Algumas teorias tentam desvendar a origem da dan�a do Coco. A maioria dos pesquisadores concorda em que ela teria nascido espontaneamente dos negros dos Palmares.

     Reza a tradi��o que os negros, � procura dos cocos, sentavam-se ao ch�o e, para quebrar a dura casca do fruto, colocavam-no sobre uma pedra e nele batiam com outra, at� que o coco rachasse. Como eram muitos ao mesmo tempo, o barulho das pedras batendo nos cocos e as conversas sempre animadas do grupo provocavam uma barulheira enorme.

     Em meio a zueira que se formava, sempre aparecia quem se levantasse e come�asse a dan�ar, num vibrante sapateado, ao qual todos, alegremente, procuravam unir as batidas ritmadas nos cocos e alegres cantorias, transformando tudo numa animada festa.

     T�o boa era a brincadeira que, quando iam em busca do fruto, os negros diziam, maliciosamente: "vamos ao coco..."

     Levado para as senzalas, o ritmo, antes marcado pelas pedras, foi substitu�do por palmas caracter�sticas com as m�os encovadas, de tal maneira que o ru�do se assemelha justamente ao quebrar da casca do coco. Passou a ser dan�ado em rodas formadas por pares, com os casais trocando umbigadas entre si e os rapazes com as mo�as dos casais vizinhos. Tamb�m se uniu � m�sica o acompanhamento do ganz�.

     Apesar de sua origem africana, a influ�ncia ind�gena na dan�a do coco � facilmente percebida, sobretudo no passo lateral, ora � esquerda, ora � direita, uma de suas caracter�sticas tradicionais.

     Com o passar do tempo, o coco passou a ser dan�ado pelos trabalhadores rurais e moradores das pontas-de-rua das cidades. Tamb�m nas regi�es praieiras, o Coco marcou presen�a.


    

 

     O coco, por�m, nem sempre foi visto com bons olhos pelas "autoridades". Em Itamarac�, por exemplo, na �poca em que era distrito de Igarassu, l� pela d�cada de 30, o coco foi proibido, conforme nos revela Jos� Lopes de Albuquerque em seu delicioso "Hist�ria e Segredos de uma Ilha":

     O ent�o Delegado de Pol�cia, Sr. Zezinho, um homem en�rgico que n�o admitia desobedi�ncia �s suas ordens, resolveu, em plena �poca de S�o Jo�o, proibir a dan�a do coco.

     Sem conceber S�o Jo�o sem coco, um grupo de populares resolveu desobedecer � ordem, mas em lugar bem discreto, dentro do mato mesmo. S� que o Delegado descobriu e, quando o coco estava bem animado, cercou e invadiu com policiamento o local, para horror de todos. As vozes emudeceram, o zabumba calou, o povo correu e somente o negro do Ganz�, o tirador dos cocos, ficou, e n�o por valentia, � que n�o p�de escapulir mesmo. Seu Zezinho, com voz de trov�o, gritou: -Negro, voc� n�o sabia que eu dei ordens proibindo esta dan�a?

     
O negro tremeu nas bases e, vendo que n�o tinha como escapar, balan�ou o ganz� e cantou:

"Seu Zezinho, n�o me d� cum seu cip�
          Que na ponta tem um n�
          Que � danado pra ard�.

Arde mai do que pimenta malagueta
          Eu me vejo aqui e  - �ita!
          Num tenho pronde correr"

     Seu Zezinho achou gra�a na ast�cia do negro e, para n�o se ver desmoralizado, ordenou que o negro cantasse a musiquinha sem parar, at� que o dia amanhecesse, deixando um soldado de vigia, para que a ordem fosse cumprida.

     J� na madrugada, o negro convidou o soldado para "tomar uma". Umas e outras depois, empolgado com a cacha�a, o soldado entrou no coco. O negro aproveitou para parar de cantar, mas o soldado lembrou da ordem do Delegado e disse: "Teje preso!"

     Partiram os dois para o comissariado, mas, no meio do caminho, o soldado, arrependido e querendo tomar mais umas, parou e disse para o negro: "Teje solto!". O negro deu um estalo com a l�ngua e respondeu: 

      - T� vendo tua asneira? veja quantas lapada n�s dexemo de unguli nesse tempo todo que vanc� mi prendeu!

     E voltaram para o coco.


    
Os "tiradores de coco" criam as m�sicas no improviso, citando quase sempre, pessoas presentes e acontecimentos do conhecimento de todos. Servem de acompanhamento bombos, pandeiros, zabumbas e tamborins, al�m dos tradicionais ganz�s. No centro da roda, revezam-se os pares de dan�arinos na curiosa dan�a. Cada um deles d� uma volta em torno do pr�prio corpo e se encontra com o parceiro numa umbigada, seguindo o ritmo da m�sica. Em seguida, cada um d� um passo para a direita, em seguida, outro para a esquerda, voltando a se encontra numa nova umbigada e recome�ando o passo desde o in�cio. As melodias" tiradas" pelos solistas s�o respondidas por todos, ao mesmo tempo em que marcam, com uma pisada forte de ambos os p�s, a s�laba t�nica do final do verso, meneando o corpo de um lado para outro num interessante gingado.

     O coco de Roda Selma, em Olinda, � um dos mais tradicionais do Estado. Selma come�ou dan�ando o Coco desde menina, tendo aprendido com seus pais. Hoje repassa a tradi��o para os filhos e netos.

     Al�m do Coco de Roda de Selma, temos, tamb�m em Olinda, o Coco de Praia de Antonieta, em �guas Compridas. No Recife, temos importantes grupos em atividades, como o Coco de Roda de Eg�dio Bezerra, da Torre, o Coco de Roda de Sete Flechas, do Alto do Pascoal, o Coco de Roda de Elefante, da Bomba do Hemet�rio e o Coco de Roda de Z� Neguinho, do Morro da Concei��o.Tamb�m no interior do Estado podemos encontrar bons grupos, dentre os quais se destacam o Coco de Calixto, de Arcoverde, e o Coco de Roda  do Varelo, de Nazar� da Mata.
 
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