Jc entrevista o M�dico POLYBIO SERRA E SILVA
Veterano da medicina zela pela sa�de dos
conimbricenses
Polyb�o Serra e Silva � um
m�dico que tem dedicado a sua vida quase por exclusivo � sa�de e ao bem-estar dos
outros. Foi Director do Servi�o de Medicina 2 nos Hospitais da Universidade de Coimbra
(HUC) durante aproximadamente 25 anos e, por viver intensamente os problemas da
preven��o, organizou e participou em in�meras campanhas contra as doen�as
c�rdio-vasculares.
� Professor Jubilado da Faculdade de
Medicina da Universidade de Coimbra (UC) e, depois de a� ter leccionado v�rias
disciplinas, deu tamb�m aulas na Escola Superior de Enfermagem Bissaya Barreto.
Actualmente pertence � Comiss�o de
Avalia��o do Ensino Superior. na �rea da sa�de e bem estar (Enfermagem) e integra o
projecto da Universidade Vasco da Gama (UVG), que espera vir a ser concretizado num futuro
pr�ximo. Na UVG cumprir� as fun��es de Vice-Reitor, respons�vel pelo Departamento de
Ci�ncias M�dicas.
A partir de Abril deste ano assume o
cargo de Presidente da Delega��o Centro da Funda��o Portuguesa de Cardiologia, que
ser� inaugurada nesse m�s.
Com a sua veia de artista e acad�mico,
dinamizou e foi um dos membros fundadores da Associa��o dos Antigos Tunos da UC e a veia
de poeta ajudou-o a escrever v�rios livros sobre as doen�as c�rdio-vasculares, todos em
prosa e poesia.
De h� dois anos para c� � o m�dico
respons�vel pela Casa de Repouso Rainha Santa, um centro de acolhimento para idosos em
Cernache.
UNIVERSIDADE VASCO DA GAMA
A UVG � um projecto que engloba v�rias
val�ncias, entre elas o Departamento de Ci�ncias M�dicas (com as Licenciaturas em
Medicina, Medicina Dent�ria, Medicina Veterin�ria, Fisioterapia, Farm�cia e
Enfermagem), pelo qual Polybio Serra e Silva assumir� � responsabilidade.
Ter�o acesso a cada curso cerca de 50
alunos, embora "talvez seja poss�vel termos dois cursos de Medicina num total de 100
alunos", acrescentou.
Quanto a datas de abertura, o m�dico e
professor, lamentou n�o poder dizer nada sobre isso Mas, "tudo aponta para que
dentro de pondo tempo os cursos sejam homologados e que, deste modo, a
Universidade possa abrir no pr�ximo ano lectivo".
� As
infra-estruturas est�o conclu�das para, logo que tenhamos autoriza��o, colocarmos tudo
a funcionar. Ainda n�o contrat�mos docentes. Temos contactado com professores jubilados
e n�o s�, mas sempre com a preocupa��o de n�o prejudicarmos nada nem ningu�m, porque
n�o queremos turbo-professores que d�o aulas cm muitas universidades ao mesmo
tempo", mencionou
E acrescentou que "n�o se pretende
confrontos com a nossa velha, querida, prestigiada e prestigiante UC, mas seguir as suas
pisadas, contratando os seus antigos alunos, alguns agora jubilados, mas perfeitamente
actualizados e virados para o futuro".
LICENCIATURA EM MEDICINA
Questionado quanto �s cerca de 900
pr�-inscri�oes j� efectuadas, perto de metade das quais para o curso de Medicina, o
m�dico respondeu que "este projecto foi elaborado com rigor cient�fico".
A divulga��o do projecto "criou no p�blico urna grande ansiedade em rela��o �
sua viabiliza��o. Foram estas expectativas que geraram um movimento de ades�o e de
procura de um lugar para os jovens, que levaram os pais a solicitar ao menos uma
pr�-inscri��o sem nenhumas garantias".
