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Fonte: Uma cinta de pedra
H� 5 milh�es de anos a natureza trabalha para formar a plan�cie na qual se ergue a cidade do Recife. A ba�a onde ela se localiza estendia-se do cabo de Santo Agostinho, ao Sul, at� as colinas de Olinda, ao Norte. As terras de aluvi�o, trazidas pelas enxurradas dos deltas dos rios Beberibe, Capibaribe, Tejipi�, Jaboat�o e Pirapama, ao longo do tempo, vieram formar a plan�cie quatern�ria fincada entre as colinas terci�rias e os arrecifes que det�m a f�ria do mar. Os arrecifes de arenito descritos, do s�culo XVI, pelo poeta Bento Teixeira como "a cinta de pedra inculta e viva", foram a barreira natural que facilitou o assoreamento dos rios na antiga ba�a.
Enquanto as ondas formavam praias e restingas, os rios cavavam passagens na terra, deixando ilhas, lan�ando seus bra�os � procura do mar. Contemplando a gesta��o da natureza, o manguezal, com suas ra�zes, tingia com o verde da terra firme as areias vol�veis, sedimentando o solo e fixando os aluvi�es. Formava-se assim o Recife, tomando-se metade do mar, como disse o poeta Carlos Pena Filho.
Plana e pronta - Foi esta a primeira paisagem, plana e pronta, vislumbrada pelo homem que chegou a Pernambuco no in�cio do s�culo XVI. Ambr�sio Fernandes Brand�o, em sua obra Di�logos das grandezas do Brasil, escrita em 1618, deixa essa imagem n�tida quando o personagem Brand�nio diz a Alviano que Olinda se localiza "Em
uma enseada, da qual saem duas pontas ao A paisagem continuou a sofrer transforma��es. Pela m�o do homem foram, atrav�s de in�meros aterros, soldadas ao continente algumas ilhas. Umas permaneceram isoladas, at� recentemente, como as do Retiro, do Leite, do Nogueira, de Thomas Coque, de Joana Bezerra, do Pina, do Maruim, de Joaneiro. Outras chegam como ilhas aos nossos dias, como a do Recife, de Santo Ant�nio, da Boa Vista, cujos contornos est�o registrados nos mapas atuais. A outra metade, foi tomada � imagina��o, como se v� no poema completo: No
ponto onde o mar se extingue Quase quatro s�culos antes, Bento Teixeira, descrevia Recife, como "um porto t�o quieto e t�o seguro, que para as curvas das naus serve de muro". Ribeira do mar - Situada no cruzamento do paralelo a 80 3� de latitude sul com o meridiano de 340 7� de longitude oeste, a barra do arrecife, assim chamada no Di�rio de Pero Lopes escrito em 1532, veio a ser a "ribeira do mar dos Arrecifes dos Navios", a que se refere Duarte Coelho em sua conhecida carta foral de 12 de mar�o de 1537. Naquele tempo, Recife n�o passava de uma pequena povoa��o de mareantes e pescadores que viviam em torno da ermida de S�o Pedro Gon�alves, por eles denominada de Corpo Santo. Esta povoa��o, conhecida como Povo dos Arrecifes, quase que por teimosia, se fixara na ponta de uma estreita faixa de areia, cercada pelas �guas do mar e dos rios que, por in�meras vezes, tentaram dali expulsar seus moradores. Era o lugar do Recife, assinalado no mapa de Jo�o Teixeira Albernaz, "Carta da costa Leste do Brasil, entre a Vila de Olinda e Pa�o da Figueira", no Livro que d� raz�o do Estado do Brasil, escrito em 1618. O porto - A import�ncia do porto do Recife, no com�rcio com o norte da Europa � ressaltada em grande parte dos documentos do s�culo XVI e in�cio do s�culo XVII, gra�as � import�ncia econ�mica do a��car que passara de g�nero de alto luxo a produto de consumo de massa. Tal riqueza provocou a cobi�a dos piratas e cors�rios, tornando presa f�cil navios pequenos e mal armados como as caravelas. H� informa��es de que, entre 1589 e 1591, Portugal perdeu para piratas ingleses nada menos que 34 navios, em sua maioria procedente dos portos do Recife e da Bahia (Salvador). A situa��o piorava com o passar do tempo, tanto que em 1589, num per�odo de nove meses, foram apreendidos por franceses e ingleses 73 navios carregados. Assim era o Recife at� os primeiros anos do s�culo XVII. Um porto por excel�ncia, o de maior movimento da Am�rica Portuguesa, escoadouro principal das riquezas da mais promissora das capitanias: Pernambuco.
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