Gráficos índice bovespa
IBX Diário 20/09/2002

IBX Semanal 20/09/2002

Bradesco BBDC4 Diário 20/09/2002

IBV Semanal 24/09/2002

DIAGRAMA DA FRAUDE
29 de março de 2002

Fonte: http://www.financialsense.com/index.html
A FRAUDE
03 de março de 2001
TESOURO AMERICANO INUNDA MERCADO COM DÓLARES
A roda viva do mercado que gira o dinheiro emitido pelo tesouro americano foi engordada com um adicional de $US 1 trilhão e 13 bilhões de dólares na base M3(dinheiro mais amplo) nos últimos 14 meses. O M3 se estende agora para $US 8 trilhões e 24 bilhões.
O DÉFICIT
A administração Bush assediou o congresso americano para que o teto da dívida do tesouro americano cresça além de um limite fixado por lei mas que cresça o bastante para não ser preciso outro aumento pelo menos por um ano, segundo informou uma fonte do congresso.
O sistema financeiro e crédito americano está fazendo grande esforço para reverter a situação recessiva da economia que está agora oficialmente em recessão. Em Wall Street os executivos estão procurando por boas notícias nos balanços das empresas, nem mesmo com a abertura dos balanços de empresas suspeitas de maquiar os ganhos está fácil encontrar lucros. Não aparece boas razões para otimismo mas os mercados estão ignorando a avalanche de balanços ruins, piores do que os de meados de 2001.
O STRESS AMERICANO
Desde o começo do ano de 2001, quando Greenspan fez seu primeiro corte nas taxas de juros, o sistema financeiro foi submetido à um esforço no mecanismo de crédito financeiro para tentar escapar das consequências de uma longa década de deboche de expansão monetária. Esse stress não teve nenhum efeito na economia real mas tem alimentado mais uma bolha na bolsa americana. Não podendo curar a economia dos maus investimentos que se acumularam na última década Greenspan inunda o mercado financeiro com dinheiro. Maus investimentos em fábricas e negócios que não trazem lucro, investimentos em plantas e equipamentos fisicamente existentes feitos com dinheiro de grandes empréstimos, mas com produtividade praticamente inexistente.
EUA SEM RESERVAS
Nos últimos quatro anos os bancos centrais de vários países têm observado Alan Greenspan inundar o mercado com $US 3 trilhões de dólares em M3, total que cresceu de $US 5 trilhões de dólares em 1997 para $US 8 trilhões de dólares. É de conhecimento entre os bancos centrais que isto não pode continuar. Mesmo com a sequência de corte de juros americanos todos esses outros bancos centrais, bancos comerciais, financeiras têm consciência de que Greesnpan falhou na tentativa de reavivar a economia em recessão. Mas o governo americano está emitindo um adicional de $US 750-900 bilhões que talvez seja suficiente por apenas um ano, segundo uma fonte do governo. Atualmente existem $US 3,4 trilhões de dólares em débitos do tesouro americano ao redor do mundo prontos para serem vendidos. Os EUA necessitam de $US 2 bilhões de dólares por dia para consolidar o déficit nas contas externas, $US 2 bilhões de dólares acrescidos ao déficit externo. O déficit externo líquido está em $US 2 trilhões de dólares. O déficit bruto é muito maior e os EUA tem que pagar juros por esta dívida, o que é motivo de grande stress para a economia americana e mundial. Agora, o tesouro americano quer obter emprestado $US 750-900 bilhões em 2002. O limite oficial do déficit terá que crescer para acomodar um empréstimo adicional. Isto dará ao tesouro permissão para tomar emprestado; o tesouro americano necessita mais do que nunca de emprestadores complacentes.
O PROBLEMA REAL
O problema real é que aqueles que emprestam para o tesouro americano, condescendentes ou não com a situação, têm visto que Greenspan criou um adicional de $U 3 trilhões nos últimos quatro anos e $U 1 trilhão nos últimos treze meses. Isto levanta a ascendente questão se os emprestadores mais ingênuos se perguntarão sobre a viabilidade de receberem do governo.
