- Chamo-me Gabriela Sabatine, hoje sou famosa, como estilista tenho prestígio em muitos países e consegui ser independente com minhas próprias pernas, consegui também provar para as pessoas que eu era totalmente capaz de conseguir realizar meus objetivos. Agora, em um raro momento de descanso, estou lendo algo que me traz boas e más lembranças, meu diário de quando vivia sem problemas e apenas queria aproveitar a vida!
Minha família não era amiga da família de Leandro até nos conhecermos na pré-escola, depois disso, como eu e Leandro vivíamos grudados, nossa família se aproximou bastante.
Ao ler meu diário e relembrar tudo isso, percebi que tive uma infância ótima, com tudo que se tem direito, brincava na rua, como toda menina, adorava trocar as roupas das minhas Barbies mas com bonecas geralmente brincava sozinha por ser filha única, mas quando ia pra casa de Leandro fazíamos a maior bagunça junto com seus irmãos Kiko e Bruno, que também são uns amores!
Tinha apenas 10 anos (e ele 12), quando eu e Leandro, brincando pela chácara dele em Paranapanema encontramos uma árvore grande com uma copa estrondosa, ela ficava bem no alto e por isso tinha uma vista maravilhosa... mas o céu de repente fechou:
- Gabi: Leandro...
- Leandro: o que foi?
- Gabi: temos que sair daqui depressa! Acho que vai começar chover...- disse eu puxando ele pelo braço, porque a chuva já tinha começado.
- Leandro: Espera um pouco! - disse ele sem sequer sair do lugar.
- Gabi: Porquê?- disse eu gritando porque o barulho das árvores balançando e dos trovões era ensurdecedor.
- Leandro: Quero te pedir uma coisa!
- Gabi: O que? Pede logo!- disse eu tentando arrastá-lo de lá, mas ele nem se mexia!
- Leandro: um beijo!
- Gabi: O quê? - eu não estava escutando nada direito.
- Leandro: isso! - disse ele me dando um selinho.
É até engraçado! Mas quando faço este fash-back em minha cabeça, me recordo que fiquei assuntada e não fechei os olhos quando ele me beijou! Afinal era meu primeiro beijo! Tinha apenas 10 anos e nós éramos apenas amigos! Saímos correndo... Até em casa, não disse sequer uma palavra com ele.
Esse beijo foi muito marcante, afinal Leandro sempre foi lembrado por mim como o menino que meu deu meu primeiro beijo, mesmo não sendo um beijo de verdade... convivemos juntos até os meus 15 anos mas depois disso, meus pais se mudaram de São Paulo e eu fui tentar minha carreira...
No começo nos falávamos bastante, pois a saudade era muita, me lembro que sentia (e até hoje sinto) saudades apenas de estar junto dele, me sentia confortável, protegida e totalmente à vontade. Não tive uma melhor amiga, era o Leandro e pronto! Parece até coisa de reencarnações passadas!
Minha família às vezes se reúne com a dele em datas especiais como Natal e Reveillón, mas eu, como trabalho muito, se passei duas vezes essas datas com eles foi
muito
Agora, com apenas 21 anos, mas com a carreira de estilista consolidada, me sentia à vontade pra deixar Paris por alguns dias e voltar ao Brasil e visitar todos. Conversei com minha mãe pelo telefone e ela me disse que Regina e Franco (os pais de Leandro) dariam uma festa para comemorar não me lembro o quê! Eu a “enganei”, dizendo que estava lotada de trabalho e que não poderia ir, mas na verdade queria fazer uma surpresa para todos! Meu namorado daqui não gostou muito da idéia porque sabia que minha relação, mesmo que distante com Leandro, não havia sido bem resolvida, e que isso poderia gerar problemas. Mas ele acabou concordando...
Pego o avião hoje à noite...
A viajem toda fui lendo meu diário e relembrando o meu passado... depois de chegar a São Paulo, peguei um táxi e fui direto para a chácara da família de Leandro.
Chegando ao meu destino, percebi que havia muitas pessoas, algumas eu nem me lembrava mais, eles deviam estar comemorando algo bem especial mesmo...
Minha mãe veio correndo falar comigo:
- Solange: Filha, porque você não me avisou? Eu ia te buscar no aeroporto, deve ter pagado uma nota pelo taxi?
- Gabi: Ah, mãe queria fazer uma surpresa, né! É mais interessante.
- Solange: Todos perguntaram de você! Sempre sentem sua falta!
- Gabi: Ahh é? E quem está aí, vamos entrando! Quero rever todo mundo!- disse eu já aflita.
- Solange: Mas minha filha, fala com sua mãe direito. Como foi a viajem? Dormiu bem? Teve dor de cabeça?
- Gabi: Mãe, deixa-me ver todo mundo, devo ficar aqui uns dez dias, vai dar tempo de te contar tudo direitinho...
- Solange: Nossa filha! Isso tudo é saudade da sua mãe, é?
- Gabi: Mãe.... não faz chantagem, né! Por favor...
Vou entrando com minha mãe até avistar Regina:
- Regina: Minha querida! Que saudades! Você sumiu, nunca mais veio nos visitar.
- Gabi: é verdade Rê, me desculpe, estou em falta com todos vocês, mas é que tenho trabalhado muito!
- Regina: Nossa! Mas como você está bonita! Tão chique! O Leandro ia a-do-rar te ver, ainda mais assim de surpresa! Vai lá, ele está no quarto.
- Gabi: Brigada Rê... essas roupas são da minha grife, trouxe até umas pra você, depois te entrego, tá! Agora vou lá ver o Lê, espero que ele não esteja com raiva de mim, né!
- Regina: O Lê? Com raiva de você? Claro que não querida!
- Gabi: ele continua no mesmo quarto?
- Regina: no mesmo, aqui nada mudou! Você ainda se lembra?
- Gabi: Claro que sim... vou indo então...
- Regina: Tá jóia... depois você volta aqui pra fora que o Batata está fazendo aquele churrasco que você e o Leandro adoram...
- Gabi: Humm, que delícia, como senti falta disso tudo!
Então fui procurar Leandro... queria ver como ele estava, se ainda tinha aquele sorriso encantador, que mesmo estando longe não saía da minha cabeça... Minha mãe e a mãe do Leandro sempre sonharam em nos verem casadas, mas depois, o tempo foi passando... eu me desviei pra outros cantos, achava até que elas já haviam desistido dessa idéia apesar da minha mãe nunca ter gostado de nenhum namorado e meu e sempre dar indiretas sobre o Leandro, mas agora que voltei percebi no olhar delas que este desejo se acendeu novamente.
