Fonte:
Pernambuco - caminhos de liberdade
(Cole��o - Brasil redescoberto),
Editora Tempo real

Um soldado da fortuna


Elevado � nobreza por seus feitos no Oriente, Duarte Coelho n�o nasceu fidalgo. Distinguido por D. Jo�o III, por atos de fidelidade e bravura, em 25 de janeiro de 1521, recebe seu escudo d�armas em 6 de junho de 1545. Embora muito citado pelos cronistas portugueses do s�culo XVI, o donat�rio de Pernambuco � figura de passado nebuloso e ainda hoje cheio de interroga��es. 

Nem esses cronistas, t�o preocupados com a origem das fam�lias, fazem qualquer men��o a seus pais. Nascido no final do s�culo XV, provavelmente em Miqaraia, ent�o freguesia d�O Porto (Portugal), era filho ileg�timo de um certo Gon�alo Coelho, at� hoje n�o bem identificado, como alerta Francis A. Dutra, baseado em documentos relativos ao per�odo de 1475 a 1525. Ele ingressou na marinha portuguesa em 1509, engajando na esquadra de D. Fernando Coutinho partindo para a India. Por l�, ficou por cerca de 20 anos.

Fama e fortuna - No Oriente, conquistou fama, fortuna e merecidos elogios pelos sucessos b�licos, destacando-se seus feitos na tomada da Malaca, quando derrotou for�as navais chinesas. Tamb�m colecionou louros por sua atua��o como embaixador de Portugal na Tail�ndia, ocasi�o em que se estabeleceu o com�rcio para os portugueses na Malaca. 

Durante sua presen�a na Asia, realizou tr�s viagens � China, uma ao Vietn�, � India e � Indon�sia, al�m de quatro outras � Tail�ndia. Em 1526, participou da conquista de Bitan, comandou a armada encarregada da "descoberta" de Cochin e do Vietn� do Sul, implantando rotas de com�rcio exclusivas para os portugueses. Retornando a Portugal, em 1529, dono de uma grande fortuna, � nomeado por D. Jo�o III embaixador junto � corte francesa, em substitui��o ao Dr. Louren�o Garces. 

Em Paris, demora-se apenas seis meses, voltando a Lisboa onde recebe o comando da Esquadra Real, em viagem de patrulha � fortaleza de Mina, na Africa, e � costa da Malagueta, seguindo depois aos A�ores a fim de esperar a frota que vinha de regresso da India.

Nobreza familiar - Entre 1529 e 1534, Duarte Coelho casa-se com dona Brites de Albuquerque, irm� de Jorge de Albuquerque, da alta nobreza portuguesa, que por duas vezes fora capit�o da Malaca (1514-16 e 152 1-25). Os Albuquerque, sim, tinham origem. Em sua linha geneal�gica, descendem de D. Afonso Sanches, um filho bastardo de D. Diniz I, que esposara dona Teresa Martins, filha de D. Jo�o Afonso, primeiro conde de Barcelos e quarto senhor de Albuquerque. A fam�lia ganhou fama na segunda metade do s�culo XV, atrav�s dos descendentes dos irm�os Gon�alo e Jo�o Albuquerque que se tornaram as mais importantes figuras na conquista da India e do Oriente.

Nobreza de alcova - Assim, Duarte Coelho Pereira, "um soldado da fortuna", como era chamado por seus contempor�neos, "recebendo de dote t�o somente a linhagem nobre de sua mulher", forma uma alian�a das mais consistentes com os Albuquerques, que se tornaram seus fi�is colaboradores em Portugal. Seu cunhado Manuel de Albuquerque permanece junto � corte e ali cuidava dos interesses de Duarte Coelho, mantendo-o sempre bem informado.

 Em 10 de ma�o de 1534, por especial benesse do rei D. Jo�o III, Duarte Coelho se v� contemplado com 60 l�guas de costa no Norte do Brasil, terra esta que se constituiria na capitania de Pernambuco, para onde trouxe a esposa e o cunhado, Jer�nimo de Albuquerque, que foi o primeiro senhor de engenho da capitania, ao formar o Nossa Senhora da Ajuda, no vale do rio Beberibe.Era a origem dos Albuquerque em Pernambuco e de Pernambuco no Brasil.

Fonte:
Pernambuco - caminhos de liberdade
(Cole��o - Brasil redescoberto),
Editora Tempo real

 
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