Como funciona uma sociedade comuno-socialista
Parte III
Policymaker [email protected]
23 de fevereiro de 2002
"Não há razão, sem dúvida, para que os novos totalitarismos se assemelhem aos antigos. Governos baseados no porrete e no pelotão de fuzilamento, na miséria artificial, não são apenas desumanos(hoje ninguém se preocupa muito com isso); são ineficientes por demonstração."
Aldous Huxley
O pai da perestroika é o teórico comunista italiano Antonio Gramsci (1891-1937). Ele havia compreendido que a revolução bolchevique, querendo modificar em primeiro lugar as condições da vida econômica, era demasiado violenta para obter a aprovação de um consenso generalizado, e preconizava, em conseqüência, efetuar primeiro uma revolução ideológica, isto é, mudar antes de tudo as maneiras habituais de pensar. Gramsci propõe criar uma nova civilização com uma revolução ideológica na educação.
Sabemos hoje que a modificabilidade cognitiva é um fato. Podemos intervir no desenvolvimento cognitivo, nomeadamente no desenvolvimento da inteligência e de competências metacognitivas: aprender a pensar, aprender a aprender, pensar sobre o pensar, estas newspeaks significam nunca chegar a uma verdade definitiva ou relativizar absolutamente tudo, relativismo absoluto; "superar" significa destruir comportamentos tradicionais através de situações de conflito. Pascal Bernardin em "Machiavel pedagogue ou le ministère de la réforme psychologique" (Paris, Éditions Notre-Dame des Graces, 1995), mostrou que técnicas desenvolvidas em laboratórios de psicologia para a manipulação de clientelas comerciais ou políticas se dissemiram na educação de crianças(1).
Segundo a pedagoga Maria Inês Fini, mestre em Psicologia da Educação e coordenadora do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), escola não é mais o lugar onde uma geração passa para outra um acervo de conhecimentos. "Ela agora tem outro papel: é o espaço onde as relações humanas são moldadas", avalia. "Deve ser usada para aprimorar valores e atitudes, além de capacitar o indivíduo na busca de informações, onde quer que elas estejam, para usá-las no seu cotidiano". Maria Inês Fini destaca "A motivação é criada a partir da geração de conflitos. Resolver um desafio estimula a classe". Para ela, é mais importante que a criança saiba lidar com a informação do que simplesmente retê-la.
Os documentos do MEC que orientam os professores têm cada vez menos informação e cada vez mais doutrinação política e métodos de controle social baseados na dissonância cognitiva. O desequilíbrio provocado pelo aparecimento de algo que não se encaixa nas estruturas cognitivas que o sujeito possui gera nele o conflito cognitivo - que não é mais que "o confronto do sujeito com o seu mundo interno, com os outros e com as situações externas"- que se prolonga no tempo provocando dissonância cognitiva (Festinger,1957) e pondo em marcha a "atividade criadora do sujeito" e o mecanismo de assimilação/acomodação, até contruir a resposta que lhe serve. Esta terapia de choque emocional tornou-se padrão nas escolas de todo o mundo. As situações de conflito produzem dissonância cognitiva, confusão mental e moral.
Marc Tucker, pedagogo amigo de Hillary clinton, nos diz que "Nosso objetivo requer mudança de cultura, de atitudes, valores e normas". O HR 1385, programa de desenvolvimento da força de trabalho, está sendo implementado em todos os estados americanos. Trabalhando com líderes globalistas, ele clama por uma "mudança de paradigma, uma total transformação do modo de pensar das pessoas e de percepção da realidade".
O HR 1385(2) foi assinado em 1998 pelo presidente Clinton que ameaçou vetá-lo se o texto original do projeto de lei fosse modificado. O projeto se baseou nos seguintes pontos:
controle sobre crenças e atitudes,
aconselhamento psico-social
treinamento, retreinamento, correção
consetimento da força de trabalho em conformar-se com novas competências politicamente corretas baseada na percepção governamental.
A dissonância cognitiva é um vantajoso método indireto de influência social que produz mudanças de atitudes mais duráveis porque as pessoas manipuladas por dissonância tem a ilusão de fazer uma "free-choice", livre escolha, na mudança de suas atitudes. Isto pode ser contrastado com os métodos mais diretos de influência social que geralmente tem um curto impacto sobre o manipulado, se tiver algum. Quando as pessoas se sentem obrigadas elas se rebelam contra a coersão porque falta a "free-choice". Como nos diz Pascal Bernardin "O exercício do controle é uma técnica toda diferente, que consiste em colocar as pessoas num quadro tal que elas desfrutarão de um sentimento de liberdade, às vezes de grande liberdade, ao tempo em que esta liberdade será, na realidade, estreitamente canalizada num quadro fixado pelos governantes"(3).
Esta nova pedagogia requer um projeto político pedagógico uma vez que sua finalidade é formar cidadãos. Outro aspecto político é a autonomia, autonomia como livre escolha ou "free-choice", que nasce com o projeto escolar e "que não pode ser confundida com soberania" como diz Avelino Romero S. Pereira, coordenador-geral de ensino médio do MEC. O projeto político pedagógico deve ser flexível o suficiente para permitir correções. E como sua função é a de projetar a escola para diante, ele nunca estará pronto.
Modelos de planejamento estratégico variam por definição. No entanto, a maioria deles envolve ajustes constantes entre os objetivos, recursos, ações e limitações. A nível nacional, os objetivos são comumente expressos em termos gerais, ocorrendo o mesmo com respeito aos recursos do governo central, enquanto que as ações são executadas a nível local. Assim, planos locais divergirão naturalmente, quando num mesmo contexto, não apenas quanto ao seu alcance, mas também quanto ao conteúdo. Desta maneira os planos locais podem especificar os tipos de competência requeridos para implementar o plano.
Competência é a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações etc) para solucionar com pertinência e eficácia uma série de situações, saber gerenciar e superar conflitos. A formulação de competências se afasta, então, das abstrações ideologicamente neutras e aparece a idéia de que os objetivos da escolaridade dependem de uma escolha da sociedade, ou free-choice. Este é o processo de criação do consenso dentro das organizações que tem o mesmo significado e objetivo dos programas de qualidade total.
Estamos diante de um inimigo que não é mais comunista, mas é sobretudo socialista e coletivista imerso na cultura liberal procurando realizar a síntese do " socialismo de mercado". Uma descrição mais científica da lógica deste movimento revolucionário articula-se em torno da teoria dos sistemas e da teoria do caos. Se admitimos uma hierarquia sistêmica de universos caóticos, podemos manipulá-los com forças muito fracas em cada nível. Conciliar um liberalismo aparente com um construtivismo sempre real(4).
1- Ver Pascal Bernardin, http://www.euro92.org/edi/biblio/bernardin2.htm, http://www.olavodecarvalho.org/convidados/bernardin2.htm. Voltar
2- Ver Berit Kjos, http://www.crossroad.to/text/articles/hr1385.html. Voltar
3- Ver Pascal Bernardin, http://www.euro92.org/edi/biblio/bernardin2.htm, http://www.olavodecarvalho.org/convidados/bernardin2.htm. Voltar
4- Ver Pascal Bernardin, http://www.euro92.org/edi/biblio/bernardin2.htm, http://www.olavodecarvalho.org/convidados/bernardin2.htm. Voltar
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