Seriado do Angels KLB FanFic- "Ética Rompida"

Capitulo Anterior


 Ela sentou-se na cadeira ao fundo, ao lado de Gisely. Suas mãos estavam frias e trêmulas, seus olhos arregalados. Sentiu Gisely cutuca-la e quando olhou, ela lhe estendia um bilhete:
“Há quanto tempo?” ·Mayra a olhou e respondeu o bilhete.
"Quatro meses” ·Gisely arregalou os olhos quando leu a resposta.
"Você gosta dele?"
"Muito"
"E o que você vai fazer agora?"
"Não sei."
Mayra realmente não sabia. Já passou essa hipótese pela cabeça dela, que talvez algum dia alguém descobrisse, mas ela não estava preparada. Quando a aula acabou e Mayra saiu da sala, ela percebeu que as pessoas a olhavam estranho e algumas até cochichavam. Ela se sentiu muito mal e disse pra Gisely que ia pra casa.
Só que não agüentou. No começo da tarde, ela foi até a casa de Leandro. Ela estava desesperada e o único que poderia ajuda-la era Leandro, que também sofria a mesma angústia que ela. Estavam os dois no sofá, ele abraçando-a e confortando-a com carícias e palavras.

Capitulo 13

- Lê... E se os diretores descobrirem? Vão me expulsar e vão te despedir.
Leandro ficou em silêncio.
- Não vão? - Mara repetiu.
- Provavelmente. Te expulsar não sei, mas... como você é menor, eles vão alegar exploração da minha parte...
- Não. - Mayra gemeu de agonia. - Você vai preso?
Leandro ficou em silêncio de novo. Mayra começou a chorar.
- Me diz, Lê. Você vai preso? - ela chorou mais ainda - Diz que não.
Leandro a abraçou bem forte. 
- Vai dar tudo certo. Vai sim.
- Lê, eu te amo. - Mayra levantou o rosto, olhando Leandro nos olhos - Você sabe disso, né? Você sabe que não importa o que aconteça, eu não vou te esquecer Lezinhu. 
- Também não, Ma. Fica calma, não vai acontecer nada, você vai ver.
- Promete nunca me esquecer? Nunca me abandonar?
- Prometo. Não abandonaria alguém que amo.
No dia seguinte, Mayra não queria ir pra escola. Tinha medo daqueles olhares de novo. Mas Leandro insistiu que ela fosse, seria melhor pois não levantaria suspeita. Depois de muita coragem para se levantar e fazer o caminho até a escola, Mayra entrou. O corredor não estava tão cheio pois a maioria já tinha entrado na sala.
Ela andou pelo corredor em silêncio, evitando olhar qualquer um que passasse. Mas algo a fez olhar pra frente e viu Leandro de pé, no fundo do corredor. Ele estava parado em frente à sala da diretora. Ele olhou Mayra com aquele tormento no rosto e ela não gostou nem um pouco daquilo.
Ela pensou em ir correndo falar com ele, não importando se alguém visse. Mas a diretora abriu a porta, pedindo para que ele entrasse. Ele olhou novamente pra Mara, dessa vez diferente. Olhou com um sorriso frouxo, mas sorriso como se dissesse "Vai dar tudo certo" e entrou na sala.
Mayra fez o mesmo, entrando na sala de química. Passou por Tom, não ousando olhar para ele. Não era raiva; era vergonha. Novamente se sentou no fundo e não conseguiu se concentrar na aula. Claro que não. Pela pressão toda que ela passasse, sua cabeça imaginava diversas situações. Ela estava com medo, estava com receio. Seu coração doía e ela tinha medo de acabar morrendo de amor. Será que era possível?
No intervalo, Mayra não tirou os olhos do corredor. Procurava Leandro desesperadamente. Mas as pessoas continuavam a fofocar, ela podia até ouvir umas piadinhas que eles falavam alto de propósito, para que ela ouvisse. Assistiu à próxima aula também isolada de todos, não falando nem com Gisely que queria muito ajudar a amiga de alguma forma. Estava olhando pela janela, pensando mil coisas, quando ouviu chamá-la.
- Mayra!
Ela olhou para a professora que apontou para uma inspetora que estava na porta.