DE ANTE DA FRAUDE
Esta fraude ocorreu na Inglaterra tempos atrás, na idade média. Em Londres era aos ourives que particulares negociantes confiavam a guarda de dinheiros e valores, mediante recibos, e era a esses ourives que recorriam para tomar emprestado. No século XVII, o "Long Parliament" decide aceitar os recibos, emitidos pelos ourives, em pagamento dos impostos. Fundando no fim século o Banco da Inglaterra, seus recibos de moeda em custódia tornam-se gradativamente transmissíveis por endosso e até pagáveis ao portador. Pouco a pouco ourives e banqueiros foram-se apercebendo de que seus recibos passavam muitas vezes de mão em mão, sem que lhes fossem apresentados para troca por metal. A fraude avançou quando os banqueiros compreenderam que poderiam, dentro de certos limites, emitir outros recibos, independentemente do depósito de metal e deles se servir para conceder empréstimos a A, B, e C, sem que daí adviessem dificuldades ou aperturas(EUGÊNIO GUDIN, 1943). A fraude se tornou política quando os governos resolveram sequestrar todo o ouro dos bancos privados e depois permitir que somente os bancos do Estado pudessem emitir recibos de depósito do metal regulado por lei. Esta foi a versão oficial da fraude. A fraude se tornou internacional quando os títulos de alguns governos assim bem como seus papéis-moeda e depósitos tornaram-se reservas requeridas por bancos centrais de outros países. Antes de 1914 era o banco central da Inglaterra que permanecia na preferência internacional como emissor de reservas internacionais. Entre as grandes guerras mundiais o banco central da Inglaterra e o Federal Reserve(FED) dos EUA se alternavam como emissor. Depois da segunda guerra somente os FED. Somente o dólar atravessa o mundo como reserva global.
Feedback:
O DÓLAR E A RECESSÃO AMERICANA
31 de dezembro de 2001
O dólar é o pivô central onde gira os acontecimentos econômicos e é essencial examiná-lo atentamente. Primeiro devemos observar que historicamente o dólar estava vinculado totalmente ao padrão ouro no final de 1890. Antes desta data a prata tinha um vínculo com o dólar principalmente em certificados de prata. Depois de 1922 em Gênova o dólar se juntou a outras moedas na fraude monetária do padrão ouro. Mais tarde em Bretton Woods o dólar obteve a hegemonia. A partir dai o banco central americano começou com uma massiva série expansiva na quantidade de dólares em circulação de caráter inflacionário e também uma massiva expansão de crédito com aumento de depósitos bancários em dólares, culminado com desvinculação do dólar com o ouro em 15 de agosto de 1971; caso não fosse feito os EUA teria perdido todo sua reserva de ouro. Em agosto de 1971 os títulos do Federal Reserve se tornaram moeda de crédito. Qualquer um que aceitar esta moeda de crédito concede crédito para o emissor(no caso o Federal Reserve) para a quantidade de bens ou serviços oferecidos. Esta é a natureza frágil da moeda de crédito.
A máquina de fazer dinheiro do Federal Reserve
A expansão monetária do Federal Reserve "criou" um adicional de 1 trilhões de dólares(total de 13 trilhões) em M-3 no último ano. O M-3 americano agora aumentou em 8 trilhões(total de 24 trilhões). Bush pediu este mês para o congresso americano elevar o teto da dívida pública, uma barreira mantida por lei. A atual dívida está em 5 trilhões 950 bilhões de dólares. O governo americano tem sido tímido em mencionar o novo teto da dívida mas uma fonte do congresso notou que pode haver um acréscimo em 750 bilhões sendo de bom tamanho "no mínimo por um ano". Todo sistema financeiro e de crédito americano está fazendo poderoso esforço para abreviar a recessão. Mas os EUA está oficialmente em recessão e toda Wall Street está procurando enxergar um horizonte de boas notícias sobre os lucros das empresas. As boas notícias precisarão vir logo ou do contrário o mercado de ações não se segura mais. Até então as más notícias sobre os lucros estão sendo ignoradas. Esta grande liquidez fabricada pelo Federal Reserve tem mantido o mercado americano em alta mas não teve efeito ainda na economia real. Greenspan pode cortar novamente as taxas de juros mas nenhuma dessas medidas pode resolver os maus investimentos que se acumularam na década passada. Esses maus investimentos todos existem em forma de plantas e equipamentos com imensa carga de débitos e lucros declinantes ou inexistentes.
