"Para dan�ar Ciranda
Juntamos m�o com m�o
formando uma roda
cantando uma can��o"

Ciranda popular

     Na Ciranda, misto de canto e dan�a, brincadeira e divers�o, n�o cabem discrimina��es: dan�am velhos e mo�os, homens e mulheres, crian�as e adultos, apesar destes �ltimos serem maioria.

     De m�o aos bra�os dados, todos formam uma roda e, girando e ondulando ao sabor das m�sicas "puxadas" pelo Mestre de Ciranda - figura central do folguedo - os cirandeiros e cirandeiras balan�am o corpo e movimentam os p�s de maneira peculiar, dan�ando e cantando as respostas (ou estribilhos), seguindo o "deixa" do Mestre.

     No centro ou ao lado da roda, al�m do Mestre com seu ganz�, posicionam-se outros m�sicos, com seus instrumentos caracter�sticos, como o zabumba e o tarol, ajudados, �s vezes, por trambones, clarinetes, saxofones e pistons.

     Nenhum tema � privilegiado nem tampouco esquecido nas cirandas criadas e cantadas pelos Mestres. Amor e pol�tica, futebol e natureza s�o temas que fluem indiscriminadamente, resultando, geralmente, em melodias ricas e autenticamente brasileiras.

     Talvez o maior compositor e poeta que tivemos tenha sido o Mestre Ant�nio Baracho, que comandou, durante muito anos, a Ciranda de Abreu e Lima. Trabalhador de constru��o, acostumado ao trabalho pesado, Baracho deixava toda sua poesia jorrar, na sua voz forte e segura, encantando a todos que participavam da brincadeira e ao mesmo tempo a assistiam.

 

     O "dono da ciranda", geralmente um comerciante, promove a apresenta��o do grupo em frente ao seu estabelecimento, aproveitando para arrecadar dinheiro para pagamento do Mestre, com as vendas de comes e bebes ao p�blico.

     � comun tamb�m a execu��o da ciranda � beira da praia, com a cad�ncia do passo dos cirandeiros, de p�s cal�ados, se harmonizando com o balan�o das ondas do mar.

 

     A Ciranda, segundo a maioria dos historiadores, � origin�ria de Portugal e come�ou a ser observada, no Brasil, a partir da zona norte de Pernambuco, sobretudo no munic�pio de Goiana, dai se espalhando para todo o Nordeste. Atualmente, temos na Ilha de Itamarac� uma das cirandeiras mais famosa do Brasil, Maria Magdalena Correia do Nascimento - ou simplesmente Lia, imortalizada pela m�sica:

 


"Essa Ciranda
quem me deu foi Lia
que mora na Ilha de Itamarac�.
Est�vamos na beira da praia,
 ouvindo as pancadas
das ondas do mar..."










     M�sica e letra nasceram, segundo nos conta o escritor Jos� Lopes de Albuquerque, nas alvas areias da praia de Itamarac�. Foi assim:

     Estavam no ano de 1961. Lia, mulata alta e esguia de seus dezessete anos, fez amizade com Dona Terezinha Calazans - a Teca - que veraneava numa casa pr�xima �quela onde ela trabalhava como dom�stica. Teca, na qualidade de pesquisadora do folclore brasileiro, com interesse especial na musicalidade popular, gostava de passar pela Ilha, levando seu viol�o e, por vezes, a nova amiga Lia. Um belo dia - na verdade, uma ela tarde, Teca feria o viol�o, desligada do mundo, � beira da praia. Num gesto de abandono, come�ou a solfejar a m�sica da famosa Ciranda, sem dar conta do espanto de Teca, que voltava a si num sobressalto.

     Onde voc� aprendeu isso, menina?

     Lia abriu os dentes, com naturalidade, e respondeu, muito faceira:

 - Ora, Dona Teca, aprendi por a�... Acho que foi nos cocos e nas cirandas que sempre vou espiar

 - Pois essa m�sica � muito bacana e vou botar letra nisso. Ser� uma Ciranda em sua homenagem, Lia...

     E Lia fez um ar de orgulho, tornou a mostrar os dentes brancos num riso brejeiro e continuou a cantiga. Logo cantarolava a m�sica que deu origem ao segundo verso. Teca, entusiasmada, j� acompanhava no viol�o. Parou bruscamente e disse com euforia: 

 - Lia, minha nega, essa musiquinha � um amor...

     Em menos de dois dias estava pronta a Ciranda de Lia, com letra de Teca Calazans e pesquisa musical de Maria Madalena Correia do Nascimento.

     Al�m da Ciranda de Lia, temos tamb�m a famosa Ciranda de Dona Duda, do Janga, no munic�pio de Paulista; as Cirandas "Nordestina", "Formosa", "Mimosa" e "Cobi�ada do Z� Cust�dio", de Olinda; As Cirandas "Brasileira" e "Dengosa", de �gua Fria, em Recife; e a Ciranda "Brasileira", de Camaragibe. Partindo para o interior do Estado, encontramos a Ciranda do Edimilson (em Tracunha�m), a Ciranda do Santeiro (em Nazar� da Mata), a Ciranda da Bia (em Alian�a) e, finalmente, a Ciranda do Z� da Raposa (em Vic�ncia).

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