Sangria

 

Preciso de um banho que me lave a alma
Que me leve embora e me traga de volta
Calma...colorida...
Bem-vinda como a aurora
Lúcida, nua, sem revolta
sem vestígios sob as unhas
que arranham em vão,
defendendo a chama do vento,
o sonho do pesadelo,
a luz da escuridão.

Preciso da doçura de um afeto gratuito,
de um afago sem sentido
de um olhar humano, perdido
nas dunas do tempo algoz
que leva consigo, carrasco
o que de mais intenso e feroz
pode-se querer: a paixão, a coragem,
a loucura de viver.

Preciso do rubro sangue dos heróis,
pigmentando meu vestido
longo e insinuante, seduzindo
cingindo, cegando,
blefando e encobrindo
as feridas abertas, purulentas
que a luta me causou, a dor
das noites longas e lentas
serpentes...
indiferentes, inerentes ao amor.

 

Andréia K.

 

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