de fr�gil, sempre colaborou com todos os meios poss�veis, tanto materiais quanto espirituais, para o desenvolvimento do trabalho mission�rio. Ficava muito feliz quando recebia not�cias de pag�os que se haviam convertido: Uma santa inveja transparecia-lhe do rosto, ao saber do mart�rio de algum mission�rio.
Com o desejo de reavivar a f� dos crist�os, Pallotti se empenhou muito na prega��o de retiros e, por acreditar que o resultado dependia da gra�a de Deus, tornou-se um constante intercessor.
Participou das associa��es religiosas que tinham como finalidade primeira fortalecer a caminhada crist� de seus membros como, por exemplo, a devo��o ao Precios�ssimo Sangue de Jesus Cristo.
Como confessor, Pallotti era procurado por todos.
Desejava manifestar a miseric�rdia do pr�prio Senhor. Fazia a seguinte ora��o,
antes de confessar algu�m: � Senhor, tirai-me a mim e ponde-vos no meu lugar.
Quando assumiu a dire��o espiritual do semin�rio de Roma, f�-lo com muito empenho, incentivando os seminaristas a assumirem com intensidade sua vida espiritual, visando o trabalho generoso e incans�vel pelo Reino de Deus.
Como capel�o no hospital militar, Pallotti conquistou a confian�a dos soldados e comandantes, aos quais procurava dar orienta��o moral e crist�. Pregou retiros para os mesmos.
Visitava tamb�m os presos, buscando transmitir-lhes
o perd�o e a miseric�rdia de Deus. Procurou intervir para libertar os que
estavam presos injustamente ou diminuir a pena daqueles pais de fam�lia que
demonstravam ter boa conduta. Os que eram condenados � morte recebiam aten��o
especial, sendo acompanhados por Pallotti at� o minuto da execu��o.
Pallotti tinha um grande carinho pelas pessoas que estavam enfermas. Procurava dar assist�ncia n�o s� f�sica (especialmente durante a epidemia da c�lera) mas tamb�m espiritual, para que estivessem preparados para o encontro definitivo com o Amor Infinito.
Para se achegar a alguns que tinham resist�ncia ao religioso encontrou formas diversas para ser acolhido por essas pessoas.
Pallotti desejava ser transformado em Visto, porquanto sua inquietude m�stica brotava de sua profunda sintonia com o Amor Infinito. Em 1827, chegou a escrever em seu di�rio: Seja destru�da a minha vida e a vida de Jesus Cristo seja a minha vida..., que a caridade de Cristo seja a minha caridade,...
A ESPIRITUALIDADE PALOTINA
Cada uma das grandes fam�lias religiosas na Igreja Cat�lica, como os Servos da Caridade, os Salesianos, os Mission�rios da Sagrada Fam�lia, os Franciscanos, os Jesu�tas, tem sua espiritualidade, ou seja, a maneira pr�pria para seguir o Cristo Ressuscitado e responder ao Esp�rito Santo.
A fam�lia palotina, fundada por S�o Vicente Pallotti, tamb�m tem a sua espiritualidade. Em alguns t�picos, os mais valorizados por ele, apresentaremos sua viv�ncia espiritual. Ela tem muito a ajudar-nos na busca a Deus e na concretiza��o do projeto de Jesus Cristo.
DEUS
� O INFINITO AMOR 
Meu Deus, miseric�rdia minha, quem �s Tu e quem sou eu? Tu �s o eterno, o infinito, o imenso e julgas bem empregada a tua sabedoria, onipot�ncia e santidade, mantendo-a empenhada comigo; eu, ao inv�s, sou teu crucificador... Vinde, gente de todas as ra�as, povos de toda a terra e admirai, agradecei, bendizei e glorificai o meu e vosso Deus, o meu e vosso Pai, o meu e vosso Tudo.
Uma forte caracter�stica da espiritualidade de Pallotti � o infinito amor para com Deus. O amor para com Deus n�o deve ter limites, pois o objeto dele � infinito. Pallotti � consciente de sua limita��o, mas n�o se contenta com o pouco que tem para dar. Recorre � comunh�o dos santos e se apodera, por assim dizer, de todo o corpo m�stico de Cristo. Quer amar com amor todos os justos, com o amor das almas benditas do purgat�rio, com o amor dos santos e dos anjos, de Maria e do pr�prio Jesus. Mas, ainda n�o basta; quer amar com o infinito amor do mesmo Deus.