Pena que elas não sabem que tenho namorado! Às vezes eu até evitava contar pra minha mãe sobre eles porque senão seria mais um sermão, aquela ladaínha de sempre...
Custei chegar ao quarto de Leandro, pelo caminho encontrava vários amigos, inclusive os irmão de Leandro - Bruno e Kiko - que também tiveram grande participação na minha infância.
Kiko, continuava a mesma coisa... falante e muito alto por sinal:
- Kiko: Gabi? Não acredito! Até que enfim você apareceu...
- Gabi: Nossa Kiko, que saudades! Você pelo jeito não pára de crescer, né! Saí daqui você já era grande, agora tô até com vergonha de ficar perto de você!
- Kiko: Pois, é, mas fazer o quê, né!... Vamos lá pra fora, tá um dia lindo.
- Gabi: é verdade, mas vim ver o Leandro, sua mãe me disse que ele está no quarto.
- Kiko: Ahhh, sim claro! Como não lembrei... Você e o Leandro, um caso antigo...
- Gabi: Kiko deixa de besteira. Mas daqui a pouco vou lá pra fora sim.
- Kiko: Se o Leandro deixar, né!
- Gabi: Até parece, né Kiko!
- Kiko: Ué, não se lembra como é meu irmão?
Fiz uma cara de que me lembrava sim (Leandro gostava de exclusividade!), nos despedimos com um beijo no rosto e logo que passei por uma outra sala encontrei o Bruno, que continua o mesmo brincalhão e galinha de sempre, não pensava nem duas vezes pra cantar uma menina! Nem se fosse eu!
- Gabi: Bruno!? Que saudades!
- Bruno: Gabi! Eu é quem digo...
- Gabi: E aí, tá namorando?
- Bruno: Namorando, eu? Claro que não né Gabi, só se fosse com você...
- Gabi: Ahhh, Bruno! Percebi que continua o mesmo, né!
- Bruno: é o meu jeito charmoso, né Gabi! Mas e você?
- Gabi: Eu? Tô só trabalhando, e muito... Já vi o Kiko e você, deixa eu ir ver seu irmão...
- Bruno: Tá jóia, depois a agente se fala mais...
Demorou, mas ao chegar na porta do quarto de Leandro meu coração gelou!
- Gabi: Posso entrar? - disse eu batendo na porta e logo em seguida abrindo-a.
- Leandro: Pode!- disse ele distraído e de costas para a porta que nem reconheceu minha voz...
- Gabi: Nossa! Obrigada pela receptividade, mas achei que tivesse com a mesma saudade que tô de você!- disse eu já quase fechando a porta.
- Leandro: GABI???- ele se virou bruscamente e veio logo me dando um abraço que me levantou do chão...
- Gabi: Eu mesma! Lê me coloca no chão! Seu louco!- disse eu fazendo charme, mas querendo mesmo era ficar nos braços daquele homem lindo que ele havia se tornado...
- Leandro: Nossa! Gabi que saudades! Esqueceu da gente né!- me colocando no chão.
- Gabi: Claro que não né, Lê! Vocês sempre estiveram no meu coração, mas é que nestes tempos trabalhei muito!
- Leandro: é, deve ter trabalhado muito mesmo! Está mais linda do que nunca...
- Gabi: Impressão sua Lê! Continuo a mesma pessoa! Mas e você, hein! O que tá fazendo ai!- disse eu indo a direção ao computador que ele estava mexendo.
- Leandro: Ahh, você não sabe, né! Eu, o Bruno e o Kiko estamos montando uma banda de Pop-româtico, eu tô aqui pesquisando outras músicas.
- Gabi: Ahhh, então é isso que vocês estão comemorando hoje aqui?
- Leandro: é verdade! Isso mesmo...
Passamos o dia todo conversando... como aquele garoto estava lindo, tinha que me segurar para não trair meu namorado francês, mas a cada palavra que ele dizia, a cada história que ele me contava eu me derretia e lembrava da minha paixão de infância, mas apesar de todo este êxtase, continuava me sentindo totalmente à vontade com ele.
Já era noite, grande parte das pessoas já tinha ido embora e na chácara só havia ficado a minha e a família de Leandro. Era quase uma família só!
Estávamos todos jantando, algumas pessoas na mesa, outras espalhadas e Eu e Leandro sentados em um sofá de dois lugares.
A vó de Leandro, Vó Luiza, era como uma avó pra mim, as minhas avós maternas e paternas já haviam falecido e da parte de Leandro ela era também a única. Ela, como a maioria das avós, era muito calma, mas Vó Luiza tinha um diferencial, sempre dizia tudo o que achava e eu a respeitava muito por isso...
Um silêncio estava na sala até que...
- Vó Luiza: Leandro, meu neto! Olha como esta menina está bonita! Porque você não namora ela? Vocês combinam tanto!- todos riam, menos Eu que fiquei morrendo de vergonha!
- Leandro: é verdade Vó, a Gabi está linda mesmo, eu já disse isso pra ela, mas ela me abandonou e agora que voltou tão bonita nem vai me querer!
- Gabi: Cof, cof, cof... - essa situação inesperada me fez até engasgar, eu não me olhei no espelho na hora, mas juro que se pudesse fazer isso iria me ver como um tomate, além de tudo estava com um pouco de raiva do Leandro por ele ter jogado a batata quente pra mim...
- Gabi: Pois é Vó Luiza, mas agora cada um já tem sua vida, né! Bom, vou lá pra fora tomar um ar.- disse eu me esquivando da situação...
Passei pela cozinha, deixei meu prato e talhares, peguei um copo d’água e saí andando...
Quando ainda estava no jardim da chácara...
- Franco: Gabi! Posso falar com você?
- Gabi: Oi Franco! Nem deu tempo de nos falarmos direito, né! Pode sim, claro!
- Franco: Olha, vou te dizer isso porque sei que você me vê como um segundo pai pra você!
- Gabi: Claro, Franco! Tanto você como a Rê, sempre foram muito especiais pra mim e respeito muito vocês! Mas... é alguma coisa grave?- disse eu assustada pelo modo como ele me abordou...
- Franco: Bom, depende do ponto de vista...
- Gabi: Então fala...
- Franco: Na verdade, é porque percebi que você ficou envergonhada quando a Vó Luiza disse aquilo, e também não adianta negar pra ninguém que você e meu filho Leandro sempre foram apaixonados! Porque foge disso? Tem medo de quê?
Eu não disse nada, eu apenas o abracei, não havia o que dizer, eu não podia mentir pra ele!
- Franco: Minha querida! Não tenha medo de amar! Vendo você com uma filha, como eu te vejo, só espero sua felicidade!