A ECONOMIA GLOBAL
27 de novembro de 2001
No presente momento os EUA recebem 64% de todo capital disponível no
mundo. sobra 36% para o resto. O que é um desequilíbrio considerável. Do total do PIB
mundial os EUA somam apenas 24%, algum tempo atrás, em 1992, o fluxo de capital para os
EUA estava em 20% do total mundial. Uma vez dentro do sistema financeiro americano este
dinheiro é rapidamente emprestado e gasto e uma outra grande parte é reexportada. Os
fundos vão para fora dos EUA e giram pelo mundo retornando novamente. Baseado em dados do
tesouro americano, estrangeiros mantém mais de 40% dos $US 3 milhões dos papéis do
tesouro. Estrangeiros mantém também 46% do total dos bonds das corporações americanas
e mantém 11% do total do mercado de ações americano. A política de dólar forte é uma
represa que se quebrada causará um maremoto de dólares. Uma maciço fuga de dólares
deixará um rastro de enorme estrago econômico atrás dele, não somente dentro dos EUA
mas certamente ao redor do mundo quando começaremos a contabilizar as perdas. A única
coisa que mantém o valor do dólar é $US 1 bilhão de fluxo de fundos estrangeiros para
dentro dos EUA. Até quando? Os EUA não podem continuar absorvendo 64% do total de
capital e aditar para seus débitos. Nos últimos 12 meses o déficit dos EUA era 449
bilhões de dólares.
Um crash parece iminente devido a recusa dos americanos de discutir a situação do dólar
sobrevalorizado e os europeus reconhecem isto. Por esta omissão se pode prever um crash
na economia mundial. A administração Bush decidiu não assumir sua política econômica
diante do sistema financeiro mundial. As conseqüências serão trágicas. Decidindo não
tomar decisões, Bush empurrou com a barriga. Eles avançaram com a política do dólar
forte, isto para o Brasil significa mais problemas e para a Argentina será fatal. Esta
política, como demonstra o déficit em conta corrente, pode somente terminar num maciço
e abrupto colapso do dólar, que com efeito, levará junto um enorme fluxo de capital
especulativo e perdas para investidores internacionais. Está política significará uma
estagnação no mercado de US bonds, no mercados de ações, enquanto o fluxo de capital
fugirá dos papéis do tesouro americano e ações com grandes perdas. Estrangeiros detém
mais de 40% dos $US 3 trilhões dos papéis do tesouro americano em suas mãos.
Estrangeiros detém mais de 46% do total das dívidas das empresas americanas.
Estrangeiros detém mais 11% do mercado de ações dos EUA e estrangeiros mantém essa
imensa massa de investimentos em dólar.
A taxa real de juros está próxima de zero e ainda temos o fato dos governos como sempre
subestimarem a inflação. Americanos e estrangeiros que possuem ações estão ansiosos
pela tão esperada virada dos lucros nas empresas americanas. Estes lucros são
necessários para justificar os atuais altos preços das ações. Nova Economia? O Nasdaq
já desceu o elevador mas Dow e o S&P ainda não e devem portanto retornar em torno de
5000 e 600 respectivamente. As últimas altas foram apenas um pullback. Com o colapso do
capital para investimento em torno de 13,6% no segundo semestre é óbvio que não haverá
nos EUA novos investimentos significativos em plantas e equipamentos, eles já estão com
excesso de capital investido.
O consumidor americano tomou emprestado nesse primeiro semestre de 2001 $US 539 bilhões
de dólares, $US 93 bilhões a mais do que os primeiros 4 meses do ano passado, segundo
Jane D'Arista do Financial Markets Centre. $5,61 para cada dólar ganho. No final do
primeiro quadrimestre o débito dos consumidores chegou a 7,2 bilhões de dólares, o
dobro de 91. A Moodys registrou que os maus empréstimos subiram 21% em relação ao
ano passado e os empréstimos atrasado subiram 16%. Os consumidores americanos continuam a
tomar emprestado para gastar em consumo enquanto a recessão mundial e americana continua
seu processo.
Até quando a política do dólar forte pode continuar? esta política não depende do
partido republicano ou democrata no poder. Bush nem discutiu isto em Gênova. Quem
controla tudo são os bancos. Controlam a economia, a cultura, as eleições. Isto não
significa que haja uma conspiração no sentido estrito da palavra. O sistema não é um
organismo hierárquico superposto, mas antes de tudo é um sistema formado por unidades
isoladas, que se alimenta de um mesmo sangue, como um câncer. Os EUA faz de conta que
desconhece a expansão do crédito e seu déficit importação X exportação. Eles
agüentarão a pressão até o dólar cair junto com o mercado de ações.
