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Aimberê Freitas e
Alcides Lima
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Essa reserva foi criada,
inicialmente, em uma área correspondente a 2,4 milhões de hectares.
Tão logo foram conhecidos os resultados do levantamento sobre as
jazidas minerais existentes na Amazônia, realizado pelo Projeto
Radam-Brasil, em 1975, os seus idealizadores trataram de pressionar
a sua ampliação para 5 milhões de hectares, estando hoje, em torno
de 10 milhões de hectares, por força de Decreto Presidencial,
assinado pelo então Presidente Fernando Collor, em 15 de novembro de
1991.
Naquela ocasião, tanto o Presidente como seus ministros
do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, comportaram-se
irresponsavelmente em relação à segurança nacional, procurando, tão
somente, satisfazer os interesses da oligarquia britânica e
do Presidente dos Estados Unidos George Bush, que lhes
acenavam com a ilusória possibilidade do ingresso do Brasil no clube
das nações do chamado "Primeiro Mundo".
Para se ter uma idéia
de como tudo começou, transcrevemos trechos do relato feito pelos
jornalistas Sílvia Palácios e Lorenzo Carrasco (Extraído da Revista
Almanaque Republicano edição de junho de 1995. Sílvia Palácios e
Lorenzo Carrasco, eram correspondentes da Revista Executive
Intelligence Review (EIR), no Brasil) na revista Almanaque
Republicano: Não foi nenhuma instituição brasileira, nem qualquer
grupo privado de cidadãos brasileiros bem intencionados ou não,
muito menos, membros das várias tribos Ianomami, preocupados com sua
sobrevivência, que deram partida ao processo de criação dessa
Reserva Indígena. Esta decisão foi tomada em meados da década de 60,
por iniciativa do aparato colonial britânico, comandado pela
decadente Casa de Windsor e cujos pormenores e implicações
estratégicas foram discutidas nos salões do Palácio de Buckinham,
por ninguém menos que o próprio Príncipe Philip, o "doge" da Casa de
Windsor, na presença da Rainha Elizabeth II.
Mas, qual
foi o verdadeiro motivo que concorreu para que a oligaquia britânica
adotasse os Ianomami como tribos de sua atenção? Foi nada
mais nada menos do que a imensa riqueza mineral existente na região,
que, a seu ver, ajudaria a manter o seu domínio sobre o mercado
mundial de bens minerais, como ocorre no continente
africano.
Segundo a narrativa dos referidos jornalistas,
as campanhas para a criação da Reserva Ianomami, foram baseadas
na experiência de domínio colonial na África Subsaariana. A precisa
localização da Reserva Ianomami, foi resultado de várias viagens de
exploradores inglêses, especialmente Robin Hambury-Tenison, os quais
faziam parte de um esforço de localização dos principais grupos
indígenas situados sobre os eixos naturais de integração do
continente Iberoameriano: eixo Norte-Sul, ligando as bacias
hidrográficas do Orinoco, Amazonas e Paraná; o eixo Leste-Oeste,
fazendo a conexão interoceânica, fundamental para o desenvolvimento
da região central do subcontinente. A meta era escolher grupos
indígenas que, posteriormente, poderíam ser manipulados para
obstaculizar a construção de grandes obras de infraestrutura
necessária para concretizar tais conexões. Em seu livro Worlds a
part (Mundos a Parte), Hambury-Tenison, apresenta um mapa no
qual mostra, precisamente, essa preocupação, e revela que a
importância estratégica de seus roteiros lhe foram indicadas,
pessoalmente, pelo Príncipe Philip.
Para dar continuidade
à sua estratégia, a oligarquia do Palácio de Buckingham criou, em
1969, a organização não governamental denominada Survival
International, cujo objetivo principal de suas campanhas era a
criação do Parque Ianomami.
A existência dessa organização
resultou de uma série de expedições de Hambury-Tenison e de seu
companheiro Kenneth Taylor, tendo este último iniciado exaustivo e
meticuloso trabalho junto aos Ianomami. Constituiu-se, um dos
autores do primeiro projeto de criação do Parque
Ianomami.
Além de Hambury-Tenison e Kennet Taylor, tiveram
participação ativa na criação do Parque as seguintes pessoas: John
Hermmings, Diretor da Real Sociedade Geográfica Britânica; os
antropólogos Andrey Colson, Tames Woodburn, Nicollas Guppy e Francis
Huxley; o ecologista Edward Goldsmith que, em seguida, fundaria a
Revista The Ecologist; o cineasta Adrian Cowell que, mais tarde,
tornar-se-ia famoso por seus filmes sobre a "devastação da
Amazônia".
É importante destacar que a Real Sociedade
Geográfica é uma das principais instituições do Establishment
britânico em cuja diretoria participaram figuras que representam a
primeira linha da inteligência britânica.