- Gabi: obrigada Franco! Eu amo muito vocês viu!
- Franco: Querida, às vezes as coisas não apenas acontecem, as coisas sempre acontecem por algum motivo! Promete que pensa com carinho no que te disse?
- Gabi: Prometo! - disse eu quase chorando...
Aquele encontro, com todas aquelas pessoas me fazia reviver muitas coisas, eu realmente fiquei pensando no que Franco tinha me dito porque as palavras dele me tocaram... e também fiquei pensando em como por um segundo sua vida pode mudar, como eu pude quase me “desligar” completamente de pessoas que são tão importantes pra mim... Naquele momento também percebi que nem todo dinheiro que eu tinha poderia me trazer de volta esses momentos e nem ter a certeza de que Leandro realmente me amava, e por isso eu sentia medo, medo de errar, de me magoar, e acabar com a nossa amizade de tantos anos! Resolvi ir dormir, pra ver se as coisas se esclareciam um pouco na minha cabeça.
No outro dia ficamos conversando, colocando as fofocas em dia, entreguei os presentes, ficamos na piscina...
Quando estava sentada em um sofá na varanda da chácara, Leandro veio e se deitou com a cabeça no meu colo como se estivesse pedindo um cafuné.
- Gabi: Até imagino o que queira... Será que ainda gosta do meu cafuné!?
- Leandro: Não sei, só você fazendo pra eu ver...
Fiquei fazendo o “meu cafuné” naqueles cabelos sedosos, não era só ele que gostava, eu também! Mas teve uma hora em que não agüentei.
- Gabi: Lê, não acredito que você não tem namorada?
- Leandro: Mas eu tenho! E agora ela está bem perto.
Entendi a indireta bem direta que me deu uma alegria no coração, fiquei um pouco com vergonha e acabei desviando o papo para outros assuntos...
Á noite, que estava fria e ma-ra-vi-lhosa ficamos nos chalés tomando vinho e comendo fondi. Mas acho que passei da minha cota de bebida, afinal, estava empolgada ao rever todos...
- Gabi: Lêêêê. Vem dançar comigo!- disse eu me levantando da mesa e quase nem conseguia me equilibrar direito.
- Leandro: Gabi, agora não! Você sabe que não gosto de dançar.- disse ele fazendo cara ruim e morrendo de vergonha.
- Gabi: Annnnda Lê! -disse eu puxando ele pelo braço...
- Bruno: Íííííííí Leandro, agora vai ter que ir...
- Leandro: Bruno, vê se não enche!
- Bruno: Tudo bem, mas é a Gabi que está pedindo...
- Gabi: Isso mesmo Bubu, por isso é que gosto você. - disse eu me insinuando um pouco para o Bruno.
Leandro olhava morrendo de vergonha e com ciúmes por eu ter dito aquilo para o Bruno, mas se levantou para tentar acabar com aquilo tudo...
Quando eu me levantei, no primeiro passo que eu dei quase caí no chão, isso só não aconteceu porque Leandro estava perto e me segurou. Todos se assustaram com a minha atitude. Nunca tinha ficado naquele estado.
- Solange: Filha, por que você não vai dormir um pouco?
- Gabi: Íiii mãe! Você também é? Como você está careta! Dormir? Há essa hora? Isso não é hora nem de criancinha ir dormir! Eu não quero dormir não...
Eu mal sabia que já as passavam das duas e meia da madrugada!
- Leandro: Acho que vou levá-la pro quarto. - disse ele se despedindo de todos e me pegando no colo.
- Bruno: Lê quer ajuda?
- Gabi: Eu não quero ir, me deixa aqui, o que quero dançar a nooooite TODA!- estava completamente tonta.
Mesmo assim Leandro me levou...
Antes de chegar no quarto já estava dormindo, Leandro me levou até lá, me colocou na cama, tirou meus sapatos.
Por alguns minutos ficou me admirando enquanto eu resmungava algumas besteiras...
- Leandro: Minha florzinha! Quanta saudade eu senti de você neste tempo todo. - disse ele acariciando meu rosto e me arrumando na cama.
- Leandro: Porque demorou tanto, hein?
Ele sempre me chamou de florzinha quando estávamos sós nós dois.
Uma vez ele até me disse que era porque eu tinha a pele muito branquinha, que contrastava com meus olhos azuis e meus cabelos loiros.
“Delicada como uma flor” - palavras dele.
...como eu o amava e não dava valor e nem percebia...
Mas os dias se passaram e eu já tinha que voltar pra Paris porque tinha que começar a montar minha nova coleção de roupas para o próximo inverno. Durante todo este tempo em que ficamos juntos, apesar de queremos muito nos entregar um ao outro, tanto eu quanto Leandro, e nos sentirmos à vontade, estávamos tímidos, era como se não precisasse correr, as coisas aconteceria na sua hora, e pra nós aquilo já estava predestinado.
Na última noite em que estava na chácara...
Andei, andei, andei e cheguei até a tal grande árvore em que Leandro me deu meu primeiro beijo e também era nesta árvore que havíamos gravado nossos nomes com canivete dentro de um coração quando eu fui pra Paris. Me sentei encostada na árvore iluminada apenas pela luz da lua cheia daquela noite. Chorei um pouco (quer dizer, chorei bastante...), mas tentei secar minhas lágrimas quando percebi que alguém estava chegando...
- Leandro: Vim aqui porque sabia que você estaria aqui, mas não precisa parar de chorar!
- Gabi: Quem disse que eu estou chorando... - disse secando as lágrimas e me levantando.
- Leandro: Gabi! Você se esqueceu com quem está falando? Eu te conheço muito bem... por todo este tempo em que ficamos sem nos ver também chorei muito, sempre que vinha pra cá, eu vinha até esta árvore...
- Gabi: é, ela é muito especial mesmo.
Silêncio...
- Leandro: Este cara que você está namorando não é sério não, né!- disse ele quebrando o silêncio...
- Gabi: Como sabe que eu estou namorando?
- Leandro: Ahhh Gabi, se não estivesse é claro que não estaríamos assim, né!
- Gabi: eu apenas mostrei minha mão direita com um anel em um dedo estratégico, e ... me afoguei em lágrimas...
Ninguém, nem mesmo a minha mãe sabia, eu não contei pra ninguém que antes de voltar para o Brasil meu namorado de Paris havia me pedido em noivado...
- Leandro: Ahhh, não! Como pôde fazer isso?- apesar da suspeita ele não esperava a confirmação e ficou indignado.
- Gabi: me desculpa. - continuava chorando muito e só tinha forças pra dizer aquilo...