Se as ações despencarem primeiro- Isto servirá como sinal, e se poderá pular fora.
Para as empresas será um sinal de mudança de sentimento e de se precaver da melhor
maneira possível, liquidando dívidas, vendendo certos itens, ganhando liquidez. Se o
dólar despencar primeiro - Esta é uma possibilidade mais perigosa, se o dólar cair
primeiro tudo cairá; a manada de investidores estrangeiros sairá com naqueles filmes de
cowboys. Se os estrangeiros não venderem imediatamente as ações poderão até mesmo
reagirem na medida que as exportações americanas trouxerem um bom resultado para a
balança comercial. Uma queda do dólar é mais perigoso para os americanos, primeiro
porque as importações ficarão mais caras; e vendo isto muitos produtores de produtos
similares aos importados procurarão aumentar suas margens de lucros, resultando em mais
inflação e com efeito pressionando os juros para cima e os US bonds para baixo; não
esquecemos a pressão de juros em alta sobre as corporações americanas; consumidores
americanos se darão conta de seus custos crescentes para tomar emprestado e o consumo
cairá. Se vendas caem; lucros caem, e, queda abrupta no mercado de ações. Quando os
americanos perceberem que o país está em recessão, a política de expansão de crédito
poderá sofrer abalos. Os políticos gostam de se justificarem no poder e no controle, por
isto inventam necessidades, como políticas públicas por exemplo, eles criam o problema e
são os primeiros a aparecerem para resolver. A expansão do crédito esconde os
maus-investimentos. Cada crise nova é uma nova justificativa para aumentar o poder dos
políticos para resolver a crise que eles mesmos criaram.
ENXERGANDO O CAOS
16 de setembro de 2001
O dólar perdeu valor em relação à outras moedas desde 5 de julho quando fechou na maior alta de 2001. Os estrangeiros por enquanto só observam seus investimentos nas empresas americanas perderem valor. A expectativa é de que as taxas de juros caiam ainda mais. Historicamente a relação entre o PIB e o valor total do mercado é de 61%; no topo do NASDAQ em março de 2000 esta relação estava em 197%, agora está em 140%. Podem esperar cair de 140 % para 61%, os americanos podem apelar para seu patriotismo pedindo para seus compatriotas não venderem ações; os estrangeiros não serão sensibilizados por este apelo patriótico. Se os estrangeiros sairem o edifício desaba; olhando para o mercado e não para o dólar, os estrangeiros não perceberam que as perdas continuam. A artimanha é manter eles dentro. Até agora este foco está sob controle mas o medo é de que os estrangeiros vendam suas ações e papéis do governo americano e depois o dólar.
Olhando o mundo observamos três principais questões.
Primeira- A substituição dos dólares na Europa agora que o euro está chegando.
Segunda- A repatriação de capital pelos japoneses, trocando dólar por yen.
Terceira- A grande queda do dólar levando os estrangeiros a se desfazarem de seus investimentos americanos.
As preliminares estão começando agora; o principal começará no final de setembro. O principal evento será rápido apesar dos apelos dos políticos e agências para que os americanos mantenham a tranqüilidade. Isto deve perdurar até o final de outubro, quando acontecerá...; não se, acontecerá; o caos mostrará sua face determinística. Olhando o mundo se vê que a capacidade industrial está em recessão com maciço corte da capacidade produtiva e também de novos investimentos. Examinando melhor as variáveis envolvidas no contexto teremos em janeiro de 2002 a chegada do euro significando que a hegemonia do dólar na Europa acabou onde o dólar era a moeda intermediária entre as moedas européias. Isto significa que os dólares dos europeus serão vendidos. Uma segunda variável neste contexto é a lei que obrigará os japoneses a trocar moeda estrangeira por yenes para atender uma nova exigência contábil nos seus livros; eles precisarão de liquidez e vão procurar vender o que têm no mercado com maior liquidez, os EUA, vender dólares. Este exemplo serve para o Brasil. Mas se a demanda por dólares aumenta no Brasil porque comprar se no resto do mundo ele está caindo 6,6% em seis semanas mesmo no contexto da política americana de dólar forte reafirmada em Gênova? Aprofundar a recessão e salvar o dólar ou manter a confiança do consumidor? a guerra catalisará a recessão econômica? tem gente acreditando que as taxas de juros americanas vão cair depois que as twin towers cairam.
