Recife, 1896. quando a Banda da Guarda Nacional despontou na rua, a torcida j� esperava, ansiosa. Para eles, naquele final de s�culo, n�o poderia haver banda de m�sica mais afinada nem repert�rio mais animado. No final da rua, por�m, estava a torcida da Banda do Quarto  Batalh�o, que pensava exatamente o mesmo de sua Banda. Mesmo a dist�ncia, com velhos inimigos que eram, uns e outros trocavam olhares pouco amistosos. Abrindo passagem na frente da Banda, os "capoeiras", negros libertos, pulavam e saracoteavam ao som das m�sicas tocadas, armados com porretes ou velhas sombrinhas, que, em caso se choque com os advers�rios, lhes garantiam condi��es de se defender e - por que n�o dizer? - de atacar tamb�m. Certa vez haviam surpreendido um grupo rival furando os bombos de sua Banda, o que rendeu uma luta feroz, que por pouco n�o terminava em morte...

"Foi, de fato, no Recife dos fins do s�culo XIX, come�os deste, que a m�sica foi aparecendo, conduzindo a dan�a, ou a dan�a foi tomando o corpo, sugerindo a m�sica. � imposs�vel distinguir bem: se o Frevo, que � m�sica, trouxe o passo ou se o Passo, que � dan�a, trouxe o Frevo. As duas coisas foram se inspirando uma na outra e - completaram-se."

Valdemar de Oliveira

     Recife, 1996. Os sobrados tocados pela Bandas Militares, t�o populares no final do s�culo XIX, evolu�ram para o vibrante FREVO, tipicamente pernambucano. Dos passos desenvoltos dos "capoeiras", � frente das bandas, nasceu a dan�a do Frevo - o "passo" - original e �nica. Juntos, m�sica e dan�a formam um espet�culo de rara beleza.

     As sobrinhas do frevo, que hoje servem de equil�brio e adorno, em nada lembram os porretes originais dos capoeiras. S�o multicoloridas e pequenas, dando um ar de gra�a e beleza ao passista que a conduz.

     A palavra frevo nasceu da linguagem simples do nosso povo e vem de ferver (que as pessoas pronunciam "frever"). Significa fervura, efervesc�ncia, agita��o. A primeira refer�ncia a ela na imprensa foi no jornal Pequeno, na edi��o de 09 de fevereiro de 1907, data em que passou a ser comemorado o Dia do Frevo.

     Enquanto m�sica, o Frevo � uma composi��o ligeira, de execu��o vigorosa e estridente. � uma alegre mistura de polca e dobrado, com influ�ncia do maxixe, do galope, da quadrilha, da marcha, do tango brasileiro... Possui tr�s categorias, claramente identific�veis: o Frevo-de-rua, a Marcha de Bloco e o Frevo-can��o.

 

 

 

     O Frevo-de-rua quase nunca possui letra. � f�cil de ser distinguido, pois termina sempre num longo acorde. O mais famoso dentre os Frevos-de-rua �, sem d�vida, "Vassourinhas", de Matias da Rocha.

 

 

 

     Por mais cansada que esteja a multid�o, a execu��o de "Vassourinhas" � sempre capaz de "levantar"o povo, com sua energia fluindo atrav�s dos acordes vibrantes e contagiando os foli�es.

     A Marcha de Bloco, por sua vez, � executada por uma orquestra composta por instrumentos de corda, como viol�o, cavaquinho e banjo. Como exemplos de Marcha de Bloco que marcaram �poca e s�o lembradas at� hoje, temos "Evoca��o N-1", de Nelson Ferreira e "Saudade",dos irm�os Valen�a.

     Com o Frevo-can��o, semelhante �s marchinhas cariocas, a poesia jorra das letras, como em "Cala a boca, menino", do eterno Mestre do Frevo pernambucano, Capiba:

"Sempre ouvi dizer
que numa mulher
n�o se bate
nem com uma flor...
Loura ou morena,
n�o importa a cor
n�o se bate
nem com uma flor."

 

     Ou, ainda, como na letra do "Hino do Elefante", composta por Cl�nio Nigro, exaltando a tradicional agremia��o olindense, que se transformou tamb�m no pr�prio hino do carnaval de Olinda:

"Ao som dos clarins de Momo
o povo aclama com todo ardor
o Elefante, exaltando as suas tradi��es
e tamb�m seu esplendor.
Olinda, esse meu canto
foi inspirado em teu louvor
entre confetes e serpentinas
venho te oferecer, com alegria, o meu amor.
Olinda, quero cantar
a ti esta can��o
 Teus
coqueirais, o teu sol, o teu mar
faz vibrar meu cora��o de amor, a sonhar
com Olinda sem igual
salve o teu carnaval!"

>>>Pr�xima

 
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