Conceitos gerais:

 

 Liberdade

 

        Existem três grandes concepções filosóficas da liberdade:

        A primeira grande teoria filosófica da liberdade é exposta por Aristóteles. Nessa concepção, é livre aquele que tem em si mesmo o princípio para agir ou não agir, isto é, aquele que é causa interna de sua ação ou da decisão de não agir, inexistindo constrangimentos externos e internos. Contrariamente ao necessário ou à necessidade, pois esses são oriundos da ação de uma causa externa, obrigando-o a agir sempre de uma determinada maneira. Essa teoria aristotélica permaneceu, com variantes, através dos séculos, chegando ao século XX, quando foi retomada. Sartre levou a teoria aristotélica ao limite. Para ele, a liberdade é a escolha incondicional que o próprio homem faz de seu ser e de seu mundo. Quando julgamos estar sob o poder de forças externas mais poderosas do que nossa vontade, esse julgamento é uma decisão livre, pois outros homens, nas mesmas circunstâncias não se curvaram nem se resignaram. Por isso, Sartre afirma que estamos condenados à liberdade.
   
     A segunda concepção da liberdade foi, inicialmente, desenvolvida por uma escola da Filosofia do período helenístico, o estoicismo, ressurgindo no século XVII com o filósofo Espinosa e, no Século XIX com Hegel e Marx. Diferentemente de Aristóteles e Sartre, não colocam a liberdade no ato de escolha realizado pela vontade individual, mas na atividade do todo, do qual os indivíduos são partes. A totalidade – Natureza, Cultura ou formação histórica-cultural – é livre em si mesma porque nada a força ou a obriga do exterior, e, por sua liberdade, instaura leis e normas necessárias para suas partes. Essa concepção não mantém a oposição entre liberdade e necessidade, mas afirma que a necessidade é a maneira pela qual a liberdade do todo se manifesta.
       
A terceira grande concepção filosófica da liberdade é inicialmente de Espinosa e Hobbes, no século XVII e retomada no século XVIII por Voltaire e procura unir elementos das duas anteriores. Todavia não se trata da liberdade de querer alguma coisa e sim de fazer alguma coisa, ou seja, somos livres para fazer alguma coisa quando temos o poder para fazê-la – a possibilidade objetiva. A liberdade é a consciência simultânea das circunstâncias existentes e das ações que, suscitadas por tais circunstâncias nos permitem ultrapassá-las.
   
     Na verdade os filósofos, nas concepções apresentadas, sempre levaram em conta a tensão entre nossa liberdade e as condições que nos determinam.


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