S� assim satisfar� sua sede de amor de Deus.
� a paix�o pelo infinito revelada in�meras vezes em seus escritos. E essa
infinidade n�o a quer por um instante; n�o a quer por uma vida; mas a quer
para sempre. Todo o amor da eternidade seja o meu amor de cada instante por toda
a eternidade. Por infinitas eternidades seja todo consumido no amor e n�o seja
sen�o chamas de amor.
Conclui, tudo para a infinita gl�ria de Deus. Para garantir-se nesse lema, formulou o seguinte prop�sito: Por todo movimento de meu corpo e ato de meu esp�rito, tenciono dar a Deus gl�ria infinita.
AMOR A DEUS E
AO PR�XIMO
Absorvendo-se na contempla��o do mandamento do amor a Deus e ao pr�ximo, Pallotti compreendeu como era imposs�vel amar a Deus sem amar o pr�ximo, como n�o se pode amar verdadeiramente o pr�ximo sem se empenhar pela sua salva��o eterna. Abrindo-se a esse amor de Deus, derramado no cora��o por meio do Esp�rito Santo, ele, impelido pela caridade de Cristo, trabalhou sem tr�guas pela salva��o eterna dos homens. Do amor salv�fico de Cristo nasce, por isso, o Apostolado Cat�lico. Pallotti trabalhou de maneira incans�vel para reavivar a f� e reacender a caridade entre todos os cat�licos e torna-los assim ap�stolos de Cristo, generosas testemunhas de f� e de aut�ntica dedica��o aos irm�os, em particular aos pobres e necessitados.
MISERIC�RDIA
DE DEUS
Pallotti tinha um profundo sentimento de sua mis�ria que, a cada passo, nas suas ora��es e apontamentos, a coloca em contraste com a infinita miseric�rdia de Deus. � o abismo da mis�ria que clama pelo abismo da miseric�rdia. Diz mais: Sou nada e pecado, um abismo de todos os v�cios. Destru� tudo em mim, Senhor, e permanecei comigo por toda a eternidade.
COMUNH�O COM CRISTO
Pallotti desejava viver em cont�nua e intensa comunh�o com Cristo, a
tal ponto que queria ser totalmente transformado nele. Rezava constantemente
esta ora��o, que faz entrever a grandeza do seu cora��o de crist�o e de
sacerdote: Seja destru�da a minha vida e que a vida de Jesus Cristo seja a
minha vida. A vida de Jesus Cristo seja a minha medita��o, o meu estudo, um
adorno para a Igreja em minha pessoa. A ora��o de Cristo seja a minha ora��o;
a palavra de Cristo seja a minha palavra; a caridade de Cristo seja a minha
caridade. O amor de Cristo para a Virgem Maria seja o meu amor para com ela.
No seu constante contato com o Senhor mediante a ora��o, a escuta contemplativa da Palavra de Deus, a edificante celebra��o da eucaristia e do sacramento da reconcilia��o, ele fez pr�prios os sentimentos de Cristo, o qual desejava ardentemente salvar todas as pessoas e reconduzi-las ao Pai. No cora��o sacerdotal de Pallotti ressoam as pulsa��es do cora��o de Jesus, Bom Pastor, que procura a ovelha perdida.
O ESP�RITO SANTO
Pallotti ofereceu a si mesmo como exemplo de uma pessoa que se abre ao
Esp�rito, acolhe-o com generosidade e se deixa estimular por esse Esp�rito,
que � a alma da Igreja e, por conseguinte, a fonte de vida e de for�a de
qualquer apostolado; ele sentiu a paix�o ardente pela salva��o das almas e,
ao meditar com freq��ncia sobre o trecho evang�lico relativo � miss�o
dos Ap�stolos, ele responde ao angustiante convite de Jesus: a messe �
grande, mas os trabalhadores s�o poucos. Pedi, portanto, ao dono da messe que
mande trabalhadores para a sua messe.