O mais absurdo foram os comentários que ouvi na tv. Quando vi um formador de opinião dizendo que os gastos militares aliviarão a recessão porque as indústrias terão mais o que produzir. E aquela professorinha da USP engajada não ficou lamentando a perda de vidas humanas e lascou dizendo que o Bush é "antipático e o Clinton tem jeitinho brasileiro por isto os EUA foram atacados" só lembro que as twin towers foram atacadas com carro-bomba em pleno governo Clinton em 93. E aqueles que apontam a "fragilidade dos EUA" devem estar pedindo um Estado Policial. O ápice do show foi dado pela tropa esquerdista cravada na mídia. Ancelmo Gois da TVE e do O Globo não ficou por menos, não lamentou nada apenas insinuou maldades contra o imperialismo americano. Na semana passada adverti neste espaço que o mercado estava muito perigoso. Uma guerra de topo de mercado vem aí. Não comprem. Vai cair ainda mais, com direito a show besteirol esquerdistas. FHC vem a público para nos dizer que nos defenderá e legaliza na esteira dos absurdos petistas a espionagem política. Vi um único comentário neste fórum que fez sentido. Não tenha dúvidas o Estado vai usar o terror como desculpa para controlar ainda mais o cidadão.
DEPOIS DE GÊNOVA
7 de setembro de 2001
Depois do encontro em Gênova chanceleres e ministros mantiveram
silêncio enquanto engenheiros sociais ocuparam-se com o gerenciamento dos conflitos entre
os EUA e o resto do mundo, especialmente com os europeus. Do lado dos EUA o encontro em
Gênova foi um sucesso para o presidente Bush; nada que causasse polêmica foi discutido.
Tendo trabalhado a mídia americana e confrontado os europeus com seus argumentos para que
assimilassem bem a posição americana, afastando qualquer comentário mais sério dos
políticos europeus. O que foi passado para os europeus foi o que o Estado de São Paulo
publicou no artigo do dia 5, abro aspas, "O secretário do Tesouro dos Estados
Unidos, Paul O'Neill, reafirmou ontem que não modificará a longa política cambial do
dólar forte em conseqüência de mudanças nas condições econômicas ou para atender
desejos dos exportadores americanos ou por pressão dos outros países. Numa entrevista
coletiva, quando indagado se já tinha tratado dessa questão com autoridades japonesas
desde que tomou posse em janeiro, O'Neill respondeu que "até agora isso realmente
não fez parte das discussões".
Em resumo, o que os europeus levaram de Gênova foi uma coerciva mensagem dizendo a
situação não pode ser como vocês querem. A situação em questão é um
desequilíbrio, não somente na Europa mas na economia mundial, no sistema financeiro e no
fluxo de capital. Os 600 agentes americanos presentes em Gênova não se preocuparam em
ler as propostas dos europeus e elas nem mereceram consideração por parte dos
americanos. A agenda dos europeus foi simplesmente ignorada. Para os europeus os EUA
demonstraram a intenção de continuar com a acelerada expansão de crédito e passaram a
mensagem que o resto do mundo, inclusive europeus e japoneses, deverão assimilar da
melhor maneira possível as conseqüências advindas do desequilíbrio causado por esta
política. Europeus sabem que isto não pode durar e esperam o estouro da represa de
dólares.
Com o mercado americano em queda os analistas se perguntam qual o sentimento do investidor
neste momento. Três expectativas podem ser analisadas.
A primeira é a expectativa de lucros, entre 1995 e 2000, os mercados americanos ganharam
em média 20% ao ano. Isto foi e é um fenômeno sem precedentes. Depois foi o Nasdaq que
ganhou mais de 86% em 1999 sozinho e mais 25% nos primeiros três meses de 2000. Durante
este período desde 1995, os americanos se envolveram continuamente com ações, atingindo
a marca de 60% dos americanos adultos. Não é por menos que uma incrível participação
no mercado viesse com não menos incrível expectativa de lucros futuros. Depois de 1997,
um levantamento no comportamento dos investidores revelou que a maioria dos americanos
esperavam ganhar perpetuamente 18% a 20% no mercado de ações. No alto da bolha do Nasdaq
no princípio de 2000, o levantamento revelou que esperavam ganhar mais de 20%
perpetuamente. E mesmo agora, depois do crash no Nasdaq e um período de dois anos e meio
em que o Dow tem oscilado entre 10000 e 11000, e depois que a maioria dos índices estarem
em queda, os investidores ainda esperavam ganhos futuros de dois dígitos. Os últimos
levantamentos indicaram que este percentual caiu de 18% para 12%.
