Por ser um folguedo de natureza dram�tica, o Mamulengo tem a capacidade de absorver e representar outros folguedos, na medida em que teatraliza os costumes e tradi��es da comunidade que o cerca.

 

     Uma de suas caracter�stica mais marcantes � a representa��o de situa��es divertidas e pitorescas por personagens t�picos e estereotipados. Nas palavras de Fernando Augusto Gon�alves, fundador do Mamulengo S�-Riso:

"Atrav�s dos bonecos, o povo se identifica com suas alegrias e tristezas, com   seus temores e sua capacidade de f�, com seus tipos matreiros e seus elementos repressores, com esmagamento de seus direito e sua �nsia de liberdade."

     No estado, de uma regi�o para outra, os personagens que representam o papel principal no desenrolar da trama se alternam. Os mais conhecidos s�o o Professor Tirid� (que mostra sua supremacia sobretudo no Recife), o Moleque Benedito (que manda na zona da mata norte do Estado), o Cabo Setenta (na zona da mata sul), Quit�ria, Sim�o, Man� Pacaru e Jo�o Redondo. Destes, apenas os tr�s �ltimos s�o brancos. A associa��o dos her�is � ra�a negra n�o ocorre por acaso. A id�ia �, realmente, chamar a aten��o para as qualidades dos negros, com destaque para a bravura.

     Uma figura tamb�m sempre lembrada � a do mestre Ginu, criador do j� c�lebre personagem Professor Tirid� e dono de uma vozeir�o e de uma imagina��o capazes de garantir, sem muito esfor�o, um espet�culo rico, fascinante e autenticamente popular.

     Nas festas de anivers�rios infantis, o p�blico mirim aplaude, diverte-se e participa com entusiasmo do Teatro de Bonecos, confundido por muitos com o Mamulengo. Presen�a constante e sempre apreciada nessas ocasi�es, o Teatro de Bonecos, contudo, difere do Mamulengo por possuir um enredo completo e pr�-estabelecido.

       Pernambuco tem hoje, em Olinda, o primeiro museu de Mamulengo do Brasil e da Am�rica Latina, o Museu do           Mamulengo  -  Espa�o Tirid�, cujo nome � uma homenagem ao valente Professor Tirid�.

     Os Mamulengos mais famosos de Pernambuco foram o Mamulengo Nova Inven��o Brasileira, do Mestre Solon (rural), e o Mamulengo Doutor Babau (urbano), que influenciaram todos os titereteiros que vieram depois. O sucessor do Doutor Babau chamava-se "cheiroso" e criou um Mamulengo de primeira.

 

     

     Temos, atualmente, em Pernambuco importantes Mamulengos, como o "Mamulengo S�-Riso", o "Mamulengo Alegre" e o "Mamulengo Lima Condessa", todos de Olinda; os grupos "Pres�pio Nova Gera��o" e "A Inven��o Brasileira", ambos de Carpina; o "Mamulengo Boca de Babau", do Cabo de Santo Agostinho; o "Mamulengo Riso da Cidade" e o "Mamulengo Alegria do Povo", de Groria de Goit�; e o "Mamulengo de Dengoso", da comunidade de Ch�o de Estrelas, na Campina do Barreto, em Recife.

     Em Pernambuco tamb�m n�o faltam grandes artes�os e mamulengueiros, como Jo�o Nazario, de Pombos; Man� de Cruz, de Cruz de Rebou�as (Igarassu); Mestre Salustiano e Pedrinho Soares, de Olinda; Maximiano, de Caruaru; Mestre Sa�ba, de Carpina; Samuel, de Feira Nova; Pedro Rosa, de Lagoa do Carro e Luiz da Serra, de Vit�ria de Santo Ant�o. Outros grandes nomes que tamb�m n�o podem ser esquecidos s�o Mestre Salon, de Carpina, e Mestre Nilson de Moura, de Olinda, ambos j� falecidos.

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