Pallotti muito orou e muito trabalhou para que Deus suscitasse na \igreja numerosas e santas voca��es e para que muitos jovens acolhessem com entusiasmo e generosidade o apelo de Jesus a irem pelo mundo a fim de anunciar: O Reino de Deus est� pr�ximo (Lc 10,9).
A M�E DE DEUS
Maria, a Rainha dos Ap�stolos, �, depois de Jesus Cristo, o mais
perfeito modelo do verdadeiro zelo cat�lico e da perfeita caridade, visto que
ela se empenhou tanto nas obras da maior gl�ria de Deus e da salva��o das
almas que... superou no m�rito os Ap�stolos.
Esse t�tulo de Maria Rainha dos Ap�stolos � para S�o Vicente Pallotti um s�mbolo, um programa, um exemplo mais eficaz e um modelo mais perfeito para o apostolado de todo fiel.
Para Pallotti era importante o significado e valor do Cen�culo. Quando ainda n�o era sacerdote, ele fez o prop�sito de permanecer sempre no Cen�culo com Maria e com todas as criaturas para receber a abund�ncia do Esp�rito Santo.
Eis um trecho do seu testamento: Tendo
terminado de escrever as regras da Pia Casa da Caridade, lendo na vida da Beat�ssima
Virgem como os Ap�stolos, ap�s a vinda do Esp�rito Santo, come�aram a pregar
o sacrossanto Evangelho nas diversas regi�es do mundo, recebi de Nosso Senhor
Jesus Cristo a verdadeira id�ia da natureza e obra da Pia sociedade, com o
objetivo geral do crescimento, defesa e propaga��o da piedade e da f� cat�lica.
Em poucas palavras, a raz�o principal sobre a qual se funda a multiforme atividade apost�lica de S�o Vicente Pallotti � a sua pessoal express�o de f�. Deus concedeu-lhe como dom do Esp�rito a profunda experi�ncia do seu amor infinito e da sua infinita miseric�rdia.
Segundo S�o Vicente Pallotti, o movente principal do agir divino � o amor infinito. Por essa raz�o o homem, criado � imagem e semelhan�a de Deus, encontra o sentido da sua vida, se permanece no constante exerc�cio do amor aos homens e a Deus.
Essa experi�ncia permite-lh compreender Cristo como o Ap�stolo do Eterno Pai. Tudo o que Jesus realizou, durante a sua vida sobre a terra, deriva do seu amor ao Pai e do seu amor redentor aos homens. Viver, � imita��o de Cristo, o amor a Deus Pai e o amor ao pr�ximo constitui o segredo da efici�ncia apost�lica de todo crist�o. Para Vicente Pallotti �, pois, o amor, o motivo que move quem queira colaborar no apostolado.
O seguimento de Cristo e a participa��o em sua miss�o de salvar os homens s�o insepar�veis. E como todos s�o chamados ao seguimento, todos t�m tamb�m uma obriga��o apost�lica.
Em 09 de janeiro de 1835, ap�s a celebra��o eucar�stica, dominado pelo desejo mais vivo... do Sagrado Cora��o, Pallotti teve a inspira��o de fundar e promover uma maravilha da miseric�rdia divina e infinita, hoje conhecida como Uni�o do Apostolado Cat�lico � UAC.
Pallotti pensa em uma obra apost�lica
onde todos, a partir do Sacramento do Batismo, possam sentir-se parte
integrante, com o objetivo de Propagar a F� e Reacender a Caridade entre os
Crist�os e isto s� poder� ser realizado atrav�s do apostolado, quando ele
mesmo o faz: O Apostolado Cat�lico, isto �, universal, como pode ser comum a
toda classe de pessoas, � cada qual fazer o quanto pode e deve, pela maior gl�ria
de Deus e pela eterna salva��o pr�pria e alheia.
A funda��o de Pallotti teve a primeira aprova��o no dia 04 de abril de 1835.