- Leandro: Gabi! Você acabou com a nossa história! Também, como eu fui idiota em pensar que ia acharia com 10 anos a minha cara-metade. - disse ele andando triste e indignado voltando pra chácara...
Eu me senti tão diminuída que nem fui atrás dele, isso era covardia da minha parte (eu sei!), mas seria ridículo se eu tentasse explicar alguma coisa, afinal, eu, somente eu errei em toda essa história.
Fui covarde mesmo e tive medo. Como devia ter escutado melhor e seguido os conselhos de Franco. Mas eu também tinha um compromisso com o meu namorado de Paris, eu não podia simplesmente ignorá-lo.
A partir daquele momento minha vida tinha virado de cabeça pra baixo...
No outro dia...
Arrumei minhas malas, fui para o aeroporto, todos estavam lá para se despedirem de mim, quer dizer... Leandro, quem eu mais queria que estivesse lá, não foi! Usava óculos escuros para que ninguém percebesse meus olhos inchados de tanto chorar durante toda aquela noite que havia passado só pensando naquela situação... e assim parti, com o coração na boca... e a vontade de ficar pra sempre.
Fui dormindo durante a viajem porque se ficasse acordada com certeza iria pensar e pensar mais naquilo tudo era capaz da minha cabeça explodir!
Enquanto eu viajava de volta à Paris, Leandro se refugiava em um apartamento que havia comprado somente para este tipo de ocasião em que ele quisesse ficar sozinho. Toda a sua família tentava falar com ele por telefone, pois sabiam que ele estava bem triste com alguma coisa que até então ninguém sabia sobre o quê era, só eu e ele. Mas ele deixou tudo desligado! Bruno então decidiu ir até o apartamento do irmão...
Bruno tocou a campainha.
- Leandro: Ahhh meu Deus, será que nem aqui posso ter um minuto sequer de sossego? - disse ele abrindo a porta mal humorado.
- Bruno: Iííí Leandro, qual é? Tá de TPM é?- disse Bruno com seu jeito brincalhão!
- Leandro: Bruno vê se não enche!
- Bruno: Pô brother, tá todo mundo lá em casa preocupado com você. O que aconteceu, hein?- disse Bruno percebendo que tinha algo de errado com o irmão.
- Leandro: Mas será que ninguém me esquece não, hein!
- Bruno: Sua família não vai te esquecer nunca. Pô Leandro, se abre, vai! Quem sabe posso te ajudar!
- Leandro: Vou te explicar então. Senta aí, vai! Tô precisando mesmo de alguém pra conversar. Se não é capaz de ficar maluco.
Bruno e Leandro conversaram durante um bom tempo. Leandro contou tudinho para o irmão e pediu que não contasse nada à família para que eles não ficassem preocupados.
No entanto, eu que já havia chegado à Paris, não estava agüentando todo aquele sofrimento, aquele aperto no peito e aquela culpa enorme por estar fazendo tudo errado com a minha vida!
Decidi então voltar ao Brasil e resolver esta questão com Leandro.
Como não sabia da compra deste apartamento, fui até a casa de seus pais.
- Regina: Querida! Que bom que você voltou! Só você pra ver se dá um jeito no Leandro, ele está tão triste ultimamente, nem voltou pra casa desde o dia em que você voltou pra Paris. Tô tão preocupada...
- Gabi: Onde ele está?- disse eu também preocupada.
- Regina: Ele só conversou com o Bruno até agora, ele está no apartamento dele.
- Gabi: Apartamento dele?
- Regina: É, você sabe como o Leandro é reservado, né! Quis comprar um apartamento só pra ele. Ele disse que é para os momentos de reflexão, vai entender!
- Gabi: É... eu posso ir lá?
- Regina: Claro, só a você ele ouviria.- disse ela não sabendo que o problema dele era comigo.
- Gabi: Brigada Rê.- disse eu saindo correndo logo após pegar o endereço.
Enquanto isso Bruno chegou em casa...
- Regina: Bruno! Você não adivinha quem voltou. Graças a Deus... Seu irmão agora melhora!
- Bruno: Ahhh não! Não me diga que é a Gabi!
- Regina: Claro filho! Quem mais poderia ser?
- Bruno: Ai meu Deus... e agora?
- Regina: Porque esta preocupação menino?
- Bruno: Nada não, mãe. Talvez seja melhor, eles terem uma conversa mesmo...
- Regina: Foi o que eu achei mesmo...
Leandro procurava alguma coisa pra fazer, estava totalmente impaciente, Bruno havia lhe encorajado pra que ele me ligasse ou fosse atrás de mim. Que ele lutasse pelo nosso amor!
Se não desse certo, pelo menos ele havia tentado e depois disso ele partiria pra outra.
Agora o importante era lutar!
Ao chegar ao apartamento de Leandro meu coração gelava, mas tinha plena certeza do que eu queria.
E, o que eu queria era ficar pra sempre com aquele homem que me completava, me fazia completamente feliz e que me entendia só pelo olhar. E foi justamente quando ele abriu a porta e que nossos olhares se cruzaram é que tive realmente certeza disso, e parecia que ele também.
Mas, ele não queria demonstrar isso e continuou com seu orgulho. E isso, por um instante me deixou em dúvida. Como já estava lá ele me convidou pra entrar, de uma forma bem fria, mas convidou.
- Leandro: O que você está fazendo aqui?
- Gabi: fiquei calada...
- Leandro: er... quer dizer, entra!
- Gabi: Leandro, eu acho que precisamos conversar, né!
- Leandro: Eu sinto atração por você. - disse ele me pegando totalmente de surpresa.
- Gabi: Ahn??? Como assim?
- Leandro: Sinto vontade de te beijar... - disse ele se aproximando de mim.
- Gabi: é... mas você não está com raiva de mim?
- Leandro: Gabi... pensei muito durante todos esses dias, e percebi que não vale a pena ficar me lamentando, e mesmo que você esteja noiva, vou continuar lutando por você.
- Gabi: Eu, eu... eu não sei o que te dizer, esperava outra reação sua...
Silêncio.
Ele chega mais perto de mim, me segura a mão. Acaricia a pele com os dedos, como se fosse um tesouro. E eu, fico olhando para ele, incrédula. Como? O que ele estava dizendo?? Não era pra ele estar com raiva de mim? Ele está dizendo que me quer? Assim... como se já estivesse esperando por mim? Mil perguntas passam pela minha cabeça, resistente. Ele espera impaciente, desejando beijar minha boca... Eu, enfim fecho os olhos... Ele aproveita a deixa e me beija... beija, colocando neste beijo o desejo acumulado de tanto tempo. Cedi e retribui...