No que diz respeito particularmente ao
curso de Medicina, Polybio Serra e Silva mostrou alguma preocnpa��o com a "neccssidade
da exist�ncia de um padr�o formativo geral em que os alunos adquiram uma s�lida
forma��o �tica e moral, conhecimentos b�sicos abrangentes, uma profunda forma��o
proped�utica e cl�nica e uma capacidade da saber e utilizar a tecnologia
existente".
No padr�o formativo-cient�fico, o
m�dico considera que o aluno deve ter uma viv�ncia m�dica activa, sendo conveniente que
desde cedo participe em trabalhos b�sicos de investiga��o e saiba executar todos os
gestos m�dico-cir�rgicos e da pr�tica laboratorial. "A cl�nica deve prevalecer
sobre a utiliza��o desmedida dos recursos laboratoriais, devendo a forma��o do aluno
ser globalizante, habilitando-o a exercer com seguran�a a Medicina, com a ideia de que o
saber sem saber fazer � nada".
Para cumprir estes objectivos, a UVO vai
contar com o apoio do Hospital dos Cov�es e do Hospital de Leiria, onde os alunos de
Medicina ter�o, inic3alment�, as suas aulas pr�ticas.
CRIT�RIOS DE SELEC��O
Os crit�rios de selec��o dos alunos
s�o os normais do Estado (exames nacionais e a m�dia do Ensino Secund�rio),
considerados pelo tamb�m Vice-Reitor, como insuficientes: "Gostar�amos de poder
fazer entrevistas e ter conversas no sentido de saber que o aluno sabe Ingl�s mas, o que
� fundamental, domina o Portugu�s. Desejamos tamb�m encurtar, ou quase anular, a
dist�ncia que ainda hoje existe em grande parte, entre professor e aluno".
Polybio Serra e Silva mostrou-se ainda
espantado por n�o existirem mais Faculdades de Medicina: "Pasmo como n�o se
autoriza a abertura de mais cursos, uma ver que s� h� cinco escolas no pa�s, que formam
cerca de 500 alunos por ano, enquanto que se reformam ou s�o jubilados aproximadamente
1000 m�dicos. Perdemos 500 profissionais de medicina por ano!"
AVALIA��O DO ENSINO SUPERIOR
Na luta por um Ensino Superior de
qualidade, tanto ao n�vel da doc�ncia, como ao n�vel das infra-estruturas, o m�dico
aceitou presidir a uma Comiss�o de Avalia��o do Ensino Superior de Enfermagem,
avalia��o que ser� global e que pretende incidir sobre o Ensino, a investiga��o, a
Cultura e a Ac��o no Meio Social onde se inserem as Escolas.
Os objectivos da avalia��o a curto e a
m�dio prazo s�o, nas palavras do m�dico, "segundo o estipulado, contribuir para
ama maior responsabiliza��o perante a comunidade, manter uma actualiza��o cont�nua
dos conhecimentos, melhorar a qualidade do ensino para que haja urna melhor forma��o dos
estudantes, aumente a capacidade de resposta das universidades e promover a harmoniza��o
entre institui��es p�blicas e privadas para se colmatarem as disparidades ainda
existentes entre elas ".
"A longo prazo pretende-se que o
processo de auto-avalia��o seja permanente e leve a uma interioriza��o de uma
verdadeira cultura de avalia��o de modo a que as Institui��es se auto-avaliem
permanentemente" acrescentou.
Polybio Serra e Silva considera que
"a avalia��o e o acompanhamento das Institui��es s�o um dos pilares fundamentais
da autonomia universit�ria" e que essa avali���o "pressup�e debates
serenos, sem medos e bastante participativos".
Deste modo, est� neste momento a ser
feita a leitura e o documento s�ntese dos relat�rios de auto-avalia��o das Escolas de
enfermagem do nosso pa�s.