O APELO AO POVO
Em maio de 1835, Vicente publica o Apelo ao Povo com o objetivo de dar a conhecer a Sociedade, h� pouco fundada e onde especifica que TODOS podem dedicar-se �s obras do Apostolado Cat�lico, como nos mostra o texto:
Todos,
Grandes
e pequenos,
Formados,
estudantes, oper�rios,
Ricos
e pobres,
Padres,
leigos, religiosos e seculares,
Comerciantes
e empres�rios,
Funcion�rios,
artistas, artes�os,
Comunidades
e indiv�duos,
Cada
qual no pr�prio estado,
Na
pr�pria condi��o,
De
acordo com os pr�prios dons,
Pode
dedicar-se �s obras do Apostolado Cat�lico
Para
reavivar a f�, reacender a caridade
E
propag�-la em todo o mundo.
O fundador queria mais que uma institui��o, ele queria a promo��o do ser humano para a verdadeira Gl�ria de Deus. Sendo assim, organizou junto com seus colaboradores um sistema para ajudar os mais necessitados em forma de vales, os quais eram pagos depois pela Uni�o do Apostolado Cat�lico. N�o era s� o assistencialismo que importava, mas as obras que resolvessem definitivamente a situa��o dos pobres, dos doentes, dos presos, dos abandonados, dos soldados, dos jovens dentre outros, o que o fez criar as procuradorias.
Pallotti adota a antiga no��o de procura, que traduzimos por procuradorias, para designar cada um dos escal�es organizativos de sua obra apost�lica, que Pe. Henrique Schulte chamava de comiss�es para o apostolado ou grupos de trabalho.
O objetivo das procuradorias era manter sempre aceso o zelo de toda a comunidade, motivo por que todos os membros da procuradoria devem dispor o cora��o de todos, com ora��es, conselhos, obras para que se multipliquem os meios para conserva��o, aumento, defesa e propaga��o da piedade e da f� cat�lica.
Em 1837, Roma foi acometida por uma violenta epidemia de c�lera. Houve em torno de seis mil mortos, n�mero elevad�ssimo para uma cidade que contava com apenas 150 mil habitantes. Na oportunidade morreu tamb�m o pai de Vicente e seu grande amigo Gaspar Del B�falo.
Para atender aos doentes, Pallotti organizou uma a��o de emerg�ncia. Ele e seus companheiros visitavam os doentes e recolhiam os abandonados. Estavam sempre nas ruas, ajudando as pessoas. Al�m de atender aos mortos, davam assist�ncia aliment�cia para os que nada tinham.
Finalmente, a epidemia passou, mas
ficaram as conseq��ncias: muitas meninas, agora �rf�s, tornaram-se presas f�ceis
da mis�ria e do v�cio. Pallotti acudiu prontamente, fundando casa para prestar
ajuda social e religiosa a essas meninas. Com a colabora��o de Jac� Salvati e
de outros leigos engajados no apostolado Cat�lico, abriu um orfanato, no bairro
de santa �gueda, que recebeu o nome de Pia Casa de Caridade.
Nela conseguiu dar alojamento, comida, vestu�rio, educa��o e forma��o crist� a mais de cem meninas. Foi o triunfo da coopera��o entre padres, leigos e religiosos. Para dirigir a casa e para dar �s meninas uma assist�ncia qualificada, pallotti fundou a Congrega��o das Irm�s do Apostolado Cat�lico, hoje conhecidas como Irm�s Palotinas.
Preocupado tamb�m com a forma��o dos jovens, funda as escolas noturnas, a primeira em S�o Nicolau Degli Incoronati, que durante o per�odo da c�lera (1837) foi transformada em hospital.
Passada a epidemia, Pallotti sentiu necessidade de dar continuidade a essa obra e fundou muitas outras escolas, sempre com a ajuda de v�rios membros do Apostolado Cat�lico, cl�rigos e leigos. Nessas escolas, Pallotti fazia trabalho de catequese, palestras, missas, prega��es, confiss�es, al�m da coordena��o geral do empreendimento.
As escolas cresceram muito, chegando por volta de 1839 a 500 alunos. O projeto cresceu at� tornar-se independente. Por ocasi�o de sua doen�a, Pallotti escreveu que as escolas noturnas n�o lhe causavam preocupa��o, e, sim, muita alegria.