Silêncio, somente corpos se movendo... Mãos se tocando... A primeira vez de um amor inesperado...
Era somente uma noite. Mas, poderia não ter sido nenhuma, se nenhum dos dois desse o braço a torcer, poderíamos ter ficado cada um no seu canto, morrendo de saudade, tristes por não estarmos juntos. Por isso, aquele era todo o tempo do mundo. Fui mimada, cuidada, acarinhada, protegida, amada, MUITO amada (ele também...). Após o banho, cochilei, deixei me levar naquela preguicinha gostosa,
que embala o corpo após o amor ter sido feito tão gostoso daquela maneira.
Ouço barulho na cozinha, mas, ouço tão longe que nem penso em mais nada... Fico naquela cama, com cheiro de Leandro, com calor de Leandro, com as marcas das nossas travessuras... Não sei como, mas, sinto a presença dele no quarto, mesmo estando cochilando de leve, acordo. E a cena me enche de ternura e emoção.
Ele parado, encostado na parede, apenas de cueca samba-canção, sorrindo e me observando dormir.... Lindo, ele é lindo! Esse sorriso foi tudo. Aquele sorriso valeu tudo.
Atravessaria novamente o oceano somente pra ver esse sorriso, essa cena. Somente pra sentir o cheiro e o calor de Leandro. Beijar aquela boca e colar meu corpo junto ao dele. Dar colo e beijos infinitos.
Agora estava completamente realizada, perecia até que eu era virgem e Leandro tinha me feito mulher, apesar de isso ser mentira... mas era como eu me sentia.
Então ele veio, se deitou ao meu lado e me beijou mais algumas vezes.
- Leandro: Bom, dia florzinha!
- Gabi: Bom, dia meu bebê!
- Leandro: E aí, dormiu bem?
- Gabi: Se eu dormi bem? Claro! Com você!
- Leandro: Então, o que você acha da gente ir almoçar lá em casa? Liga para os seus pais convidando eles também!
- Gabi: Hummm, que delícia. Já tô morrendo de fome mesmo... Acho ótimo.- disse eu já me levantando.
- Leandro: Hei, espera um pouco...- disse ele me puxando
- Gabi: O que foi, Lê?
- Leandro: Você quer namorar comigo?
- Gabi: Ahhhh, Lê, mas é claro! Eu te amo tanto...
Ficamos namorando e nos curtindo mais um pouco na cama, enquanto ele “assistia” a corrida de fórmula um, tomamos café juntos, tomamos um banho delicioso e fomos para a casa dos pais dele.
Todos adoraram saber que agora estávamos mesmo namorando...
Leandro foi jogar bola com os primos e irmãos lá no campo de grama da casa dele... ele fez muitos gols pra mim e tirava sarro dos irmãos pernas de pau...
Eu, Regina e minha mãe ficamos apenas assistindo e dando boas risadas...
- Regina: Será que meu filho não vai crescer não, hein Gabi?
- Gabi: Ahhh Rê........ tomara que não!
- Regina: também, né, olha pra quem fui perguntar! Você e o Leandro estão praticamente em lua de mel, você nunca ia falar o contrário.
- Gabi: Hahaha, bom, não vou mentir pra você... hahaha...
Eu e o Lê estávamos mesmo em lua de mel no nosso namoro, tudo estava as mil maravilhas...
O dia terminou assim, o Lê me levando em casa, eu indo dormir pensando nele e ele pensando em mim...
Na verdade nem consegui dormir, estava morrendo de sede, mas não era sede de água ou suco, era sede de Leandro, sede de ficar perto dele... Decidi pegar o carro que meu pai tinha comprado pra mim. Fui até o apartamento dele, algo me dizia que ele estaria lá... ele já tinha até me dado à chave! Só podia estar lá mesmo...
Feliz da vida entro no apartamento dele.
Um pouco sonolenta, confesso, mas, a alegria era tanta que nem me lembrava mais disso... Ele aparece no corredor da sala e diz, "espera um pouquinho", depois de uns segundo ele volta e diz:
- Leandro: Ah! tudo certo, seja bem vinda, meu amor!
Sorrindo eu entro, jogo tudo pelo chão, blusa, bolsa, chaves e o abraço forte, intensamente, desejando que cada pedacinho de mim encostasse-se a ele. Eu percebo, que o que ele tinha deixado preparado era mais um de seus “carinhos surpresa”. No dvd, o show acústico do Lulu Santos. Aquele que eu tinha enviado no ano passado no aniversário dele, e sabíamos, que um dia iríamos assistir juntinhos. E foi exatamente o que aconteceu.
Nos emocionamos imensamente. Aquele colo era camarote para assisti-lo, lembrando agora me emociono e novamente me vejo com lágrimas nos olhos.
E ficamos assim, abraçadinhos, agarradinhos, assistindo...
Sei que nós assistimos uma, duas, nossa, três vezes... Não enjoava.
Eu queria mais era me enroscar em Leandro e que ele cantasse baixinho, olhando em meus olhos e deixar que aquelas letras estivessem mais vivas do que nunca...
"Ela me encontrou, eu tava por aí, num estado emocional tão ruim, me sentindo muito mal, perdido, sozinho, errando de bar em bar, procurando não achar... Ela me faz tão bem, ela me faz tão bem, que eu também quero fazer isso por ela...", tem mais, "...Eu te amo calado, como quem ouve uma sinfonia, de silêncios e de luz, nós somos medo e desejo, somos feitos de silêncio e sons, tem certas coisas que eu não sei dizer..."
...e por aí foi.
Em um certo momento, inevitavelmente, nossos carinhos foram sendo mais intensos, era o clima que nos envolvia, era a magia do momento que nos comandava. Deitei no sofá, e ele no chão, Leandro beijava minhas pernas, joelho, meus pés, não parava de
dizer "linda, você é linda...", precisava sentir sua boca em mim, todinha.
Livrei-me do que ainda vestia, e pude contemplar na visão mais deliciosa que podia ter daquele homem em mim. Entre minhas pernas. Feito menino travesso. Homem que precisa da sua fêmea. Homem que faz amor comigo.
A língua dele já conhecia meus caminhos, tão bem quanto eu mesma. Não havia limites para carinhos ou pedidos, desejos e taras. Eu precisava senti-lo em todas as dimensões possíveis.
Enfiava os dedos nos cabelos dele, pedia por mais, queria mais, muito mais, tremia e
arqueava o corpo, vez ou outra, ele me olhava, um olhar safado e gentil, que me aquecia por dentro, renovando meus licores e suores.
Ficamos assim, nem sei por quanto tempo. E esse, foi só o começo do nosso tempo.