A segunda expectativa é o uso da margem, ou seja, dinheiro tomado emprestado para
investir no mercado. Seguindo o aumento da participação do americano na bolsa não foi
menor o uso da margem que se usa para comprar ações cujo custo a maioria dos
investidores não tem idéia do valor. Uma recente pesquisa da Securities Investor
Protection Corp levantou os dados de que não menos de 20% dos investidores pesquisados
tem idéia de como as chamadas de margem funcionam. Eles nem mesmo não sabem quanto de
bolsa compraram com dinheiro tomado emprestado; colocam mais dinheiro na bolsa ou
arbitrariamente vendem para cobrir os empréstimos. Apenas 14% dos pesquisados sabem qual
o nível que podiam se expor em margens, 60% dos pesquisados não faziam a menor idéia
disto.
A terceira expectativa é de que não podem perder dinheiro com ações. A mais perigosa
atitude que pode um investidor tomar é dizer para si mesmo que mesmo se uma ação esteja
caindo enquanto ele não a vender não perderá dinheiro. Esta é a razão porque muitos
investidores mantém suas posições. Segundo esta mesma pesquisa, 80% dos investidores
pensam que o governo americano dará garantias contra perdas no mercado de ações
da mesma maneira que o governo garante depósitos nos bancos. Quatro em cinco investidores
pensam que se perderem o governo os reembolsará. Este nível de ignorância é desastroso
e o choque com a realidade será profundo.
Como os mercados estão globalizados não menos os investidores estão, logo o exemplo
americano pode ser aplicado para demonstrar como pensam o restante da manada. No começo
dos anos 90 a maioria dos americanos não sabiam o que significava o índice Dow Jones.
Agora eles sabem o que é mas não sabem como ele funciona. Pior ainda é o nível de
complacência depois de dois anos de quedas; é o pensamento mágico das pessoas que dizem
para si mesmas "o que eu não sei não deve existir". Planejar um futuro com
tamanha irracionalidade é impossível pois as pessoas não compreendem o presente e não
sentem a necessidade de fazê-lo. Em tais circunstâncias somente uma coisa é certa; se
você está envolvido no mesmo mercado, ou na mesma sociedade, com este tipo de pessoa
você está à deriva.
Este tipo de pensamento mágico pode ocorrer em qualquer lugar; não menos ocorre por
aqui, onde um presidente social democrata é tratado como neoliberal como se
neoliberal significasse capitalista. Neoliberal é como explicou o professor Olavo de
Carvalho, abro aspas, "Neoliberalismo não tem nada a ver com liberalismo.
Liberalismo é liberdade para a iniciativa econômica popular; neoliberalismo é economia
global dirigida o socialismo dos ricos. O neoliberalismo é um projeto abrangente,
que inclui (e compatibiliza com os interesses da estratégia global) todos os programas
atualmente defendidos pela esquerda no Brasil (aborto, controle de armas, casamentos gays,
quotas raciais etc. etc.). Terceiro, a palavra "neoliberalismo", na nossa
imprensa, não significa nada disso, mas é sinônimo de FHC. Ao falar contra o
neoliberalismo, a esquerda está apenas disputando com FHC o cargo de executor local dos
planos neoliberais. Ela jamais baterá de frente nos interesses estrangeiros que a
sustentam. Não se trata portanto de uma luta contra o dono, mas apenas contra o gerente.
Derrubado FHC, mudará o estilo da subserviência: passaremos do esculacho risonho à
anarquia sangrenta. Os donos do mundo já anunciaram: para eles, dá na mesma", fecho
aspas. Pode ser chamado de capitalista alguém que coloca a maior carga de impostos nas
bolsas que são o símbolo do capitalismo e ninguém acha isto anormal? e um representante
de um dos maiores jornais de economia do país, Valor econômico, dar uma cobertura digna
de um presidente para um burocrata de um país que é insignificante economicamente, não
tem mercado livre, e é governado por um ditador e ninguém acha que pode existir uma
imprensa comprada pelos esquerdistas? FHC foi uma aposta triste para a bolsa de valores; e
NÃO TENHAM DÚVIDAS - FHC É ESQUERDA E LULA É ULTRA-ESQUERDA. Sabemos que Wall Street
é dominada por esquerdista como Rubin, que é amigo de Clinton que é amigo de Tony Blair
que é amigo de FHC que é amigo de Fidel. O sentimentalismo esquerdista vende e os
americanos sabem disto; e a esquerda de Lula não será diferente; será pior.