Pallotti fez da vida de Cristo a sua
regra de vida. Chegou a tal ponto de propor a vida de Cristo como regra
fundamental da Congrega��o. Ele afirmou: A regra fundamental de nossa m�nima
Congrega��o � a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo: para imit�-lo com
humildade e confian�a, com toda a perfei��o poss�vel, em todas as a��es da
vida oculta e do p�blico minist�rio.
Uni�o
do Apostolado Cat�lico
Pe. Jos� Andr� de Azevedo, SAC
Abrindo o dicion�rio da l�ngua portuguesa no termo �crist�o�, encontraremos a seguinte defini��o: �crist�o � aquele que professa o cristianismo�. Crist�o, ent�o, � aquele que mediante os sacramentos da Inicia��o crist�, Batismo, Crisma e Eucaristia se configura a Jesus Cristo e se torna um �novo Cristo� no local e na condi��o que se encontra.
Sendo um �novo Cristo�, possui em seu peito o mesmo agir de Cristo (cf. Lc 4,16-21), os mesmos sentimentos de nosso Salvador (cf. Fl 2,5-11) e a mesma motiva��o (cf. Jo 3,16): ser mission�rio.
Mission�rio � aquele que � enviado para falar no nome de algu�m. Jesus � mission�rio do Eterno Pai porque fala do que ouviu de seu Pai (cf Jo 8,38) e deseja apresentar ao Pai das luzes aqueles que a ele foram confiados (cf. Jo 17,24).
Identificados com Cristo pelos sacramentos da Inicia��o crist� assumimos tamb�m a sua miss�o: levar vida plena a todos (cf. Jo 10,10;17,18) e fazer com que todos cheguem ao conhecimento da verdade (cf 1Tm 2,3-4). Assumindo da nossa condi��o de mission�rios, a Igreja � que somos n�s � enviada por Deus �s na��es para ser sacramento universal da salva��o (Mt 28,19-20; Vaticano II, decreto Ad Gentes n� 01).
O documento Vaticano II, decreto Ad Gentes par�grafo 07 nos artigos 880 e 881 nos faz refletir:
Por ela (pela atividade mission�ria) o corpo M�stico de Cristo sem cessar re�ne e coordena as for�as para seu pr�prio aumento. A caridade impele os membros da Igreja a prosseguirem nesta obra. � neste amor que amam a Deus e desejam comungar com todos os homens nos bens espirituais da vida presente e futura.
Enfim por esta atividade mission�ria Deus � plenamente glorificado e os homens beneficiam consciente e plenamente de Sua obra salutar, realizada em Cristo. Assim se cumpre o plano de Deus, a que Cristo se submeteu em amorosa docilidade para a gl�ria do Pai. Este o enviou para do g�nero humano todo formar o �nico Povo de Deus, reuni-lo no �nico corpo de Cristo e coedific�-lo no �nico templo do Esp�rito Santo. Tudo isto redunda em fraterna conc�rdia, anelo �ntimo de todos os homens. Desta forma chegar� � plena realiza��o o des�gnio do Criador, que fez o homem � Sua imagem e semelhan�a, quando todos que participam da natureza humana, regenerados em Cristo pelo Esp�rito Santo, contemplando com os mesmos sentimentos a gl�ria de Deus, poderem dizer: �Pai Nosso�.
Nossa heran�a palotina nos faz concluir: comprometendo-se em ser o que realmente deve ser, isto �, mission�rio, o crist�o ter� um impulso: a pr�pria caridade de Cristo, isto �, o seu amor, que nos impele a agir.
Enfim, para o poeta, caridade n�o rima com miss�o. Entretanto, para o crist�o isso � totalmente poss�vel. Caridade rima com miss�o porque o amor sempre se expande e quer contagiar a todos, quer que todos desfrutem da boa nova que ele traz.
Conta-se que um excelente nadador tinha o costume de correr at� a �gua e molhar somente o ded�o do p� antes de qualquer mergulho. Algu�m intrigado com aquele comportamento lhe perguntou: Qual a raz�o daquele h�bito. O nadador sorriu e respondeu:
-
�H� alguns anos eu era professor
de nata��o de um grupo de homens. Eu os ensinava nadar e saltar do trampolim.