O primeiro gozo de muitos gozos.
E ao fundo a música permanecia sendo a trilha sonora do nosso amor...
"Mas o teu amor me cura, de uma loucura qualquer, é encostar-se ao teu peito e se isso for algum defeito por mim, tudo bem...". Tolice, é viver a vida sem
aventura".
No outro dia pela manhã, acordamos mais apaixonados do que nunca! Era como se o nosso amor estivesse se solidificando cada vez mais e sem culpa e medo de nada, o que nos fazia mais felizes!
Fomos almoçar na casa dos pais do Leandro e lá estava uma parte da família reunida, que nem ele os conhecia direito...
- Regina: Leandro, que bom que vocês vieram almoçar aqui!
- Leandro: Claro mãe! Sua comida é a mais gostosa...
- Regina: é que aquela minha irmã do Paraná veio nos visitar e acho que você e os seus irmãos ainda não os conhecem direito! Vamos lá para eu apresentar a você!
- Leandro: Tá jóia...
Nisso eu fui ao banheiro... ao passar no corredor entrei no quarto do Bruno pra conversar um pouco com ele, e nisso, lá na sala...
- Regina: Lê, esta é a sua tia Rosana!
- Rosana: Nossa, mas como meu sobrinho está grande! Filha vem aqui...
Até então o Leandro nem sabia da existência dessa tal prima distante...
- Renata: O que foi mãe!
- Rosana: Filha, olha como você tem um primo bonito! Este é o Leandro, filho da Regina!
Renata era muito “assanhada” e logo foi se cumprimentar de beijinho e tudo para o primo. Então, quando estava voltando pra sala, ouvi a Rosana dizer...
- Rosana: Regina, se não fossem primos bem que poderiam namorar, né!
Leandro ficou sem graça, eu fiquei sem graça e Regina mais ainda... não esperava que a irmã dissesse aquilo...
- Regina: pois é, né Rosana... mas o Leandro tem namorada... e olha como ela é linda também. Vem cá Gabi!- disse ela tentando concertar um pouco a situação para que eu não ficasse tão constrangida...
- Leandro: Vem cá meu amor...- disse ele com uma cara de que não tinha culpa...
Renata me olhava parecendo que ia me furar com os olhos e ela era tão vulgar que me dava nojo.
- Gabi: O que foi Lê?- disse eu tentando disfarçar a raiva e o ciúme.
- Leandro: é que eu acabo de conhecer uns parentes da minha mãe que são lá do Paraná. - ele disse e me deu um beijo.
Durante o dia todo me sentia desconfortável, mas só por causa da presença daquela garota, porque sempre freqüentei a casa e nunca havia me sentido daquele jeito. Não desgrudava de Leandro um minuto sequer, mas era só eu ir ao banheiro ou qualquer outra coisa que a tal garota logo arranjava um jeito de ficar perto do meu namorado.
Tinha deixado minha bolsa em um dos quartos de hóspedes da casa e quando estava voltando...
- Renata: é, você não acha que o Leandro é muita areia para o seu caminhãozinho não?- ela disse isso sem um pingo de cerimônia e cara de pau.
- Gabi: Ahhh, você acha mesmo? Ele nunca reclamou de nada e sempre me deu provas disso...
- Renata: Ahhh é! Quais?
- Gabi: olha, eu não te devo explicações... e dá licença que eu tenho muito mais o quê fazer do que bater boca com uma pessoa que eu mal conheço e que também não faço questão nenhuma de conhecer...- disse eu saindo...
- Renata: é, mas fica de olho aberto!
- Gabi: eu confio no meu namorado, garota!- disse sem olhar pra trás.
Por culpa dessa garota a tarde demorou a passar, mas quando ela estava indo embora...
- Rosana: Leandro não vai despedir da tia, não?
Estávamos conversando e ele respondeu mais por obrigação - Leandro: Claro.
Ele apenas deu um abraço em Rosana e me chamou para irmos para o quarto dele, desprezando completamente Renata.
Quando cheguei no quarto dele, fiz ele ir tomar banho ele me chamou para ir com ele mas, arranjei uma desculpa e fui até Renata.
- Gabi: Então, quem é que não tem areia para o caminhão, hein?- sai andando...
Ela ficou morrendo de raiva e nunca mais deu notícias...
Depois que elas foram embora e enquanto Leandro tomava banho fui conversar com a Regina.
- Gabi: Rê, mas o que era aquela menina dando descaradamente em cima do Lê?
- Regina: Pois é Gabi, também fiquei boba... desde que saí do Paraná nunca mais tive contato com elas e elas chegaram aqui sem serem convidadas. Te peço desculpas pelo transtorno, viu!
- Gabi: Ahhh que isso Rê. Olha, mas na verdade, aproveitando que o Lê está tomando banho, vim aqui conversar com você sobre o aniversário dele...
- Regina: pois é, também queria falar com você sobre isso, já está chegando, né!
- Gabi: Olha ele têm me falado muito que está com vontade de ir para Paranapanema... aí eu minto pra ele dizendo que vamos sós nós dois e a gente faz uma festa surpresa, o que você acha?
- Regina: Nossa Gabi, eu adorei!
- Gabi: Só que ai vocês terão que ir um ou dois dias antes pra arrumar tudo, né!
- Regina: sem problema nenhum...
- Leandro: que bom que não tem problema nenhum, né mãe! Sobre o que vocês estavam conversando?
- Gabi: tá curioso, é!- disse eu indo abraçar ele.
- Regina: coisas de mulher...
- Leandro: ahhh, esses papos de mulher... Gabi, você quer dormir aqui?
- Gabi: não, Lê... tenho que ir pra casa, porque amanhã tenho que arrumar algumas, né Rê! E ainda tenho que procurar alguns escritórios para o meu atelier aqui no Brasil.
- Leandro: então te levo até em casa...
Me despedi de todos e Leandro me levou em casa...
Os dias foram passando, o dia 22 de julho se aproximando e, neste meio termo fui combinando tudo com a Regina, no dia 21, uma sexta-feira, arrumei minhas coisas e fui pra o apartamento de Leandro.
- Leandro: oi meu amor! tudo bem? Está pronta para o nosso fim de semana romântico?
- Gabi: Claro! e você?
- Leandro: o que você acha?
- Gabi: não sei... só escutando da sua boca!
Ele fez um suspense... - Leandro: tô meio preparado, é que eu não sei arrumar malas direito... me ajuda? - ele disse com uma cara tão fofa e verdadeira pedindo colo...
- Gabi: Ufa, que alívio... vamos lá, eu arrumo pra você!