A primeira meta que se deve pensar numa situação como esta é na preservação do
capital; dada a qualidade do investidor que foi descrito acima e seus sentimentos de
complacência o mercado de ações é um lugar muito perigoso. E os segmentos populares
são mais perigosos do que a média. Isto significa que o segmento mais perigoso é o de
telecomunicações. Se você entrar na bolsa não entre nestes segmentos; procure
segmentos menos populares.
A ELITE EM GÊNOVA
1 de setembro de 2001
Da reunião do G8 em Gênova podemos concluir pouca coisa pelos
pronunciamentos dos chefes de Estado; pois então voltemos no tempo e na história para
nos situarmos melhor, em 1975 o governo americano se reuniu com os restantes do G7 para
uma conversa sobre o sistema monetário internacional; os americanos pediam a adoção de
um sitema de moedas que foi adotado por Nixon nos EUA em 1971 desvinculando o dolar do
ouro, isto ele queria a nível internacional e também a flutuação das taxas de câmbio;
pois bem, a ausência de obrigatoriedade de lastro em ouro para cada tostão emitido
permitiria aos governos total liberdade de expansão monetária e o que ocorreu foi
exatamente isto; a inflação foi às alturas e o sistema internacional corria risco
iminente; os europeus eram contras o que Nixon queria mas Nixon venceu; Carter em 77
juntamente com Paul Volcker afirmaram que os EUA, a alemanha e o japão tirariam o mundo
da recessão incentivando o resto dos governos a aumentarem seus déficits para diminuirem
a pressão sobre o dólar, isto soa atual não?; mas a crise do México em 82 obrigou os
EUA a elevarem a taxa de juros; a era de irresponsabilidade nos gastos públicos tinha
começado e foi até quando o deficit chegou em $US 4.3 trilhões e Clinton disse que isto
não poderia mais continuar e desde então o déficit tem diminuido; mas os gastos dos
consumidores explodiram e o endividamento das empresas também em $US 12.7 Trilhões (ou
83.6%) desde 1992.
Tudo isto foi resultado de 3 coisas:
- a decisão de Nixon de separar o dólarr do ouro, em 1971
- o abandono regime de taxa de câmbio ffixas, em 1973
- a legitimação disto tudo em Rambouilllet, França, no encontro do G7
Tendo falhado em tudo, como demonstrou o crash de 1987 e a recessão de 1990/91, o G7,
agora G8, tem gastado seu tempo na última década pretendendo reformar o existe; até o
ano passado eles poderiam tê-lo feito quando os mercados estavam em alta, mas agora os
mercados estão em queda não é possível mais;
As últimas três semanas temos visto os capítulos finais da Argentina rumo ao calote; O
Brasil está à beira de uma super desvalorização e o risco Brasil teve nova escalada
isto porque os fundos de investimentos especializados em mercados emergentes estão sendo
obrigados por uma pressão de venda a despejar indiscriminadamente no mercado estes
papéis para atender esta demanda, o terceiro mundo esta sofrendo uma "chamada de
margem"; no primeiro mundo o contágio está se espalhando vagarosamente como em
1997/98; no Japão a bolsa caiu abaixo dos 12000 pontos; apesar da demanda dos argentinos
pelo dólar, este tem caído frente as outras moedas; nos EUA, o centro do furacão os
investidores só esperam outro corte nos juros; o medo de colapso está de volta às
manchetes; os juros na Argentina subiram 300%; bancos centrais países do bloco Asiático
foram forçados a intervirem no câmbio para sustentarem suas moedas;
Não vi uma palavra se quer na mídia sobre o último encontra do G8 em Gênova que
fizesse sentido ou tivesse conteúdo inteligente, o que eles querem nos impingir é uma
polarização entre excluídos e incluídos que nos levará a raciocinar como cães
condicionados; está diáletica sem debates fará o discurso patinar entre dois pólos num
círculo vicioso.
Counter: hits!