Os Bacamarteiros formam uma das mais originais manifesta��es do folclore nordestino, fazendo parte das atividades do ciclo junino. A tradi��o, que teve suas origens na Guerra do Paraguai, existe h� cerca de cem anos e se mat�m viva at� hoje, sobretudo no agreste pernambucano.

     Os grupos s�o formados principalmente por agricultores, artes�os, pequenos comerciantes e artistas independentes que se re�nem para, nas palavras do escritor Ol�mpio Bonald, "explorar os efeitos m�gicos dos estampidos, a for�a sugestiva das deflagra��es fumacentas e a poderosa influ�ncia que a vida militar induz em todo nosso homem do campo".

Em suas exibi��es, em que usam roupas de cangaceiros ou trajes de brim azul e len�os vermelhos no pesco�o, portam bacamartes - armas de fogo de cano curto e largo, refor�adas na coronha - que disparam com cargas de p�lvora seca, geralmente para homenagear os santos padroeiros.

    
Os grupos, apesar de portarem armas de fogo, t�m o uso dos bacamartes permitido pelas autoridades locais, em raz�o de seu car�ter n�o agressivo, misto de divers�o popular e esporte nordestino.

 

     
      O
s Bacamarteiros possuem uma hierarquia quase militar, observada por todos os grupos. Os "Jagun�os" obedecem ao "Comandante", homem de bom relacionamento entre o grupo e, geralmente, com alto poder aquisitivo.� o Comandante quem assume, por muitas vezes, despesas com a compra do fardamento e do salitre (nitrato de pot�ssio), necess�rio para fabrica��o da p�lvora utilizada. � o rela��es p�blicas do grupo, que toma as provid�ncias necess�rias para as apresenta��es, inclusive conseguindo as licen�as da pol;icia




     Embora seja um esporte onde se manejam armas de fogo, nunca se registrou crimes praticados por Bacamarteiros, quando em suas apresenta��es. De alguma forma, movidos pela disciplina exigida pelo "Comandante", os Bacamarteiros conseguem, ao menos durante os festejos, esquecer qualquer desaven�a pessoal que acaso tenham.

    
Apesar de praticada por homens corajosos e habilidosos, s�o necess�rios alguns cuidados para prevenir acidentes, pois a arma mal segura, com o impacto do disparo, pode voar das m�os do dono e machucar um outro companheiro ou mesmo um espectador. 

      � o chamado "coice do bacamarte". O descuido pode custar caro para o bacarmateiro, pois o Comandante reserva amargas puni��es - multa ou at� mesmo suspens�o - ao descuidado. Na hora de carregar a arma, ent�o, o cuidado deve ser dobrado, pois a puni��o � dada n�o pelo Comandante, mas pela pr�pria p�lvora, que pode ferir ou mesmo mutilar o infeliz.

 

 


     Al�m de Caruaru, maior centro do agreste pernambucano, a magia dos bacamarteiros pode ser encontrada nas cidades do Cabo, Lajedo, Limoeiro e Belo Jardim. Ao todo, cerca de dois mil homens - e, mais recentemente, algumas mulheres - divertem e se divertem com essa explosiva tradi��o, desfilando pelas ruas e dan�ando, ao som de pequenos conjuntos de sanfona, zabumba e tri�ngulo.

 
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