Seriado do Angels KLB FanFic- "Ética Rompida"

Capitulo Anterior

Leandro seguiu até o escritório e Mayra foi atrás. Os dois entraram e Leandro acendeu a luz. Tinha um sofá, uma mesa com vários papéis e uma luminária e uma estante enorme, cheia de livros.
- Não repare a bagunça.
- Eu que peço desculpas por vir assim, sem mais nem menos.
- Realmente, é estranho.
Mayra tirou os papéis da bolsa e entregou para Leandro.
- Foi o que consegui hoje na biblioteca.
Leandro pegou os papéis e se sentou na cadeira, junto à mesa. Mayra sentou-se no sofá, de frente para ele, bebendo sua Pepsi e olhando ao redor conforme Leandro lia as anotações.

Capitulo 6

- Esses livros são todos de Sociologia?
- A maioria.
- Nossa, olha o tamanho daquele... Do Karl Marx. 
- Tem mil e quinhentas páginas. - Leandro respondeu enquanto lia - O primeiro de uma coleção de seis livros.
- E você já leu todos?
- Não. Nem o primeiro eu li! É muito complicado.
- Imagino.
Os dois ficaram em silêncio mais uns segundos enquanto Leandro terminava de ler. Ele colocou os papéis na mesa e olhou Mayra.
- Está bom?
- É... está.
- Isso não foi muito convincente.
- Não é o que eu quero.
Ela suspirou.
- O que você quer?
- Você tem que dar exemplos. E tem que mostrar como surgiu essas diferenças, de onde surgiu esses conceitos.
- E como vou fazer isso?
- Pesquisando. Há vários livros sobre isso.
- Claro, livros de mil e tantas páginas.
Leandro batucou os dedos rapidamente na mesa, suspirando.
- Vou fazer o seguinte. Deixo você fazer um trabalho mais superficial... Não tão aprofundado como eu queria.
- Sério?
- Aham. Mas você vai ter que pesquisar sobre mais de um tipo de discriminação. Você escolheu discriminação econômica, né? Quero mais duas, pelo menos.
- Professor, assim você me mata.
- Eu prolongo o prazo. Entregue daqui a duas semanas.
- Só?? Duas semanas?
- Acha pouco?
- Que tal um mês?
- De jeito nenhum.
- Tá, três semanas? Por favor, professor.
- Quantas vezes por dia você usa a palavra "por favor"?
- To falando sério, professor.
Leandro fechou um pouco os olhos, fazendo pela primeira vez uma cara engraçada pra ela.
- Você é uma pestinha, sabia?
- Sabia. Por isso que todos me adoram.
Leandro riu.
- Tá bom. Três semanas. Mas quero mais de dois exemplos de discriminação.
- Pode deixar. Valeu, teacher!!
- De nada.
- Será que você tem uns livros pra me emprestar?
- Pra que?
- Pra eu usar como bandeja! Duh, pra que você acha?
Leandro a olhou serio...
- Pensei que você fosse usar como bandeja.
Mayra riu.
- Não, pra ajudar no trabalho.
- Tem um do Karl Marx. Quer?
- Não, Deus me livre.
Leandro riu. Levantou-se e começou a procurar no meio dos livros. Tirou um, bem fino de capa verde e entregou a ela.
- Esse é bom. Não vai ter tudo que você precisa, mas já ajuda.
- Ah, legal. Só duzentas páginas, muito melhor.
- Toma conta dele. Nada de manchas de chocolate, entendeu?
- Claro, professor. Vai voltar melhor do que foi. Aí eu dou uma olhada hoje e te mostro o que consegui amanhã, tá bom?
- Tá ótimo.
- Valeu...
Mayra se levantou, pegando suas anotações na mesa.
- Deixa seus papéis aí. Vou ver se encontro algo que você possa utilizar.
- Tá. Valeu pela Pepsi, professo r. Tava deliciosa.