Para a constituição
da Survival International, os recursos financeiros necessários foram
conseguidos através da Word Wildlife Fund (WWF), na pessoa de
seu presidente Sir Peter Scott, que, naquela época, comandava outra
entidade importante da estrutura burocrática inglesa, a Sociedade
para a Preservação da Fauna e da Flora, cujo objetivo era a
manutenção dos privilégios imperiais britânicos travestidos de
conservação da natureza, sobretudo através da ampliação de
parques nacionais, estendidos a todos os continentes.
Outra
fonte financeira da citada organização foi o irmão de Edward
Goldsmith, o magnata James Goldsmith que, juntamente com os seus
primos da família Rothschild, é um dos principais patrocinadores do
movimento ambientalista mundial.
É importante enfatizar que a
Survival International foi concebida para ser um braço
indigenista da WWF, e que da sua criação até a edição do decreto de
Fernando Collor, em 1991, pode-se destacar nela três grandes
fases:
A Primeira, também chamada de
"reconhecimento do terreno", com as referidas viagens à região dos
diretores da organização, que durou até 1976, com a expulsão do país
pelo Governo Federal de Kenneth Taylor e Bruce
Albert.
A Segunda, aconteceu a partir da
mudança de estratégia, isto é, "nacionalizando" a campanha. Para
isso, Bruce Albert, participou, em 1978, da comissão Pro-Criação do
Parque Ianomami (CCPY), cuja presidência, ficou nas mãos de uma
fotógrafia suiça, naturalizada brasileira, chamada Cláudia Andujar,
que começou a atuar como braço do lobby oligárquico britânico,
constituindo-se como principal propagandista perante as autoridades
brasileira, junto ao Congresso, à grande imprensa brasileira, aos
intelectuais, aos religiosos, aos cientistas, aos grupos privados
brasileiros, etc. Ao mesmo tempo foi deflagrada uma saraivada de
pressões internacionais contra o Brasil, tendo a Survival
International lançado publicações denominadas de "Boletins de Ação
Urgente", destinada a um público determinado. Essa campanha de
pressões incluía ações contra o Brasil ao nível da ONU, da OEA e da
OIT.
A Segunda fase encerrou-se com a apresentação, no Senado
da República, do Projeto de Lei nº 379/85, assinado, mas não de
autoria do Senador, paulista, Severo Gomes, pois a autoria do
projeto foi da CCPY.
A Terceira fase da
estratégia foi iniciada por um episódio que, até certo ponto,
pode-se pensar não ter sido programado, do qual foi tirado grande
vantagem, qual seja, o assassinato do líder seringueiro Chico
Mendes, em dezembro de 1988, no Acre, desencadeando uma descarada
campanha de pressões internacionais contra o Brasil.
Dando
continuidade à estratégia, no ano seguinte, o "líder" Ianomami Davi
Kopennawa foi contemplado com o Prêmio Global 500 da ONU, sendo,
ainda convidado pela Survival International para realizar uma
viagem pelo continente europeu, durante a qual recebeu magistral
cobertura da imprensa internacional.
No mesmo ano,
precisamente em 14 de setembro, paralelamente à publicação de um
contundente editorial da Revista The Economist sobre a Amazônia,
aconteceu, em Londres, uma grandiosa manifestação em frente à
Embaixada brasileira, com os manifestantes protestando contra a
devastação da Amazônia. Além da Survival International, outras ONGs
famosas participaram da referida manifestação, tais como: Friends
of the Earth, Greenpeace, Oxfam e Forest Peopols Support Group.
Dias depois, aconteceu, também na Inglaterra, em Sheffielld, o
Simpósio intitulado "Amazônia: Meio Ambiente de Quem? Luta de Quem?,
com o objetivo de organizar uma federação de ONGs para patrulhar as
campanhas ambientais na Amazônia. Os organizadores desse conclave
foram as ONGs Brazil Network e Instituto Católico de Relações
Internacionais(CIIR).
No Brasil o contato com ditas
organizações, é o Instituto de Estudos Econômicos e Sociais
(INESC), com sede na capital da República, onde exerce a missão
de lobby junto ao Congresso Nacional.
De acordo com o relato
de Palácios e Carrasco a frequência com que deparamos com a
Inglaterra, quando investigamos os bastidores da campanha
ambientalista contra o Brasil, não constitui mera coincidência,
pois, como se percebe, naquele país, se encontra a cabeça da "hidra
verde". Não admira, pois, que em vidros de automóveis ingleses,
tenham aparecido plásticos com a inscrição SALVE A FLORESTA;
QUEIME UM BRASILEIRO.
No ano de 1989, o INESC, em
cooperação com as ONGs dos EUA, patrocinou a visita de vários
líderes indígenas brasileiros àquele país.
