" Lembro-me que me sentia muito calmo,como na hora do treinamento.Quando sobrevo�vamos a ilha de Oahu,no Hava�,observei as ondas batendo nas pedras sob as nuvens densas.N�o tinha sentimento de �dio ou antipatia contra os americanos.N�o havia questionamento,apenas se obedecia as ordens. cada avi�o de miha esquadra tinha tr�s tripulantes: uma para manobr�-lo,outro para cuidar da localiza��o,e um telegrafista para enviar mensagens � base.Eu era o respons�vel pela localiza��o.na hora do ataque,a nossa esquadra estava voando em linha ,pois o tenente-coronel Fuchda nos ordenou a entrar em forma de ataque e nos separou em grupos,de acordo,com o tipo de avi�o.Eu estava num torpedeiro,o �nico tipo de avi�o a fazer um treinamento especial para voar baixo em Pearl Harbor.O mar ali era raso demais para se lan�ar os torpedos de maneira convencional.Geralmente o torpedo � lan�ado a 100 metros de altura,e ap�s submergir segue a 60 metros abaixo da superf�cie da �gua.Mas em Pearl Harbor n�s ter�amos de voar no m�ximo a 10 metros de altura.Al�m disso,tivemos de criar um mecanismo especial para driblar a pouca profundidade do mar local: colocamos uma placa de madeira na parte de tr�s do torpedo,para amortecer o impacto sofrido ao entrar na �gua. Quando sobrevo�vamos o aeroporto da base americana,a altitude dos nossos avi�es era de quase 200 metros acima do n�vel do mar.Est�vamos nos aproximando do alvo.Abaixamos a altitude,viramos os narizes dos avi�es para esquerda,e entramos na enseada.Os navios americanos ficavam enfileirados na enseada,e quando os avistei eles j� estavam sendo atacados por nossos avi�es.O dia estava nublado.Assim que vi a ilha,apena pensei: hora de atacar.N�o tinha medo nenhum,por�m esperava que avi�es americanos n�o estivessem preparados para contra-atacar. Mas eles j� estavam reagindo.S� o que pod�amos fazer era nos concentrar para lan�ar um torpedo com sucesso. Abaixamos nosso avi�o a seis metros de altura sobre o n�vel do mar."Lance!",disse o piloto Nakagawa,e o torpedo foi lan�ado e acertou um porta-avi�o norte-americano.Logo depois,viramos para a direita,mas isso foi um erro. Entramos na linha de tiro,e algumas balas penetraram no corpo do nosso avi�o.Fugimos com toda for�a,enfim,saimos do alcance dos disparos.Quando me virei,e vi o nosso telegrafista Kawasaki fazendo careta.perguntei-lhe o que havia acontecido." Feri a minha canel com um tiro,mas estou bem." ele disse.no caminho,vi uma floresta linda abaixo de n�s.Apesar da batalha,a paisagem ali estava pac�fica e calma.Oito tiros penetraram em nosso avi�o.Arrependo-me que no momento do combate tenhamos nos virado para a direita,e n�o para a esquerda,pois assim ter�amos evitado os tiros. No ano passado (2000),nossa turma da Associa��o de Veteranos da Marinha foi convidada para um encontro no Hava�,do qual participaram 200 japoneses e 60 americanos.A reuni�o foi amistosa e proporcionou momentos inesquec�veis.Os veteranos dos dois pa�ses apertaram as m�os e bateram papo sem reservas,a bordo do navio de guerra Missouri.Entre n�s n�o havia antipatia.A guerra � um conflito entre pa�ses,e n�o entre indiv�duos.Fiquei satisfeito de sentir que os veteranos americanos pensam assim tamb�m..." depoimento de Haruo Yoshino
texto tirado da Revista Made in Japan |