A Política Nacional de Adultos

        Aprovadas pela Diretoria Nacional as Diretrizes para a Gestão de Recursos Adultos e baixadas por meio da Resolução Nº 015/98, que estabelece a Política Nacional de Recursos Adultos e Regulamenta sua Implementação

        A política nacional para a gestão dos recursos adultos, no âmbito da UEB, adota os seguintes termos de referência:


I - A UEB é uma associação docente, o que significa que todos os adultos a ela vinculados têm alguma espécie de compromisso com a capacitação de outros adultos, como forma de assegurar a permanência e o crescimento do Movimento Escoteiro; assim, a capacitação de adultos não é responsabilidade exclusiva de um determinado componente da estrutura organizacional da UEB nem está restrita a qualquer adulto ou grupo de adultos, em particular, mas alcança e compromete, em maior ou menor grau, a todos os adultos que se dedicam à prática do Escotismo no Brasil.


        Ao definir a UEB como uma associação docente, a Política pressupõe que todos os adultos a serviço da UEB devem Ter ou adquirir os conhecimentos, atitudes e habilidades necessários à participação no processo de formação de outros adultos; assim, ao lado da competência necessária ao desempenho do seu cargo ou função, Escotistas, Dirigentes e Profissionais devem possuir, ou desenvolver com a ajuda do Sistema de Formação, um mínimo de competência no domínio da Técnica de Ensino.


II – A capacitação de um grande número de adultos para o desempenho da multiplicidade de funções envolvidas na prática do Escotismo não deve nos levar à aceitação de que se esgota, na formação, todo o esforço de uma associação docente; ao contrário, a formação é apenas um dos processos a considerar, no contexto bem mais amplo da gestão dos recursos adultos, ao lado dos processos igualmente importantes de captação de adultos que correspondam ao perfil considerado desejável e satisfatório, e de como desempenha seu papel, durante todo o tempo em que permanecerem vinculados à UEB.


        Algumas das dificuldades enfrentadas para a implantação de uma Política Nacional de Recursos Adultos provêm de crenças e costumes arraigados no interior da UEB, como a tendência a comprometer adultos só em razão de sua vivência escoteira anterior, o que limita a captação a um ambiente reduzido e que não se renova.

        Em oposição, em outras ocasiões, aceitamos, sem maiores cuidados pessoas que se aproximam espontaneamente, muitas das quais acabam ocupando com excessiva rapidez cargos de responsabilidade, sem a devida experiência e qualificação.

        A mesma observação se deve Ter para com os Pais ou Responsáveis que, com grande freqüência, chegam ao Movimento Escoteiro trazidos pelas mãos dos seus filhos ou menores sob sua responsabilidade.

        Isto posto, a inclusão na UEB, de todo e qualquer adulto, deve se pautar pela atenta consideração dos seguintes aspectos:

  1. estamos prestes a adotar grandes alterações no Programa de Jovens, decorrentes da decisão de adotar o Método de Atualização e Criação Permanente do Programa de Jovens, - MACPRO, o que exigirá mais adultos capacitados e um processo de reaprendizagem por parte dos atuais Escotistas;

  2. b) a UEB implantou profundas alterações institucionais que estão reclamando por dirigentes com uma visão mais ampla e diferente da tradicional;

  3. estamos implantando uma nova política de gestão de adultos e, com a alteração do Programa de Jovens e da estrutura organizacional, estamos necessitando, cada vez mais, de adultos aptos a formar os demais adultos à serviço da UEB.

  4. Estamos implantando uma política de serviço profissional sem precedentes e, como decorrência, necessitamos de adultos com o perfil adequado às tarefas que lhes estão sendo confiadas.

 

        Mesmo no caso dos Pais ou Responsáveis, onde nãocabem os critérios para a inclusão de adultos, estamos assumindo a necessidade de que sejam orientados e motivados para um envolvimento cada vez maior no processo de complementação educacional que escolheram ou aceitaram para seus filhos ou para menores sob sua responsabilidade e, consequentemente, necessitamos que tenham plena consciência quanto ao que representa o Movimento Escoteiro e o qual o papel que a eles está destinado, como integrantes do quadro social da UEB.