A ofensiva final
ocorreu em 1990, com o reconhecimento das pressões, destacando-se a
sugestão de "renúncia à parcela de soberania" sobre a Amazônia,
apresentada pelos líderes franceses François Mitterand e Michel
Rocard na Conferência de Haia, além da proposta de troca da "dívida
por natureza", feita pelo Vice-Primeiro Ministro holandês Rudolf de
Koorte, na mesma época. (Almanaque Republicano Opus
Cit)
Nesse mesmo ano, a "agenda verde" se constituiu num
outro instrumento de pressão pelo qual se impôs às nações amazônicas
a chamada Nova Ordem Mundial, concebida pelo então Presidente
dos EUA, George Bush e executada através de sua aliança com a
Primeira Ministra da Inglaterra, Margareth Thatcher e o líder
soviético Mikail Gorbachov.
Segundo narrativa dos mencionados
jornalistas, as pressões renovadas, produziram efeito com o
avento do Governo de Fernando Collor de Melo, sensível a tais
inflências externas, como ficou evidenciado pela presença do
fanático ambientalista José Lutzenberger, um íntimo do Príncipe
Charles, que introduziu, no governo, as pontas reivindicatórias de
seu colega das redes ambientalistas internacionais, o que não admira
já que além dos seus múltiplos contatos entre elas, ele recebia - e,
talvez ainda receba - importantes doações financeiras da Gaia
Foudation da Inglaterra, como provou a revista Executive
Intelligence Review(EIR)
Ainda no ano de 1990, a
Survival International patrocinou ampla divulgação
daquilo que o Príncipe Charles, herdeiro do trono britânico, o
chamou de "pavoroso genocídio coletivo dos Ianomami". A partir desse
fato, a Survival International, a Oxfam e o CIIR,
iniciaram contatos formais com autoridades do governo britânico
sobre a Questão Ianomami, provocando uma série de debates no
Parlamento daquele país.
Em maio, o Ministro do Meio Ambiente
do Brasil, Sr. Lutzemberger visitou Londres, a convite do Príncipe
Charles, levando em sua agenda a discussão sobre assuntos ambientais
e a Questão Ianomami e a possível visita ao Brasil do herdeiro do
Trono Britânico. No retorno, o Ministro brasileiro entregou ao
Presidente Fernando Collor as preocupações da comunidade
internacional, particularmente em ralação aos Ianomami.
Em
outubro, a Ministra britânica do Desenvolvimento do Ultramar, Lynda
Chalker, em estada no Brasil, já preparando a visita do Príncipe
Charles ao país, participou de um Seminário patrocinado pelo seu
ministério e pela Empresa Imperial Chemical Industries, ocasião em
que ofereceu apoio do seu ministério a um program de ajuda médica
para as comunidades Ianomami.
Naquele mesmo ano, o conlúio do
governo Collor com as pressões internacionais permitiu a invasão
descarada das ONGs às terras Ianomami.
Em abril de 1991,
aconteceu a tão badalada visita do Príncipe Charles ao Brasil. Na
sua comitiva vieram, dentre outras personalidades internacionais: o
Ministro do Meio Ambiente da Inglaterra, David Tripper; o Diretor da
Agência de Proteção Ambiental dos EUA, William Reilly, o Coordenador
de Meio Ambiente da Comunidade Europeia, Carlos Ripa i Meana e o
Presidente da Bristish Petroleum, Robert Horton. Naquela
oportunidade, Charles realizou um Seminário, de dois dias, a bordo
do Iate Real Brittania ancorado no rio Amazonas, sobre assuntos
ambientalistas e a Questão Ianomami ao qual compareceram o
Presidente Fernando Collor e seu Ministro do Meio Ambiente
Lutzemberger.
Em junho, num artifício estratégico que
reforçou as pressões sobre o Brasil, o então Presidente da
Venezuela, Carlos Andrés Peres, assinou um Decreto determinando a
criação da Reserva da Biosfera Alto Orinoco-Casiquiare, delimitando
uma reserva para os Ianomami venezuelanos, contígua à
brasileira.
Em seguida, ainda no mês de junho, Fernando
Collor visitou Washington, ocasião em que o Presidente George Bush
foi portador de uma mensagem assinada por oito senadores do Partido
Democrata Americano, pedindo a Bush que pressionasse o Presidente
brasileiro a fim de que fosse acelarada a demarcação da Reserva
Ianomami.
Em outubro, Fernando Collor recebeu dois enviados
internacionais para discutir o assunto. Eram eles, o Diretor da WWF,
Hernner Ehringhous e o Deputado americano John Batter.
Em 15
de novembro de 1991, o Presidente brasileiro deu o tiro de
misericórdia assinando o decreto que demarcava a Reserva Ianomami,
com uma área em torno de 10 milhões de hectares, quase do tamanho de
Portugal.
Como se pode verificar, a demarcação da área
Ianomami foi o principal objetivo de toda a ofensiva ambientalista
internacional sobre a Região Amazônica, comandada pela oligarquia
britânica interessada nas riquezas de solo e subsolo nela
existentes.
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