Urbanismo

 

 

Joguei no asfalto

A lira dos vinte anos

E esperando... Cansei

Pela poesia urbana e alegre

A espera de uma alma florida

Entre as tristezas dos arranha-céus

Há um diabo de sorriso colorido

E o olhar que de tão incandescente

Faz indecentes as palavras do poeta

Como resposta o poema é triste

Cheio de sexo, luzes e aspirações

No sopro do suspiro algo se escreveu

Falácias, embriaguez, luxúria, filosofia

Pena não ser o gosto do doce desejo

Nem a beleza da contemporânea expiação

A mão pesada então segura o lenço

Que de tão fino é frágil como teias

Acalmam as frustrações do rude

Boêmias, garrafas, palavras

O sabor será sempre o mesmo

Incontestável

Amargo

Insípido

Inspiração nas presas do aracnídeo

E no muro do fim da rua

A única prosa é a pichação

Lírica máxima dos ignóbeis

Na semente do sêmen precoce

O versículo foge da calçada da poesia

 


Eliel Carvalho Ferreira
2º lugar no IV Concurso UniABC de Poesia

 

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