III – A grande quantidade de adultos envolvidos, a enorme extensão territorial ao largo da qual esses adultos estão distribuídos, as diferentes realidades sociais e culturais em que eles estão mergulhados, somadas ao fato de que sua atuação no Movimento Escoteiro se faz em caráter voluntário, com sacrifício de outros interesses, tudo isso recomenda a adoção de processos de gestão de recursos adultos marcados pela simplicidade e pela extrema flexibilidade, além de desenvolvidos em uma atmosfera de fraternal solidariedade e de alegre camaradagem, sem prejuízo da uniformidade de doutrina, que não pode e não deve ser confundida com uma rígida padronização de procedimentos.


        A descentralização de todos os processos relacionados com a gestão dos recursos é um imperativo de ordem prática, o que faz aumentar enormemente a responsabilidade dos diferentes níveis de direção que integram a estrutura organizacional da UEB.

        Para auxiliar os demais níveis no cabal desempenho dessa responsabilidade, o nível nacional envidará esforços para produzir instrumentos – definições de conteúdos programáticos dos diferentes Cursos, módulos de formação, recursos audiovisuais, manuais que orientem no desempenho dos diversos cargos e funções e outros instrumentos – que consolidarão um corpo doutrinário uniforme a ser respeitado em todos os níveis que, por sua vez, conservam a liberdade de adotar, em sua difusão, procedimentos compatíveis com as realidades locais.


IV – O período de complexas transformações que o Movimento Escoteiro atravessa, em todo o mundo, alcança, inapelavelmente, o Escotismo brasileiro, onde se defronta com a carência de adultos com disponibilidade e qualificação para gerar, rapidamente, instrumentos que apoiem todas essas transformações. Surge, assim um descompasso entre as novas idéias e a capacidade de levá-los a prática com a rapidez desejada. Essa descompasso, entretanto, não pode nos condenar ao imobilismo nem retardar a implantação de algumas transformações inadiáveis; urge implementá-las, ainda quando não existam todos os instrumentos exigidos e mesmo quando os instrumentos disponíveis não sejam os mais adequados, do ponto de vista qualitativo.


        Num momento inicial, a carência dos instrumentos adequados parecerá a muitos um obstáculo instransponível e um fator de risco que comprometerá irremediavelmente o futuro da UEB.

        Há que se confiar, entretanto, em que a flexibilização, aliada à criatividade, fará surgir soluções intermediárias que, logo adiante e na medida em que se consolide um corpo doutrinário uniforme, serão paulatinamente reajustadas, até que logremos, por meio de sucessivas aproximações, encontrar o caminho ideal.

        O importante, nessa fase inicial, é atentar para dois aspectos de especial relevância:

  1. todos estão obrigados ao cumprimento dos objetivos mínimos de qualificação fixados nestas Diretrizes para os diferentes Níveis de Formação; e

  2. os frutos da criatividade devem convergir, todos eles, para o nível nacional, muito mais para que sirvam de subsídio ao processo de elaboração de instrumentos do que para que sejam apreciados e aprovados.


V – Da mesma forma, o temor diante do desconhecido e a decorrente valorização de procedimentos e conceitos que se converteram em dogmas quase sacralizados devem ceder espaço à ousadia consciente, não destituída de cautela, sem a qual a UEB não logrará romper com paradigmas que a impedem de dar uma resposta adequada às exigências do nosso tempo. Como associação docente, a UEB precisa aprender a desaprender, para que possa aprender a reaprender e, assim, desaprendendo e reaprendendo, transformar em conhecimento o desconhecido que hoje nos atemoriza e aceitar que a sacralização de procedimentos e conceitos que um dia foram válidos não nos estão permitindo viver o presente e, por isso mesmo, representa uma série ameaça ao futuro da entidade.


        A entrada em vigor destas Diretrizes representa um desafio. Um desafio que deve ser encarado com seriedade e coragem. Principalmente, um desafio que só poderemos encarar – e vencer – se não nos faltar o sentimento de unidade associativa que, ao mesmo tempo em que valoriza peculiaridades e realidades sociais e culturais de cada segmento, é capaz de perceber as vantagens da união de todos em torno do objetivo maior de dotar o Brasil de um Movimento Escoteiro à altura de suas necessidades e que explore plenamente o nosso potencial de crescimento.

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