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Torre da Universidade

INTRODUÇÃO

 

Geralmente os escritores, poetas, poetas, dramaturgos, investigadores, gente de algum modo ligada à vida literária ou científica, publicam os seus trabalhos por iniciativa própria, com determinado objectivo, seguramente com grande empenho, carinho e cuidado.   

Este livrinho de versos só tem a ver com o seu Autor, porque foi ele que os escreveu.

A iniciativa da sua publicação partiu de alguém que desde há muitos anos tem vivido rodeada de papelinhos de todas as cores, feitios e texturas, enfeitados com uma letra muito certinha, compondo frases que são outras tantas explosões de ironia, muitas vezes a partir daquele impulso incontido, premente, genético, que é quase uma segunda natureza numa pessoa que tem deixado versos, sobretudo quadras, a muitos familiares, amigos, colegas, simples conhecidos, nos mais variados objectos, nas mais variadas ocasiões e com a facilidade e naturalidade com que se bebe um copo de água.

Quis fazer-lhe uma surpresa no dia da sua Jubilação.

Procurei então algumas "amostras" nessa imensidão de versos que andam espalhados por aí.  Assim mesmo: por aí...  A maior parte delas não tem qualquer registo.   Só na sua memória, que é excelente nesta matéria.  Quando escreve, não pretende poder ser lido mais tarde.  É espontâneo, a atitude poética é imediatista, a intenção também: olhar pessoas e situações de modo diferente, a ironia apelando ao sorriso, e acima de tudo, valorizar o momento - aqui e agora - dos que, dum ou doutro modo, vivem a mesma situação.

A escolha foi deveras difícil e certamente a não mais acertada.

Hesitei muito na escolha dos "momentos universitários".  Os aqui representados são uma pequeníssima parte e, creiam, a mais "suave".

Os versos feitos "à mesa", duma forma geral são produto dum impulso irreprimível, diremos mesmo, incontrolável, quase irritante, (para mim, claro).  A comida arrefece no prato e os papelinhos vão passando de mão em mão, ainda que tenham "surgido" a pedido sobretudo de pessoas anteriormente retratadas, e que não querem deixar passar mais essa oportunidade.  É vulgar ouvir-se, entre o barulho do arrastar das cadeiras, na prespectiva dum simpático e agradável momento gastronómico:

        - Ó Professor, "faça" uns versos!

E o Professor, algumas vezes, um olho nos aliciantes camarões, outro nos inevitáveis quadradinhos de papel que sempre transporta no bolso interior do casaco, "just in case", lá vai meditando e rabiscando versos.  O resultado, no que me diz respeito, é sempre previsível: entre os apetitosos camarões e o apelo à sua veia poética, esta acaba vencendo...   Talvez, melhor dizendo "artéria", pois como ele um dia escreveu "só a veia não conhece / a minha artéria poética".

É esta "artéria" que percorre congressos, palestras, reuniões, viagens, que rodeia tudo e todos na sua vertente humana e poética de homem, no fundo sempre preocupado com os outros, acima das classes, dos partidos políticos, irónico, às vezes impiedoso, mas com a garantia de autenticidade dirigida à outra realidade, àquela que só ele entrevê.

Poeta popular, "com um pouco mais de conhecimentos que o nosso Aleixo", como a si próprio se define, fez no entanto algumas bem sucedidas incursões numa outra forma de poesia diferente da quadra, esta de versos de sete sílabas de rima A/B/A/B.

Daí resultaram poemas cheios de conteúdo, de ritmo e de beleza.

Resolvi incluir alguns para os que desconhecem essa sua faceta.

Que me perdoem os colegas, amigos e familiares, afectuosamente visados nos seus versos.  É o olhar do poeta.  E o poeta é o homem que ainda é capaz de arrancar do banal o sentido das coisas, de exprimir aquilo que não é totalmente compreensível, que transforma em emoção os pensamentos e traduz assim a emoção em palavras.

Duma coisa tenho a certeza.  A poesia é, sem dúvida, a sua forma mais fácil de comunicar.   Comunicar com a vida em toda a sua riqueza e pluralidade.  Sem a preocupação de distinguir a poesia como arte elaborada e a sua escrita poética, simples como o fluir do tempo no quotidiano...    É assim, portanto, que a sua natureza interior comunica - através dos impulsos da sua "artéria poética".

Esta publicação só foi possível com o apoio da Merck Farma e Química, S.A., a colaboração técnica do senhor Fernando Nunes e sempre dedicada colaboração artística do irmão do Autor, Fernando Jorge.

Espero que ele nos perdoe esta ousadia.  Porque se ele não gostar, que Deus nos acuda!

 

Isabel Maia Serra e Silva

 
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