Certa noite, eu n�o conseguia dormir e fui � piscina para nadar um pouco. N�o
acendi a luz, pois a lua brilhava atrav�s do teto de vidro do clube. Quando eu
estava no trampolim, vi minha sombra na parede da frente. Com os bra�os
abertos, minha imagem formava uma magn�fica cruz. Em vez de saltar, fiquei ali
parado, contemplando minha imagem. Nesse momento pensei na cruz de Jesus e em
seu significado. Eu n�o era crist�o, mas quando crian�a aprendi que Jesus
tinha morrido para nos salvar pelo seu precioso sangue. Naquele momento as
palavras daquele ensinamento me vieram � mente e me fizeram recordar do que
havia aprendido sobre a morte de Jesus. N�o sei quanto tempo fiquei ali parado
com os meus bra�os estendidos. Finalmente desci do trampolim e fui at� a
escada para mergulhar na �gua. Desci a escada e meus p�s tocaram o piso duro e
liso do fundo da piscina. Haviam esvaziado a piscina e eu n�o tinha percebido.
Tremi todo, e senti um calafrio na espinha. Se eu tivesse saltado seria meu �ltimo
salto. Naquela noite a imagem da cruz na parede salvou a minha vida. Fiquei t�o
agradecido a Deus, que ajoelhei na beira da piscina, confessei os meus pecados e
me entreguei a ELE, consciente de que foi exatamente em uma cruz que Jesus
morreu para nos salvar. Naquela noite fui salvo duas vezes e, para nunca mais me
esquecer, sempre que vou � piscina molho o ded�o do p� antes de saltar na �gua.�
Deus tem um plano na vida de cada um de n�s e n�o adianta querermos apressar ou retardar as coisas, pois tudo acontecer� no devido tempo... As oportunidades vir�o, � s� sabermos esperar...
NINGU�M TE AMA COMO EU
Tenho esperado este momento, tenho esperado que viesses a mim.
Tenho esperado que me fales, tenho esperado que estivesses assim.
Eu sei bem o que tens vivido, sei tamb�m que tens chorado.
Eu sei bem que tens sofrido, pois permane�o ao teu lado.
Ningu�m
te ama como eu, ningu�m te ama como eu.
Olhe
pra cruz esta � a minha grande prova.
Ningu�m
te ama como eu. Ningu�m te ama como eu.
Olhe pra cruz, foi por ti, porque te amo, ningu�m te ama como eu.
Eu sei o que me dizes ainda que nunca me fales
Eu sei bem o que tens sentido ainda que nunca me reveles.
Tenha andado ao teu lado, junto a ti permanecido.
Eu te levo em meus bra�os, pois sou teu melhor amigo.
A SANTIDADE RECONHECIDA
Pallotti teve uma
sa�de muito fr�gil que n�o o limitou a desenvolver o seu apostolado. Quando
lhe era oferecido algum descanso, respondia: No c�u descansaremos.
Em 1839, tendo Pallotti sofrido uma hemorragia pulmonar, recolheu-se ao mosteiro dos Camaldulenses. Nesse ano, escreveu o regulamento da Pia Casa de Caridade e da Pia Sociedade do Apostolado Cat�lico, definindo a principal finalidade da Sociedade: reavivar a f� e reacender a caridade no mundo, movidos pela pr�pria caridade.
No ano de 1840, sua sa�de novamente foi abalada, indo para regi�o de Marcas, tendo oportunidade de escrever um documento para ser lido na sua morte. Em 1847, convalescendo, escreveu o seu testamento.
Nas �ltimas semanas que precederam a sua morte, n�o deixou de desenvolver o seu apostolado. Certo dia, voltando de uma longa jornada de atendimento, encontrou um mendigo na rua passando frio; retirou o seu manto e o deu ao mendigo. Como conseq��ncia, acabou contraindo um forte resfriado que resultou numa crise pulmonar.
No dia 14 de
janeiro de 1850, celebrou na igreja de Trinit� dei Monti sua �ltima missa. Ao
se despedir da madre do convento, disse: Madre Macrina, hoje vemo-nos pela �ltima
vez.
Ao perceber que
sua morte estava chegando, os membros da Congrega��o pediram a Pallotti
interceder pela sua cura junto a Deus, pois ele era necess�rio na Congrega��o.
