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Seriado do Angels KLB FanFic- "Ética Rompida" |
Capitulo Anterior
Mayra bateu com o livro, de leve, no braço dela.
- Que milagre.
- Pois é...
Leandro entrou na sala, sem olhar os alunos. Colocou sua pasta na mesa, tirou uns papéis dela.
- Bom, hoje nós --
Leandro finalmente olhou os alunos e se espantou.
- Ora, nós temos uma aluna nova.
Mayra virou os olhos. Ele já ia começar a provocar.
- Gostaria de se apresentar para o resto da classe?
Os alunos só riam. Mayra ficou séria, sem olhar para Leandro.
Capitulo 5
- Tímida, né? Só espero que seja estudiosa também. Bom, hoje nós vamos falar sobre sendo comum e atitude crítica...
Leandro começou a dar a matéria. E Mayra, por incrível que pareça, estava prestando atenção. A única hora que ia escrever no caderno, era pra anotar o que Leandro escrevia no quadro. E algumas vezes, quando Leandro via o interesse de Mayra, ele sorria satisfeito e surpreso com a atitude dela.
- Alguém poderia me dar um exemplo de senso comum?
A turma toda ficou quieta. Leandro sentou-se na cadeira.
- Qual é, pessoal, ninguém sabe?
Mayra vacilou um pouco mas acabou levantando o braço.
- Quer ir ao banheiro, Mayra?
Mayra ignorou a provocação.
- Sei de um senso comum.
- Sério? Diga, então.
- Masturbar-se demais cria pêlos na mão.
A turma inteira riu.
- Por isso que o Tom é tão peludo. - Um garoto berrou.
Tom só riu, como o resto da turma. Até Leandro deixou escapar um sorris o.
- Tá certo, isso mesmo. - Leandro disse - Conhece outro?
Mayra pensou um pouco.
- Se você cortar seu cabelo na lua crescente, ele cresce mais rápido.
- Isso, também outro bom exemplo.
- E aquilo de colocar um dente debaixo do travesseiro? - Gisely disse - Aí a fadinha vem, pega seu dente e deixa um dinheiro.
Todos zoaram pelo exemplo idiota.
- É... - Leandro disse - Isso seria mais pra fantasia do que senso comum... Mas sim, também serve.
- Viram?!? - Gisely deu a língua pra todos na sala.
Leandro continuou pedindo exemplos e saíram várias besteiras, do tipo "Mistura de manga com leite é veneno". O bom é que a turma era pequena, uns sete alunos no máximo, então ficava mais fácil fazer algo interativo. O sinal bateu, mas a turma ainda citava uns exemplos idiotas.
- Tá, pessoal, já tá bom. Podem sair.
Todos pegaram suas coisas e saíram ainda comentando e rindo. Gisely se aproximou de Mayra.
- Vou lá no xerox, tirar cópia da apostila de História p ra agora. Você vem?
- Ah, tira pra mim? Toma. - Mayra entregou o dinheiro a ela - Te encontro na sala.
- Vamos comigo.
- Não, vou falar uma coisa com o professor rapidinho, pode ir.
- Tá... Boa sorte.
- Valeu.
Gisely saiu da sala e Mayra juntou suas coisas, indo até a mesa do professor. Leandro estava sentado, escrevendo no diário.
- Ah-ham. - Mayra arranhou a garganta. - Professor...
Leandro levantou o rosto.
- Fale, Mayra. Gostou da aula?
- Gostei.
- Foi bom você ter participado.
- Pois é. Será que... eu poderia falar com você?
- Estou ouvindo.
Ela ficou impressionada com a calma que Leandro a tratava, depois de tudo que os dois passaram. Ela puxou uma cadeira pra junto da mesa, ficando em frente a ele, na mesma altura.
- Eu queria... me desculpa por ter feito aquela cena toda outro dia.
Leandro a olhou.
- Acho que exagerei. É que fiquei desesperada imaginando ganhar um zero. Sabe, eu quero muito entrar numa boa faculdade e preciso de um bom histórico.
- Você precisa também ser dedicada. Os professores de faculdade não dão tanta moleza como os daqui.
Mayra levantou as sobrancelhas. Quer dizer que os professores da faculdade seriam pior que ele?!
- É, eu sei. E você viu, hoje eu vim disposta a prestar atenção na sua aula, participar e tudo mais...
- Que bom.