Leandro riu. Acompanhou ela até a porta.
- A gente se vê amanhã.
- Não vai matar aula, hein?
- Eu?! Matar aula? Que absurdo!!!
Gisely e Mayra estavam saindo da aula de Geografia.
- Você viu? Ela estava usando cinta.
- E ainda sim fica gorda igual uma baleia.
- Pois é. Gisely, vamos à sala do professor Leandro?
- Pra que?
- Tenho que mostrar uma coisa pra ele.
- Sua calcinha?
Mayra olhou confusa pra Gisely, depois começou a rir.
- Você é boba.
- Só to brincando.
- Vamos, rapidinho. Depois a gente vai ao shopping.
- Eba!
As duas entraram na sala. Estava só Leandro, guardando suas coisas.
- Oi, professor.
- Mayra. - abaixando os olhos novamente - Leu o livro?
- Não todo. Mas deu pra tirar algumas coisas. Fiz um resumo, ficou legal. Será que você poderia dar uma olhada?
- Agora não dá, to atrasado. Tenho que ir no banco.
- Ah... Tá bom.
- Faz o seguinte: passa lá em casa mais tarde, aí você mostra.
- Tá, tudo bem.
- Valeu. Tchau meninas.
Leandro saiu da sala. Gisely olhou Mayra com os olhos esbugalhados e a boca totalmente aberta.
- Que isso, parece um zumbi!
- Ma, o que foi aquilo?
- O que?
- Ele pediu pra você ir na casa dele?!
- Ah, é. Tava sem tempo agora, tadinho.
- Que isso... Na casa dele??
- Qual o problema?
- Sei lá, meio estranho, não acha?
- Já fui e não vi nada estranho nisso.
- Que?? Já foi na casa dele?? Quando??
- Ontem. De noite. Fui mostrar o que consegui na biblioteca.
- E aí? Conta, como foi?
- Ih, Gisely, nada demais. Mostrei o trabalho, ele disse que tava horrível. Vai me dar um prazo maior. E me emprestou um livro.
- Nossa... Que hottie.
- O que, Gisely???
- O professor e a aluna.
Mayra fez cara de espantada.
- Que horror, menina!! No, no way, never.
Mayra estava no escritório, sentada no mesmo sofá enquanto Leandro lia os papéis dela. Estava bem acomodado, com os pés na mesa e comendo uma maça. Deu uma mordida e falou com a boca cheia.
- Tá bom.
- Que?
Leandro mastigou a maça e repetiu.
- Tá bom.
- Sério?? - Mayra disse sorrindo.
- Aham. Mas não é só isso, certo?!
- Não, ainda tem mais algumas coisas.
- Tá bom, sim, parabéns.
- Viu? Já consigo algo bom assim em um dia. Sou muito boa mesmo.
Leandro riu.
- É sim. Não sei porque mata aulas. É tão esperta.
- Ah, é que algumas vezes da preguiça. Imagine, você deitada na cama ter que se levantar pra assistir aula.
- Faço isso todo dia. Só que não assisto, eu dou aulas.
- É...
Silêncio.
- Quer comer alguma coisa, Mayra?
- Ah, sei lá... - meio sem graça - Acho que vou pra casa.
- Tem horário?
- Não, é que... po... 
- Po... po... - sacaneando.
Mayra riu e Leandro se levantou.
- Vou preparar uma pizza congelada que tenho aí.
- Nossa, que banquete.
- É, esse é o estilo de vida de um homem que mora sozinho. Comida congelada todo dia.
Leandro foi até a cozinha e Mayra o seguiu.
- Mora sozinho mesmo?
- Aham.
- E seus pais?
- Estão do outro lado da cidade.
- Hum... E a namorada?
- Que namorada?
- Você tem?
Leandro negou com a cabeça.
- Por que? Ninguém te quer?
- É, acho que ninguém me atura.
- Também, chato desse jeito.
Leandro riu. Pegou a embalagem da pizza e começou a abrir.

Não perca os proximos capitulos de "Ética Rompida"- Escrita por: Mayra

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