Fui tirando as roupas que já estavam da mala, porque estava toda bagunçada, e algumas roupas do guarda-roupa e ele ficou deitado na cama me olhando atentamente...
Leandro estava com uma camisa preta social de mangas normais, calça jeans e aquele cabelo desfiado penteado pra frente, meio de lado (que eu adoro!)... enquanto arrumava a mala dele, ia conversando, perguntando o que ele queria levar. Mas estava distraída e um pouco preocupada com os preparativos que nem percebi... ele veio chegando pertinho, me encostou em uma das portas do guarda-roupas que estava fechada...
- Leandro: eu ia fazer isso só lá no sítio, mas olhando assim pra você, tão preocupada comigo, tão dedicada e linda como sempre, não me contive.- ele pegou uma caixinha no bolso...
O olhei tão emocionada que não pude me conter e uma lágrima rolou em meu rosto, fiz carinho no rosto dele...
- Leandro: Gabi... Você quer se casar comigo?- disse ele já colocando um enorme anel de brilhantes em minha mão e enxugando a lágrima que rolou no meu rosto...
- Gabi: mas... Porque você quer se casar comigo?
- Leandro pensou um pouco só pra me deixar “insegura”: Pra poder te beijar toda hora que eu quiser!
Não disse nada, apenas deixei que ele me beijasse e, dentro de mim uma alegria enorme crescia e se concretizava naquele momento... Me casar com Leandro era tudo o que eu mais queria na vida!
Durante a viajem recebia muitos telefonemas da Regina me contando como estava os preparativos e Leandro ficava curioso porque cada hora inventava um desculpa...
Meu celular tocou...
- Leandro: Nossa! Mais um telefonema! Quem é, hein! Tô ficando com ciúmes...
- Gabi: é o pessoal do atelier, é por causa da nova coleção, Lê!- disse eu mentindo porque era a Regina.
- Leandro: Ahhh, tá! Mas depois você desliga isso porque este fim de semana é só nosso!
- Gabi: Ahãn...- eu estava prestando mais atenção no que Regina me contava...
Minha sorte era que Leandro havia parado em posto de gasolina pra abastecer o carro e eu poderia falar melhor com a mãe dele.
- Gabi: E aí, Rê? Tá tudo certo?
- Regina: Certíssimo. Onde vocês estão? Aqui já está tudo pronto...
- Gabi: o Lê parou agora pra abastecer naquele último posto... já estamos bem perto...
- Regina: Ahhh que bom. Quando vocês estiverem chegando, você dá um toquinho no celular que aí todo mundo corre lá pra dentro... nós até já escondemos os carros na casa do vizinho...
- Gabi: Tá jóia... podexá...
Quando estávamos quase chegando na chácara, disfarcei, dei um toquinho no celular da Regina...
Já devia ser umas 7 horas da noite então já estava escuro...
Regina, Franco, Bruno, Kiko, e todos os amigos correram pra dentro da casa...
- Leandro: Nossa Gabi, será que o caseiro faltou hoje?- ele estava preocupado...
- Gabi: Ahhh Lê, sei lá... a gente devia ter perguntado para o seu pai, né!- eu disfarçava.
- Leandro: Depois a gente tira as malas do carro, vamos entrar que eu tô com fome.
- Gabi: eu também, Lê...
Leandro ia me beijando e eu ia policiando eu e ele para que a gente não avançasse o sinal, afinal deviam ter mais de cinqüenta pessoas esperando a gente dentro da casa...
- Leandro: me dá mais um beijinho, vai!
- Gabi: não Lê, pára...
- Leandro: esse final de semana é só nosso!
- Gabi: ahhh é???- quase que falo besteira...
- Leandro: meus pais e meus irmãos viajaram pra Goiás, você esqueceu?
- Gabi: ahhh, pois é...- disse tentando disfarçar para que ele não percebesse...
Leandro estava com a chave e foi na frente. Todos lá dentro já haviam se escondido pelos corredores, debaixo de mesas, atrás de sofás... e havia uma mesa montada com bolo, docinho, bem no meio da sala mas Leandro não viu porque todas as luzes estavam apagadas...
Foi só ele, colocar a chave, virar a maçaneta, abrir a porta...
- Todos: SURPRESA! FELIZ ANIVERSÁRIO!!!- disseram todos aparecendo de onde estavam escondidos...
Eu já tinha entrado e estava parada do lado dele e vi como Leandro ficou perplexo...
Ele me olhou com um jeito de que sabia que aquilo era obra minha mas estava tão encantado com a surpresa quem nem falou nada no momento... cantaram parabéns pra ele... e depois ele foi abraçar todos... receber os presentes...
- Regina: Meu filhote! Mamãe te deseja tudo de bom, viu! - disse ela com os olhos cheios de lágrimas...
- Leandro: Poxa mãe que legal! Eu gostei muito viu! Te Amo!
- Regina: Também te amo, meu filho!
- Franco: Filho, eu também quero te desejar muitas felicidades...
- Leandro: obrigado, pai!
- Franco: ... principalmente ao lado da Gabi, viu! Ela é uma garota de ouro...
- Leandro: eu sei, paizão, valeu!
Até que Leandro abraçava e agradecia a todos, nós nem tivemos tempo de nos falarmos direito... ele foi até o quarto, eu estava arrumando nossas roupas no guarda-roupa quando ele entrou...
- Leandro: Já abracei todo mundo, só faltou a minha florzinha...- ele me abraçou por trás.
- Gabi: é... vou ficar com ciúmes...- disse eu virando de frente pra ele.
Nos demos um longo beijo, carinhoso, doce e romântico...
- Leandro: você que preparou tudo, foi?
- Gabi: com a ajuda de sua mãe, é claro né! Mas a idéia foi minha.
- Leandro: você não enjoa de mim não, é! Preparou a festa e já está aí arrumando minhas roupas...
- Gabi: claro que não, você é que é meu bebê, sempre será...
- Leandro: ... até quando tivermos nossos filhos?
- Gabi: até assim...- eu coloquei meus braços em volta do pescoço dele e o beijei...
- Leandro: Nosso fim de semana sozinhos melou, mas eu adorei!
- Gabi: Depois a gente tira o atraso no seu apartamento...
Nosso fim de semana apesar de não ficarmos sozinhos foi ótimo, nos divertimos à beça...
O tempo foi passando, Eu e Leandro estávamos a todo vapor preparando nosso apartamento pra depois do nosso casamento... estava ficando lindo. A nossa cara!
Enfim nos casamos, tivemos nossa lua-de-mel em Londres, mas ainda não planejávamos filhos, eu estava super ocupada com o meu trabalho, cada coleção para cada estação era uma loucura, e Leandro também estava super ocupado com a divulgação do CD da banda dele com os irmãos.