- Aham. Portanto, eu... queria pedir para que você repensasse sobre a sua decisão de não me dar uma outra chance com o trabalho. Sabe, eu me dediquei tanto àquele trabalho...
- Ele tava uma porcaria.
- Eu sei. - Mayra sorriu meio desconfortada. - Mas se você me dessa outra chance...
- E depois? Você vai voltar a matar aulas, perder o teste e pedir mais chances?
- Não, professor. Claro que não, você viu que eu mudei.
- De uma hora pra outra?
- Eu sou uma boa aluna. Apesar de não assistir às aulas, eu sempre tiro nota boa.
- Eu sei, vi seu histórico.
- Então. Você não pode deixar um zero no meu boletim. Por favor , eu imploro. Prometo, só dessa vez. Se eu fizer alguma besteira, não te encho mais o saco.
Leandro olhou pra mesa, batucando com a caneta de leve, pensando. Mayra esperou, pacientemente. Não era uma boa hora para pressionar. Os alunos da outra turma começaram a entrar e se sentar, cumprimentando o professor. Leandro olhou para ela e falou baixinho.
- Olha, eu deixo você refazer o trabalho.
Mayra abriu um largo sorriso.
- Quero entregue na minha aula, semana que vem. Nenhum minuto depois.
- Muito obrigado, professor, você é demais.
- Vê se faz certo dessa vez.
- Prometo que vou fazer! Brigada.
Mayra se levantou e saiu da sala saltitando.
Mayra e Gisely estavam saindo da última aula, da quarta-feira.
- Vamos ao shopping? - Gisely disse - Quero comprar uma blusa nova.
- Não posso. Vou à biblioteca fazer meu trabalho.
- Virou nerd, é?
- Gi, eu não posso vacilar, senão to ferrada. Tenho que fazer um trabalho bem completo.
- Ah, tá bom... Eu falo com a Ligia, então.
- Não se preocupe, depois da semana que vem a gente vai ao shopping ‘every fucking day’!
Mayra foi até a biblioteca do seu clube, por ser mais completa. Deixou seu material em uma das mesas e saiu à procura dos livros. Pegou todos relacionados à matéria. Levou uns sete livros até a mesa e começou a pesquisa-los, anotando tudo de importante que via.
Estava tão concentrada que não percebeu o tempo passar. Quando olhou no relógio, eram seis e meia. Olhou pela janela e viu que já começava a escurecer.
- Nossa, to esse tempo todo aqui.
Ela guardou os livros, pegou suas anotações e saiu. Estava voltando a pé mesmo quando viu a placa na entrada da rua: Alameda Flora. Parou e pensou. Acabou se decidindo e entrou na rua. Ao chegar no número 75, vacilou um pouco antes de tocar a campainha. Tocou, Já era, não dava pra sair correndo. Instantes depois, Leandro abriu a porta.
- Oi, Mayra.
- Oi, professor... é que eu queria lhe mostrar o que eu já consegui e tirar umas dúvidas.
- Agora?
- Se quiser eu falo contigo na escola. É que eu tava aqui perto e --
- Pode entrar.
Leandro abriu mais a porta. Ela hesitou um pouco mas acabou entrando, parando logo no hall. À sua direita estava a sala, a sua frente um corredor que dava até a cozinha e ao lado a escada.
- Quer beber alguma coisa?
- Não quero incomodar...
- Imagina, incomodo algum...
- Tem Pepsi?
- Tem.
- Por favor, então...
Leandro seguiu o corredor até a cozinha. Mayra olhou à sua esquerda e viu o que deveria ser o escritório. Leandro voltou com a latinha.
- Serve normal, né? Sei que vocês meninas adoram Coca Light.
- Não, tá bom.
- Vem por aqui.
Leandro seguiu até o escritório e Mayra foi atrás. Os dois entraram e Leandro acendeu a luz. Tinha um sofá, uma mesa com vários papéis e uma luminária e uma estante enorme, cheia de livros.
- Não repare a bagunça.
- Eu que peço desculpas por vir assim, sem mais nem menos.
- Realmente, é estranho.
Mayra tirou os papéis da bolsa e entregou para Leandro.
- Foi o que consegui hoje na biblioteca.
Leandro pegou os papéis e se sentou na cadeira, junto à mesa. Mayra sentou-se no sofá, de frente para ele, bebendo sua Pepsi e olhando ao redor conforme Leandro lia as anotações.
Não perca os proximos capitulos de "Ética Rompida"- Escrita por: Mayra