Finalizada esta fase, seguem-se as
Visitas Institucionais a estes estabelecimentos de Ensino Superior. As visitas s�o de 2
dias por institui��o e incluem reuni�es com os autores dos relat�rios, visita �s
instala��es, urna reuni�o com estudantes e com dirigentes das associa��es acad�micas
e um debate em que alunos, professores e funcion�rios poder�o intervir.
A Comiss�o elaborar� depois um
Relat�rio Final sobre cada Escola que "ser� posteriormente enviado �s
Institui��es, para obter a sua concord�ncia, j� que o processo � sempre claro,
transparente e bilateral", acrescentou.
PREVEN��O DA ATEROSCLEROSE
As especialidades do m�dico s�o a
Medicina Interna, a cardiologia e a Endocrinologia. Polybio Serra e Silva foi Director dos
Servi�os de Medicina 2 dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), como se referiu
atr�s, tendo-se jubilado em 1998.
Em 1975 criou a Consulta Externa de
Profilaxia da Aterosclerose e das Dislipidemias, que consiste na preven��o do
aparecimento da aterosclerose (uma doen�a dos vasos que pode provocar perturba��es
card�acas, cerebrais e dos membros). Foi tamb�m fundador e l� presidente da Sociedade
Portuguesa de Aterosclerose.
No �mbito do trabalho realizado nos HUC,
o m�dico organizou para al�m de muitas jornadas Internacionais, v�rias campanhas de
rastreio da aterosclerose na zona centro e tamb�m no Norte do pa�s. "Por um certo
per�odo de tempo estud�mos as altera��es ocorridas em indiv�duos dos 15 aos 70 anos e
verific�mos que existiam anomalias nos mais jovens", revelou.
For essa raz�o, durante alguns anos,
Polybio Serra e Silva, e alguns m�dicos seus colegas estudaram os jovens de algumas
Escotas Secund�rias de Coimbra. Como mencionou o m�dico, os jovens eram cuidadosamente
examinados: pesados, medidos e verificado o seu n�vel de colesterol. No fim, enviava-se
um relat�rio final aos encarregados de educa��o. Nos jovens em que encontr�vamos
mudan�as convid�vamos os pais a participarem no mesmo estudo para sabermos at� que
ponto as perturba��es nas crian�as tinham uma origem gen�tica. Finalmente,
encaminh�vamos pais e filhos para os seus m�dicos de fam�lia ou para a Consulta de
profilaxia da Aterosclerose e das Dislipidemias nos HUC".
O m�dico considera n�o ter feito um mau
trabalho nos HUC porque quase dois anos depois da Jubila��o sou convidado com
frequ�ncia para todo o tipo de eventos por isso parece que n�o trabalhei mal!" E
acrescentou: "Tentei dar a todos os elementos dos Servi�os de Medicina 2 a
oportunidade de mostrarem o que valem, tentei ainda proporcionar-lhes um bom ambiente de
trabalho, sem controlo r�gido dos hor�rios mas garantindo que os m�dicos estavam,
sempre que necess�rio, presentes � cabeceira dos doentes".
AJUDAR O IDOSO DE HOJE
E, mesmo depois da jubila��o, o
trabalho continua para Polybio Serra e Silva que h� dois anos atr�s aceitou o cargo de
m�dico dos idosos que vivem na Casa de Repouso Rainha Santa, em Cernache.
De acordo com as suas palavras, os
motivos que o levaram a aceitar o convite para ser m�dico naquele centro s�o o facto de
existir "uma grande car�ncia de casas com qualidade para a terceira idade" e
ainda "por o edif�cio ter sido constru�do de raiz com o objectivo de ser Casa de
Repouso de idosos e, por isso, reunir todas as condi��es indispens�veis para o bem
estar e sa�de dos seniores.
Para este m�dico, a vida das pessoas que
vivem nestes centros n�o deve limitar-se � rotina di�ria de sobreviv�ncia, pois muitos
deles podem n�o ter mobilidade f�sica, mas t�m plenas capacidades intelectuais. A
rotina di�ria deve sim, abarcar actividades que permitam ao idoso sentir-se �til e
v�lido. Por isso, quando foi convidado para ser m�dico na Casa de Repouso Rainha Santa,
imp�s como condi��o n�o ter de se limitar �s fun��es t�picas da sua profiss�o.
mas organizar tamb�m eventos de tempos livres.
