Como funciona uma sociedade comuno-socialista
Parte II
Policymaker [email protected]
01 de janeiro de 2002
"Essa revolu��o realmente revolucion�ria est� para se processar, n�o no mundo exterior, mas na alma e na carne dos seres humanos."
Aldous Huxley
Muitas id�ias s�o postas em circula��o s� em vista do efeito que advir� de seu conflito com outras id�ias concorrentes, isto porque existem coisas como a "engenharia comportamental" e o "gerenciamento de conflitos". Ao interagir com id�ias estranhas ao seu mundo interno, o sujeito procede a uma a��o de pesagem entre aquilo que j� conhece e aquilo que � estranho �s suas estruturas cognitivas, que � novo e n�o se encaixa nessas mesmas estruturas. Gera-se desequilibrio, o sujeito sente tens�o e continua a agir sobre os objetos esfor�ando-se por reencontrar o equil�brio perdido. O esfor�o de manter uma base de indispens�vel realismo que torna poss�vel a vida social � dificultado pelo esfor�o de n�o enxergar uma determinada �rea, circunscrita como tabu. O conhecimento t�cnico deste mecanismo permitiu a sua utiliza��o sistem�tica nos processos de lavagem cerebral e "reforma do pensamento", nos campos de prisioneiros da China e da Uni�o Sovi�tica. Por�m, o mesmo fen�meno, atenuado ou disfar�ado, observa-se disseminado na vida social contempor�nea(1).
Um dos exemplos no Brasil � a Escola Sagarana, documento de pol�tica educacional do Estado de Minas Gerais "tal como aprovado na Carta dos Educadores Mineiros (2.9.1998), subscrita pelo Governador Itamar Franco, ent�o candidato �s elei��es que o conduziram ao cargo m�ximo do Estado de Minas Gerais (quadri�nio 1999-2002)"(2), onde o secret�rio da educa��o diz explicitamente que, abro aspas, "� indispens�vel que haja uma reforma no modo de pensar e, portanto, na educa��o. Apontando quatro objetivos fundamentais do ensino:
O conflito cognitivo pode ser deliberadamente provocado pelos professores, na sala de aula, quando eles apelam � explora��o de materiais. Situa��es de aprendizagem consistem em envolver os disc�pulos em situa��es fict�cias propositadamente montadas para desorient�-los por estimula��o contradit�ria, at� que, atingindo o seu limite, eles abandonem toda resist�ncia e se entreguem passivamente aos comandos mais estapaf�rdios ou prejudiciais(3). Mudan�as devem ocorrer pelo conflito, esta � a base da dial�tica hegeliana.
A guerra pelas mentes e cora��es deve ser total e a a��o pol�tica deve ser precedida pela a��o na mente alheia que, j� domesticada, absorveria sem questionamentos o que se desejasse nela gravar. Vigotsky, guru do MEC e das professorinhas, j� em seus estudos, datados de 1934 procurou criar uma psicologia em fun��o do materialismo hist�rico de Karl Marx ressaltando que os fatores sociais e hist�ricos deviam se combinar para produzir, na linguagem, um instrumento que, inexoravelmente, guiaria o pensamento. Pura doutrina��o. Vigotsky n�o era o preferido do partido comunista sovi�tico porque ainda reconhecia a consci�ncia individual o que � inadmiss�vel para os sovi�ticos. Esta nova onda do pensamento Marxista � a socio-psicologia. � surpresa para muitas pessoas descobrirem que os pilares da moderna psicologia foram os humanistas ut�picos que acreditaram que a esp�cie humana deve ser manipulada e que todos os problemas sociais podem ser resolvidos reprogramando o ser humano. Eles visam mudar a natureza humana e n�o a sociedade.
Um desses grupos foram os Fabianos, que derivaram seu nome do general romano Fabius. Fabius � lembrado pela estrat�gia que usou para vencer Hannibal. Hannibal tinha superioridade de for�as mas estava longe de seus suprimentos. Ao inv�s de confrotar o inimigo frontalmente, Fabius adotou a estrat�gia de bater-e-retirar. � uma estrat�gia que visa minar as for�as do inimigo pouco a pouco sem correr o risco de perder a batalha num confronto direto. Fabius venceu a batalha. Os socialista fabianos adotaram a mesma estrat�gia na sua luta pelo comunismo. Em similar modo os Marxistas Gramscianos advogam uma "lenta marcha para dentro das institui��es" numa guerra de posi��es onde o campo de batalha n�o � o tradicional com armas e canh�es mas s�o a mente das pessoas e a cultura. Gramsci ganhou o �dio dos sovi�ticos quando disse que eles estavam errados.
1- Ver Olavo de Carvalho, O abandono dos ideais. Voltar
2- Ver Educa��o para a vida com dignidade e esperan�a, 2a edi��o, agosto 2001, governo do estado de Minas Gerais. Voltar
3- Ver Olavo de Carvalho, Como vencer um debate sem precisar ter raz�o, Rio de Janeiro, Toopbooks, p. 244. Voltar
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