Fonte:
Pernambuco - caminhos de liberdade
(Cole��o - Brasil redescoberto),
Editora Tempo real

Assegurando as fontes de produ��o


A imensid�o das terras dos imp�rios coloniais, "onde o sol nunca se punha", e a car�ncia por mat�rias-primas e mercadorias semi-elaboradas estavam no centro das diverg�ncias pol�tico- econ�micas que se aprofundavam entre os povos flamengo-germ�nicos e o mundo ib�rico. A burguesia urbana que se contrapunha ao absolutismo imperial dos colonizadores pilotava os destinos das economias alem� e holandesa, no s�culo XVI. 

Assim, ao pagar o ped�gio �s metr�poles para negociar com produtos oriundos das col�nias de al�m-mar, ambicionavam trazer para as companhias formadas pelos pr�prios capitais burgueses o controle desse com�rcio. Estava aberto o campo para que os holandeses invadissem Pernambuco, onde desembarcaram em 1630 para ficar por 24 anos.

Parceria - A l�gica do pensamento empresarial dos holandeses � cristalina, mas, mesmo assim, submetia-se � pol�tica, sem perder de vista as oportunidades e tend�ncias do mercado. Naquela �poca, como hoje, valia a m�xima de que n�o se deve mexer em time que est� ganhando, e os neg�cios dos holandeses com o Brasil estavam proporcionando bons lucros, mesmo com a intermedia��o de Lisboa. A parceria era tal que a Holanda ofereceu navios a frete para o transporte de a��car. 

As embarca��es holandesas, com permiss�o dos portugueses, transportavam, inicialmente, produtos a partir de Lisboa, para os importadores, em Amsterd� e Antu�rpia. De volta a Lisboa, desembarcavam as mercadorias compradas pelos lisboetas. Depois, sempre em comum acordo com as autoridades portuguesas, conseguiram ampliar seus neg�cios fazendo com que os navios prosseguissem para posses- s�es portuguesas na Guin�, onde embarcavam negros escravos que conduziam at� o Recife, para vend�-los aos senhores de engenho. 

Da�, voltavam a Lisboa carregados de a��car e outros produtos da terra, reiniciando o ciclo. Nesse neg�cio, ganhavam por todos os lados. Na atividade mercantil de compra e venda, no transporte, no seguro oferecido em seus navios mais bem armados e at� mesmo no cr�dito, j� que financiavam os senhores de engenho descapitalizados, cobrando juros elevados.

 Na �poca era comum a pr�tica de se comprar escravo a presta��o, com financiamento holand�s. Portanto, n�o havia porque mexer no que empresarialmente ia t�o bem.

 Sucess�o vazia - At� que, com a morte do rei de Portugal, D. Henrique, em 1580, sem deixar descendentes, a coroa portuguesa foi parar na cabe�a do rei deEspanha, Felipe II. Como a Espanha estava em guerra com a Holanda, suas rela��es com o Brasil foram proibidas pelo governo espanhol, acarretando grandes preju�zos para os empreendimentos holandeses. 

Naquele tempo havia em Amsterd� 26 refinarias de a��car que, com a decis�o da corte espanhola, se viram sem mat�ria-prima com que trabalhar, al�m dos barcos, presos ao porto, sem carga para navegar.  

Empres�rios, os holandeses buscaram paralelo na experi�ncia desenvolvida no Oriente, para cuja explora��o constitu�ram a Companhia das Indias Orientais, empreendimento que acabou por conquistar diversas ilhas para a bandeira holandesa. Organizavam seus empreendimentos de tal forma que o estado deles participava n�o apenas como um cobrador de impostos, mas como um supridor de suporte militar, sem o que se inviabilizavam as atividades empresariais pretendidas. 

Assim, em 1621, com o apoio de Isabel, da Inglaterra, e Henrique IV, de Fran�a, rancorosos inimigos da Espanha, os holandeses constitu�ram  a Companhia das Indias Ocidentais, formada  pela fus�o de pequenas associa��es, cujo capital, em pouco tempo, elevara-se a 7 milh�es de florins.  Na mais perfeita concep��o de mutinacional, a Companhia das Indias Ocidentais interessou-se pelo Brasil, especialmente pelo a��car.

A primeira investida - Seguindo o exemplo da serpente, que s� come uma presa pela cabe�a, de forma a ela n�o mais oferecer resist�ncia, invadiram a Bahia, capital do Governo Geral, prendendo o governador Diogo de Mendon�a Furtado e se apropriando da carga dos navios encontrados no porto. A frente de uma tropa indisciplinada, formada por mercen�rios de v�rias origens, dados a bebedeiras e desordens, o comandante holand�s, Jacob Willekens, n�o p�de resistir � esquadra espanhola de 52 navios que veio exigir sua rendi��o. 

A bordo dos navios espanh�is vinham soldados de Pernambuco liderados por Duarte de Albuquerque Coelho, filho de Duarte Coelho, seu primeiro donat�rio. Tr�s semanas depois chegava � Bahia o refor�o holand�s, uma esquadra comandada por Hendrik-soon, que nada p�de fazer. Durara um ano a ocupa��o holandesa na Bahia, que, apesar de curta, fora lucrativa para os invasores.

Expulsos de l�, os holandeses voltaram seus olhos para Pernambuco, onde a produ��o de 121 engenhos de a��car "correntes e moentes", no dizer de van der Dussen, viria a engatilhar a sede de lucro dos diretores da Companhia.

>>>Pr�xima

 

 Fonte:
Pernambuco - caminhos de liberdade
(Cole��o - Brasil redescoberto),
Editora Tempo real

 
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