O Lobo Guará está entre
os animais que sofrem sérios riscos de extinção
dentro de nossa fauna. Segundo estatísticas
feitas por cientistas, mais de 300 espécies
animais já desapareceram da face da Terra e
a extinção continua ameaçando
cerca de 900 das existentes. Em nosso país,
que possui uma das floras e faunas mais ricas do planeta,
a situação não é diferente,
mas, infelizmente, ainda não se sabe ao certo
quantas qualidades não mais existem
.O Lobo Guará é um
canídeo grande e de aspecto elegante, que tem
como habitat natural a América do Sul. É
um animal exclusivo do cerrado e sua aparência
assemelha-se mais à de uma raposa que de um
lobo. Isso ocorre, devido às suas pernas longas
e finas.
De acordo com Kátia Cassaro,
bióloga, chefe do setor de mamíferos
do Zoológico de São Paulo, seus hábitos
são exclusivamente noturnos; eles passam toda
a madrugada embaixo de árvores, esperando que
as frutas caiam. "Solitários, eles se
juntam, no máximo, aos pares. Essa característica
é a principal diferença, além
da física, dos lobos europeus que vivem em
matilhas e são bem mais agressivos", afirma
a bióloga.
A sua alimentação é
variada: comem desde pequenas cutias, pacas, aves,
répteis, até frutas, mel, cana-de-açúcar,
peixes, moluscos e insetos. Vivem, em média,
13 anos.Ainda de acordo com Kátia, eles são
selvagens, mas medrosos. O Guará evita lugares
mais habitados e raramente ataca carneiros ou cabras
dispersos no mato; sua especialidade é capturar
galinhas junto às casas mais isoladas. “Muitos
exemplares foram mortos quando capturavam galinhas",
explica.
Mesmo solitários, seus gritos
podem ser ouvidos a grandes distâncias. E, segundo
estudos, foi devido ao som de seus uivos, interpretado
pelos indígenas como "Gua-á gua-á",
que o Chrysocion brachyururs, espécie única
do gênero em toda a América Latina, foi
chamado no Brasil de Lobo Guará.