Músicos Brasileiros
em Miami"Ô abre alas que eu quero passar", diz o verso da modinha de carnaval. É com essa determinação que o músico capixaba Paulo Gualano, 43, encara sua profissão. Mais que um músico, ele se considera um empresário de prestígio entre as grandes companhias americanas que contratam seus espetáculos. "Aqui em Miami, sou conhecido como o embaixador da música brasileira", afirma. E ele sabe do que está falando.
Entre festivais, bailes, festas particulares e grandes eventos, Paulo Gualano há 17 anos vem apresentando o folclore brasileiro pelos Estados Unidos e em outros países como Japão e Coréia do Sul. Atualmente emprega 107 pessoas e está no comando de uma banda de música latina, El Sabor Latino, uma escola de samba, Unidos de Miami, e um grupo folclórico, Paulo Gualano Samba Group.
Para esse brasileiro, os negócios vão de vento em popa. O Banco do Brasil já contratou sua banda para animar um cruzeiro pelo Caribe na passagem no ano 2000. Ele anuncia que dentro de quatro anos espera estar pronto para deixar o país. Brasil? Nem pensar. Seu sonho é morar em Genebra, na Suíça.O ritmo alegre brasileiro também marca presença com a banda Falsa Baiana. Falsa porque, de baiana mesmo, só a música. Mas com muito axé. São sete os integrantes da banda: Ricardo Fábio, (Ribeirão Preto), Fernando e Márcio (Curitiba), Sérgio (Goiânia), Cadu e Jorge (Rio de Janeiro) e Léo (Friburgo).
O conjunto nasceu de uma "desculpa pra sair de casa". Resistiu a várias formações desde 97 e vem se estabelecendo principalmente pelo profissionalismo. Ricardo, 34, porta-voz do grupo, acha que o Consulado Brasileiro deveria criar a "Órdem dos Músicos Brasileiros no Exterior" para selecionar os mais qualificados e melhorar as condições de trabalho dos profissionais.
A Falsa Baiana apresenta seu som dançante uma vez por mês no Kabana, ao norte de Miami. Ricardo também reforça o orçamento com shows no Brazilian Tropicana, em Pompano Beach, e com dublagens de filmes. Ele tem muita saudade do Brasil: "Toda vez que vou pra casa saio fazendo apresentações pelos quatro cantos da nossa terra", conta. A gratificação para o músico, por enquanto, é mesmo o prazer de tocar e cantar. A banda está preparando um CD com músicas próprias para abril deste ano.
Outro artista que leva a música a sério é o baterista e compositor Magrus Borges. Aos 15 anos deixou Belém, sua cidade natal, e foi para o Rio de Janeiro, onde passou a tocar com Johnny Alf. Ainda no Brasil trabalhou com músicos famosos como Luís Melodia, Gal Costa e Zezé Mota. Em busca de aperfeiçoamento, Magrus mudou-se para os Estados Unidos e estudou música na Califórnia.
O início de carreira não foi tão agradável quanto ele esperava. Em Nova York, o baterista precisou ganhar dinheiro para sustentar seus estudos. Ele recorda que passeava com dez cachorros pelo Central Park e saía com todos juntos para ganhar tempo. Também foi modelo e posou nu em uma escola de arte. Em Miami, sentiu a necessidade de fazer sua própria música e criou a Rainforest Band.
Magrus está satisfeito com as aportunidades de trabalho, mas acha o mercado restrito. Sua banda toca em bares para um público que, segundo ele, aprecia "a boa música". Eles fazem de tudo: música brasileira, funk, rock'n'roll, jazz e música latina. O músico já tem um CD de brazilian jazz com a banda, "Between Dreams", e está compondo para o segundo.
A Bossa Nova e a música popular brasileira estão na arte de Rose Max e Ramatis. O casal apresenta o brazilian jazz de segunda à sexta no restaurante brasileiro Porcão, em Miami. A Double R Duo, como é chamada a banda, também faz shows e bailes por todo o país com música variada, desde o rock e o blues à salsa.
Rose Max conta que nunca pensou em morar nos Estados Unidos. Ela se perguntava: "Como eu poderia morar em um país onde existe a Ku-Klux-Klan?". Mas depois de seis anos em Miami, o casal não reclama da escolha que fez. "Temos uma vida cômoda e digna", relata. "Nunca fizemos outra coisa senão música.". Segundo a cantora, até o visto de trabalho eles devem à música. A finalidade do trabalho da dupla, como consta no passaporte, é a "divulgação da cultura brasileira".
Além de música, Rose Max e Ramatis trabalham em um estúdio que têm em casa e gravam jingles e vinhetas para a TV. Ramatis também é administrador e produtor de um estúdio. Para Rose Max, o Brasil ficou para trás. Assim como pensam outros músicos brasileiros, ela valoriza as oportunidades de trabalho que os Estados Unidos oferecem.
Serviço:
Paulo Gualano (954) 450-1772
Falsa Baiana Ricardo (954) 427-7424
Magrus Borges (305) 944-8984
Rose Max e Ramatis (305) 759-4082