S� que, nas suas palavras,
"infelizmente s�o tantos os que v�m num estado quase de vida vegetativa, que n�o
temos idosos suficientes para jogos, grupos corais, ballet, e outras actividades.
Ter�amos de seleccionar � priori as pessoas que v�m para a Casa para podermos organizar
outro tipo de passatempos. Os homens limitam-se a jogar cartas ou domin� e as mulheres a
bordar".
A comprovar a vontade de proporcionar
algo mais � vida dos seniores, Polybio Serra e Silva colaborou, no primeiro anivers�rio
do centro, na organiza��o de uma exposi��o de trabalhos escritos e desenhados por
crian�as das escolas de Cernache e Condeixa, sob o tema "O idoso de hoje visto pelo
idoso de amanh�. Fizemos tamb�m uma festa em que os residentes declamaram poemas",
afirmou.
No segundo anivers�rio o m�dico os
residentes foram incentivados a fazerem os seus pr�prios trabalhos para serem expostos na
Casa, mas "infelizmente a exposi��o apenas incluiu trabalhos que tinham feito antes
de entrarem para c�. O interessante era eles fazerem trabalhos c� dentro e
exporem-nos", concluiu.
O m�dico salienta que apesar de faltar
ainda muito a parte l�dica, a Casa de Repouso proporciona ao idosos que a� passam os
seus dias, um bom acolhimento, "com refei��es bem confeccionadas e de qualidade,
com 2 m�dicos e v�rios funcion�rios sempre dispostos a ajudar, e todos os quartos
equipados com televis�o, telefone, varanda e camas articuladas quando necess�rio".
A Casa de Repouso Rainha Santa
"funciona, desde Janeiro de 1998, e foi constru�da sem subs�dios ou qualquer
comparticipa��o do Estado. Tamb�m n�o existe nenhum protocolo para ajudar os idosos a
pagarem as quotas", salientou o m�dico.
M�SICA COM ANTIGOS TUNOS
H� cerca de 14 anos Polybio Serra e
Silva criou, juntamente com sete ex-tunos, alguns deles radicados profissionalmente longe
de Coimbra, um conjunto musical de antigos elementos da Tuna Acad�mica da UC. Nasceu,
assim, a Associa��o dos Antigos Tunos da UC, que conta actualmente com perto de 35
elementos que tocam m�sica popular e erudita, portuguesa e estrangeira, com instrumentos
como violinos, bandolas, bandolas, acorde�es, contrabaixos, flautas, clarinetes, violas e
guitarras.
"Para al�m desta orquestra, temos
tamb�m uma orquestra de tangos e de m�sica napolitana. Contamos ainda com declama��es
por parte de um dos Tunos, n�meros de ilusionismo e com um Grupo de Fados e Guitarradas
de Coimbra", afirmou o m�dico e m�sico.
A Associa��o tem um CD j� editado,
intitulado "Sine Musica, Nula Vita" e prepara o lan�amento do 20 trabalho
discogr�fico aquando das 2�s Jornadas de Tem�tica Musical em Dezembro pr�ximo, altura
do seu 15� anivers�rio.
Al�m disso, a Associa��o actua
regularmente em espect�culos que est�o inseridos na programa��o cultural da UC e da
Casa da Cultura da C�mara Municipal de Coimbra. Os Tunos viajam tamb�m por Portugal e
pelo estrangeiro para mostrar a m�sica que fazem.
E Polyb�o Serra e Silva termina,
convidando, quem desejar, a assistir, numa sexta-feira �s 21,30 horas na Associa��o
Crist� da Mocidade, a um dos ensaios do grupo. "Tenho a certeza que os restantes
elementos e o nosso maestro v�o gostar".
L�cia Avelar