Meu aniversário já estava chegando e Leandro nem havia tocado no assunto, antes ele até marcava no calendário quantos dias faltava, mas eu relevava por achar que ele estava mesmo ocupado com o trabalho.
Leandro mentiu pra mim, dizendo que ia ter que viajar no próximo fim de semana (que era meu aniversário), mas ele continuou sem tocar no assunto...
Fiquei triste, mas procurava nem pensar, tinha que me concentrar no trabalho... a nova coleção tinha que ficar prontíssima na próxima segunda-feira.
No sábado (dia do meu aniversário), voltando pra casa dentro do elevador fui pensando como eu queria dizer a ele que estava feliz, mas não completamente, porque faltava, meu bebê!
A falta que o Leandro me faz incomoda, e muito, e ficar naquela casa sozinha, me tira o centro, a paz. Eu precisava urgentemente sentir o calor dele, ser abraçada de corpo inteiro, como só ele faz comigo, beijar a boca dele por horas e ainda achar que foram alguns minutos, encaixar o meu corpo ao dele, perfeito, único, olho no olho.
Cheguei ao andar do nosso apartamento, e sentia que a cada passo em direção à NOSSA casa, sentia mais falta dele, era como se sentisse falta de ar...
Mas ia levando, ia caminhando, mas neste, especialmente neste final semana queria estar com ele, meu amor... Cheguei em casa exausta, abri a porta, mas quando ia acender as luzes, percebi uma mesinha no corredor com uma vela, algumas flores e um cartão que dizia:
“procure a próxima vela”
Logo um sorriso se formou no meu rosto porque percebi a presença de Leandro, fui seguindo o que o cartão mandava e o caminho era formado por pétalas de rosas vermelhas. Naquela meia luz, encontrei a outra vela, e mais um cartão:
“Se prepare!”.
Essa noite será inesquecível ““.
Quando eu menos esperava, ele apareceu na sala, estava maravilhoso (como sempre!), ele vestiu a blusa que eu mais gostava, uma verde que realçava os olhos castanhos e o cabelo meio loiro... ele ligou o som, veio chegando pertinho, me abraçou, nós dançamos e ele cantava em meu ouvido...
“e eu te quero tanto, tanto que nem sei dizer, e a felicidade pra mim é nunca perder você...”
acabamos de dançar...
- Gabi: Ahh, bebê, que fofo!- eu disse dando muitos beijinhos nele.
- Leandro: é pra você...
- Gabi: você me enganou direitinho, hein! Quase morri de saudade...
- Leandro: ... mas era por um bom motivo, né!
- Gabi: Te Amo muito...
- Leandro: eu também Te Amo muito! Vem cá...- ele me puxou em direção ao quarto.
Chagando na porta...
- Leandro: fecha os olhos!
- Gabi: ai, ai, ai... - e eu fechei meus olhos...
Ele foi me puxando pra dentro do quarto...
- Leandro: agora pode abrir!
Em cima da cama tinha um vestido lindo que eu tinha gostado de uma loja, e ainda tinha um colar de brilhantes maravilhoso e uma sandalha divina!
- Gabi: Nossa Lê, muito obrigado! Tá tudo lindo.
- Leandro: então eu vou ficar lá na sala te esperando, você se arruma porque eu reservei uma mesa em um restaurante pra nós!
- Gabi: então tá... mas me dá um beijinho antes de ir!
Leandro não me deu um beijinho, ele me deu um beijão de tirar o fôlego...
Me arrumei e fomos...
Ao chegarmos ao restaurante as pessoas que estavam lá, poderiam perceber que nós éramos casados, mas nosso amor era diferente! Um jantar cedo, num restaurante modesto, comum, era muito bom de se ver, porque não importava onde nós estávamos, o que importava era que eu estivesse com o Leandro e ele comigo!
Estávamos sentados um em frente ao outro, e parecia claro que não iríamos para a mesma casa depois do jantar, dormiríamos e acordaríamos juntos, e isso era diferente no nosso relacionamento, não era como uma obrigação, era um prazer! Por isso, talvez, tínhamos tanto a nos dizer - e nos dizíamos.
Eu às vezes passava a mão na testa dele, afastando uma mecha de cabelo; daí a pouco ele devolvia o carinho e segurava a minha mão num gesto rápido, isso por cima dos pratos, sem que nada fosse fora de propósito nem inadequado, como sempre são os gestos que saem do coração.
Não havia entre nós aquele clima de urgência que precede a ida a um motel, muito pelo contrário; parecia, isso sim, que nós havíamos passado a tarde nos amando (o que era mentira, mas esse sentimento era devido à saudade, mesmo que fosse por um segundo longe um do outro...) e depois fomos a um restaurante, daqueles em que não há risco de encontrar nenhum amigo, para ficarmos juntos, pelo prazer da companhia um do outro. E os carinhos trocados não eram os da paixão, mas os do amor; de um amor sólido e profundo.
Quem mora junto não conversa tanto, olho no olho, porque sabe que tem tempo pela frente: a noite inteira, talvez o resto da vida. Mas nós sim, nos falávamos, e os assuntos não eram esses de namorados; falávamos de tudo, interessados um no que o outro dizia, trocávamos idéias como se fossemos dois grandes amigos, o que é raro entre homem e mulher. Leandro falava de um negócio que estava fazendo, já eu, falava do meu amor (porque havia adorado a surpresa dele!) aí, de repente, um carinho - sem olhares melosos, nada. Apenas a necessidade de tocar no outro, só isso. Estávamos ali, inteiros, muito próximos e muito seguros.
Eu usava um vestido com um pequeno decote; num determinado momento, Leandro passou o braço por cima da mesa, botou a mão no meu ombro, e ficou um momento passando a mão, aquela mão forte de dono.
Mas naquela mesa pequena daquele restaurante havia tudo o que uma mulher e um homem podem querer um do outro: confiança, amizade, amor, paixão - mesmo que discreta -, sexo bem resolvido e segurança. Nós iríamos seguir, confiando no nosso próprio desejo, porque aquele amor tinha essa coisa tão rara nos amores em geral: era sólido.
Leandro pediu a conta, e nós saímos abraçados normalmente - eram 9h- e acabou por aqui. Acabou é modo de dizer, porque essas noites tão boas não se acabam assim.
Não, o amor não é lindo, como se diz banalmente: o amor é muito bonito quando é de verdade, e o nosso era.
Depois, esticamos nossa família para completar nossa felicidade e então, fomos FELIZES PARA SEMPRE!