|
|
|||||||
|
Na Ciranda, misto de canto e dan�a, brincadeira e divers�o, n�o cabem discrimina��es: dan�am velhos e mo�os, homens e mulheres, crian�as e adultos, apesar destes �ltimos serem maioria. De m�o aos bra�os dados, todos formam uma roda e, girando e ondulando ao sabor das m�sicas "puxadas" pelo Mestre de Ciranda - figura central do folguedo - os cirandeiros e cirandeiras balan�am o corpo e movimentam os p�s de maneira peculiar, dan�ando e cantando as respostas (ou estribilhos), seguindo o "deixa" do Mestre. No centro ou ao lado da roda, al�m do Mestre com seu ganz�, posicionam-se outros m�sicos, com seus instrumentos caracter�sticos, como o zabumba e o tarol, ajudados, �s vezes, por trambones, clarinetes, saxofones e pistons. Nenhum tema � privilegiado nem tampouco esquecido nas cirandas criadas e cantadas pelos Mestres. Amor e pol�tica, futebol e natureza s�o temas que fluem indiscriminadamente, resultando, geralmente, em melodias ricas e autenticamente brasileiras. Talvez o maior compositor e poeta que tivemos tenha sido o Mestre Ant�nio Baracho, que comandou, durante muito anos, a Ciranda de Abreu e Lima. Trabalhador de constru��o, acostumado ao trabalho pesado, Baracho deixava toda sua poesia jorrar, na sua voz forte e segura, encantando a todos que participavam da brincadeira e ao mesmo tempo a assistiam.
M�sica e letra nasceram, segundo nos conta o escritor Jos� Lopes de Albuquerque, nas alvas areias da praia de Itamarac�. Foi assim: Estavam no ano de 1961. Lia, mulata alta e esguia de seus dezessete anos, fez amizade com Dona Terezinha Calazans - a Teca - que veraneava numa casa pr�xima �quela onde ela trabalhava como dom�stica. Teca, na qualidade de pesquisadora do folclore brasileiro, com interesse especial na musicalidade popular, gostava de passar pela Ilha, levando seu viol�o e, por vezes, a nova amiga Lia. Um belo dia - na verdade, uma ela tarde, Teca feria o viol�o, desligada do mundo, � beira da praia. Num gesto de abandono, come�ou a solfejar a m�sica da famosa Ciranda, sem dar conta do espanto de Teca, que voltava a si num sobressalto. Onde voc� aprendeu isso, menina? Lia abriu os dentes, com naturalidade, e respondeu, muito faceira: - Ora, Dona Teca, aprendi por a�... Acho que foi nos cocos e nas cirandas que sempre vou espiar - Pois essa m�sica � muito bacana e vou botar letra nisso. Ser� uma Ciranda em sua homenagem, Lia... E Lia fez um ar de orgulho, tornou a mostrar os dentes brancos num riso brejeiro e continuou a cantiga. Logo cantarolava a m�sica que deu origem ao segundo verso. Teca, entusiasmada, j� acompanhava no viol�o. Parou bruscamente e disse com euforia: - Lia, minha nega, essa musiquinha � um amor... Em menos de dois dias estava pronta a Ciranda de Lia, com letra de Teca Calazans e pesquisa musical de Maria Madalena Correia do Nascimento.
|
| Sugest�es ou cr�ticas? D� sua opini�o |
Livro de Visitas Clique Aqui |
Participe de nossa Lista de discuss�o |
Autores
| Cantores
| Carnaval
| Cidades
| Culin�ria
| Cultura
| Economia
| Esportes
| Educa��o
| Eventos
| Postais
| Hist�ria
| Links
| Literatura
M�sica
| Turismo
| Pol�tica
| S�o
Jo�o