Ele simplesmente respondeu: Eu morro, porque sou indigno de viver na Congrega��o,
mas ela crescer� e ser� aben�oada por Deus.
No dia 22 de janeiro de 1850, �s 22h45min, junto com seus irm�os de Congrega��o, morreu Pallotti com 55 anos incompletos.
No ano de 1852, iniciou-se o processo de beatifica��o de Vicente Pallotti. O resultado foi favor�vel, recebendo em 13 de maio de 1887, o t�tulo de Vener�vel.
Durante a vida buscou sempre se fazer oculto para acentuar a grandeza de Deus. No ano de 1906, quando foi aberto seu
t�mulo seu corpo estava intacto.
Para se tornar beato faltavam dois milagres que, com muita facilidade, se fizeram conhecidos:
Cura instant�nea de Alexandre Lutri, menino de 9 anos que caiu do corrim�o de sua casa, batendo a cabe�a, fraturando o
cr�nio.
Cura instant�nea de uma m�e de fam�lia, Margarida Sandner. Ela tinha uma esclerose difusa que a mantinha numa cadeira
de rodas durante dezesseis anos.
O Padre M�lia testemunhou, no processo de beatifica��o, que Pallotti possu�a o dom
de biloca��o, ou seja, estar em dois lugares ao mesmo tempo. O fato aconteceu com dois jovens amigos que tinham o h�bito de confessar-se com Vicente todos os s�bados. Certa manh�, um deles perdeu a hora e pediu que o outro n�o o esperasse para n�o se atrasar. Estando este a confessar-se com Vicente, notou que, em dado momento, ele permanecera em sil�ncio e em completa imobilidade. O mo�o n�o se apressou nem deu grande import�ncia ao fato. No fim da confiss�o, o padre lhe recomenda que ofere�a a comunh�o pelo amigo que acabava de falecer.
O rapaz assustado recebeu a��o de gra�as e foi ao encontro do amigo e se convence ao v�-lo morto. E sua estupefa��o torna-se ainda maior, quando lhe dizem que o amigo morrera assistido por Pallotti, exatamente no momento em que se confessara.
A cerim�nia de beatifica��o realizou-se, no dia 22 de janeiro de 1950, cem anos ap�s a sua morte.
Para ser reconhecido como santo eram necess�rios mais dois milagres, al�m do estudo da vida e do apostolado crist�o de Pallotti.
Cura milagrosa de �ngelo Balzarani, agricultor, residente em Roccasseca dos Volscos, na It�lia. Sofrendo de uma f�stula carbunculosa, que o estava levando � morte, ao beijar uma rel�quia do santo, em poucos dias se curou.
Padre Aldaberto Turowski, na �poca Reitor Geral dos Palotinos. Em 1950, ao ser submetido a uma opera��o cir�rgica, sofreu uma infec��o com insufici�ncia card�aca. Sendo desenganado pelos m�dico, fez-se uma novena pela intercess�o do fundador e em poucos dias estava em casa.
A cerim�nia de canoniza��o realizou-se, no dia 20 de janeiro de 1963, na Bas�lica
de S�o Pedro, pelo Papa Jo�o XXIII.
MILAGRES DA
VIDA...
As pessoas recebem carismas, que s�o dons gratuitos de Deus dados para serem colocados a servi�o do bem dos outros. Pallotti, possuindo carisma prof�tico, p�de anunciar a v�rias pessoas acontecimentos futuros que se realizaram.
Um exemplo disso foi prever, com tr�s anos de anteced�ncia, a morte de seu irm�o Salvador, assim como v�rias circunst�ncias ligadas � mesma.
O Conde Mastai-Ferretti viera a Roma com esperan�a de ser aceito entre os guardas nobres de Pio VII. Esbarrando em Pallotti no meio do caminho, ele disse: N�o podes fazer guarda aos outros, mas vir� o dia em que outros far�o guarda a ti. Passaram-se os anos, o Conde foi eleito Papa e teve in�cio uma grande amizade e coopera��o nos trabalhos apost�licos entre o Santo e o Conde.
No pr�ximo m�s outro cap�tulo da vida de S�o Vicente Pallotti :
"Caminhos de S�o Vicente Pallotti"