- Guarde seu material. - a inspetora disse - Sua mãe está aqui, você vai pra casa.
Mayra não entendeu. Não entendeu mesmo porque sua mãe estava ali e porque ela iria pra casa no meio da manhã, arrumou seu material e foi até a secretaria. Assim que entrou pôde ver sua mãe sentada no banco. E também viu, dentro da sala da diretora que tinha um vidro, Leandro sentado na cadeira, em frente à mesa da diretora. Ele a olhou com a pior expressão que ela já viu. Uma expressão de extrema tristeza e fracasso.
Mayra queria entrar naquela sala para saber o que estava acontecendo mas sua mãe começou a empurra-la pra fora da secretaria.
- Vamos logo.
Mayra e sua mãe voltaram para casa em silêncio no carro. Ela não perguntou nada. Sabia que era algo grave e sua mãe falaria quando quisesse. Ou, melhor para ela, nem comentaria. Mas não foi isso. Quando Mayra entrou em casa, já indo até seu quarto, sua mãe a interrompeu.
- Sente-se no sofá da sala. - disse com firmeza na voz - Agora.
Mayra obedeceu , assustada com a atitude da mãe. Ela sentou-se e sua mãe permaneceu de pé na frente dela. Teresa respirou fundo e colocou a mão na cabeça.
- Será que eu errei como mãe? Será que... eu não sei ser uma boa mãe? Criei um monstro?!
Mayra ficou chocada. Sabia que sua referia-se a ela.
- Mãe, do que você tá falando.
- De você!!! De você e suas atitudes!! Me diz, Ma, o que eu fiz de errado pra você ser assim?!? Primeiro são as aulas! Matando aula direto. Eu sei quantas aulas você já matou! Milhares! E agora.. agora... isso...
Teresa teve que respirar. Estava em choque.
- Você tendo um caso com o professor.
Mayra sentiu sem mundo desabar. O tom da voz de sua mãe, dizendo isso como se fosse um pecado.
- Como isso aconteceu, Ma?! Como você pôde ser tão irresponsável??
- Mãe, não tem nada de errado.
- Como não??? Como não tem?? Ele é seu professor, mas velho que você!
- O papai tinha dezessete anos a mais que você!!
- Mas eu não tinha 17 quando o conheci!! Por quanto tempo que vocês estão juntos??
- Quatro meses.
Teresa deu uma espécie de pulo pra trás, espantada.
- E vocês transaram?
- Mãe...
- RESPONDE!!!
- Transamos.
Ela tapou a boca com a mão. Respirou fundo novamente.
- Eu olhei para aquele homem... Falei com aquele homem. A diretora me chamou e me fez encara-lo. Senti nojo ao imaginar vocês dois juntos.
- Não fale assim dele, mãe.
Ela olhou Mayra.
- Eu o amo.
Teresa tremeu os lábios, aproximou-se de Mayra e deu-lhe um tapa no rosto. Mayra não sentiu dor por não acreditar que sua mãe fez isso. Olhou-a com os olhos molhados, de tristeza com tudo que estava acontecendo.
- Vá para seu quarto. E não saia de lá até eu mandar.
Teresa também tinha os olhos molhados. Mas Mayra ainda sentia mais tristeza. Uma tristeza que agora se misturava com ódio e rebeldia. Ela subiu para seu quarto.
As duas não trocaram palavras por dias. Sua mãe nem se despedia quando ia ao trabalho. Saía de casa e trancava todas as portas, para que Mayra não saísse. Ela não ia pra escola fazia quase uma semana. Ficava em casa o dia inteiro, chorando de saudades de Leandro.
Era uma terça-feira quando Teresa entrou no quarto, acordando Mayra. Não disse nada além de:
- Se arruma, você vai pra escola hoje.
Mayra não reclamou da decisão de última hora de sua mãe. Ela queria muito ir à escola. Mesmo que não deixassem ela falar com Leandro, que colocassem uma grade de proteção na sala de Sociologia, ela queria ir. Apenas para vê-lo, ou saber que está debaixo do mesmo teto que Leandro.

Não perca os proximos capitulos de "Ética Rompida"- Escrita por: Mayra

Hosted by www.Geocities.ws

1