|
:: CRENDICES E SUPERTIÇÕES ::
O homem ancestral, não encontrando explicação para alguns fenômenos da natureza ou origem das coisas, buscava em sua imaginação alguma explicação mágica. O medo e a dúvida foram os grandes geradores de crendices, e as tentativas de neutralizar estes medos e presságios geraram uma série incalculável de crenças que o povo possui. Para o folclore, crendice é toda aquela crença em coisas que a lógica não explica, e a superstição é essa mesma crença quando envolve o medo de conseqüências. Por exemplo: Virar a vassoura atrás da porta para a visita ir embora é uma crendice; acreditar que o gato preto dá azar é superstição, pois envolve o medo do azar. De forma simplificada pode-se dizer que sempre se diz 'não presta' é superstição, quando apenas se acredita, sem medo, é crendice".
>> Crendices Gerais << - Comer frutas com grãos no Ano Novo (uva, romã, etc) para
ter sorte e fortuna durante o ano todo que está começando
>> Crendices e Superstições Ligadas a Namoro, Noivado e Casamento << - A jovem que pega o buquê da noiva será
a próxima a casar
>> Ligadas à Gravidez, ao Nascimento ou Recém-Nascido << - Não deve pular cerca, senão a criança nascerá
aleijada
>> Superstições Gerais << - Xícara virada com a boca para baixo atrasa a vida
>> A Lua << A grande maioria de nossas crendices herdamos de Portugal, onde o povo - apesar de religioso - acredita em muitas coisas que a lógica ou a racionalidade não explicam. No meio rural é crença generalizada que a lua tem influência direta em toda a atividade humana, especialmente na lavoura, na pecuária, no clima, nas chuvas e até mesmo na vida do homem. Para quem lida com plantações, as fases da lua devem ser cuidadosamente observadas. Exemplos: Legumes de cabeça (repolho, alface e outros) devem ser transplantados na minguante e as folhosas (couve, radiche, espinafre, etc) na nova. Quem cria aves deve cuidar para que o nascimento dos pingos não ocorra na minguante. Se forem colocados no "choco" na minguante, os ovos "goram" e perde-se a ninhada. A influência da lua e das tempestades é neutralizada por um prego enferrujado ou pedaços de carvão colocados no ninho. Para o cabelo crescer rapidamente deve ser cortado na nova, crêem alguns, outros acreditam que na nascente. É consenso que quem tem muito cabelo e não quer que cresça logo, deve corta na minguante. Não se deve deixar as fraldas do recém-nascido no varal à luz do luar, pois este terá cólicas. Se isto acontecer, a mãe com o filho nos braços o mostra para a lua e reza esta oração "Lua, luar, me deste este filho e me ajuda a criar".
>> Sobre a Morte << - Não se deve costurar roupa no corpo de uma pessoa,
por que essa pessoa pode morrer muito breve, "só se costura
no corpo mortalha de defunto". Se for necessário, proceder
a costura dizendo "eu te coso vivo e não morto".
>> Sobre Doenças << - Urinar contra o vento dá gonorréia.
>> Sobre Mau-Olhado, Azar, Olho-Grande << - Matar um grilo traz azar.
>> Outros Assuntos << - Para obter um sono leve basta colocar sob o travesseiro
um esporão de quero-quero.
>> O Que Não Se Deve Fazer << - Colocar duas vassouras juntas num canto da casa - porque
faz com que haja briga na família
>> O Que Se Deve Fazer << - Usar ou colocar debaixo da cama uma vara de cipó
- para afugentar cobras de dentro de casa e não permitir que entrem
no quarto
>> Aroeira << O cerne da aroeira (Lithraea Brasiliensis Mart.) é um dos "paus" mais estimados pelos gaúchos, como esteios ou moirões de grande durabilidade. Mas a árvore é temida por seus eflúvios, que em certas pessoas provocam grandes irritações de pele. Para precaver-se do mal, deve o campeiro, antes de atacar o tronco a machado, saudar por três vezes com profundo respeito o vegetal a um tempo temido e estimado. Também no tratamento da erupção que provoca, é uso saudar um ramo de aroeira, observando, todavia, o seguinte ritual: se é de manhã, dizer "Boa tarde, dona aroeira!" e, de tarde: "Bom dia, dona aroeira!".
>> Caveira de Boi << A caveira de boi usada pelos nossos campeiros como espantalho de pássaros em suas lavouras sugeriu a Apolinário Porto Alegre uma pesquisa interessante: interpretou-a o mestre da Casa Branca, em seu Popularium, como antiga superstição sobrevivente, ligada aos casos de mau-olhado ou quebanto. Como na Índia e na África os crânios de animais e cifres pendentes de árvores ou colocados no alto de postes, em meio das plantações, serviria a nossa caveira de boi para desviar o mau-olhado, que faz a lavoura desmedrar. "E tanto deve ser assim, que entre os nossos vizinhos a crença no mau-olhado com relação às plantas é vivaz e profunda", comentava Apolinário.
>> Esconjuro << Para limpar as lavouras da praga das lagartas, há o seguinte esconjuro que Alfred Funke registrou na Costa da Serra: Bons dias, lagartas A imprecação deverá ser lançada numa sexta-feira, antes do raiar do sol, de três cantos da roça, ficando livre o outro ângulo para a saída imediata dos bichos daninhos.
>> Fogo Morto << A superstição do "fogo morto" até princípios deste século achava-se muito difundida entre carreteiros, tropeiros, maiorais de diligência e viajantes, que evitavam sempre, à hora do pouso ou da sesteada, fazer fogo sobre os vestígios de um fogão, isto é, sobre as cinzas ou tições apagados de uma fogueira feita anteriormente, no mesmo lugar de pouso. Quem aproveitava um fogo morto fatalmente era corrido pelas maiores desgraças. Callage recolheu da boca de um campeiro um desses casos, apresentado em versão literária (v. No fogão do gaúcho, Globo, 1929, p. II sgs).
>> Tesouros << A tradição de tesouros enterrados, ou escondidos concentrou-se quase toda na região missioneira. As salamancas, os cerros bravos, a casa de Mbororé são mitos da mesma família. Mas especialmente em São Miguel é que se manteve por mais tempo essa crendice. Todos os visitantes das famosas ruínas referem-se às escavações na área da igreja, do cemitério e das imediações da quinta. Os mais esmaniados acampavam no povo, para uma prospecção |